Daily Archives: 15/11/2014

Grand´Arte, 100% Shiraz, DFJ Vinhos, Lisboa, 2011

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E temos, como não podia deixar de ser, um Syrah de Lisboa!
De um enólogo sobejamente conhecido da “afición” vinícola, o engenheiro José Neiva Correia, proprietário da DFJ Vinhos, casa que produz uma média anual de seis milhões de garrafas, distribuídas por 33 marcas e 77 vinhos diferentes, oriundos de quase todas as regiões vinícolas portuguesas.
Tendo em conta o panorama português, poderíamos chamar à empresa do Eng.º Neiva um potentado vinícola.

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Mas vamos concentrar-nos no que interessa, que é este “Grand`Arte”.

Primeira nota: desde logo salientamos que se trata do único syrah português que se apresenta com a grafia antiga, ou moderna, se quisermos, sem isto ser contraditório…
Expliquemo-nos! Shiraz foi o nome com que esta casta – que faz as nossas delícias – foi baptizada no mundo antigo, acerca de 3.000 anos. Ainda hoje existe no Irão, antiga Pérsia, uma cidade chamada Shiraz, a qual, segundo o antigo embaixador português em Teerão, Dr. José Manuel Arsénio (1998- 2005), que visitou essa cidade, ainda hoje produz uvas, exclusivamente para exportação, devido à religião  Islâmica que proíbe o consumo do álcool.

Portanto, segundo uma das fontes históricas disponíveis, há grandes probabilidades de esta ser a origem da casta syrah.

Com as cruzadas, no século XII, conta a história que um cruzado de volta à sua terra natal, em França, trouxe da Palestina, onde a casta Shiraz estava amplamente divulgada, umas quantas videiras, com o intuito de deixar de vez o mundo das armas e dedicar-se ao mundo dos vinhos.

Fixou-se no Vale du Rhône e plantou a Shiraz, cuja grafia foi afrancesada para Syrah. Mais tarde, a partir de França, espalhou-se por outros países europeus, como Itália e Espanha, potências vinícolas que introduziram a syrah francesa.
Até que chegamos a Portugal, em finais dos anos 80, muitos séculos depois!
Mas essa história extraordinária, a chegada da casta Syrah a Portugal, fica para outra altura!

A partir da Europa, a Syrah saltou para o Novo Mundo, assim como para a Austrália e também para a África do Sul, onde voltou às origens em termos de grafia, voltando a chamar-se de Shiraz. Daí a especificidade da grafia do nosso syrah em análise.

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Mas, vamos agora falar deste Shiraz “Grand D’Arte”, da Quinta Fonte Bela em Vila Chã de Ourique, no concelho de Santarém, ou seja, um regional de Lisboa, que possui uma graduação alcoólica de 13,5% e teve um estágio de três meses em barricas de carvalho francês.

Diz-nos o produtor que se trata dum Shiraz “…equilibrado, com taninos macios e um toque de baunilha e especiarias. Muito suave, fácil de beber e ao mesmo tempo, intenso, persistente e saboroso.” As várias garrafas que bebemos, ao longo deste último ano, vêm confirmar estas palavras! Já Ernest Hemingway dizia que: “Uma pessoa com o aumento do conhecimento e da educação sensorial pode obter prazer infinito no vinho.

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Em conversa com o Director Comercial e de Marketing da DFJ Vinhos, o Dr. Luís Gouveia, homem simpático e muito disponível para prestar todos os esclarecimentos, ficámos a saber que esta safra era a quarta, tendo as colheitas anteriores sido em 2005, 2007 e 2009.
Foram engarrafadas um total de vinte e quatro mil garrafas, embora a grande maioria tenha sido destinada ao mercado externo. Aqui, na Lusitânia, ficou apenas um décimo de toda a produção.

A grande novidade – que gostamos sempre de dar – é que a próxima safra, de 2012, está a caminho e sairá até ao final do ano, com uma produção superior à actual!
O Shiraz “Grand`Arte” tem a sua continuidade garantida! É uma alegria para nós!

Classificação: 16/20                            Preço: 7,95€

Ficha técnica