Monthly Archives: February 2015

Quinta da Tôr, 100% Syrah, Algarve, 2013

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E é sempre com muita alegria que rumamos ao Algarve para apresentar mais um syrah de safra única, da Quinta da Tôr, ano de 2013, região de Loulé, mais precisamente a 7 kms da capital do concelho.

Quinta de 11 hectares, que foi há 3 anos adquirida pelo casal Mário e Elsa Santos, que possui igualmente uma empresa de equipamentos hoteleiros – a Turinox. A quinta já possuía vinha antiga, que foi recuperada. Com os investimentos apropriados em termos de maquinaria produziu-se um syrah com um total de 3200 garrafas. Os enólogos foram Pedro Mendes e Joachim Roque. A graduação alcoólica é de 14,5%.

Lá mais para o fim do ano está garantido novo syrah com mais ou menos o mesmo número de garrafas. No Algarve e na quinta é vendido a 5 euros. O preço que foi pago em Lisboa foi superior a esse valor, como indicamos no final.

Temos sim de referir que este produtor não possui presença digital, pelo que é difícil adquirir informação sobre o mesmo e seus produtos.  O que soubemos foi de viva voz em conversa telefónica.

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Este syrah apresenta “boa concentração no cor, ruby intenso. No aroma estão presentes as frutas vermelhas e especiarias onde sobressaem notas de cassis e pimenta. Tinto muito dinâmico e concentrado. Com carácter e clara aptidão gastronómica.”

No extremo Sul de Portugal Continental, o Algarve é uma zona bem definida, um compartimento com feições características, conferidas pela proximidade do mar, pelo clima, pela vegetação natural e pela cultura marcada pela longa ocupação árabe.
A região demarcada do Algarve data de 1980, produzindo vinhos tinto, branco, rosado e licorosos.
Os vinhos brancos e tintos caracterizam-se pelos aromas a frutos bem maduros e sabor aveludado e quente.
Os vinhos regionais da região Algarvia caracterizam-se por serem macios, pouco acídulos e ligeiramente alcoólicos, sendo os tintos de cor definida ou granada e os brancos de cor palha.
Incluído no Vinho Regional Algarve produz-se também nesta região um vinho licoroso, de grande tradição, com a indicação geográfica Algarve.

No Algarve existem quatro Denominações de Origem (Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira), ainda que a maior parte do vinho seja vendido sob a designação de Indicação Geográfica.

Para além das castas tradicionais, principalmente as tintas Castelão e Negra Mole e as brancas Arinto e Síria, nos últimos tempos têm obtido grande sucesso as variedades da Touriga Nacional e principalmente a nossa Syrah, uma casta de renome internacional, que se adaptou muito bem às condições climáticas particulares do Algarve.

Os novos projectos, todos em vinha ao alto, apostam na tinta Aragonez, na Touriga Nacional e na branca Verdelho, juntamente às castas internacionais mais prestigiadas como Chardonnay, e a já referenciada Syrah.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Lagos” abrange os concelhos de Aljezur (parte das freguesias do mesmo nome, Bordeira e Odeceixe), Vila do Bispo (as freguesias de Raposeira, Sagres e Vila do Bispo e parte das freguesias de Barão de São Miguel e Budens) e Lagos (freguesias de Luz, Santa Maria e São Sebastião e parte das freguesias de Barão de São João, Bensafrim e Odiáxere).

Os vinhos tintos são aveludados, pouco encorpados, com aroma frutado e pouco acídulos e quentes. São abertos de cor, apresentando um tom rubi que, com o envelhecimento, adquire o tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Trincadeira e Castelão, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante Bouschet, Aragonez, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Monvedro e Touriga Nacional.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Portimão” abrange o concelho de Portimão (freguesia de Alvar e parte das freguesias da Mexilhoeira Grande e Portimão).

Os vinhos tintos são aveludados, encorpados, com aroma frutado e pouco acídulo, notando-se o álcool. Apresentam cor rubi definida que, com o envelhecimento, adquire um tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Trincadeira e Castelão, no conjunto ou separadamente, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Monvedro, Syrah e Touriga Nacional.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Lagoa” abrange os concelho de Albufeira, Lagoa e Loulé (freguesias de Almansil, Boliqueime, Quarteira, São Clemente e São Sebastião e parte das freguesias de Alte, Querença e Salir) e Silves, as (freguesias de Alcantarilha, Armação de Pêra e parte das freguesias de São Bartolomeu de Messines e Silves).

Os vinhos tintos apresentam uma cor rubi que, com o envelhecimento, adquire um tom topázio. São aveludados, encorpados, frutados, pouco acídulos e quentes. Fáceis de beber, evoluem muito bem e têm grande longevidade.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole e Trincadeira, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% do encepamento. Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Castelão, Monvedro, Moreto, Syrah, Touriga-Franca e Touriga Nacional.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Tavira” abrange os concelhos de Faro, Olhão, São Brás de Alportel (parte da freguesia do mesmo nome), Castro Marim (parte da freguesia do mesmo nome), Tavira (freguesias da Luz e Santiago e parte das freguesias de Conceição, Santa Catarina, Santa Marta e Santo Estêvão) e Vila Real de Santo António (a freguesia de Vila Nova da Cacela).

Os vinhos tintos são aveludados, encorpados, com aroma frutado e pouco acídulo. Apresentam tom rubi definido que, com o envelhecimento, adquire o tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Castelão e Trincadeira, em conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional.

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Voltemos por fim ao nosso syrah somente para dizer que a continuidade está garantida e lembrando o que dizia Fernando Pessoa:
“Boa é a vida, mas melhor é o vinho”
E nós dizemos:
“Boa é a vida quando acompanhada de syrah!”

Classificação:16/20                                           Preço: 8,50€


 

Niepoort, 100% Syrah, Bairrada, 2012

garrafa

Esta é a segunda vez que apresentamos um Syrah da Bairrada.

E que Syrah!!!

Já no final do ano passado, quando demos conta da sua existência aqui, dissemos que “A grande novidade vinícola em Portugal é o aparecimento deste Syrah da Bairrada, da casa Niepoort, uma das grandes casas do vinho do Porto e de vinho de mesa do Douro, com mais de 150 anos de existência. Pela primeira vez Dirk Niepoort ousa fazer um monocasta syrah, e ainda por cima a 100%!” Nessa altura prometíamos uma análise mais detalhada para breve. Pois bem esse momento chegou!

Este Syrah de qualidade superior “mostra uma bonita cor violeta de média concentração. Ainda muito jovem no aroma, revela-se vibrante nas notas de fruta preta e ervas. Complexo e muito elegante, com notas de pimenta preta e de pedra que espelham em perfeição todo o carácter desta casta. Na boca, é um vinho muito elegante, com um equilíbrio notável. Preciso, fino e com uma boa acidez natural. O estágio em tonel confere-lhe taninos firmes mas muito harmoniosos. Final de boca muito longo, com notas de frutos silvestres e de especiarias.”

O ano de 2012 foi muito seco, quase sem chuva durante o Inverno e Primavera. Como consequência disso, a rebentação ocorreu quinze dias mais tarde do que no ano anterior e todo o ciclo vegetativo se atrasou. O Verão não foi tão quente como habitualmente e as noites foram bastante frias nas duas últimas semanas de Agosto. A produção foi menor devido à falta de água no solo e alguma chuva durante a floração. Como tal, os cachos e bagas apresentaram-se mais pequenos do que o normal, cerca de 20% a 30%, quando comparados com o ano anterior. A vindima começou no início de Setembro. As uvas de Syrah foram vinificadas em lagar tradicional com pisa a pé muito ligeira, onde se utilizou 20% de engaço. O vinho fermentou e estagiou num único tonel velho de 2500L, sem qualquer extracção, durante 20 meses.

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Apesar de se considerar a Bairrada como o terroir perfeito para a casta Baga, existe na Quinta de Baixo uma pequena parcela de Syrah, plantada há cerca de 20 anos. A vinha, com pouco mais de 1 hectare é uma pequena paixão de Dirk Niepoort segundo nos foi confidenciado por Paulo Silva responsável pelo sector da exportação da casa Niepoort. Dirk Niepoort sempre foi um grande fã dos vinhos de Côtes-du-Rhône, em especial dos Côte-Rotie e Hermitage. Na Quinta de Baixo, existe a intenção de fazer um Syrah com carácter, que expresse o fantástico potencial dos nossos solos argilo-calcários, e o Blogue do Syrah atesta que isso foi amplamente conseguido!

A casa Niepoort é uma das casas emblemáticas do Douro mas que com Dirk se expandiu para fora das fronteiras do vinho do Porto. A família Niepoort tem vindo a produzir Vinho do Porto desde 1842. A primeira propriedade no Douro foi comprada em 1987 e Dirk Niepoort deu início a uma nova era na empresa com a criação do primeiro Redoma tinto em 1991. Nos últimos anos, a Niepoort lançou a si própria o grande desafio de interpretar outros solos e climas, e adquiriu duas propriedades noutras regiões: Dão e Bairrada. Descubra o Triângulo Niepoort que expressa os diferentes terroirs: Xisto (Douro), Calcário (Bairrada) e Granito (Dão).

A zona da Bairrada caracteriza-se por ter um clima fresco e húmido, com influência atlântica, proporcionando uvas de acidez elevada e baixa graduação alcoólica. Os solos são argilo-calcários ou arenosos e as castas brancas como a Maria Gomes, Arinto, Bical e Cercial têm um potencial fantástico. Nas castas tintas, predomina a Baga, onde assentam maioritariamente muitos dos vinhos desta região. A paixão de Dirk pela Bairrada e pela Baga vem dos anos 90, altura em que não só fez vinhos na Casa de Saima e Bageiras, como também distribuiu vinhos da Casa Dores Simões e Gonçalves Faria. A ideia era ir conhecendo melhor a personalidade bairradina, mas porque se acreditava totalmente nas potencialidades desta região, a Niepoort acabou por assinar a compra da Quinta de Baixo no dia 28 de Dezembro de 2012.

Deste néctar precioso só se fizeram 2770 garrafas, das quais uma parte significativa foi para o mercado externo, como é aliás política habitual da casa Niepoort. A garrafeira Estado de Alma é a que na zona da grande Lisboa comercializa este Syrah. Sabemos também que o projecto syrah da Bairrada da Niepoort é para continuar.

A produção de 2013 está em tonéis e será comercializada a partir de Dezembro de 2015, como aconteceu com a safra que estamos a analisar que conheceu a comercialização em Dezembro de 2014. Ainda bem!
A continuação deste Syrah soberbo está assegurada!

Segundo a máxima de um anónimo: “Abrir uma garrafa de Syrah é um como abrir um livro: nunca temos a certeza do que iremos encontrar!”
Seguramente não é este o caso!

Classificação:19/20                                           Preço: 25,50€

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5º Elemento, Quinta do Arrobe, 100% Syrah, Tejo, 2012

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A primeira coisa que temos de referir sobre este syrah de qualidade é a falta de informação em formato digital. A Quinta do Arrobe não tem site, não tem blogue, não tem facebook, e o que se pode obter é unicamente por via indirecta. Apesar disso, e para nosso bem e dos nossos leitores, o produtor, por nós contactado via correio electrónico, Alexandre Gaspar, enviou-nos elementos importantes para podermos escrever este texto com o mínimo de informação pertinente. Dito isto, falemos então do que é verdadeiramente importante que é de syrah.

Temos então conhecimento de duas safras: a de 2011 e a de 2012. Esperemos que seja para continuar, como sempre, e com a nossa ajuda. Trata-se de um syrah “de cor rubi carregada. Com aromas de amora, ameixa e notas de especiaria. Na boca é encorpado, macio, equilibrado e com um final de prova prolongado.” As uvas provenientes da vindima manual foram cuidadosamente desengaçadas e esmagadas. Seguiu-se a fermentação alcoólica com maceração pelicular durante duas semanas a uma temperatura de 25ºC. O vinho acabado estagia durante cerca de um ano até ao seu engarrafamento.

A Quinta do Arrobe é um pequeno produtor do Ribatejo com 36 hectares de vinha com uva tinta e branca. Tem havido uma aposta na recuperação de castas antigas da região, como o Preto Martinho. Situada em Casével, Santarém, é uma propriedade familiar, dirigida por Maria e Alexandre Gaspar, com forte vocação exportadora que se dedica à produção de vinhos. A ligação da família ao sector vinícola teve início em 1882, resultando de uma tradição de várias gerações. O processo de internacionalização iniciou-se em 2007 e neste momento a Quinta do Arrobe já regista presença em 10 mercados, nas gamas Premium e Superpremium, que são exportadas para países como a Alemanha, Brasil, Luxemburgo, República Checa, Noruega e China.

Na Quinta das Casas Altas no coração do Ribatejo, em terrenos argilo-calcários de encosta apostou-se na ideia de produzir vinhos de qualidade, tirando proveito das condições edafoclimáticas, com total respeito pelas riquezas naturais, história e ambiente únicos da região.

Na sequência de estudos geológicos, com o objectivo de determinar os melhores locais para plantar, seleccionou-se nas castas tintas o Castelão, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Touriga Nacional  e Trincadeira. Nas castas brancas elegeu-se o Arinto, Pinot Grigio e o Fernão Pires, entre outras. Assumindo sempre o compromisso de apostar na criação das melhores condições, visionando continuamente a qualidade, investiu-se em equipamento enológico. A Quinta Do Arrobe, criada em 2011, juntou-se recentemente ao universo Quinta das Casas Altas, como reforço da estratégia de crescimento e desenvolvimento contínuo.

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A Quinta do Arrobe ganhou a Medalha de Ouro dos melhores Cabernet’s Sauvignon, no concurso Internacional dos Cabernets 2014, entre 229 concorrentes de 19 países, com o vinho 5º Elemento-Cabernet Sauvignon. “Este prémio é o reconhecimento da qualidade produzida na Quinta do Arrobe e do enorme potencial dos vinhos da região Tejo no mercado internacional”, diz Alexandre Gaspar. Esta não foi a primeira medalha recebida. Os vinhos “5º Elemento “ em monovariatais das castas Syrah e Cabernet Sauvignon foram medalhas de prata e bronze em 2014 pelo Challenge du Vin. Alexandre Gaspar, um dos proprietários, diz que “Este prémio é o reconhecimento da qualidade produzida na Quinta do Arrobe e do enorme potencial dos vinhos da região Tejo no mercado internacional”.

Para conseguir melhores resultados Alexandre Gaspar vindima à noite ou de madrugada e a vinificação decorre em lagares de inox. Todo o processo é feito de forma tradicional mas recorre às novas tecnologias quando é essencial “trabalhamos o máximo por gravidade e o mínimo com recursos de bombas”. A Touriga Nacional, Trincadeira, Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot fazem parte das castas tintas o Fernão Pires e Arinto nos brancos, ajudam a produzir os vinhos conhecidos com as marcas “Sensato”, “Oculto” e “5º Elemento”. Os vinhos estão à venda em lojas da especialidade, restaurantes ou na quinta, que, obviamente, merece uma visita.

Um syrah do Tejo a manter por perto…!

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,95€

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Cascalheira, ASL Tomé, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Hoje vamos conhecer um Syrah feito em Pinhal Novo desde 2008, e com grande sucesso. Todo ele comercializado na zona e arredores, em termos de restauração, sem nunca considerar o resto do país ou a exportação.

O Cascalheira Syrah é um vinho de taninos envolventes, macios e maduros, com fruta bem madura, de que resulta um vinho suave e encorpado.

A vinificação foi feita em cubas de inox após um desengace completo, onde terminou a fermentação alcoólica com temperatura controlada, depois de maceração prolongada.

Seguiu-se um curto estágio de 3 meses em Carvalho Francês. Apresenta cor intensa, notas de fruta preta, acidez marcante e final longo. Aroma limpo. Na boca apresenta boa estrutura e boa persistência. Possui uma graduação alcoólica de 14,5%.

É um Syrah novíssimo. Foi engarrafado já este mês de Fevereiro. E foi graças à gentileza do produtor, que ao enviar-nos duas garrafas para serem por serem por nós degustadas nos permitiu estar aqui a falar desta novidade em primeira mão.

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Desde 2008, data da primeira safra, a A.S.L. Tomé, iniciais de Américo Sousa Lopes, já fez 5 safras que variam entre os 4000 litros e os 5000. No ano de 2010 atingiu-se o pico de 6000 litros de Syrah. Esta última safra tem 3000 litros. Apesar desta diminuição o produtor Carlos Branco garantiu-nos que o monocasta Syrah é para continuar. E isso é sempre uma boa notícia. Cada garrafa é vendida à porta da adega a 3,5 euros, preço que sobe quando o syrah é vendido na restauração da zona. A este tema disse-nos Carlos Branco: “A nossa preocupação sempre foi a de produzir um Syrah ao nível dos Syrah de topo que se fazem na Península de Setúbal, mas a um preço muito mais contido, com o intuito de obter uma relação Qualidade/Preço benéfica para o consumidor. Conseguimos fixar o preço final em 3,50€ cada garrafa e não pensamos alterar o preço nos próximos anos.”

A Firma ASL-Tomé, Sociedade Vinícola, Lda. é uma das empresas mais antigas de Pinhal Novo.

A propriedade onde se encontra situada a sede da A.S.L.-Tomé, Sociedade Vinícola, Lda., foi pertença dos antepassados dos actuais proprietários e vem sendo herdada sucessivamente há, pelo menos, cinco gerações da mesma família.

Contudo, foi dividida ao meio há cerca de 60 anos, por ocasião de partilhas feitas na altura. Na outra metade situa-se agora um conhecido hipermercado.

É composta por uma parte agrícola (vinha e outras plantações, nomeadamente três pomares e uma horta) e por uma parte composta por escritórios, adegas, lagares e cubas de vinificação, etc.

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A firma possui ainda mais sete propriedades situadas no concelho de Palmela, estas destinadas exclusivamente à cultura de vinhas.

A propriedade em Pinhal Novo onde está instalada a sede ocupa, na totalidade, cerca de 5,5 hectares, sendo o espaço ocupado pela vinha de cerca de 4,5 hectares. A adega actual foi construída em 1947, substituindo uma outra que já existia no local desde fins do século XIX. A firma A S L – Tomé, Sociedade Vinícola, Lda. foi constituída em 1992, embora esta constituição tenha sido apenas uma mudança de nome e uma actualização do capital social e das partes integrantes da sociedade, da qual passaram a fazer parte a última geração da família. A designação anterior era Américo de Sousa Lopes & Herdeiros e começou a funcionar em 1953, produzindo vinho e fazendo a sua distribuição, principalmente na região da Grande Lisboa, distrito de Setúbal , Alentejo e Algarve. Na altura, imperava a venda a barril, além da venda directa, a quem se deslocasse à adega. Havia ainda criação de gado, o que deixou de acontecer há cerca de 20 anos atrás.

Hoje, a venda traduz-se principalmente em vinho engarrafado, embora ainda subsista a venda de vinho em barril (a granel) em muitas das tabernas do distrito de Setúbal.

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Recentemente, a firma passou a fazer parte da Rota das Adegas da Península de Setúbal, tendo para o efeito recuperado uma casa de lagares antiga, onde decorrem com frequência eventos de cariz cultural (concertos, workshops), provas de vinhos, festas temáticas e conferências, havendo ainda uma galeria para exposição de pintura e fotografia.

Se é verdade que “Enólogo é aquele que, diante do vinho, toma decisões. Enófilo é aquele que, diante de decisões, toma vinho” confidenciemos a seguinte decisão:
o aspecto mais positivo que podemos destacar em relação ao Cascalheira Syrah 2013 é que tem muitas potencialidades para evoluir no tempo.
Como o preço é bastante acessível talvez seja uma boa solução comprá-lo agora em quantidade para o beber daqui a mais uns anos.
Que tal?

Classificação: 15/20                                           Preço: 3,50€

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Porque é que o Vinho dá Sono?

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Além de reduzir o risco de doenças cardíacas, prevenir o acidente vascular cerebral, combater o envelhecimento prematuro e lutar contra várias formas de cancro, o vinho tinto também ajuda o corpo a obter o descanso que precisa para se recuperar da rotina diária.

Um estudo de cientistas italianos da Universidade de Milão, publicado há alguns anos no Journal of the Science of Food and Agriculture, descobriu uma grande presença de melatonina em algumas variedades de uvas viníferas.

A melatonina é um hormónio que “avisa o corpo que é hora de dormir”, além de ser um potente antioxidante e desintoxicante das nossas células.

A pesquisa foi realizada com 8 diferentes cepas, todas provenientes de controlados vinhedos do Instituto Experimental de Viticultura, em Treviso, situado no nordeste da Itália. Infelizmente nenhuma delas foi Syrah.

As castas utilizadas foram Nebbiolo e Barbera, por serem as principais variedades do Piemonte. Sangiovese, pela sua relevância na Toscana. Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, pela importância na produção mundial e finalmente Croatina e Marzemino, duas uvas locais.

A concentração de melatonina percebida pelos pesquisadores foi maior na cepa Nebbiolo, seguida pela Croatina e Barbera. Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Merlot apresentaram índices considerados medianos, enquanto Marzemino e Cabernet Franc apresentaram apenas vestígios do hormónio. O que se concluiu com esse estudo, é que o álcool presente no vinho pode não ser o único responsável pelo efeito relaxante que essa bebida proporciona. E, talvez, um copo de vinho tinto antes de dormir tenha mais vantagens do que imaginamos.

Um dos cientistas responsáveis Marcelo Iriti, acredita que os valores de melatonina no vinho tinto poderá ajudar a regular os padrões de alternância entre sono e vigília. Diz ele especificamente: “O teor de melatonina no vinho poderá ajudar a regular os padrões de sono-vigília, tal como acontece com a própria melatonina produzida pela glândula pineal nos mamíferos”, afirma Iriti num comunicado.

Mas, como a ciência só vive e evolui a partir da permanente interrogação (não é por acaso que é irmã gémea da filosofia), é importante referir o outro lado da moeda: alguns especialistas recomendam evitar o consumo de bebidas alcoólicas antes de dormir, pois o álcool poderia prejudicar o sono profundo, mantendo algumas pessoas somente nos estágios mais leves de sono. Dessa forma, é bom ficar atento para ver qual é a reacção específica do seu corpo, antes de decidir o que é melhor para cada um de nós.

Não é a primeira vez que o vinho tinto – e as uvas que lhe dão origem – são apontados como benéficos para a saúde. Estudos anteriores já tinham indicado que o consumo moderado de vinho tinto poderia diminuir a taxa de “mau colesterol” no organismo e até ajudar a prevenir a doença de Alzheimer.

Já não há dúvidas de que o vinho tomado ao deitar torna o sono mais repousante e reduz a quantidade de tranquilizantes e pílulas para dormir. Finalmente, sempre se soube que o metabolismo e a absorção do álcool pelo fígado, 30g por hora, é muito mais lenta com vinho do que com outras bebidas. Como o vinho é sempre tomado lentamente e às refeições – com o estômago cheio a absorção é ainda mais lenta – os níveis de álcool no sangue não atingem proporções intoxicantes, como acontece com os destilados.

O Copenhagen Heart Study, uma pesquisa que envolveu 13.000 pessoas durante dez anos, concluiu que aqueles que consumiram até seis cálices de vinho por semana durante o período de avaliação, tiveram somente 40 por cento da taxa de mortalidade daqueles que não beberam. Ficou também demonstrado que cerveja e destilados não forneceram tal protecção.

O Dr. R. Curtis Ellison, Chefe de Medicina Preventiva e Epidemiológica da Escola de Medicina da Universidade de Boston diz que os dados científicos são claros: “O consumo moderado de vinho está associado com um risco bem menor de doenças do coração e derrame, as principais causas de morte nos EUA.” Pode-se portanto concluir que não beber vinho é em si um factor de risco!

Apetece terminar esta reflexão relembrando o soneto do vinho do Jorge Luís Borges:

 Em que reino, em que século, sob que silenciosa 
Conjunção dos astros, em que dia secreto
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa
E singular idéia de inventar a alegria?

Com outonos de ouro a inventaram. O vinho
Flui rubro ao longo das gerações
Como o rio do tempo e no árduo caminho
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões.

Na noite do júbilo ou na jornada adversa
Exalta a alegria ou mitiga o espanto
E a exaltação nova que este dia lhe canto

Outrora o cantaram o árabe e o persa.
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história 
Como se esta já fora cinza na memória.


 

Tapada de Coelheiros, Herdade dos Coelheiros, 100% Syrah, Alentejo, 2007

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Estamos novamente no Alentejo, região de Arraiolos, para conhecer o syrah da Herdade dos Coelheiros. Trata-se de um syrah de safra única, mas de qualidade superior.

A Herdade dos Coelheiros é uma empresa familiar, constituída em 1981. Uma década depois, em 1991, surge o seu primeiro vinho sob a chancela de Tapada de Coelheiros e daí para cá tem pautado a sua história vínica pela qualidade dos seus produtos, colheita após colheita.

Situado na freguesia da Igrejinha, no concelho de Arraiolos, o Monte dos Coelheiros estende-se por 800 hectares, onde a par da vinha mantém um pomar de nogueiras, montado de sobro, com caça maior e menor, além do olival. Esta variedade de culturas permite à empresa o desenvolvimento de diferentes turismos (eco, agro, cinegético e, claro, o enoturismo).

Desde então, o portfólio de vinhos e de outros produtos foi crescendo gradualmente, resultante não só de uma gestão cuidada dos recursos naturais da propriedade, mas também fruto de grande dedicação e desenvolvimento das diferentes actividades de produção da terra que permitem a produção de produtos de excelência.

O ano de 2007 foi excepcional nesta região para a casta syrah, e isso motivou o enólogo residente da Herdade dos Coelheiros, Luís Maia, com quem tivemos a oportunidade de conversar, assim como o enólogo consultor António Saramago, a fazerem uma experiência: produzir um monovarietal syrah de unicamente 1800 litros, que deu para encher 2167 garrafas.

Esteve 12 meses em pipas de carvalho francês, passou para pipas de carvalho novo durante mais 12 meses, e depois esteve em estágio em garrafa durante mais 24 meses. Este syrah só foi lançado no mercado em 2012. O enólogo Luís Maia confidenciou-nos que já não há muitas garrafas disponíveis.

Este Syrah “revela-se “untuoso”, cor rubi acentuada, elegante nos seus 14,5 de graduação álcoólica.”

Em resumo estamos perante um syrah de uma safra única, com uma muito pequena produção, que já está a acabar, e que demorou vários anos a ser produzido. Logo a conclusão óbvia é que se trata de um syrah do qual não nos podemos esquecer… e que urge procurar pelo que ainda resta dele!

Como escreveu Mário Quintana a propósito do melhor vinho:

“Por mais raro que seja, ou mais antigo,

Só um vinho é deveras excelente

Aquele que tu bebes, docemente,

Com teu mais velho e silencioso amigo.”

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 19,50€

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