Quinta do Barranco Longo, 100% Syrah, Algarve, 2010

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E chegamos finalmente ao Algarve, pois claro! Era inevitável… Se alguém pensou que por aquelas bandas não haveria syrah, aqui estamos nós para o desmentir categoricamente! É verdade que não há muitos, mas os que existem são suficientes para não ficarem esquecidos. E por isso vamos hoje falar do syrah da Quinta do Barranco Longo.

Quinta esta que está localizada no coração do Algarve. O terroir, com solo argilo‑calcário, e as mais de 3000 horas de sol por ano, potenciam o atributo das uvas que, depois de transformadas, resultam em syrah de elevada qualidade.

A Quinta do Barranco Longo, situada na freguesia de Algoz, concelho de Silves, dedica-se, entre outras actividades, à produção e comercialização de vinhos de mesa e de vinhos espumantes. O projecto nasce em 2001, com a realização dos primeiros ensaios de “microvinificação”, tendo em vista a obtenção de produtos de alto calibre. Em 2003 são produzidos os primeiros vinhos “Barranco Longo Rosé”, “Barranco Longo Tinto” e “Barranco Longo Reserva”.

Em 2004 produzem-se 10000 litros e também o primeiro monocasta: “Barranco Longo Touriga nacional”. A produção triplica em 2005, ano em que surge o primeiro vinho “Barranco Longo Branco” e o monocasta “Barranco Longo Syrah”. A partir de então, e porque os vinhos foram bem posicionados e reconhecidos no mercado, esta actividade não parou de crescer. Em 2008 chegaram mais novidades.

A gama de vinhos é alargada ao primeiro espumante da região algarvia e ao primeiro vinho rosé português 100% fermentado em barricas de carvalho. A quinta está nas mãos de Rui Virgínia, que continua a aperfeiçoar o ciclo do vinho com os métodos enológicos mais inovadores.

Os vinhos estão orientados para a cadeia hoteleira e restauração, estando o seu negócio centralizado na marca “Barranco Longo”, destinada aos mercados Nacional e Internacional.

Actualmente a Quinta do Barranco Longo produz cerca de 150000 garrafas por ano e conta com uma vasta gama de vinhos tintos, rosés, brancos e espumantes.

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No que diz respeito ao nosso syrah, que é sempre o motivo maior que nos leva a falar do produtor, da quinta e das suas produções, é um vinho com 14,5% de graduação alcoólica, e uma parte importante da produção vai para o mercado externo. Bélgica em primeiro lugar, Dinamarca a seguir, e também Holanda. Foram feitas cinco safras, de 2005 a 2010. Das que conhecemos, a melhor é a de 2007, a que atribuímos a classificação de 17, e da qual terão sido feitas 7000 garrafas. Segundo a ficha técnica, que após uma conversa telefónica com a Vera Franco, assistente administrativa da Quinta do Barranco Longo, muito simpaticamente nos enviou, ficamos a saber que se trata de um syrah com “Intensa cor rubi/violácea. Maceração de 15 dias em cubas de inox, fermentação controlada com duas repisas diárias, fermentação maloláctica. Estagiou um ano em cascos de carvalho americano e francês.Com reflexos da casta, da madeira onde estagiou e do terroir, tem excelentes aromas muito intensos a frutos vermelhos maduros e boas notas a especiarias e chocolate. Com sabor varietal intenso. Está muito arredondado, fresco, charmoso, persistente, com taninos sedosos.Termina em longo e belo final.”

A este propósito desejo aqui relembrar um grande texto do escritor brasileiro Luiz Fernando Veríssimo que se intitula “Degustação de syrah em Minas” e que diz assim:
– Hummm…
– Hummm…
– Eca!!!
– Eca?! Quem falou Eca?
– Fui eu, sô! O senhor num acha que esse syrah tá com um gostim estranho?
– Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas…
– Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo ?!
– Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
– Cebesta, eu não! Sou isso não senhor !! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!
– Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
– O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é ?
– Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então…
– E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
– O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no…
– Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
– Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens…
– Hã-hã… Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta…
– O senhor poderia começar com um Beaujolais!
– Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
– Então, que tal um mais encorpado?
– Óia lá, ocê tá brincano com fogo…
– Ou, então, um suave fresco!
– Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!
– Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
– Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, messs! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta…
– Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
– E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
– Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
– Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
– Mole e redondo, com bouquet forte?
– Agora, ocê pulô o corguim! E é um… e é dois… e é treis! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!…

Estamos em presença de um syrah de qualidade, como não podia deixar de ser, que por ser do Algarve impressiona ainda mais do que seria expectável, mas a realidade consegue sempre ultrapassar a ideia…!

Classificação: 16/20                            Preço: 15,50€

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