Monthly Archives: December 2014

Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo, 2010

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E regressamos de novo ao Alentejo para apresentar um Syrah que nos leva directamente ao céu, quase literalmente. Scala Coeli é o nome, que em latim significa “escada para o céu” . Este é justamente um daqueles syrah que nos faz dizer que os melhores syrah do mundo se encontram em Portugal.

Syrah que deve o seu nome ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido por Mosteiro da Cartuxa, local onde os monges Cartuxos permanecem em silêncio e oração. Produzido a partir das melhores vinificações do ano, foi produzido pela primeira vez em 2005.

Mas vamos então contar um pouco de história, e de cultura, que se impõe para percebermos como nasce este grande syrah! E como está carregado de história!

Começamos pela Fundação Eugénio de Almeida, que é herdeira de uma longa tradição no sector vitivinícola, com a vinha a fazer parte da tradição produtiva da Casa Agrícola Eugénio de Almeida desde o final do Séc. XIX. As uvas, que atualmente resultam da produção obtida em 600 hectares de vinha, são vinificadas na moderna e sofisticada Adega Cartuxa – Monte Pinheiros, herdade que outrora foi centro de lavoura da Fundação Eugénio de Almeida. A Adega Cartuxa – Quinta Valbom, antigo posto Jesuíta, onde já em 1776 funcionava um importante lagar de vinho, é desde 2007 o centro de estágio de vinhos e sede do Enoturismo Cartuxa.

A Fundação Eugénio de Almeida é uma instituição de direito privado e utilidade pública, sediada em Évora. Os seus estatutos foram redigidos pelo próprio fundador, o Eng. Vasco Maria Eugénio de Almeida, Conde de Villalva, quando da sua criação em 1963. A missão institucional da Fundação concretiza-se nos domínios cultural, educativo, assistencial, social e religioso. A produção obtida nas vinhas é vinificada num local histórico e sagrado, a Adega da Cartuxa, situada na Quinta de Valbom, em Évora. A adega está instalada num edifício que pertenceu à Companhia de Jesus em 1580 e que na época era a sua casa de repouso. Com a expulsão dos jesuítas de Portugal pelo Marquês de Pombal, este edifício foi integrado aos Bens Nacionais em 1755. No ano seguinte, já funcionava no local um importante lagar de vinho que absorvia a produção vinícola da região. Em 1869 o edifício foi vendido em hasta pública e adquirido por José Maria Eugénio de Almeida, avô do Eng. Vasco Maria Eugénio de Almeida. Próximo à Adega da Cartuxa, fica o bonito Mosteiro da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, fundado em 1587 e que retomou em 1960 a actividade religiosa contemplativa, depois de vultosas obras de restauro empreendidas pelo Conde de Villalva. No silêncio das caves deste Mosteiro, vários vinhos da Fundação fazem o seu estágio em garrafa.

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Sempre com a preocupação do enquadramento arquitectónico num edifício muito rico em história, a Adega da Cartuxa passou por várias reformas e ampliações nos últimos anos. Hoje é uma das mais modernas e bem equipadas do Alentejo, toda ela cercada por vinhas e com uma loja de vinhos cujos preços são 30% a 40% mais baratos que nas garrafeiras.

A Adega da Cartuxa, na Quinta de Valbom, está intimamente ligada à Companhia de Jesus. Fundada por Santo Inácio de Loiola em 1540, a Ordem tinha uma vocação missionária ligada ao ensino, tendo sido justamente nessa vertente  que mais se destacou a sua presença em Évora, primeiro com a criação do Colégio Espírito Santo por volta de 1551 e, posteriormente, com a criação da Universidade, em 1559. No ano de 1580 o padre jesuíta Pedro Silva, reitor da Universidade, quis adquirir a Quinta de Valbom para aí alojar o corpo docente da Universidade. A construção do que viria assim a ser a Casa de Repouso dos Jesuítas demorou cerca de 10 anos e resultou num edifício com múltiplos alojamentos, refeitório e capela.
Em 1759, com a expulsão da Companhia de Jesus do país pelo Marquês de Pombal, a Quinta, com a sua edificação, passou a integrar os bens do Estado tendo, alguns anos mais tarde (1776), e pela primeira vez, foi equipada com um lagar de vinho que rapidamente ganhou importância na região.

A proximidade do Convento da Cartuxa, erigido em meados do séc. XVI, determinou a designação por que ficou conhecida até aos dias de hoje: Adega Cartuxa. Em 1869 o bisavô do instituidor, José Maria Eugénio de Almeida, adquiriu a Quinta, colocada à venda no contexto do longo processo de aplicação das políticas liberais de Mouzinho da Silveira com a nacionalização dos bens da Igreja e da Coroa e a sua posterior venda a particulares. Depois da sua morte viria a ser o seu filho, Carlos Maria Eugénio de Almeida, avô do fundador, a empenhar-se na continuidade e expansão da produção da Casa Agrícola Eugénio de Almeida.

Foi da sua iniciativa a plantação dos vinhedos que constituíram a origem mais remota dos vinhos da Fundação. Com a expansão e sucesso progressivos da produção vitivinícola da Instituição, a Adega da Cartuxa, instalada no antigo refeitório da Casa de Repouso dos jesuítas foi sendo alvo de melhoramentos. Desses, destaca-se a grande reestruturação que ocorreu entre 1993 e 1995, e que permitiu o reequipamento e ampliação de todos os sectores da adega aumentando-se de forma considerável o seu potencial de vinificação e a sua capacidade de armazenagem.

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A nova Adega Cartuxa, situada na Herdade de Pinheiros, permite receber a totalidade da uva produzida nas vinhas da Fundação, e tem na sua génese três premissas tecnológicas que a distingue das demais: efectiva capacidade de refrigeração, possibilidade de triagem na totalidade da uva à entrada na adega e movimentação e transferência de massas unicamente por gravidade.
Da linha de engarrafamento totalmente automatizada instalada na Adega Cartuxa saem anualmente cerca de quatro milhões de garrafas, distribuídas por vinho branco, rosé e tinto das marcas Vínea, EA, Foral de Évora, Cartuxa, Scala Coeli e o mítico Pêra-Manca. É na excelência da matéria prima que assenta toda a produção vinícola da Fundação.

Até apetece neste momento citar o “Soneto do Vinho” de Jorge Luís Borges:

Em que reino, em que século, sob que silenciosa
Conjunção dos astros, em que dia secreto
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa
E singular ideia de inventar a alegria? 

Com outonos de ouro a inventaram.
O vinho flui rubro ao longo das gerações
Como o rio do tempo e no árduo caminho
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões. 

Na noite do júbilo ou na jornada adversa
Exalta a alegria ou mitiga o espanto
E a exaltação nova que este dia lhe canto 

Outrora a cantaram o árabe e o persa.
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história
Como se esta já fora cinza na memória.

Scala Coeli surge no cume deste nosso mito, e é um nome desde há muito ligado a Eugénio de Almeida. Trata-se de um convento, mesmo à saída de Évora, abandonado no início do século. Vasco Eugénio de Almeida recuperou-o e devolveu-o à Ordem dos Monges da Cartuxa, sendo hoje um convento de clausura e silêncio. Na sua história conta-se ainda  ter sido em tempos a Escola Agrária e Agrícola. Este bonito convento serviu de inspiração para um grande vinho, que tem sido feito todos os anos com castas diferentes: o famoso Scala Coeli, da Cartuxa.

Chegando ao que mais nos interessa, o Syrah Scala Coeli foi feito por duas vezes: em 2006 com 14,5 de graduação alcoólica e em 2010 com 15,5 de graduação alcoólica. Por detrás deste néctar está Pedro Baptista, o enólogo premiado da Fundação, reconhecido pela qualidade e solidez dos vinhos que assina. Diz a ficha técnica que “As uvas passaram por um processo de maceração pré-fermentativa a frio, seguida de fermentação alcoólica à temperatura de 28ºC e de maceração prolongada. Período de encuba total de quarenta dias e estágio de quinze meses em barricas novas de carvalho francês. De cor granada, apresenta um aroma intenso e elegante. Na boca apresenta uma excelente estrutura com taninos suaves, boa acidez, terminando com ampla sensação de volume.”

Este syrah fantástico só tem mesmo um problema, e não é pequeno: o preço!, que se pode considerar exorbitante e que está muito acima da média para a bolsa da maioria, o que torna este syrah inacessível para muitos.

O preço apresentado abaixo é meramente indicativo, pois em muitos lugares o valor é superior em 20%. No entanto, se aquilo que foi dito sobre este syrah vos tocou de alguma maneira, e estiverem na disposição de o experimentar, deixem-nos dar uma pequena dica que se poderá tornar valiosa. No caso de não ser oportuno adquiri-lo na loja da Adega da Cartuxa, em Évora, devido à distância, tentem perguntar na Estado de Alma. O gerente Tiago Paulo consegue fazer maravilhas com o preço de muitos syrah, este inclusive!

E olhem que vale mesmo a pena a experiência, pelo menos uma vez, já que é algo inolvidável. Por exemplo no jantar da passagem de ano ou mesmo no almoço de Ano Novo!

Já agora, a equipa do Blogue do Syrah deseja a todos os leitores presentes e futuros um óptimo 2015, bem acompanhado com syrah de qualidade, de preferência portugueses!

Classificação: 19/20                            Preço: 55,00€

 

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Quinta do Barranco Longo, 100% Syrah, Algarve, 2010

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E chegamos finalmente ao Algarve, pois claro! Era inevitável… Se alguém pensou que por aquelas bandas não haveria syrah, aqui estamos nós para o desmentir categoricamente! É verdade que não há muitos, mas os que existem são suficientes para não ficarem esquecidos. E por isso vamos hoje falar do syrah da Quinta do Barranco Longo.

Quinta esta que está localizada no coração do Algarve. O terroir, com solo argilo‑calcário, e as mais de 3000 horas de sol por ano, potenciam o atributo das uvas que, depois de transformadas, resultam em syrah de elevada qualidade.

A Quinta do Barranco Longo, situada na freguesia de Algoz, concelho de Silves, dedica-se, entre outras actividades, à produção e comercialização de vinhos de mesa e de vinhos espumantes. O projecto nasce em 2001, com a realização dos primeiros ensaios de “microvinificação”, tendo em vista a obtenção de produtos de alto calibre. Em 2003 são produzidos os primeiros vinhos “Barranco Longo Rosé”, “Barranco Longo Tinto” e “Barranco Longo Reserva”.

Em 2004 produzem-se 10000 litros e também o primeiro monocasta: “Barranco Longo Touriga nacional”. A produção triplica em 2005, ano em que surge o primeiro vinho “Barranco Longo Branco” e o monocasta “Barranco Longo Syrah”. A partir de então, e porque os vinhos foram bem posicionados e reconhecidos no mercado, esta actividade não parou de crescer. Em 2008 chegaram mais novidades.

A gama de vinhos é alargada ao primeiro espumante da região algarvia e ao primeiro vinho rosé português 100% fermentado em barricas de carvalho. A quinta está nas mãos de Rui Virgínia, que continua a aperfeiçoar o ciclo do vinho com os métodos enológicos mais inovadores.

Os vinhos estão orientados para a cadeia hoteleira e restauração, estando o seu negócio centralizado na marca “Barranco Longo”, destinada aos mercados Nacional e Internacional.

Actualmente a Quinta do Barranco Longo produz cerca de 150000 garrafas por ano e conta com uma vasta gama de vinhos tintos, rosés, brancos e espumantes.

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No que diz respeito ao nosso syrah, que é sempre o motivo maior que nos leva a falar do produtor, da quinta e das suas produções, é um vinho com 14,5% de graduação alcoólica, e uma parte importante da produção vai para o mercado externo. Bélgica em primeiro lugar, Dinamarca a seguir, e também Holanda. Foram feitas cinco safras, de 2005 a 2010. Das que conhecemos, a melhor é a de 2007, a que atribuímos a classificação de 17, e da qual terão sido feitas 7000 garrafas. Segundo a ficha técnica, que após uma conversa telefónica com a Vera Franco, assistente administrativa da Quinta do Barranco Longo, muito simpaticamente nos enviou, ficamos a saber que se trata de um syrah com “Intensa cor rubi/violácea. Maceração de 15 dias em cubas de inox, fermentação controlada com duas repisas diárias, fermentação maloláctica. Estagiou um ano em cascos de carvalho americano e francês.Com reflexos da casta, da madeira onde estagiou e do terroir, tem excelentes aromas muito intensos a frutos vermelhos maduros e boas notas a especiarias e chocolate. Com sabor varietal intenso. Está muito arredondado, fresco, charmoso, persistente, com taninos sedosos.Termina em longo e belo final.”

A este propósito desejo aqui relembrar um grande texto do escritor brasileiro Luiz Fernando Veríssimo que se intitula “Degustação de syrah em Minas” e que diz assim:
– Hummm…
– Hummm…
– Eca!!!
– Eca?! Quem falou Eca?
– Fui eu, sô! O senhor num acha que esse syrah tá com um gostim estranho?
– Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas…
– Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo ?!
– Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
– Cebesta, eu não! Sou isso não senhor !! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!
– Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
– O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é ?
– Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então…
– E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
– O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no…
– Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
– Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens…
– Hã-hã… Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta…
– O senhor poderia começar com um Beaujolais!
– Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
– Então, que tal um mais encorpado?
– Óia lá, ocê tá brincano com fogo…
– Ou, então, um suave fresco!
– Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!
– Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
– Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, messs! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta…
– Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
– E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
– Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
– Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
– Mole e redondo, com bouquet forte?
– Agora, ocê pulô o corguim! E é um… e é dois… e é treis! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!…

Estamos em presença de um syrah de qualidade, como não podia deixar de ser, que por ser do Algarve impressiona ainda mais do que seria expectável, mas a realidade consegue sempre ultrapassar a ideia…!

Classificação: 16/20                            Preço: 15,50€

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Syrah de outras regiões (25)

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Hoje apresentamos a última lista de Syrah, que engloba todas as outras regiões vinícolas do país. E são seis: Douro, Beira Interior, Trás os Montes, Dão, Bairrada e Algarve. No total existem aqui 20 Syrah, dos quais dois esgotados, ambos da Bairrada.

Nesta lista temos, segundo a nossa opinião, alguns dos melhores Syrah do país, como por exemplo, a Quinta da Caldeirinha da Beira Interior, ou o Quinta da Romaneira do Douro, por sinal ambos já por nós analisados, até ao algarvio Quinta do Francês, que brevemente merecerá a atenção devida, já que se trata de algo superlativo.

Nos Syrah onde estiver mencionado mais do que um ano significa que os conhecemos, o que não quer dizer que não haja outros anos.

Douro
Labrador, 2010, 2011
Quinta da Romaneira, 2011, 2012
Crasto Superior, 2013
Quinta de Ventozelo, 2014
Quinta de Ventozelo (madeira), 2014

Beira Interior
Almeida Garrett, 2007
Quinta da Caldeirinha, 2009
Quinta dos Termos, 2009

Algarve
Barranco Longo, 2007, 2010
Herdade dos Pimenteis Reserva, 2013
Onda Nova, 2007
Quinta do Francês, 2011, 2012
Quinta da Tôr, 2013, 2014
Salira, Adega Cooperativa de Lagoa, 2005

Bairrada
Quinta do Valdoeiro, 2005, 2007, 2010
Encostas de Mouros, 2009
Quinta do Carvalhinho, 2005
(esgotado)
Rosa Brava, 2004 (esgotado)
Blaudus Rosé Syrah, Quinta de Baixo, 2006 (esgotado)
Niepoort, 2012

Trás os Montes
Quinta de Arcossó, 2011
Quinta Sobreiró de Cima, 2010
Quinta do Escairo, 2012

Dão
Quinta das Camélias, 2010
Quinta de Madre de Água, 2012


 

Monte Seis Reis, 100% Syrah, Alentejo, 2008

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E regressamos ao Alentejo, para dar a conhecer um Syrah de excelsa qualidade!
Seis Reis, de 2008, 100% Syrah, terceira safra com 7000 garrafas das quais 90% vão para o mercado externo como a China, o Luxemburgo, a França, a Suíça e Ontário no Canadá. A primeira safra de 2003, igualmente com 7000 garrafas, e 2004 com 4000 garrafas, fazem a história desde Syrah, dos primeiros que passaram pelo nosso “estreito”.

Vejamos o que nos diz o produtor sobre esta maravilha do Alentejo. Em relação ao aroma: “Boa concentração aromática com frutos pretos maduros e especiarias.” E no paladar: “Sabor intenso, macio e elegante, com taninos robustos e grande persistência final.” O produtor também nos diz que este syrah tem uma “Evolução positiva durante 7 a 10 anos, se conservado em local fresco, escuro e a garrafa deitada.” A verdade verdadinha é que já este ano degustámos o Syrah 2003, portanto a caminho dos 12 anos e a nossa classificação foi de 19 valores! Este Syrah está para durar!

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O monte Seis Reis está localizado em Estremoz, a cerca de 170 Km de Lisboa. Nos 200 hectares da herdade, actualmente encontram-se plantados 50 hectares de vinha sobre dois tipos de solos: argilo-calcários e xistosos, nos quais são produzidas as castas tintas Syrah, Aragonez, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Castelão, Trincadeira Preta, Touriga Nacional; e as castas brancas Arinto, Antão Vaz, Viognier e Alvarinho. Mais recentemente, foram introduzidas as castas Petit Verdot e Tannat. Toda a área de vinha, bem como a restante exploração agrícola, é desenvolvida de forma sustentável em produção integrada, respeitando os recursos naturais da região e a natureza envolvente.

O Monte Seis Reis iniciou a sua produção em 2003 e desde então tem alcançado vários reconhecimentos e prémios. É um espaço onde existe uma aposta notória tanto na qualidade dos vinhos como no enoturismo, visando criar uma ligação mais estreita entre o produtor e o consumidor. A adega está aberta todos os dias, para visitas guiadas e degustação dos vinhos. O nome da adega, bem como o nome dos vinhos, nasce da vontade de interligar o vinho à história de Estremoz, uma cidade que remonta ao século XIII e de onde se destacaram cinco Reis e uma Rainha.

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Em conversa com o enólogo, João Pedro Cardoso, ficamos a saber que o facto de não haver Syrah todos os anos, ao contrário de outros produtores, se deve a um único motivo: a preservação da qualidade. Se o Syrah dum determinado ano não tem a qualidade já presente nos anos anteriores, então esse Syrah vai para blend.
E já agora uma amigável pedido, que aqui os escribas agradeceriam: que a presença na Internet do Monte Seis Reis deixe de uma vez por todas de ser uma Página em Construção!

E assim chegamos ao momento presente. O próximo Syrah, provavelmente com o ano de 2011, sairá em Março ou em Setembro de 2015, e estão previstas 10000 garrafas. Dos 50 hectares de vinha só 4 são dedicados ao Syrah mas são 4 hectares preciosos! Sobre a próxima safra diz-nos o enólogo que “Está mais guloso” e nós começamos a salivar… e recordamos ao mesmo tempo uma anedota sobre a escolha do velho alentejano que adaptamos ao nosso tema e que diz assim:

Um velho alentejano começou a ter umas maleitas, que lhe afectavam o andar. Preocupado, foi ao Centro de Saúde e marcou uma consulta.
O clínico recebeu-o, auscultou, fez-lhe perguntas.
Olhou para ele fixamente, e inquiriu-o:
– Sr. Zé, se pudesse escolher, preferia ter Parkinson ou Alzheimer? 
-Parkinson, Sr. Doutor! Prefiro entornar metade do copo do que esquecer onde está a garrafa de Syrah!…

Fabuloso!

 

Classificação: 18/20                            Preço: 10,17€

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Syrah de Setúbal (18)

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Hoje apresentamos a lista dos syrah da Península de Setúbal, treze no total.
Como é possível verificar, dois estão esgotados, e outro só está disponível para o mercado externo, embora já tivéssemos tido oportunidade de o degustar.
As três grandes casas de vinhos de Setúbal produzem syrah de grande envergadura. Estou a referir-me à casa Ermelinda Freitas, à Bacalhoa e, naturalmente, à José Maria da Fonseca. O Só syrah da Bacalhoa deixou de ser produzido, com muita pena nossa, e desse último ano, 2008, haverá neste momento já poucas caixas ainda disponíveis…
Nesta lista, como temos vindo a fazer, apontamos todos os syrah, mesmo os já esgotados.
Onde estiver mencionado mais do que um ano significa que os conhecemos, o que não quer dizer que não haja outros anos.

Adega de Pegões, 2011
Ameias, 2009, 2010, 2013
Cascalheira, 2012
Domingos Soares Franco, 2004 (esgotado)
Domingos Soares Franco com TF, 2011
EMME, 2007, Grande Escolha (esgotado)
Ermelinda de Freitas, 2005, 2011, 2012
Fernão Pó, 2013
JP, Bacalhoa, Rosé Syrah, 2015
Lobo Novo, 2013 (mercado externo)
Quinta de Alcube, 2012
Quinta do Monte Alegre, 2011
São Filipe, 2011
Serras de Azeitão Rosé, Bacalhoa, 2015
Só Syrah Bacalhoa Setúbal, 1999, 2003, 2007, 2008
Talego, 2013
Vale dos Barris, 2011
Vinhas de Pegões, 2015


 

Quinta do Convento, 100% Syrah, Lisboa, 2008

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E voltamos a Lisboa, para desta vez ir ao encontro de mais um syrah de eloquente qualidade, mas difícil de encontrar. Trata-se do syrah da Quinta do Convento de Nossa Senhora da Visitação de seu nome completo, que está localizada em plena Serra de Montejunto. Esta quinta existe desde 1996 e surgiu após a recuperação da antiga casa senhorial do século XIX, em plena harmonia com a natureza e a tradição de um espaço com mais de 500 anos.

Vejamos a história contada pelos próprios. A Quinta guarda a memória dos jardins islâmicos dos finais do século X que os antigos almoxarifes dos castelos de Alenquer, Óbidos e Vila Verde dos Francos fundaram no isolamento da serra de Montejunto. Tendo sido conquistada por cruzados franceses, só se constituiria domínio senhorial em 1233, no reinado de D. Sancho I.

Gonçalo de Albuquerque, Senhor de Vila Verde, e pai de Afonso de Albuquerque, primeiro Vice-Rei da Índia, terá edificado o Convento da Visitação num local sem água. Nas primeiras décadas do século XVI, João de Castilho inicia a campanha de obras do segundo Convento, terminado em 1540. A sala do capítulo, mandada construir por Violante de Noronha, em 1660, é uma jóia do maneirismo português. A entrada do claustro para a igreja e a sacristia mantém alguns pormenores de frescos e brutesco do reinado de Filipe I.

Na nave central, e datada do mesmo ano de 1566, evidencia-se a pedra tumular do donatário deste convento da Ordem terceira de São Francisco, D. Pedro de Noronha Sexto, Senhor de Vila Verde e irmão de Afonso de Albuquerque. Também D. Catarina de Ataíde, a eterna namorada de Luís de Camões e mulher de D. Pedro de Noronha, Sétimo Senhor de Vila Verde, esteve sepultada na igreja antes de ser transladada para o Convento da Graça em Lisboa.

O corpo da igreja está revestido a azulejos de albarradas azuis e brancos do período Joanino, e os da capela-mor, do período rococó. Terão possivelmente sido encomendados a Valentim de Almeida pela primeira mulher do 1º Marquês de Pombal, Teresa de Noronha e Bourbon, donatária do Convento. Uma grande e longa história de que só mencionámos aqui alguns aspectos. É portanto um local que merece uma visita!

A Sociedade Agrícola da Quinta do Convento  gere actualmente um património florestal de cerca de 2000 hectares; um número de efectivos pecuários superior a 400 cabeças; 16 hectares de vinha com vista à obtenção de vinhos de elevada qualidade; espaços de elevada importância artística, histórica e cultural da Quinta do Convento e da Torre Bela.

Tivemos oportunidade de falar com Luís Barreto engenheiro técnico agrícola da Quinta do Convento sobre o syrah que é o objecto deste texto.

Syrah duma única safra do ano de 2008, foi só em 2004 que se começaram a produzir vinhos, com uma produção de apenas 3259 garrafas e com um teor alcoólico de 13,5%, apresenta-se segundo o produtor: Cor rubi intenso, com alguma complexidade aromática onde predominam notas de especiaria fina, cacau e pimenta preta. Na boca revela profundidade, taninos firmes que conferem estrutura e persistência.” Baudelaire escrevia no poema “A alma do vinho”:

Alma do vinho assim cantava na garrafa:
Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que se abafas,
Um cântico em que só há fraternidade e luz!”

A característica mais salientada pelo Eng. Luís Barreto foi o facto das vinhas estarem a 400 metros de altitude, o que não é muito vulgar nomeadamente na região de Lisboa, marcando desta maneira este terroir.

Só há dois locais onde é possível adquirir o nosso syrah da Quinta do Convento de Nossa Senhora da Visitação. Na própria quinta que fica em Vila Verde dos Francos, Rua Convento, 2580-442, ou então nos escritórios que ficam em Lisboa, nas Amoreiras, Rua Tierno Galvan, T3 – 13º piso.

É vendido em parte para o mercado externo, principalmente Dinamarca, Alemanha, China e Brasil. Não está presentemente colocada a hipótese de haver para breve uma segunda safra de monovarietal syrah, mas não é totalmente impossível, pois encontra-se syrah de 2013 em barrica, que é também usado desde o princípio para a feitura do Reserva, que é feito com touriga nacional e syrah. Obviamente que a última palavra será do enólogo quando chegar a altura de tomar uma decisão.
Ficamos a torcer que seja a nosso favor!
A bem da verdade do syrah!

Classificação: 17/20                            Preço: 6,20€

 

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