Vida Nova, Adega do Cantor, Reserva, 85% Syrah e 15% Aragonês, Algarve, 2009

Este é o mais novíssimo Syrah que o Blogue do Syrah descobriu!

Não é bem um Syrah recente, visto que é de 2009, mas esteve na sombra durante todo este tempo! Chama-se Vida Nova, e é da Adega do Cantor.
Como demos conhecimento aqui, há um Syrah Onda Nova, do mesmo produtor. O cantor em causa é Sir Cliff Richard, para quem ainda não sabia, que assim passa a ter na realidade não um mas dois Syrah!

E este tem uma característica única: 15% de Aragonês, o que faz dele o único Syrah que faz combinação com esta casta. E o que podemos acrescentar é que se saiu muito bem!
É produzido na Quinta do Moinho, e as notas de prova dizem que tem “Cor rubi intenso. Límpido e transparente. Robusto, intenso, concentrado, com notas a frutos pretos como a ameixa e cerejas. Aromas complexos e subtis de especiarias e de canela. Foi estagiado em cubas de inox e barricas de carvalho francês e americano, o que resultou numa excelente combinação. Inicialmente nota-se alguma austeridade, mas com acidez bem equilibrada no palato, revelando o esplendor do seu frutado envolvido em taninos macios. Boa estrutura, revela final de prova longo.” Tem uma graduação alcoólica de 15% e foram produzidas 9700 garrafas!

A Adega do Cantor fica situada na Guia, escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras. A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising. Os vinhos reflectem o calor, cor e diversidade da região, acompanhando a fantástica cozinha local.

Este Syrah é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.
A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

E, como é Verão, que tal ouvir e ver está saudosa relíquia do nosso cantor de hoje, com uma garrafa de ‘Vida Nova’ ao lado.

O advogado e cozinheiro françês Jean-Anthelme Brillat-Savarin dizia que
“Uma refeição sem um Syrah ao lado é como um dia sem os raios de sol!”
Vamos lá então harmonizar este Syrah que poderá suscitar laivos de uma vida nova!

 

Classificação: 17/20                                                             Preço: 8,95€


 

Que dizer sobre os Concursos de Vinho?

Serão de confiança?
É esta a reflexão para hoje, ao sabor do calor estival, começando por falar em organizações sérias, júri acima de toda a suspeita, transparência acima de tudo. Pelo meio está o lucro e os bons negócios. E os grande vinhos alguma vez vencem concursos? A maior parte das vezes não. Valeria a pena correr o risco de perder para vinhos mais baratos?

Os grandes concursos internacionais recebem milhares de vinhos e, geralmente, mais de metade ganham medalhas, portanto as hipóteses de sair de lá premiado são muito elevadas. Ganham os bons e talvez alguns menos bons, também. Claro que os organizadores não ficam a perder: cobram em média 200 euros para receber um vinho a concurso.

O caso do Syrah é um pouco diferente. O concurso Syrah du Monde funciona a uma escala mais restrita. A sua área de influência, embora internacional, garante uma paridade e competitividade que asseguram uma igualdade onde todos podem ser premiados, sem desprestígio para uns e outros. Por exemplo, em 2017, estiveram a concurso 372 Syrahs, tendo sido atribuídas um total de 123 medalhas, menos de metade, portanto, coisa que não acontece, como dissemos, em outros concursos. Há assim grande Syrah premiado todos os anos em França.

Vamos ver se conseguimos arranjar algum para nosso deleite, além dos portugueses premiados, claro, que esses são bem nossos conhecidos!


 

Bernardo Cabral, o outro enólogo do Syrah do Baixo Alentejo

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal. O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas. Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo! Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, trazemos hoje à ribalta Bernardo Cabral, que tem no seu currículo dois Syrah, cada um com várias colheitas, apesar do segundo ter sido descontinuado.

Aqui vão eles, ambos de peso, como se pode ver pelas classificações atribuídas:


Bombeira do Guadiana, Herdade da Bombeira, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 17/20


Santa Vitória, Casa de Santa Vitória, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 18/20

Vejamos cada um em pormenor.


Bombeira do Guadiana, Herdade da Bombeira, 100% Syrah, Alentejo

As castas inicialmente escolhidas foram as alentejanas: Trincadeira e Aragonês, com cerca de 6 hectares cada e as internacionais: Cabernet Sauvignon e Syrah com cerca de 3,5 hectares cada. A plantação da vinha ocorreu nos anos 98 e 99 tendo sido vendidas no mercado as primeiras produções de uva. Após análise do comportamento das castas na zona e a conselho do enólogo residente Bernardo Cabral, decidiu-se em 2002 substituir, e muito bem na opinião do Blogue do Syrah, cerca de 2,5 hectares de casta Aragonês por Syrah, e em 2006 o restante por Alicante Bouchet cerca de 3,5 hectares.
Sobre exactamente o que nos traz aqui hoje, as notas de prova falam de um Syrah “especiado e bem maduro, algum chocolate, fruto intenso, boca com volume algum calor num final longo e picante. Um tinto com franqueza e generosidade de formas. Taninos sedosos e redondos, termina prolongado e medianamente persistente.”
Tem uma graduação alcoólica de 14,5%.


Santa Vitória, Casa de Santa Vitória, 100% Syrah, Alentejo

O Santa Vitória Syrah é de safra única, com uma tiragem de 3300 garrafas, e tem graduação alcoólica de 15%. Estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado sem filtração. As notas de prova apontam “aromas frutados, notas de ameixas pretas, cassis, chocolate preto e especiarias.”
Numa área total de vinha de cerca de 127 hectares, as castas tintas compreendem cerca de 105 hectares e as brancas 22 hectares. Foram escolhidas as mais nobres castas nacionais e estrangeiras, que melhor se adaptam ao “terroir“. O estágio em barricas de carvalho de elevada qualidade, promove a passagem de alguns componentes da madeira (taninos e compostos aromáticos) para o vinho, conferindo-lhe complexidade e elegância.


Bernardo Cabral é natural de Moçambique, e foi logo aos 12 anos que decidiu ser enólogo. Desde muito novo percebeu que alguma coisa especial o vinho teria que ter para dar tanto prazer a quem o bebia, e especialmente a quem o fazia. Vivia fascinado com os seus tios enólogos e tudo o que aquele mundo, místico aos seus olhos, representava. Sem dúvida queria fazer parte dele.
Começou ainda na faculdade através do seu trabalho final de curso. Um estudo muito interessante que lhe permitiu contactar reconhecidos profissionais do sector e que acabou por lhe abrir algumas portas. Foi desafiado pelo José Gaspar para fazer parte da sua jovem equipa na então renovada empresa Caves Dom Teodósio. Aprendeu muito durante o pouco tempo que lá esteve. De seguida pela mão do Nuno Cancela d’Abreu rumou para a Companhia das Quintas, na altura a dar os seus primeiros passos. Foram 4 anos em que trabalhou nesta casa. Em 2004 foi para a Casa Santa Vitória colocar as “primeiras pedras” com o Nuno Cancela d’Abreu como consultor. Foi enólogo principal e director da empresa durante 8 anos e hoje continua como consultor.

Em 2012 teve o desafio da Companhia das Lezírias que o fez mudar de “casa mãe” e até hoje mantêm-se como enólogo. Em simultâneo mantêm consultoria na Bombeira do Guadiana (Mértola), Pegos Claros (Palmela) e Vicentino (Zambujeira-do-mar).

Na última prova que o Blogue do Syrah levou a cabo entre Syrah portugueses e Syrah franceses, um dos dez Syrah portugueses escolhidos foi justamente o de Bernado Cabral, o Syrah da Casa de Santa Vitória. Só esse facto testemunha da importância que este enólogo teve na história dos Syrah em Portugal. O nosso bem-haja!


 

Artefacto, Luís Duarte Vinhos, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Finalmente uma nova colheita de Artefacto, do enólogo Luís Duarte, cuja possibilidade de podermos tecer algumas considerações sobre ele se devem à Garrafeira Estado d`Alma, único lugar em Lisboa onde este Syrah celestial pode ser adquirido, e muito especialmente ao Tiago Paulo e Carlos Jorge que batalharam, e muito, para que este Syrah pudesse brilhar e voar em Lisboa. Não foi fácil, mas apesar de tudo foi uma epopeia bem mais acessível que a do seu irmão de 2010 cuja história foi aqui contada por nós!

Este é o único Syrah e a segunda colheita feita por Luís Duarte. Mas que Syrah! Percebe-se logo ao primeiro embate a enorme capacidade de evolução. É claro que é muito novo ainda, muito frutado, muito aromático, pergaminho inolvidável desta casta, mas que não engana: é um Syrah superior!

Luís Duarte é um enólogo premiado em Portugal. Galardoado sucessivamente com o título de Enólogo do Ano em 1997, 2007 e 2014 pela WINE – Revista de Vinhos. Com mais de 25 anos de carreira, sempre no Alentejo, fundou em 2007 a Luís Duarte Vinhos, em Reguengos de Monsaraz, e hoje trabalha na produção, comércio e exportação de vinhos.

As notas de prova dizem que possui “cor ruby intensa. Aroma a fruta preta madura, especiarias, algum cacau e um toque balsâmico / mentolado. Boca redonda e fresca, focado na fruta, com taninos domados. A madeira confere-lhe uma boa estrutura estando perfeitamente integrada no conjunto. Apresenta um final sumarento e de boa persistência.” Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho francês . A graduação alcoólica é de 14,5%.

D. Cooper disse uma vez que “O Syrah estimula o apetite e dá sabor aos alimentos. Promove as discussões, a euforia e pode transformar uma simples refeição em um evento memorável!”
Este Syrah tem a ver com tudo isto e muito mais, como anteriormente já tínhamos dito. Épico!

 

Classificação: 18/20                                                       Preço: 9,90€


 

Movimento da Temperança

Hoje a chalaça é falar de um recorrente movimento contra o consumo de álcool dentro de um blogue que só fala de consumo de uma bebida alcoólica. Vamos a isso!

Este dito Movimento da Temperança nasceu no início do Século XIX, por entre médicos, lideres religiosos e empresários nos Estados Unidos, e mais algumas ligas puritanas, advogando que consumir bebidas espirituosas afectava a saúde mental conduzindo ao vício, e vícios não são coisa boa. Foi nesta sequência de pensamento que nasceu no principio do Século XX a famosa Lei Seca, conduzindo ao aumento clandestino do consumo de álcool e aumento da criminalidade relacionada com a proibição. O extremismo foi tal que chegaram mesmo a alterar a Bíblia eliminando a referências a álcool. Portanto na Ultima Ceia bebeu-se sumo de uva e não vinho! O movimento difundiu-se por entre os países anglo-americanos, chegando à Nova Zelândia em plena força.

O extremo da temperança era a abstémia, ausência total de consumo alcoólico. Todas as religiões cristãs no ocidente armaram em bandeira a favor do movimento. Claro, tudo isto foi abraçado com paixão na era vitoriana, em Inglaterra, pródiga em falsos moralismos. Houve movimentos para acabar com bares e cervejarias, manifestações e marchas para influenciar as pessoas a acabarem com todos os licores e vinho. Neste período, houve alguns locais que tiveram sucesso quase completo em restringir ou proibir a venda de álcool em muitas partes dos Estados Unidos e no Reino Unido. Em 1864, o Exército de Salvação foi fundado, em Londres, com uma forte ênfase na abstinência de álcool e que rapidamente se espalhou internacionalmente, mantendo a toada na abstinência. Os grupos abstémios são mais que muitos, a Woman’s Christian Temperance Union, a Pioneer Total Abstinence Association foi formada por James Cullen, um católico irlandês, a Anti-Saloon League, etc.

O movimento ganhou ainda mais adeptos durante a Primeira Guerra Mundial, com a imposição das fortes restrições sobre a venda de álcool em muitos países combatentes, a fim de preservar recursos para uso guerra. No Reino Unido, o governo Liberal aprovou a Defence of the Realm, lei de 1914, com a cerveja sendo diluída e taxada acima da média. Por esta altura até os países nórdicos tentaram proibir a venda de álcool. O movimento de temperança começou a diminuir a partir dos anos 30 do Séc. XX. A famosa Lei Seca foi finalmente abolida nos Estados Unidos em 5 de Dezembro de 1933.

O movimento de temperança ainda existe em muitas partes do mundo, embora seja geralmente menos politicamente influente do que era no passado. Actualmente, o Straight Edge advoga a moderação no consumo de bebidas alcoólicas, estendendo o conceito ao consumo de drogas e tabaco.

Nós aqui no Blogue do Syrah defendemos que Syrah é saúde, é paixão, é amor, é terapia, é cultura, é convívio, e não pode ser excesso… aí sim é temperança, no sentido socrático do termo.
O nosso lema é, parafraseando o grande Zappa: “Syrah is the best“!


 

Coisas de Vinho – O Vinho no Verão

Coisas de vinho encerra a o ano de actividades na rua – o tema é o vinho no verão.

A oradora é Maria João Cabrita, docente na Universidade de Évora; os vinhos à prova são da Adega Cooperativa da Vidigueira e são apresentados por Luís Leão.

Na Mercearia do Largo, Largo Álvaro Velho (em frente à Pousada da Juventude – antigo hotel Planície), Sexta-feira, dia 16, 18:00.

Venha celebrar o Vinho, o Syrah e o Verão e prove o calor alentejano num copo, partilhe e traga amigos.