Quinta da Boa Esperança, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Este é o mais novíssimo Syrah surgido no mercado português!
De Lisboa, mais precisamente de Torres Vedras e do ano de 2015!
Garrafa e rótulos muito bonitos e distintivos. Gostamos!

Mas o principal é o que está dentro da garrafa. As notas de prova dizem-nos que se trata de um “Syrah de cor granada intensa, onde dominam os aromas de fruta preta e especiarias, típicos da casta. Fresco e intenso na boca, com taninos firmes que lhe conferem um final longo.” Tem um teor alcoólico de 14%. A vindima foi 100% manual para caixas de 15 kg. Na vinificação o desengace é total, seguido de maceração pré-fermentativa a 8°C durante 48h. Fermentação com temperatura controlada de 24°C.

Quanto aos enólogos, Paula Fernandes é a enóloga residente, e chegou à quinta com uma vasta experiência na produção de vinho. Especialista em viticultura, dedica o seu tempo a cuidar das vinhas e assegura o rigor na produção dos vinhos. Rodrigo Martins enólogo consultor, com um amplo percurso nacional e internacional, presta os seus conhecimentos ao longo de toda a produção e, posteriormente, na afinação de todos os lotes de vinho.
As terras da Zibreira fazem parte da região Oeste de Portugal, situada entre o Oceano atlântico e a Serra de Monte Junto. Pertencem ao distrito de Lisboa, que é uma das maiores regiões produtoras de vinho ao nível nacional e das mais extensas áreas vinícolas do país.

Aqui, na adega, a dedicação à viticultura e à produção de vinho é feita há mais de cem anos, por gentes da terra que a conhecem e a querem bem. O projecto Quinta da Boa Esperança segundo os seus visionários nasce da vontade de criar um espaço que seja o reflexo de um modo de pensar e de viver. Acredita-se no respeito pela natureza e na sua feliz coexistência com homem. Por entre o embalo soalheiro dos vales e encostas, recortados por vinhas e árvores de frutos, a Quinta da Boa Esperança tem por base um conceito de vinhas sustentáveis, criando o compromisso de garantir o bem estar das vinhas, bem como proteger os solos e as suas águas. A excelência das uvas provém de uma cuidada dedicação às vinhas ao longo de todo o ano, que culmina com o empenho de uma vindima manual. É da horta e do galinheiro que saem muitos dos ingredientes com que se fazem os almoços e jantares regados de boas conversas e bom vinho. A filosofia de sustentabilidade está inerente a toda a quinta.

O poeta inglês Edward Young escreveu o seguinte:
“A amizade é o Syrah da vida!”
E não é que ele tem razão?!
Vamos portanto cimentar a nossas amizades com Syrah da Quinta da Boa Esperança, por exemplo!

 

Classificação: 17/20                                                                     Preço: 15,75€

Quinta dos Termos, Reserva, 100% Syrah, Beira Interior, 2014

E eis que surge um novo Syrah da Quinta dos Termos!
Não confundir com o já conhecido Reserva do Patrão, do qual já falamos aqui, aqui e aqui! Este é também um Reserva mas é diferente. E surge de rompante na última feira de vinhos promovida por uma revista de vinhos. Mais: foi designado como o vinho oficial da feira! Tanto quanto sabemos foi a primeira vez que um monocasta Syrah teve tal desígnio. O preço de feira teve um desconto de 50%!

É um Syrah de qualidade, podemos desde logo dizer. As notas de prova dizem que “é rico de cor, tem aroma intenso e torna-se muito atraente na boca, graças aos seus taninos aveludados”, e tem uma graduação alcoólica de 14%.

A Quinta dos Termos está de costas viradas para a Serra da Estrela, com exposição sul, em declive meio acentuado e resguardada a norte pela montanha que a delimita. A Quinta dos Termos apresenta um terroir próprio que marca de forma indelével os vinhos ali produzidos. A Quinta é possuidora de um microclima próprio e de terras pobres, que naturalmente disciplinam as variedades mais produtivas. Ali se cultivam as castas tradicionais da Beira Interior, tais como Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, Tinta Roriz, Tinto Cão, Afrocheiro Preto, Touriga Nacional, Baga, Siria e Fonte Cal e ainda algumas do Novo Mundo tais como Petit Verdot e Sangiovese. A Adega é dotada de sofisticada tecnologia, mas seguindo as técnicas tradicionais, orientadas por enólogos conceituados no mundo dos vinhos.Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.

A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que, apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho, compensam no resultado final. A nova adega é construída em 2002, com materiais característicos da região, onde predomina o granito, e encontra-se equipada com modernos equipamentos, procedendo-se a uma vinificação natural, com o uso diminuto de produtos químicos devido à higiene total ali existente. A adega dispõe ainda de um moderno laboratório onde é efectuado o controlo físico e químico, desde as uvas ao mosto até ao vinho, sala de provas e instalações sociais.

Fernando Pessoa escreveu:
“Pão para a boca, Syrah para a alma.”
Que o Syrah seja como o pão para a boca, sempre com muita alma!

 

Classificação: 16/20                                                          Preço: 9,00€

Coisas de Vinho [tertúlia, o vinho e tudo à volta] – O Vinho e o Cristianismo

Renovamos o convite para se juntarem a nós à volta de uma boa conversa (18:30) e de um excelente jantar (20:30) à volta do vinho.

Évora Hotel, dia 14.

O jantar necessita de inscrição (ainda há alguns lugares): reservas@evorahotel.pt

Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Esta é a terceira colheita deste grande Syrah de um pequeno produtor!
A colheita de 2011, assim como a colheita de 2012, foram consideradas topo de gama pelo Blogue do Syrah!
O ditado popular diz que “não há duas sem três!” e esta terceira colheita vai pelo mesmo caminho!
A anterior de 2012 ombreou com alguns dos melhores Syrah portugueses e franceses numa prova cega patrocinada e levada a cabo pelo Blogue do Syrah e obteve um segundo lugar que poucos no início da prova poderiam vaticinar. O Syrah francês que ganhou apenas o ultrapassou por uma diferença de 0,16 de ponto! Este é um Syrah que é preciso ter sempre presente em qualquer prova em que os Syrah portugueses estejam em confronto com Syrah de outros países!

E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.” Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2014 é justamente a nossa casta Syrah! Produção limitada a 1213 garrafas! Esta que foi degustada com todo o prazer era a 1073!

O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. Inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias. Com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?
João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV. A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

O nosso citado até à exaustão poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Mais vale uma ânfora de Syrah do que o poder, a glória e as riquezas.”
Se esse Syrah for do Monte do João Martins então não temos a mínima dúvida da veracidade da afirmação do poeta!

 

Classificação: 18/20                                                   Preço: 19,95€

Dois Milhões!

Pois é, o milhão da dita Santa Casa é outra coisa. Este duplo Milhão hoje em epígrafe tem a ver com a nossa alegria por termos atingido dois milhões de entradas no Blogue do Syrah, segundo o nosso singelo contador que regista todos os cliques feito nas nossas páginas de artigos e novidades.

Portanto o enorme agradecimento a todos os leitores e simpatizantes que, com regularidade, nos visitam.

Vamos continuar com mesmo entusiasmo a fazer esta caminhada pelo mundo maravilhoso do Syrah português em direcção ao terceiro milhão!

Bem hajam todos!

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2012

Quando acaba de sair a colheita de 2015 do grande Syrah de Alpiarça, Ribatejo, percebemos que nunca tínhamos falado da colheita de 2012, apesar de o termos degustado por variadas vezes!
Estamos pois em falta. E ainda por cima tratando-se de um Syrah topo de gama. Temos que reparar a falha! Noutra altura falaremos da colheita de 2015!

Apenas feito em anos excepcionais, este Syrah de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.” Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau. Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém. Tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

Uma vez perguntaram a Carlos Drummond de Andrade se gostava de poesia e ele respondeu:
“Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas,
lugares, chocolate, Syrah, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo.”
O Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima é pura poesia vinícola!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 28,50€