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Quinta do Convento, 100% Syrah, Lisboa, 2008

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E voltamos a Lisboa, para desta vez ir ao encontro de mais um syrah de eloquente qualidade, mas difícil de encontrar. Trata-se do syrah da Quinta do Convento de Nossa Senhora da Visitação de seu nome completo, que está localizada em plena Serra de Montejunto. Esta quinta existe desde 1996 e surgiu após a recuperação da antiga casa senhorial do século XIX, em plena harmonia com a natureza e a tradição de um espaço com mais de 500 anos.

Vejamos a história contada pelos próprios. A Quinta guarda a memória dos jardins islâmicos dos finais do século X que os antigos almoxarifes dos castelos de Alenquer, Óbidos e Vila Verde dos Francos fundaram no isolamento da serra de Montejunto. Tendo sido conquistada por cruzados franceses, só se constituiria domínio senhorial em 1233, no reinado de D. Sancho I.

Gonçalo de Albuquerque, Senhor de Vila Verde, e pai de Afonso de Albuquerque, primeiro Vice-Rei da Índia, terá edificado o Convento da Visitação num local sem água. Nas primeiras décadas do século XVI, João de Castilho inicia a campanha de obras do segundo Convento, terminado em 1540. A sala do capítulo, mandada construir por Violante de Noronha, em 1660, é uma jóia do maneirismo português. A entrada do claustro para a igreja e a sacristia mantém alguns pormenores de frescos e brutesco do reinado de Filipe I.

Na nave central, e datada do mesmo ano de 1566, evidencia-se a pedra tumular do donatário deste convento da Ordem terceira de São Francisco, D. Pedro de Noronha Sexto, Senhor de Vila Verde e irmão de Afonso de Albuquerque. Também D. Catarina de Ataíde, a eterna namorada de Luís de Camões e mulher de D. Pedro de Noronha, Sétimo Senhor de Vila Verde, esteve sepultada na igreja antes de ser transladada para o Convento da Graça em Lisboa.

O corpo da igreja está revestido a azulejos de albarradas azuis e brancos do período Joanino, e os da capela-mor, do período rococó. Terão possivelmente sido encomendados a Valentim de Almeida pela primeira mulher do 1º Marquês de Pombal, Teresa de Noronha e Bourbon, donatária do Convento. Uma grande e longa história de que só mencionámos aqui alguns aspectos. É portanto um local que merece uma visita!

A Sociedade Agrícola da Quinta do Convento  gere actualmente um património florestal de cerca de 2000 hectares; um número de efectivos pecuários superior a 400 cabeças; 16 hectares de vinha com vista à obtenção de vinhos de elevada qualidade; espaços de elevada importância artística, histórica e cultural da Quinta do Convento e da Torre Bela.

Tivemos oportunidade de falar com Luís Barreto engenheiro técnico agrícola da Quinta do Convento sobre o syrah que é o objecto deste texto.

Syrah duma única safra do ano de 2008, foi só em 2004 que se começaram a produzir vinhos, com uma produção de apenas 3259 garrafas e com um teor alcoólico de 13,5%, apresenta-se segundo o produtor: Cor rubi intenso, com alguma complexidade aromática onde predominam notas de especiaria fina, cacau e pimenta preta. Na boca revela profundidade, taninos firmes que conferem estrutura e persistência.” Baudelaire escrevia no poema “A alma do vinho”:

Alma do vinho assim cantava na garrafa:
Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que se abafas,
Um cântico em que só há fraternidade e luz!”

A característica mais salientada pelo Eng. Luís Barreto foi o facto das vinhas estarem a 400 metros de altitude, o que não é muito vulgar nomeadamente na região de Lisboa, marcando desta maneira este terroir.

Só há dois locais onde é possível adquirir o nosso syrah da Quinta do Convento de Nossa Senhora da Visitação. Na própria quinta que fica em Vila Verde dos Francos, Rua Convento, 2580-442, ou então nos escritórios que ficam em Lisboa, nas Amoreiras, Rua Tierno Galvan, T3 – 13º piso.

É vendido em parte para o mercado externo, principalmente Dinamarca, Alemanha, China e Brasil. Não está presentemente colocada a hipótese de haver para breve uma segunda safra de monovarietal syrah, mas não é totalmente impossível, pois encontra-se syrah de 2013 em barrica, que é também usado desde o princípio para a feitura do Reserva, que é feito com touriga nacional e syrah. Obviamente que a última palavra será do enólogo quando chegar a altura de tomar uma decisão.
Ficamos a torcer que seja a nosso favor!
A bem da verdade do syrah!

Classificação: 17/20                            Preço: 6,20€

 

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