Vale Zias, Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, 100% Syrah, Lisboa, 2011

Quando há dois anos apresentámos este Syrah de Lisboa dissemos:
”guardem este Syrah durante uns anos, apostamos, para já, em 4 anos, e depois vejam a evolução! Este é um Syrah capaz de aguentar e melhorar com o tempo. Até apostamos, se for caso disso!”
Não passaram quatro anos, mas só com dois anos dá para perceber que ganhámos a aposta.
Está significativamente melhor!
Pensámos que estaria esgotado. Basicamente está! Mas conseguimos encontrar ainda algumas garrafas numa grande superfície e daí voltarmos a falar dele dois anos volvidos.

A relação qualidade/preço continua muito boa! Este Syrah encontra-se abaixo dos cinco euros e, em essência, acima da média em termos de apreciação. Reparem nas notas de prova: “cor rubi violácea, aromas com boa definição onde predominam frutos vermelhos e bagas, assim como aroma a frutos maduros e de grande estrutura, boca elegante de taninos redondos e maduros, final harmonioso e de boa persistência”. Ficou alguma coisa por esclarecer?

A empresa Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, foi fundada em 2005, no entanto as suas origens têm por base um cariz familiar, que já desenvolve a sua actividade agrícola na região vinícola de Lisboa há várias décadas, tendo procedido ao primeiro enchimento de vinho nos anos 30. E tem como principais actividades a produção e comércio de vinho engarrafado, produção de pêra rocha e consultoria técnica em Enologia. A vinificação é feita à boa maneira dos antigos. As uvas são fermentadas em lagar de forma tradicional.

O escritor Juan Sorapán de Rieros disse:
“Syrah é uma das coisas mais antigas que se conhecem, desde o dilúvio universal até ao nosso tempo.”
O Syrah Vale Zias não existe há tanto tempo mas continua a evoluir muito bem!

 

Classificação: 17/20                                              Preço: 4,99€


 

Coisas de Vinho [tertúlia, o vinho e tudo à volta] Março 30

 

Na próxima 5ª feira em Évora temos mais uma boa conversa à volta do vinho.

Tabernas e Tradições é o tema que Francisco Ramos nos propõe, isto enquanto provamos mais um excelente vinho que um dos bons produtores alentejanos nos vai apresentar.

Sinta-se desde já convidado!


 

Vinhas de Pegões, Adega Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Em Maio do ano passado apresentávamos o primeiro Syrah de 2015, justamente a primeira colheita deste Syrah Vinhas de Pegões!
Hoje estamos aqui para apresentar a segunda colheita!
E que enorme diferença existe entre uma e outra. Se a de 2015 nos tinha empolgado pela qualidade e pelo preço, sendo a escolha no final do ano para o prémio de melhor Syrah na categoria qualidade/preço, já esta colheita de 2016 é o oposto da anterior. Os aromas, a fruta e o gosto a cravinho estão lá mas em dose exagerada…Tão exagerada que o conjunto se torna enjoativo. Não, este Vinhas de Pegões  Syrah 2016 não convence…e abrimos várias garrafas ao longo de um mês. O resultado foi sempre o mesmo! Algo correu mal na elaboração/fermentação deste Syrah. Talvez a ânsia de o colocar tão depressa no mercado possa ter provocado desleixo e o resultado é este.

No entanto as indicações que possuímos indicam que a fermentação alcoólica deu-se em cubas lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento de 4 meses em madeira americana e francesa, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado. Tem prevista em termos de longevidade uma evolução positiva pelo menos nos primeiros 7 anos. As notas de prova falam “de frutos vermelhos e pretos bem maduros típicos da casta, bem integrado com a madeira, compota, cheio de taninos macios, final longo.” A graduação alcoólica é de 14%.

A Adega Cooperativa de Pegões regista uma diversidade de marcas para a sua gama de produtos, que vai desde os vinhos de mesa passando pelos regionais, DOC, Garrafeira, Colheita Selecionada, Moscatel, Aguardentes, Espumantes, etc. Vende a totalidade da sua produção engarrafada ( mais de 9.000.000 de litros) 65% para o mercado nacional e 35% para o internacional. Talvez por ser este colosso vitivinícola é que às vezes algo pode correr mal! Mas tem que existir controlo de qualidade. Este Syrah assim não dá mesmo para beber! Uma solução que o Blogue do Syrah experimentou foi decantar uma garrafa e deixar o decanter em repouso durante três dias! Estava melhor, mas mesmo assim longe, muito longe da colheita anterior!

O escritor e prémio Nóbel da Literatura Hermann Hesse escreveu:
“Muitas vezes procurei essa alegria, esse sonho, esse esquecimento, numa garrafa de Syrah. E não raramente isso me ajudou. Fique-lhe registado o meu agradecimento. Mas o Syrah não me bastava.”
O Syrah Vinhas de Pegões 2016 não tem essa alegria, esse sonho!

 

Classificação: 14/20                                   Preço: 2,49€


 

Onda Nova, Adega do Cantor, 100% Syrah, Algarve, 2013

Este Syrah Onda Nova 2013, de Albufeira, é o irmão mais recente do Onda Nova que tínhamos apresentado aqui. Tudo mudou neste Syrah da Adega do Cantor. A garrafa, a rotulagem, até a graduação alcoólica. As notas de prova dizem-nos que apresenta “aromas a ameixa e amoras silvestres maduras aliadas a notas subtis de especiarias. Na boca é equilibrado, estrutrado com madeira bem integrada. Termina longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 15%.

A Adega do Cantor fica situada na Guia, escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras.

A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising. O objectivo na Adega do Cantor é produzir vinhos que consigam reflectir o calor, cor e diversidade da região; vinhos que possam acompanhar a fantástica cozinha local. Este vinho é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

A Adega do Cantor tem capacidade para 200 toneladas e foi construída em colaboração com a Castle Rock Logistics, uma empresa Australiana especializada em projectos e gestão de adegas. O projecto levou 18 meses a ser desenhado em computador e 10 meses a construir. A Adega foi concebida modularmente, de forma a ser facilmente ampliada para albergar 300 toneladas.

O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.
A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

Napoleão dizia que “Claramente os prazeres que o Syrah oferece são transitórios. Mas assim são também os do ballet ou os de uma apresentação musical. Syrah inspira e acrescenta muito ao prazer de viver.”
Vamos lá então beber tranquilamente e em paz, ao sol de Primavera, o Syrah da Adega do Cantor, Sir Harry Rodger Webb, mais conhecido como Cliff Richard, este Onda Nova 2013, que se quer mesmo uma boa onda!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 8,50€


 

Quinta do Barradas, Reserva, 100% Syrah, Algarve, 2014

Hoje temos a honra de apresentar um topo de gama, mais uma vez algarvio, e da zona de Silves!
O Quinta do Barradas, Reserva, Syrah, de 2014, é a primeira colheita… e que colheita!

Fizeram-se cerca de duas mil garrafas. As uvas de que se faz este Syrah eram anteriormente utilizadas para o blend Touriga Nacional e Syrah, que ainda se faz. Esta aposta está ganha porque quem bebe este monocasta Syrah a 100% não se esquece facilmente dele!

O Quinta do Barradas Syrah é uma bebida fermentada a temperaturas controladas por vinte dias, estagiando depois por dezoito meses em barricas de carvalho francês. Na sua cor e aroma predominam as violetas, que se mostram bem integradas com as notas e gomas pretas das especiarias da barrica. Na prova é muito rico, com taninos redondos e de uma enorme elegância. A graduação alcoólica é de 15%. A enóloga é Joana Maçanita, que nós bem conhecemos. Uma pequena nota informativa para destacar a distribuidora algarvia dos vinhos da Quinta do Barradas que é a Saint Graal Vinhos cujo CEO é Luís Bandara!

E agora impõe-se um pouco de história: Luís Pequeno e a sua esposa, a  alemã Andrea, são os proprietários do famoso restaurante “O Barradas”, em Silves, um dos melhores da região. Muitos belgas, em visita ao Algarve, passaram  por lá e designam-no por “Jóia do Algarve”. Em 2006, o Luís decidiu plantar uma vinha com as castas Touriga-Nacional,  Aragonez e Syrah, com  predomínio de ventos do norte, favoráveis a vinhos mais frescos. O solo é franco arenoso, com algum calcário e está a uma cota de sensivelmente 68m. Quatro anos depois, o Luís fez a sua primeira vindima. Finalmente realizava o seu sonho :  servir o seu próprio vinho, no seu próprio restaurante. Uma pequena vinha, com 1.5ha, onde estão plantadas as castas já referidas. Produz-se um branco, um rosé e tintos. O seu primeiro vinho “Selecção Tinto”, foi lançado em setembro 2013. E hoje estamos perante o seu topo de gama, pelo menos, para o Blogue do Syrah!

E há aqui outro nome que tem que ser destacado que é o da Joana Maçanita. Durante este tempo todo em que existe o Blogue do Syrah a Joana, apesar da sua experiência como fazedora de vinhos, era somente a irmã do António. O nome Maçanita tinha um peso enorme no mundo dos Syrah portugueses por causa do Cem Réis, por causa do Brett Edition e por causa do Mil Réis! Agora esse nome ficou mais rico e ampliado! Quando se falar no nome Maçanita teremos sempre que esclarecer se estamos a falar do António ou da Joana. E vai haver mais novidades da parte da Joana, podemos desde já afirmar. Mas isso ficará para outra altura!

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“O vinho proporciona aos sábios uma embriaguez semelhante à dos eleitos. Dá-nos a mocidade, restitui-nos o que perdêramos, põe ao nosso alcance tudo o que desejamos. O vinho queima como torrente de fogo, mas, às vezes, tem sobre as nossas mágoas o efeito da água pura e fresca.”
Este é um Syrah que deverá ser bebido sempre que houver essa possibilidade e isto apesar das dificuldades que o enófilo fora do Algarve terá em encontrá-lo! Uma solução será ir ao Restaurante O Barradas, em Silves, comer bem e pedir para acompanhar a refeição com o Reserva Syrah de 2014. Não se vai arrepender!

 

Classificação: 19/20                                           Preço: 25,00€


 

Quinta da Alorna, 100% Syrah, Tejo, 2013

Syrah que veio para ficar e há aqueles que tal como vieram partiram. Sem deixar saudades, sem marcar presença, sem dizer ao que vinham e porque se foram embora. Destes últimos há pouco a dizer, porque eles também pouco fizeram para serem recordados! Só que no Blogue do Syrah, e desde a primeira hora, o comprometimento foi, umas vezes mais outras vezes menos… umas vezes melhor outras vezes nem por isso, falar de todos os Syrah que a Terra Lusitana viu nascer! A grande maioria com uma imensa alegria, outros com um certo sabor a desdita.

O Syrah do Tejo, da Quinta da Alorna, faz parte destes últimos. Um Syrah de 2013 que se foi ontem com a mesma velocidade com que apareceu hoje, e assim se foi embora! Nós aqui no Blogue do Syrah faremos o mesmo, ou seja, falaremos o mínimo que tivermos a dizer para o consumidor ter conhecimento e nada mais!

Trata-se de uma produção de apenas duas mil garrafas. As notas de prova dizem-nos que possui “cor rubi com aroma intenso de fruta preta madura com notas de especiarias e chocolate. É equilibrado, redondo e delicado com um final de boca persistente predominando as notas de fruta preta.” Tem uma graduação alcoólica de 13.5%. A enóloga é a Marta Simões.

Na vinificação, colheram-se manualmente as melhores uvas Syrah da Quinta da Alorna. Após maceração pelicular pré-fermentativa a frio de 2 dias, seguiu-se a fermentação alcoólica durante 10 dias com remontagens suaves e uma temperatura controlada de 23°C . O vinho foi micro-oxigenado até à indução da fermentação maloláctica. Por fim, o vinho estagiou em barricas de carvalho Americano de segunda utilização, durante 4 meses. O rótulo diz que este Syrah pertence a uma colecção de monovarietais da Quinta da Alorna e é o resultado da investigação contínua e dedicação da equipa de Viticultura e Enologia. Com esta colecção de estilo contemporâneo pretende-se demonstrar o potencial do terroir, criando vinhos únicos, sedutores e autênticos que expressam o carácter distinto e genuíno de cada casta. Sujeito a depósito. Consumir a 16 – 18ºC. Descubra o sabor das castas do Mundo com este Syrah especiado e delicado, diz-nos o produtor.

O provérbio popular diz que:
“Pão que sobre, carne que baste, Syrah que farte.”
Não será este o caso deste Syrah Quinta da Alorna 2013 que nem tivemos a oportunidade de o provar quanto mais de nos fartarmos!

Classificação: –                                                     Preço: 7,50€