Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Esta é a terceira colheita deste grande Syrah de um pequeno produtor!
A colheita de 2011, assim como a colheita de 2012, foram consideradas topo de gama pelo Blogue do Syrah!
O ditado popular diz que “não há duas sem três!” e esta terceira colheita vai pelo mesmo caminho!
A anterior de 2012 ombreou com alguns dos melhores Syrah portugueses e franceses numa prova cega patrocinada e levada a cabo pelo Blogue do Syrah e obteve um segundo lugar que poucos no início da prova poderiam vaticinar. O Syrah francês que ganhou apenas o ultrapassou por uma diferença de 0,16 de ponto! Este é um Syrah que é preciso ter sempre presente em qualquer prova em que os Syrah portugueses estejam em confronto com Syrah de outros países!

E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.” Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2014 é justamente a nossa casta Syrah! Produção limitada a 1213 garrafas! Esta que foi degustada com todo o prazer era a 1073!

O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. Inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias. Com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?
João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV. A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

O nosso citado até à exaustão poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Mais vale uma ânfora de Syrah do que o poder, a glória e as riquezas.”
Se esse Syrah for do Monte do João Martins então não temos a mínima dúvida da veracidade da afirmação do poeta!

 

Classificação: 18/20                                                   Preço: 19,95€

Dois Milhões!

Pois é, o milhão da dita Santa Casa é outra coisa. Este duplo Milhão hoje em epígrafe tem a ver com a nossa alegria por termos atingido dois milhões de entradas no Blogue do Syrah, segundo o nosso singelo contador que regista todos os cliques feito nas nossas páginas de artigos e novidades.

Portanto o enorme agradecimento a todos os leitores e simpatizantes que, com regularidade, nos visitam.

Vamos continuar com mesmo entusiasmo a fazer esta caminhada pelo mundo maravilhoso do Syrah português em direcção ao terceiro milhão!

Bem hajam todos!

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2012

Quando acaba de sair a colheita de 2015 do grande Syrah de Alpiarça, Ribatejo, percebemos que nunca tínhamos falado da colheita de 2012, apesar de o termos degustado por variadas vezes!
Estamos pois em falta. E ainda por cima tratando-se de um Syrah topo de gama. Temos que reparar a falha! Noutra altura falaremos da colheita de 2015!

Apenas feito em anos excepcionais, este Syrah de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.” Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau. Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém. Tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

Uma vez perguntaram a Carlos Drummond de Andrade se gostava de poesia e ele respondeu:
“Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas,
lugares, chocolate, Syrah, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo.”
O Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima é pura poesia vinícola!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 28,50€

Quinta da Romaneira, 100% Syrah, Douro, 2014

Eis uma nova colheita do grande Syrah do Douro da Quinta da Romaneira. O ano é 2014 e o resultado, na sequência das anteriores colheitas, é fantástico!
Perante um Syrah deste calibre como é que é possível que ainda haja pessoas que reajam tão negativamente à presença da Syrah no Douro?
Ninguém está a dizer ou a defender que se pretende transformar o Douro com castas internacionais, mas se o terroir é favorável porque não fazer pequenas experiências, que não alteram o panorama geral e permitem ter a par dos vinhos durienses clássicos obras primas da enologia como é o caso deste Syrah Quinta da Romaneira 2014? A resposta para nós é inequívoca e é por isso que apoiamos argumentativamente estas experiências vinícolas! A uma casa que está a comemorar 260 anos de vida nada melhor do mostrar que não está parada no tempo e que o Douro pode dar outros grandes vinhos para além daqueles que são feitos com as castas clássicas!

As notas de prova na ficha técnica dizem que possui “notas exuberantes de especiarias como cominhos e canela no nariz. Maduro e cheio, mas também fresco e delicado, revelando deliciosas notas de alcaçuz no palato, com um final aveludado e persistente.” O teor alcoólico é de 14%. A vindima foi realizada em Setembro de 2014 e o engarrafamento foi feito em Junho de 2016. O vinho foi vinificado em cubas tronco-cónicas, equipadas com controlo de temperatura, a uma temperatura de cerca de 25º/28º. Esteve 14 meses em barricas de carvalho francês de 225 litros. O enólogo consultor deste projecto é o premiado António Agrellos.

A forte precipitação que aconteceu em 2013/2014, bem distribuída ao longo do ano, as temperaturas amenas no inverno e um mês de Agosto fresco, ajudaram a vinha a manter uma boa roupagem, cheia de folhas ao longo de todo o ciclo vegetativo, o que protegeu as uvas dos picos de calor excessivo do sol do verão, permitindo uma boa conservação dos cachos. No final de Agosto, toda a colheita se apresentava em óptimo estado, com uvas perfeitas, sãs e com um equilíbrio acidez/açúcar excelente, ideal para produção de vinho do Porto. A produção foi média em relação aos últimos anos. Uma palavra de agradecimento deve ser aqui dirigida ao comercial da casa Nuno Santos, pelo seu profissionalismo, pela sua simpatia e pela sua disponibilidade sempre positiva ao longo destes últimos anos.

A Quinta da Romaneira é uma quinta várias vezes centenária, com uma linhagem ancestral que remonta ao século XVII. Uma das cinco maiores Quintas do Douro (um total de 400 hectares, sendo que 86 hectares são de vinha e 12 de olival), possui cerca de 50 km de estradas no interior da propriedade e quase 3 km de frente de rio. Produtor de topo da região do Douro, é possuidor de algumas das maiores pontuações atribuídas a vinhos portugueses pelas mais prestigiadas revistas de vinho dos Estados Unidos, além de competições nacionais e internacionais. O vinho tinto donde se incluiu naturalmente o Syrah representa 75% da produção total da Romaneira.

O compositor francês Antoine Désaugiers escreveu :
“Deus fez a água para o triste e fez o Syrah para o alegre.”
Quando temos conhecimento de um novo Syrah da Quinta da Romaneira acaba-se a eventual tristeza e surge automaticamente a alegria!
Um grande Syrah!

 

Classificação: 19/20                                         Preço: 23,50€

Casa Santos Lima, Syrah, 100% Syrah, Lisboa, 2014

A Casa Santos Lima tem este Syrah da região de Lisboa há muitas colheitas!
Mais precisamente desde 2001!
Esta de 2014 que estamos aqui a analisar é de todas a melhor, o que se reflecte na classificação, como não podia deixar de ser!
E tem uma vantagem acrescida: aparece com novos rótulos, mais bonitos e distintos. É o chamado dois em um!

As notas de prova dizem-nos de “um rubi em termos de cor, e falam de um vinho seco e delicado com aromas agradáveis de frutos vermelhos. No palato é fresco e frutado, novamente com notas de frutos vermelhos, framboesas, cerejas e ervas. Bom corpo e estrutura, com uma longa persistência a fruta no final de boca.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

As vinhas distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 290 hectares. As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

A Casa Santos Lima é o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, e um dos produtores portugueses mais premiados em concursos internacionais. As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.

O escritor Winzerspruch de Dorlisheim disse :
“Deus não quis que o nobre Syrah se perca; é por isso que não só nos dá a vinha, mas também a devida sede.”
Tenhamos pois sede para que o Syrah da Casa Santos Lima nos saiba bem!

 

Classificação: 16/20                                                             Preço: 4,99€

Cabo da Roca, Casca Wines, Reserva,100% Syrah, Lisboa, 2015

O mais recente Syrah que apareceu no mercado é de Lisboa e do ano de 2015!
A empresa que o produziu é a Casca Wines, que se apresenta como sendo um projecto de enólogos que decidiram criar uma marca de vinhos portugueses de qualidade. Um projecto que apenas utiliza as melhores uvas de cada região e que procura reavivar as tradições únicas de Portugal. A ideia não deixa de ser emocionante. Os enólogos são Frederico Gomes e Hélder Cunha, que já foram chamados de “olheiros da vinha” e também a Casca Wines como o projecto dos sem-terra. Gostámos do conceito e também porque envolve Syrah!

O Syrah tem um estágio médio de doze meses, em madeira de carvalho francês e na prova fala-se de “notas de fruta vermelha e especiarias. Na boca é encorpado e tem um final longo.” Tem uma graduação alcoólica de 13,5%, e foram feitas treze mil garrafas. Estamos perante a primeira colheita deste Syrah!

Agora uma pequena explicação sobre o nome deste Syrah. O Cabo da Roca é o ponto mais ocidental da Europa continental. Como diz Luís de Camões é “Onde a terra se acaba e o mar começa.” A história de Portugal teve sempre ligação ao Oceano Atlântico e à época dos “Descobrimentos” que foi marcante para o mundo. A marca Cabo da Roca simboliza o espírito de redescoberta das regiões vitícolas de Portugal.

Este projecto, que começou na singular região de Colares, não tem vinhas nem adega própria. Os dois enólogos vão fazendo um trabalho de exploração pelo país até encontrarem as vinhas que mais lhes convêm para produzirem os vinhos que ambicionam. A escolha das vinhas, está relacionada com vários critérios, mas o mais importante é que o carácter da região seja espelhado no vinho que dali sair. Nem sempre é possível, por variadas razões, manter as mesmas vinhas de colheita para colheita, pelo que diversidade é coisa que não falta nos seus vinhos.

Salvador Dali escreveu :
«O que sabe saborear não bebe demasiado Syrah, mas desfruta dos seus suaves segredos…!»
Em relação ao Syrah Cabo da Roca, Reserva, 2015, não é necessário beber demasiado para perceber imediatamente as suas qualidades e os seus segredos!

 

Classificação: 16/20                                                            Preço: 10,00€