Talego, iVin – Vinhos Com Nome, 100% Syrah, Setúbal, 2015

Já tínhamos falado deste Talego do ano de 2013 aqui e aqui. Hoje temos perante nós a colheita de 2015!
É um Syrah robusto, bem feito, com um grau de complexidade aromática elevada, que por menos do patamar psicológico de dez euros é indiscutivelmente uma boa opção de compra!

O Talego, Syrah de Palmela, é patrocinado pela Ivin, Vinhos com Nome, e é produzido pela Adega Cooperativa de Palmela. As notas de prova dizem que é um Syrah “de côr granada intenso. Aroma: Frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira, Paladar: Sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados Final de Prova: Final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” O enólogo é Luís Silva e a graduação alcoólica é de 15%.

A Adega Cooperativa de Palmela, com 300 associados, é uma área de vinha de excepcional qualidade, com aproximadamente 1000 hectares. Produz anualmente mais de 8 milhões de litros de vinho, 75% tintos, 15% brancos, e 10% Moscatel de Setúbal. A produção é depois engarrafada em linhas automáticas com capacidade para 10 mil garrafas/hora.
É desta cooperativa que saiu o Talego Syrah. A iVin é uma empresa de distribuição de vinhos que gosta de interagir com os diferentes intervenientes do sector de vinhos. Colabora com produtores e enólogos nacionais e internacionais de valor. Desde que surgiu, em 2009, a iVin especializou-se na comercialização de vinhos de qualidade reconhecida com origem em mais de cinco países, para os mais diversos pontos de venda, lojas e entrepostos, supermercados e hipermercados, hotéis e restaurantes. O seu fundador, Miguel Grijó, está ligado há mais de quinze anos ao sector de distribuição de vinhos. Uma experiência acumulada em conceituadas empresas do sector permitiu-lhe formar uma relação privilegiada com clientes e produtores. Distribuição eficiente é a chave em mercados que estão em constante evolução. Para além de tratar de todos os aspectos ligados à comercialização dos seus produtos, a iVin disponibiliza aos seus clientes serviços de apoio à gestão de marcas. É caso para dizer que a iVin tem o melhor de dois mundos, entre a distribuição e a consultoria. A nível nacional, surgem duas abordagens: os Projectos Pessoais e os Vinhos de Quinta. Nos Projectos Pessoais, enólogos com experiência em diferentes terroirs e regiões produzem em vinhas próprias, apoiados pela empresa. Nos Vinhos de Quinta, o terroir é o principal diferenciador do seu produto. A nível internacional, a iVin disponibiliza uma amostra representativa do que melhor é feito no novo mundo. O portefólio inclui ainda vinhos de mesa, icewines, espumantes e champagnes de casas europeias.

O escritor Oscar Wilde escreveu que:
“Para conhecer a colheita e a qualidade de um Syrah não é necessário beber toda a pipa.”
No caso do Talego 2015 para conhecer a sua qualidade intrínseca nem foi preciso beber toda a garrafa!

 

Classificação: 17/20                                                   Preço: 9,80€

Coisas de Vinho [tertúlia, o vinho e tudo à volta]

Desta vez vai-se conversar sobre Enoturismo, com  José Mateus Ginó (Presidente Executivo da FEA) e António Ceia da Silva (Presidente da Entidade Regional de Turismo).

E o vinho à prova FEA – Pedro Baptista

O anfitrião é a Fundação Eugénio de Almeida – Adega da Cartuxa – Quinta de Valbom – Évora.

Confraria, Adega Cooperativa do Cadaval, 100% Syrah, Lisboa, 2015

O Syrah Confraria da Adega Cooperativa do Cadaval do ano de 2015 é claramente superior ao seu irmão do ano de 2012, aqui apresentado. Foram feitas cinquenta mil garrafas, algo pouco usual tratando-se de um monocasta. Tem graduação alcoólica de 13,5%, e as notas de prova dizem que possui aromas “onde sobressaem as nuances de frutos vermelhos maduros e a madeira onde envelheceu. Na prova é intenso mas suave, permanecendo de forma alongada na boca.” É um Syrah que se bebe sem grande pretensiosismo, e o preço é muito interessante. Mas não podemos esperar mais do que isso. Não impressiona mesmo. Produzido pela Adega Cooperativa do Cadaval, que fica na região vitivinícola de Lisboa. Ora as adegas cooperativas da região de Lisboa não sabem fazer Syrah de qualidade, é a conclusão que tiramos até agora. Este é mais um a juntar à lista!

A Adega Cooperativa do Cadaval, existente desde 1969, dedica-se à recepção e transformação por vinificação de uvas dos seus associados, criadas nos vinhedos que cobrem as encostas soalheiras da Serra do Montejunto e que, em declive suave, se estendem pelo vale. Comercializa vinhos por grosso e embalado. As marcas já implantadas no mercado são: os regionais AGUIEIRA e CONFRARIA, e os vinhos correntes com a marca DACEPA.

Situada na costa Atlântica de Portugal, e inserida na Região Vitivinícola de Lisboa, esta Adega é uma cooperativa de produtores com 40 anos de história na produção de vinhos. Os associados da Adega no activo ultrapassam o meio milhar e distribuem-se por uma área de influência que vai desde zonas mais próximas do Litoral até às encostas da Serra do Montejunto. O terroir da região e a sua componente Atlântica, aliados aos conceitos aplicados na criação de vinhos, proporcionam condições de excelência para a produção de espumantes e vinhos brancos de qualidade, frescos, intensos e aromáticos.
Saliente-se a natural aptidão da região para a produção de vinhos de teor alcoólico moderado “Vinho Branco Leve” e “Vinho Rosé Leve”, num bom estilo internacional e adequados à actual procura dos mercados, mas de qualidade duvidosa, dizemos nós…
A sua produção é portanto maioritariamente dedicada aos vinhos brancos, numa percentagem de 65%, tendo a produção de tintos, devido à reestruturação da vinha, vindo a aumentar percentualmente para um valor de 27%. Os vinhos rosados, também em crescimento, ainda não ultrapassam os 8%.

A Adega Cooperativa do Cadaval, tem vindo a desenvolver progressivamente a sua implantação no mercado nacional, onde abastece algumas das principais cadeias de supermercados. Os mercados externos são o seu grande objectivo actual, razão pela qual se encontra neste momento a reformular a sua gama de produtos, com a introdução de novas marcas, imagens de rótulos e caixas.

Um ditado popular diz que “O Syrah alegra o coração do homem.” Este Syrah da Adega Cooperativa do Cadaval alegrará q.b. o coração do enófilo!

 

Classificação: 15/20                                                  Preço: 3,80€

Filipe Sevinate Pinto – Mais um enólogo de prestígio no mundo do Syrah

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, continuamos por esse caminho e trazemos desta vez à ribalta Filipe Sevinate Pinto, que tem no seu currículo três Syrah, um com várias colheitas, um outro foi colheita única e o terceiro é a primeira até ver!

Aqui vão eles, todos de peso, como se pode ver pelas classificações por nós atribuídas:

Planura, Unicer Vinhos S.A., 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 16/20

 

Herdade da Figueirinha, Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha Lda, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 17/20

 

S. Sebastião,Quinta de S. Sebastião, 100% Syrah, Lisboa
Classificação: 17/20

 

Vejamos cada um em pormenor.

Planura, Unicer Vinhos S.A., 100% Syrah, Alentejo
Este é um Syrah da responsabilidade da Unicer Vinhos, empresa bem conhecida de vinhos, cervejas, refrigerantes e águas engarrafadas.
Planura é um vinho Regional Alentejano que resulta de um rigoroso controlo de qualidade vitícola e enológico, dando origem a vinhos harmoniosos e equilibrados. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto. A graduação alcoólica é de 14,5%. As notas de prova do enólogo dizem que o “Planura Syrah apresenta uma cor intensa e uma distinção aromática surpreendente, onde predominam os aromas a chocolate, compota e algumas notas fumadas. A sua estrutura de taninos confere uma prova cheia, frutada e elegante.
A Unicer está presente de Norte a Sul do país, conta com 1350 colaboradores, possui 13 estabelecimentos que incluem centros de produção de cerveja, de sumos e refrigerantes, e de vinhos, assim como centros de captação e engarrafamento de água, além de vendas e operações. A Unicer exporta 150 milhões de litros, tem 90.000 camiões de transporte para 50 países.

Herdade da Figueirinha, Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha Lda, 100% Syrah, Alentejo
O Syrah da Herdade da Figueirinha de 2006 é um vinho Regional Alentejano monovarietal, de uvas provenientes da Herdade da Figueirinha.
Apresenta cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos, madeira bem integrada, taninos redondos e acidez equilibrada. Notas de prova falam-nos de um “aroma intenso, nota de queimado/aborrachado, algum anis mentolado, fruto doce, taninos redondos, tom morno e sobremaduro, final com nota capitosa.” Possui graduação alcoólica de 14,5%.
O enólogo é Filipe Sevinate Pinto. Com uma área de 170 hectares de olival, em 2006, a empresa decidiu construir o Lagar da Figueirinha, com capacidade de transformação de 8 milhões de toneladas de azeitonas, e que produz um azeite de alta qualidade. O consultor técnico para a produção de azeite é João Gomes.

S. Sebastião,Quinta de S. Sebastião, 100% Syrah, Lisboa
A Quinta de S. Sebastião já merecia o seu Syrah! Esta primeira colheita do ano de 2015 e apesar da produção relativamente pequena, é de grande qualidade! As notas de prova dizem-nos que se trata dum “vinho de cor granada escura e nariz com notas de pimenta e groselha preta. Na boca é fresco e estruturado.” A graduação alcoólica é de 14,5%. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto.
O projecto Quinta de S. Sebastião nasce da vontade do seu proprietário – António Parente – colocar no mapa a região de Arruda dos Vinhos, unindo os seus produtores num projecto único, sob a umbrela da marca Quinta de S. Sebastião. Esta é uma região que sofria dum fraco reconhecimento dos vinhos aqui produzidos. Pretendeu-se com este desafio juntar vinhos e produtores, num projecto estruturante para a região, combatendo esta percepção pela produção de vinhos com qualidade inquestionável, partindo para a conquista de um mercado altamente competitivo em marcas e propostas de valor.

Filipe Sevinate Pinto é um enólogo que se destacou entre as novas gerações de talentosos enólogos Portugueses. Licenciado pelo Instituto Superior de Agronomia e com experiência em vindimas internacionais, está agora dedicado à produção de vinhos de qualidade no nosso País, nomeadamente na região do Alentejo.

Formado em Engenharia Agro-Industrial com especialização em enologia pelo Instituto Superior de Agronomia. Após vários anos de experiência ganha em projectos dentro e fora do país como estagiário, responsável de produção e enologia, trabalha actualmente como enólogo consultor em vários empreendimentos de vinhos de norte a sul do país. Os seus vinhos ganharam nos últimos anos mais de 100 prémios (várias medalhas de ouro) em alguns dos mais importantes concursos internacionais e foi nomeado nos prémios W 2010 e W 2011 para o melhor jovem enólogo de Portugal. Adequar os vinhos àquelas que são as actuais tendências do mercado será o principal objectivo de Filipe Sevinate Pinto, e que vinha há vários anos a trabalhar com o enólogo António Saramago.

Natural de Ferreira do Alentejo e filho do antigo ministro da Agricultura Armando Sevinate Pinto, Filipe Sevinate Pinto colabora igualmente como enólogo com a Unicer Vinhos (do grupo Unicer) e com o Monte do Álamo – Vinho Regional Alentejano (de Nossa Senhora de Machede). Em 2011 foi nomeado para os “Prémios W” (promovidos pelo crítico de vinhos Aníbal Coutinho), na categoria de “Melhor Jovem Enólogo”. Ficamos pois muito felizes por ter alguém deste calibre a trabalho do nosso lado, o lado do Syrah!

S. Sebastião,Quinta de S. Sebastião, 100% Syrah, Lisboa, 2015

A Quinta de S. Sebastião já merecia um Syrah!
Esta primeira colheita do ano de 2015, e apesar da produção relativamente pequena, é de grande qualidade!
As notas de prova dizem-nos que se trata de um “vinho de cor granada escura e nariz com notas de pimenta e groselha preta. Na boca é fresco e estruturado.” A graduação alcoólica é de 14,5%. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto.

O projecto Quinta de S. Sebastião nasce da vontade do seu proprietário, António Parente, em colocar no mapa a região de Arruda dos Vinhos, unindo os seus produtores num projecto único, sob a marca Quinta de S. Sebastião. Esta é uma região que sofria de um fraco reconhecimento dos vinhos ali produzidos. Pretendeu-se com este desafio juntar vinhos e produtores, num projecto estruturante para a região, combatendo esta percepção pela produção de vinhos com qualidade inquestionável, partindo para a conquista de um mercado altamente competitivo em marcas e propostas de valor. O objectivo último é fazer renascer a região da Arruda dos Vinhos!

Diz-se que por debaixo de cada quinta na Arruda dos Vinhos há uma Villa romana. São muitos os testemunhos da presença dos romanos nestas paragens, reflexo da sua paixão pelo néctar dos deuses, não só pela fertilidade que estes terrenos demonstravam, mas também pela sua localização geográfica, que faziam destas terras um dos percursos mais importantes das rotas dos vinhos. Julga-se que para além da abundância nestas paisagens de uma planta, a “arruda” a que eram atribuídas qualidades terapêuticas e até estimulantes, o nome Arruda surge essencialmente das palavra Rota, como sugerem também as palavras Road, Route e do Latim rotare, “rodar”, de rota. Mais tarde, devido à qualidade e fama das vinhas da região, a Vila de Arruda começou chamar-se “dos Vinhos”.

Na Arruda dos Vinhos a riqueza histórica, cultural e gastronómica, sempre bem acompanhada, apaixona qualquer um, mas são as suas paisagens que revelam os segredos naturais desta terra. O verde estende-se em pomares, searas e vinhedos, revelando aqui e ali a brancura dos casais e das mansões das quintas.
Os Vales de diferentes exposições solares e distintos declives de terras férteis, a influência do ar marítimo apaziguado pelas montanhas e a presença de cursos de água, criam um micro-clima equilibrado, perfeito para a produção do que de melhor se faz em Portugal. Formados por calcários, margas, argolas e arenitos, os solos podem considerar-se produtivos, em quase toda a área do conselho Arruda dos Vinhos. A conjugação dos factores climáticos amenos, dos declives soalheiros, da localização geográfica, da proximidade do mar, da protecção da montanha, e claro das pessoas que todos os dias vivem e cuidam das terras e vinhas da Quinta de S. Sebastião, dão corpo ao renascer de vinhos com uma frescura característica e uma identidade muito própria.

O compositor Johan Strauss dizia:
“Uma valsa e um Syrah, sempre pedem bis.”
A primeira garrafa de S. Sebastião já se foi… venha a segunda!

 

Classificação: 17/20                                                      Preço: 6,95€

Syrah no Pátio

Mais uma vez, e sempre com muito entusiasmo e agrado, o Blogue do Syrah rumou em direcção ao Terreiro do Paço, ou Praça do Comércio, como se quiser, para visitar o Pátio da Galé onde decorreu no passado fim de semana, 9 a 11 de Fevereiro, uma mostra de vinhos das regiões de Lisboa e Setúbal.

Syrah, não faltava, claro, embora não tanto como desejaríamos, com a agravante de que alguns produtores de Syrah não levaram o respectivo Syrah, para nosso imenso pesar.

Aqui ficam as imagens, representativas de uma tarde bem passada, na melhor companhia possível!