Syrah e Próstata

Um estudo aprofundado sobre o consumo de vinho e sua relação com o cancro da próstata revelou que o consumo moderado de vinho tinto pode reduzir o risco, em contrapartida, o vinho branco pode aumentar esse risco.

Pesquisas anteriores revelaram uma ligação entre o consumo de álcool e um maior risco de cancro de próstata, mas outras não encontraram nenhum impacto. Quando se trata de vinho especificamente, um recente estudo de Harvard descobriu que bebedores moderados tinham uma menor incidência de cancro de próstata. E uma pesquisa publicada na revista Cancer Science demonstrou que o resveratrol pode aumentar a eficácia da radiação para destruir as células cancerosas da próstata.

Agora, porém, um grupo de urologistas internacional realizou uma meta-análise de dados focada especificamente em descobrir se o consumo moderado de vinho teria impacto sobre o cancro de próstata e se os efeitos variavam para o vinho tinto e branco. Os pesquisadores revisaram 930 artigos e seleccionaram 17 estudos que atenderam a directrizes rigorosas. Esses estudos avaliaram 611.169 pessoas. As descobertas foram publicadas na revista Clinical Epidemiology.

Os resultados mostraram que os bebedores de vinho tinto, sobretudo Syrah, tiveram uma queda de 12% no risco de cancro de próstata. Porém, os bebedores de vinho branco viram um ligeiro aumento no risco desse tipo de cancro. Os pesquisadores acreditam que suas descobertas exigem mais estudos sobre como o vinho branco e o tinto podem afectar as células em nível molecular.

O cancro de próstata é o tipo mais diagnosticado entre os homens americanos, com estimativa de 161.360 novos casos em 2017.

Monte da Colónia Rosé, Monte da Colónia, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Esta é a segunda vez que apresentamos este rosé do alentejano Monte da Colónia. A primeira vez foi aqui e do ano de 2013!

O tinto é bem melhor que o rosé, mas essa é a nossa opinião em relação a todos os Syrah tintos por oposição aos Syrah rosés! De qualquer das maneiras falamos dele até porque já estamos na Primavera e o Verão vem a passos acelerados!

Esta herdade, com um total de 600 hectares, foi fundada em 1980 pelos pais dos actuais gestores da empresa, que com muita ambição e espírito de equipa decidiram arriscar e erguer uma ideia que  ainda hoje se mantém no mercado. Sediados em Vale de Seda/Fronteira, são essencialmente uma quinta multivalente de cariz familiar mas virada para a inovação em várias área de negócio, tendo como base a produção e transformação de produtos cultivados no próprio local, azeite, azeitonas de conserva e vinhos, bem como a criação de gado bovino e ovino.

A escolha do nome Monte da Colónia está ligado ao nome original da propriedade e sua vocação primeira, sendo usado nos produtos azeite, azeitonas e vinho, como instrumento de marketing do turismo rural e vice-versa. Em 2009 foi aberta uma loja, junto do lagar, da adega e a fábrica de azeitonas de forma a comercializar não só os produtos próprios como também os de outros produtores, procurando sempre produtos diferentes e de qualidade, produtos regionais, gourmet, Dop, biológicos, e ainda dando a possibilidade de quem visita a loja poder usufruir de um ambiente acolhedor, atendimento personalizado, respirar o ar puro do campo e o verde das vinhas.

O nosso Rosé de hoje, feito integralmente de Syrah, apresenta uma graduação de 13%, e dizem os produtores que se trata de um “Vinho fresco com óptima presença aromática, acidez bem integrada e final de boca muito agradável . Ideal para acompanhar entradas frescas, peixes grelhados e mariscos.” Nota-se o cheirinho da nossa casta favorita na sua devida extensão, dadas as características aligeiradas na confecção de um rosé, e dentro do que se considera uma bebida suave e fresca cumpre bem a sua função, embora não cheguemos ao ponto de o considerar um expoente maior na sua categoria. Não iremos desprezar novas safras, sobretudo se vierem um pouco mais apuradas de profundidade rosada.

O escritor francês François Rabelais escreveu:”O vinho alegra o coração do homem. Jamais um homem nobre odiou o vinho.”

Este é um Syrah para beber num belo dia de sol à beira-mar com uma boa companhia e poderá ser o suficiente para alegrarmos o coração!

 

 

Classificação: 15/20                            Preço: 5,95€

Como se deve guardar um Syrah aberto

Dizem os especialistas que o vinho é uma bebida que se deteriora com alguma facilidade quando exposto ao oxigénio ou mesmo à temperatura ambiente. O ideal sempre será consumir a garrafa por completo após aberta. Porém, muitas vezes, tal coisa não acontece e a questão que se coloca é como preservar o vinho de modo a que não se estrague.

Nessa circunstância recomenda-se antes de mais nada vedar a garrafa. A rolha original impedirá a entrada de oxigénio, no entanto, não irá retirar o que já está dentro da garrafa. Bombas a vácuo ou gás argónio são soluções que auxiliam na preservação das propriedades do rótulo por um período prolongado, embora de custo acrescido!

Com o vinho devidamente fechado, ele precisa ser armazenado numa adega com temperatura entre 10ºC e 13ºC. Não se aflija se não possuir uma adega climatizada. O frigorífico é sempre uma opção. Tenha apenas em atenção retirá-lo cerca de uma hora antes de servir novamente. O importante é não esquecer a garrafa na adega ou no frigorífico por muitos dias, caso contrário o vinho perderá qualidades a nível do nariz e seguramente da boca.

Vamos agora falar de outra forma: esta é uma questão que nos faz uma grande confusão! Guardar um Syrah aberto? Duas soluções: fazer com que não sobre, será a solução que resolve o problema antes dele nascer! A outra solução é guardá-lo, aberto, sem rolha, num local amplo, seco e onde não incida a luz solar directa! Nestas condições pode guardá-lo quatro a cinco dias garantidamente sem necessidade de frigorífico! Foi sempre assim que o Blogue do Syrah fez e até ao momento presente e não tem motivos de queixa, bem pelo contrário!

CEM REIS, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2016

O Cem Réis é indiscutivelmente o Syrah português mais famoso de todos os que existem!
Hoje podemos afirmar isso com toda a segurança!
Não há um vinho português que desperte tal desvario vinícola como este Cem Réis da Herdade da Maroteira!
Nem mesmo o célebre Barca Velha da Casa Ferreirinha desperta tal interesse e tal desatino como este Syrah! Sigam o nosso raciocínio. O último Barca Velha do ano de 2008 foi lançado no último trimestre do ano passado. Hoje passados oito meses, quem o quiser comprar consegue encontrá-lo em muitas garrafeiras de norte a sul do país. Certo?
O mesmo não podemos dizer do Cem Réis. Quando começámos esta aventura do Blogue do Syrah há quatro anos não nos passaria pela cabeça que uma situação semelhante pudesse alguma vez acontecer. Mas a verdade é que está a acontecer!

O lançamento oficial do Cem Réis 2016 foi no dia 8 de Junho passado. No dia do lançamento já estava esgotado no produtor! Mais, já estava esgotado no produtor desde Novembro do ano passado! Não nos lembramos de algum vinho onde isto tenha acontecido… pelo menos nestes anos mais recentes!

É verdade que por várias circunstâncias a produção que durante anos tinha vindo a aumentar agora desde há dois anos está a diminuir e de um modo constante. Do Cem Réis 2014 saíram vinte mil garrafas. Do 2015 já só saíram treze mil e com este Cem Réis 2016 saíram dez mil garrafas. O que quer dizer que em dois anos o número de garrafas baixou para metade quando a procura se em 2014 já estava alta, hoje ultrapassa o inimaginável!
O preço também tem paulatinamente subido o que era expectável! Não duvidamos que o Cem Réis de 2017 atinja pelo menos os trinta euros, senão mais.

Vai de seguida uma confissão: O texto do Cem Réis 2015 é o texto do Blogue do Syrah mais lido de todas as centenas de textos sobre Syrah que já escrevemos desde o início do Blogue em Setembro de 2014 e isto também não pode deixar de ter significado!

A Herdade da Maroteira está localizada no recanto da Serra D´Ossa, a 20km de Estremoz e a 35km de Évora. É uma das propriedades agrícolas pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesa estabelecidas na Região do Alentejo, há mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, ao turismo, através de três unidades de alojamento, e à vitivinicultura. A primeira colheita deste fantástico Syrah é de 2005 – a grande parte da produção é efectivamente para o mercado interno e somente qualquer coisa como cinco por cento é que vão para o mercado externo.

Produzido na região alentejana, na terra mítica do distrito de Évora, e vinificado a partir das melhores uvas de casta Syrah, este vinho estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês (50%) e em carvalho americano (50%). Tem uma graduação alcoólica declarada de 16%. Mas o Blogue do Syrah conseguiu apurar que a graduação real é de 15,9%. As notas de prova dizem-nos que tem “Cor violeta escuro concentrado. Nariz exuberante, notas quentes de frutos pretos com notas mentoladas, terminando com notas a amêndoas tostada da barrica. Na boca o ataque é cheio, redondo quente e carregado de aromas. Estrutura firme com boa persistência.” A estrutura assemelha-se ao 2015! Logo na boca o enófilo percebe que está a beber o Cem Réis! Mas no final tem aquele toque mágico que o Blogue do Syrah costuma referir-se quando fala de Syrah que por esse facto merecem a nota perfeita! Este 2016 exala um perfume em contínuo que deixa o enófilo enebriado! É como certos perfumes em certas mulheres. E esta é a melhor maneira que temos para descrever o que experimentámos e o que sentimos! Por aquilo que já é este Syrah e por aquilo que já mostra em termos de capacidade de evolução não podemos deixar de dar a este Syrah “uma pontuação perfeita“.(Robert Parker) O enólogo responsável é, uma vez mais e sempre António Maçanita. O Blogue do Syrah está convencido do seguinte: Maçanita deve ter faltado às aulas de enologia em que os professores ensinavam os alunos a fazer maus vinhos! O clima que dá origem a este Syrah é típico do mediterrâneo continental ou seja, dias quentes e secos, com noites muito frias. Os solos como já é habitual para a nossa casta são muito pobres de origem xistosa ou granítica.

Diz o escritor João Filipe Clemente que “Um vinho sem adjectivos é um vinho mudo e sem alma.” Carregado de alma e sonoridade é o que não falta ao Cem Réis tendo em conta o alarido justificável sobre o que se tem dito sobre ele.

Parabéns ao trio de luxo que está por detrás desta maravilha: António Maçanita, Philip Mollet e ao Anthony Doody, os marotos da Maroteira, como já lhes chamámos. Quer se queira quer não já fazem parte da história da casta Syrah em Portugal!

 

Classificação: 20/20                                                                     Preço: 25,00€

Quinta da Lapa,100% Syrah, Tejo, 2015

De caras dizemos, e sem qualquer tipo de dúvida: Este Quinta da Lapa de 2015 é a melhor colheita de sempre deste Syrah!
O ano de 2015 continua a dar cartas, para nossa imensa satisfação!

Deste Syrah conhecíamos duas safras. A de 2010, e a de 2012. A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é mais uma vez, e isto apesar de não estarmos na Península de Setúbal, Jaime Quendera! As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O grande e caprichoso rio Tejo assume nesta região particular esplendor histórico, tanto por ser elo de ligação com Lisboa, como por ter sido ele próprio via de comunicação e comércio com toda a Europa. Os castelos templários e as grandes planícies de cultivo são disso testemunho. As cheias e a força do rio fizeram com que ao longo dos tempos as terras essencialmente argilo-calcárias coleccionassem elementos raros como conchas e seixo rolado. Este aspecto define, quase só por si, a assinatura da Quinta da Lapa, havendo contudo ainda que lhe acrescentar a alternância dos dias tórridos e manhãs muito frescas no Verão, quando as uvas estão a robustecer-se para a vindima. O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, por isso, a um tempo mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude. A Quinta da Lapa conta com 67 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos.A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, refletindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

O escritor sobre vinhos João Filipe Clemente escreveu:
“Vinho não é feito para impressionar e sim para satisfazer. Se no processo ele também impressionar tanto melhor!”
Este Syrah de 2015 da Quinta da Lapa impressionou e no seu processo evolutivo ainda terá muito mais para dizer! Venha ele!

 

Classificação: 17/20                                                    Preço: 6,90€