Monthly Archives: December 2014

Quinta do Valdoeiro,100% Syrah, Bairrada, 2007

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Depois do Douro, descemos, e encontramos a Bairrada.

E aqui, na Mealhada, temos o syrah da Quinta do Valdoeiro. Este syrah impressiona pelo que é em si, e também pelo facto de estar implantado numa região, a Bairrada, que tem pouco syrah, logo sem grande relevância em termos desta casta.

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A Quinta do Valdoeiro faz parte duma companhia, a Sociedade Agrícola e Comercial Vinhos Messias, que congrega três quintas. A companhia foi fundada em 1926, por Messias Baptista, que manteve a administração da empresa até 1973. A Administração das Caves Messias é ainda nos dias de hoje assegurada pelos descendentes da família Messias.
Desde a sua fundação que tem produzido e comercializado vinhos das principais regiões demarcadas: Dão, Bairrada, Douro, Vinho Verde, Beiras e Vinho do Porto. A empresa é também reconhecida pela alta qualidade dos seus vinhos Espumantes Naturais e Aguardentes.
A sede da MESSIAS está situada na Mealhada, pequena cidade da região da Bairrada, onde a empresa possui mais de 6.000 metros quadrados de instalações e aproximadamente 160 hectares de vinha, sendo 70 hectares destinados à produção dos vinhos da Quinta do Valdoeiro.

Quinta do Cachão tem as suas encostas adjacentes ao rio Douro, na sub-região do Cima Corgo. A vinha foi plantada pela primeira vez em 1845 pelo Barão do Seixo sendo mais tarde adquirida pela família Afonso Cabral, que por sua vez a vendeu à família Messias no ano de 1956.

A Quinta do Penedo é constituída por uma área de 20 hectares e situa-se no coração da Região Demarcada do Dão, mais precisamente no interior do triângulo clássico Viseu-Nelas-Mangualde. A sua origem como vinha remonta ao ano de 1930, pela mão do General Lobo da Costa, tendo permanecido na família até 1998, ano em que foi adquirida pela família Messias.

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Até que chegamos à Quinta do Valdoeiro, que é uma bem estruturada propriedade agrícola da região vitivinícola da Bairrada. Possui 130 hectares, 70 dos quais plantados com vinha  em solos calcários de baixa fertilidade.
A ligeira ondulação do relevo, as encostas voltadas a sul e nascente, assim com a implantação das castas separadas por talhões, são factores que contribuem para a qualidade das uvas aí produzidas.

E é neste ambiente que se produz o nosso syrah, para além das variedades tintas Touriga-Nacional, Baga, Castelão e Cabernet-Sauvignon. Nas variedades brancas temos o Arinto, Bical, Chardonnay e Cerceal.

Como nos diz o produtor este syrah possui “cor violeta muito intensa. Aroma a frutos, especiarias e chocolate, afinados pela tosta de barrica. Na boca apresenta uma forte estrutura e sedosos taninos, com um sabor potente e fresco. Final muito longo”.

Terá sido por isso que Bossuet diz e nós adaptamos que “O syrah tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia.”

Em conversa com o enólogo, Eng. João Soares, que se percebe, mesmo à distância do fio de telefone, que é um homem de grande disponibilidade e que manteve connosco uma longa conversa, impossível aqui de reproduzir, e isto apesar de ser o enólogo das três quintas das Caves Messias, ficamos a saber que a Quinta do Valdoeiro tem syrah desde 1998, ocupando 3,5 hectares, apesar do monocasta só ter visto a luz do dia em 2001 com 5200 garrafas.

A partir daí foi sempre a crescer em número e qualidade, com pequenas excepções, que não foram notadas porque a exportação subiu de tal modo que certos anos viram a sua produção totalmente dirigida para o mercado externo, como foi o caso de 2008. Os países principais que recebem este syrah são os Estados Unidos, Canadá, Brasil, e, em crescendo, a China.

O actual ano em degustação de 2010 teve 7500 garrafas que estão aí para fazer o deleite de quem puder, queira e souber chegar a elas. O momento alto desta história chegou com o syrah de 2007 (10200 garrafas) que em 2009 ganhou a medalha de ouro no concurso internacional “syrah du monde”. Na minha modesta opinião já o ano de 2005 (10100 garrafas) teria merecido o mesmo prémio! Isto em cuja Casa, nas palavras do seu enólogo: “A intenção não é ser produtor de syrah”.

E o futuro?
O futuro está para já assegurado. O syrah de 2013 foi engarrafado a semana passada e sairá para o mercado nos finais de 2015 ou princípios de 2016.

Se tudo correr bem e como planeado, cá estaremos para o degustar e continuar a falar desta maravilha da Bairrada!

 Classificação: 17/20                            Preço: 13,50€

 

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Syrah de Lisboa (36)

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Hoje apresentamos a lista dos Syrah de Lisboa, região que anteriormente fazia parte da região vinícola da Estremadura juntamente com a região do Tejo. São vinte e um no total, e como mais uma vez se pode ver, cinco já se encontram esgotados. Há nesta zona Syrah de grande nível como são os casos da Quinta do Monte d´Oiro, ou o Grand´Arte, sem esquecer o Quinta de Pancas, infelizmente já desaparecido.
Alguns deles ainda puderam ser por nós apreciados, e no caso de outros sabemos que brevemente pode haver novidades. Noutros casos, infelizmente, o ano indicado é mesmo o último, pelo menos para já…
Nos Syrah onde estiver mencionado mais do que um ano significa que os conhecemos, o que não quer dizer que não haja outros anos.

ACL, 2009
ACL, Reserva Velharia, 2009
Arruda dos Vinhos, 2009 (esgotado)
Bonifácio, 2009
Casa do Cónego, 2004 (esgotado)
Casa Santos Lima, 2009
Casal Castelão, 2007
Confraria, 2012
Cepa Pura, 2013
Cortello, 2010 (esgotado)
Cortém, 2010
D´Arada, 2007
Feitorias

Grand´Arte, 2011
Homenagem a António Carqueijeiro, Quinta do Monte d`Oiro, 1999, 2001 (esgotado)
Humus, 2010
Lybra, Monte D´Oiro, 2011
Syrah Rosé, Monte D’Oiro, 2013
Monte da Caçada, 2014
Monte do Roseiral, 2012
Mundus, Adega Cooperativa da Vermelha, 2012

Pactus, 2007
Pynga, 2012

Quinta das Hortênsias, 2008
Quinta de Pancas, 2000 (esgotado)
Quinta do Convento de nossa senhora da visitação, 2008
Quinta do Gradil, Festa das Vindimas, 2012
Quinta do Gradil, 2013

Quinta dos Plátanos, 2013
Quinta de S. Jerónimo, 2007, 2009, 2011, 2013
Reserva, Monte d´Oiro, 2004
Reserva dos Amigos, 2004  (esgotado)
Syrah 24, Monte d´Oiro, 2007 2009
Vale das Areias, 2010, 2011
Vale Zias, 2011
Vinha da Nora, Monte d´Oiro, 2000 2005 (esgotado)


 

Quinta da Romaneira, 100% Syrah, Douro, 2011

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E hoje chegamos ao Douro!

Mas no Douro não há Syrah, dirão os apaixonados das tourigas! Mas há! Há poucos mas há! E são todos de recente data.

O mais relevante é este Quinta da Romaneira, do ano 2011, a terceira safra da quinta donde saíram oito mil garrafas, infelizmente já quase no fim. A primeira safra tinha acontecido em 2009 com quatro a cinco mil garrafas, a segunda no ano seguinte com a mesma produção. Nos princípios de 2015 está previsto nova safra, igualmente com oito mil garrafas.

Eis pois um Syrah de grande qualidade, assim apresentado pelo produtor no rótulo da garrafa: “Frutos vermelhos exuberantes e suculentos, com uma agradável frescura e equilíbrio. Algumas notas de especiarias e alcaçuz. Madeira bem integrada, taninos finos, final longo e persistente.” Ernest Hemingway já dizia que “o conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter do Syrah prazeres infinitos.”

Mas impõe-se um pouco de história duma quinta várias vezes centenária, com uma linhagem ancestral que remonta ao século XVII. Uma das cinco maiores Quintas do Douro (um total de 400 hectares, sendo que 86 hectares são de vinha e 12 de olival), possui cerca de 50 km de estradas no interior da propriedade e quase 3 km de frente de rio.

Produtor de topo da região do Douro, é possuidor de algumas das maiores pontuações atribuídas a vinhos portugueses pelas mais prestigiadas revistas de vinho dos Estados Unidos, além de competições nacionais e internacionais. O vinho tinto representa 75% da produção total da Romaneira (Vinho do Porto: 20%; Branco/Rosé: 5%). Produção anual de cerca de 250.000 a 300.000 garrafas. A marca Romaneira está presente em cerca de 30 países dos cinco continentes.

Este Syrah, assim como o irmão “Labrador” da Quinta do Noval, quando surgiu logo causou imensa polémica devido ao facto reconhecido de que Syrah, como casta, é estranho ao Douro. Surgiram imediatamente os críticos acérrimos do enólogo António Agrellos, responsável pelos dois Syrah, e figura muito respeitada e conhecida no mundo dos vinhos do Porto e de mesa. Contactada a Quinta da Romaneira, falamos com um elemento da direcção comercial que nos disse que perante esta crítica a resposta oficial da Quinta foi e é sempre a mesma:
“Prove o vinho e diga-nos o que pensa”.

Nesse aspecto este Syrah cala toda a crítica, porque é de qualidade superlativa!

 

Classificação: 19/20                            Preço: 19,00€

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Quinta de Arcossó, 100% Syrah, Trás-os-Montes, 2011

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Subimos um pouco mais na nossa viagem pelos syrah de Portugal e chegamos a Trás-os-Montes, região de Chaves, onde temos para vos oferecer o syrah da Quinta de Arcossó. Trata-se de um syrah único, possuidor de características que não encontramos em mais nenhum syrah em Portugal, quiçá no mundo.

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A quinta, do produtor Amílcar Salgado, homem duma grande disponibilidade comunicativa, possui doze hectares de vinha, produz diversos vinhos desde 2005, e está situada naquele que é considerado o local mais rico da Europa em águas minerais. Basta pensarmos nas águas Campilho, nas águas Vidago ou nas conhecidíssimas Pedras Salgadas, para além de outras que povoam toda esta região. Isto faz com que o syrah seja muito mineral, sobretudo no primeiro envolvimento na boca, sobressaindo de seguida toda a complexidade da nossa casta.

A Quinta de Arcossó está situada numa região de tradições vitícolas já muito antigas, anterior aos romanos, com um solo de origem granítica onde crescem castas adaptadas à região. Quem diria que o syrah se poderia adaptar tão bem a este “terroir”!

A História registou o seguinte pensamento dum anónimo: “ O mais humilde ser humano, ao experimentar ou oferecer um syrah, perpetua tradições milenares e realiza um acto ritual.” A produção é inteiramente artesanal, complementada por uma enologia de baixa intervenção e constante vigilância. Diz-nos o produtor que “todos os vinhos tintos são transformados com pisa a pé” e por isso recorre à enologia de Francisco Montenegro, técnico de vasta experiência.

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O syrah que deu origem a este texto, e que está neste momento a ser bebido pelo autor destas palavras, é de 2011, tem catorze graus e meio de graduação alcoólica, e estagiou durante dezasseis meses em barricas de carvalho francês. Diz-nos o produtor que tem “cor ruby profunda, com intensidade aromática, onde predominam bagas maceradas e especiarias com baunilha da madeira. Na boca evidencia corpo, boa acidez, sabores a fruta, taninos densos e elegantes e saboroso final.”

Esta é a terceira safra de syrah que teve um total de duas mil garrafas. A primeira safra tinha acontecido em 2007 e a segunda em 2009, com mil e trezentas garrafas cada uma. A próxima está prevista para Setembro de 2015, também com a mesma quantidade de garrafas. Produção pequena mas syrah de qualidade! Isso também origina a dificuldade em arranjá-lo. Na grande Lisboa existem dois sítios onde isso é possível: Oeiras, Néctares d`Aldeia no número 7 do Largo 5 de Outubro; Lisboa, Prazeres da Terra no número 6ª do Largo da Estefânia.

Fica a dica: Quando falarmos de grandes syrah do norte do país que ninguém se esqueça da Quinta de Arcossó. A continuidade está assegurada! Ainda bem!

Classificação: 17/20                            Preço: 10,40€

Ficha técnica


 

Syrah do Tejo (24)

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Hoje apresentamos a lista dos Syrah do Tejo, zona que anteriormente fazia parte da região vinícola da Estremadura juntamente com a região de Lisboa. São dezanove no total, e como é possível verificar, estão já seis Syrah esgotados.

Possui Syrah de grande nível como é o caso da Quinta da Lagoalva de Cima, Grande Escolha ou o Quinta de S. João, sem esquecer o Quinta do Alqueve infelizmente já desaparecido.

Alguns deles ainda puderam ser por nós apreciados, e no caso de outros sabemos que brevemente poderá haver novidades. Noutros casos, infelizmente, o ano indicado é mesmo o último, pelo menos para já…

Nos Syrah onde estiver mencionado mais do que um ano significa que os conhecemos, o que não quer dizer que não haja outros anos.

 

5º Elemento, Quinta das casas altas, 2011

5 Outeiros, 2014

Bridão, Adega do Cartaxo, 2012

Cabeço Alto, 2010

Casa da Atela, 2007

Casaleiro, Reserva, Enoport, 2006 (esgotado)

Companhia das Lezírias, 2008

Dom Hermano, Quinta do Casal Monteiro, 2006 (esgotado)

Enigma, 2012

Gemelli, Rui Reguingua, Tejo, 2006 (esgotado)

Ninfa, 2003  (esgotado)

Paciência, 2003, 2007

Quinta da Lagoalva de Cima, 2010, 2000

Quinta da Lapa, 2010

Quinta de S. João, 2007

Quinta de S. João Baptista, 2009

Quinta do Alqueve, 2001 (esgotado)

Quinta do Côro, Sardoal, 2013

Quinta do Sampayo, Agroseber, 2004 (esgotado)

Quinta dos Penegrais, Reserva, 2011

Quinta Vale de Fornos, 2007 2012

Tributo, Rui Reguingua, Tejo, 2012

Vale de Lobos, 2011

Vidigal, 2008 (esgotado)


 

Quinta das Camélias, 100% Syrah, Jaime de Almeida Barros, LDA, Terras do Dão, 2010

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Hoje vamos apresentar um syrah de que nos podemos orgulhar de forma muito especial. Trata-se do syrah Quinta das Camélias. Fica desde já dito que se trata do único syrah do Dão. Daí merecer só por este facto um carinho e uma atenção diferente.

A Quinta das Camélias situa-se na região demarcada do Dão, na aldeia de Sabugosa, a catorze quilómetros de Viseu. É uma propriedade com vinte e três hectares dos quais quinze estão ocupados com vinha. Foi adquirida em 2002 por Jaime de Almeida Barros, (que deve o gosto pela vinha ao pai, que também tinha sido produtor) tendo sido necessário proceder à reconversão total das vinhas existentes, devido à situação de semi-abandono em que a Quinta se encontrava.

Em conversa com o proprietário ficamos a saber que a Quinta inicialmente tinha somente oito hectares e meio e foi aumentando sucessivamente para actuais vinte e três com a compra de treze parcelas de terreno.

Uma das perguntas mais importantes que tínhamos a fazer a Jaime de Almeida Barros era saber o que o tinha levado a plantar syrah no Dão, quando nunca ninguém o tinha feito. A resposta foi simples e cristalina: “Tentativa de fazer vinhos diferentes.” E não há dúvida que o syrah da Quinta das Camélias é diferente de todos os vinhos que se produzem nesta região demarcada.

Mas é verdade, e é preciso dizê-lo, houve muito boa gente que logo teceu críticas fortes ao facto da casta syrah nada ter a ver com o Dão. A isso Jaime de Almeida Barros respondia que o mais importante era a produção de bons vinhos, e que fossem ao encontro do que o mercado pedia. Ainda não há muito tempo foi esta a resposta que João Paulo Martins, crítico de vinhos bem conhecido do meio vinícola, ouviu do nosso produtor.

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O encepamento da Quinta é constituído maioritariamente por Touriga –Nacional a sessenta por cento (apesar de ser dominante no Douro e estar distribuída por todo o país ela é originária do Dão) sendo os restantes quarenta por cento constituídos por Alfrocheiro, Tinta-Roriz, Jaen, (outra casta autóctone) e Syrah, que só ocupa dois hectares do total.

Este syrah, com 14,5 % de teor alcoólico, é de cor granada e tons violeta escuro. Segundo o produtor “apresenta aromas de framboesa, groselha, amora, tostado e defumado. Na boca é aveludado, com taninos bem integrados, com boa concentração de fenóis, complexo e encorpado”.

Apesar da Quinta ter começado a sua produção de vinhos em 2005, o primeiro syrah só saiu em 2008 com cerca de quatro mil garrafas. A segunda safra aconteceu em 2009 e esta de que estamos a falar surgiu em 2010, e já teve um total de sete mil garrafas, das quais já só existem entre trezentas quatrocentas, algumas das quais se podem encontrar na Estado d`Alma. O ano de dois mil e onze não viu nenhum syrah por problemas com as uvas.

Brevemente estará no mercado a safra de 2012, a acontecer provavelmente entre o final deste ano e o princípio do próximo, e que terá um total de dez mil garrafas. Pela primeira vez se pondera a possibilidade de levar o syrah a concursos internacionais. A safra de 2013 sairá, se tudo correr bem, lá mais para o fim de 2015. Setenta por cento da produção desde o primeiro ano destina-se ao mercado externo nomeadamente Alemanha, Brasil e Bélgica.

Jaime de Almeida Barros pensa ainda plantar mais vinha devido ao aumento da procura. E isso é óptimo porque parafraseando Miguel de Cervantes: “O syrah que se bebe com medida jamais foi causa de dano algum”.

A aposta do mercado externo está ganha. É preciso ganhar o mercado interno. A Quinta das Camélias está no bom caminho!

Classificação: 16/20                            Preço: 5,72€

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