Só Syrah, Quinta da Bacalhôa, 100% Syrah, Setúbal, 2008

garrafa

Voltamos mais uma vez a Setúbal para vos apresentar o Syrah,que pertence à Quinta da Bacalhôa, a terceira grande empresa vitivinícola cuja sede se encontra na Península de Setúbal. As outras duas grandes empresas vitivinícolas sediadas na Península de Setúbal são a Ermelinda Freitas, de que já apresentamos aqui o respectivo syrah, e a José Maria da Fonseca cujo syrah foi também aqui apresentado.

Chegou hoje a vez da Quinta da Bacalhôa, um autêntico império no mundo da uva e do vinho em termos nacionais. Mas já lá vamos.

Falemos agora do que importa que é do syrah. A primeira safra é de 1999 ( guardamos religiosamente duas garrafas desse ano) a que demos uma classificação de 18/20. Houve safras em 2003, 2004, 2007 e 2008. Esses são os anos que conhecemos. Da empresa ninguém falou connosco de modo que não sabemos de outras safras. Mas podemos dizer que em relação às notas de prova “tem fruta madura, ameixa preta e bagas silvestres, junto com notas de especiarias e hortelã-pimenta. Muito bom equilíbrio, com corpo cheio a envolver os taninos sedosos, sumarento e sedutor.” A graduação alcoólica do ano de 2008 é de 14,5%.

Agora a notícia triste: Apesar de se tratar de um potentado vitivinícola e de ter um monocasta syrah desde 1999 até 2008, ou seja, 9 anos de syrah, e de qualidade, a Bacalhoa decidiu acabar não com a casta, que continuará a ser utilizada nos “blends” da Bacalhoa, mas com o vinho monocasta, com a justificação que o Blogue do Syrah não aceita como plausível: “questões de ordem financeira”! Assim mesmo nos foi dito o ano passado na Feira dos vinhos 2014, que aconteceu na antiga FIL.

A Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A., é uma das maiores empresas vinícolas de Portugal, e desenvolveu ao longo dos anos uma vasta gama de vinhos que lhe granjeou uma sólida reputação e a preferência de consumidores nacionais e internacionais. Presente em 7 regiões vitícolas portuguesas, com um total de 1200ha de vinhas, 40 quintas, 40 castas diferentes e 4 centros vínicos (adegas), a empresa distingue-se no mercado pela sua dimensão e pela autonomia em 70% na produção própria. A cada uma das entidades que constituem a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A. – Aliança Vinhos de Portugal, Quinta do Carmo e Quinta dos Loridos – corresponde um centro de produção com características próprias e um património com intrínseco valor cultural. É à dinâmica gerada pelo cruzamento destas várias identidades, explorada com recurso à tecnologia mais actual que a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A. deve a sua capacidade única no competitivo mercado português de oferecer um vinho de qualidade.

Em 1998, José Berardo tornou-se o principal accionista e prosseguiu a missão da empresa, investindo no plantio de novas vinhas, na modernização das adegas e na aquisição de novas propriedades, iniciando ainda uma parceria com o Grupo Lafitte Rothschild na Quinta do Carmo.
Em 2007 a Bacalhôa tornou-se a maior accionista na Aliança, um dos produtores mais prestigiados nas categorias de espumantes de alta qualidade, aguardentes e vinhos de mesa. No ano seguinte, a empresa comprou a Quinta do Carmo, aumentando assim para 1200ha de vinhas a sua exploração agrícola.

A Bacalhôa dispõe de adegas nas regiões mais importantes de Portugal: Alentejo, Península de Setúbal (Azeitão), Lisboa, Bairrada, Dão e Douro. Com uma capacidade total de 20 milhões de litros, 15.000 barricas de carvalho e uma área de vinhas em produção de cerca de 1.200 hectares, a Bacalhôa Vinhos de Portugal prossegue a sua aposta na inovação no sector, tendo em vista a criação de vinhos que proporcionem experiências únicas e surpreendentes, com uma elevada qualidade e consistência. Para a Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A., empresa de tradição familiar que remonta aos anos de 1920, a memória das origens é uma questão de honra.

Na Quinta da Bassaqueira, anexa à vinha da propriedade, localiza-se a sede da empresa, Bacalhôa Vinhos de Portugal. Inclui a adega central, a Loja de Vinho e os magníficos jardins onde sobressaiem as suas oliveiras milenares. A Bacalhôa Vinhos de Portugal instalou-se, desde 1997, na zona vitivinícola de Azeitão, no “coração” da Península de Setúbal, num edifício emblemático, símbolo da modernidade ancorada na tradição.

A vinha que rodeia o lago é plantada com as castas Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. O centro de vinificação vinifica as uvas da Quinta e as de todas as propriedades localizadas na Península de Setúbal. Aqui está centralizada a operação de engarrafamento e armazenamento de produtos já acabados. Este centro muito extenso distribui-se por diferentes edifícios, com os sectores de recepção das uvas e vinificação clássica, fermentação em barris, armazenamento, preparação para engarrafamento, linhas de engarrafamento, estágio de vinhos generosos, estágio de garrafas.

Em 1997, a Bacalhôa Vinhos de Portugal, então designada JP Vinhos, transfere-se de Pinhal Novo para a zona vitivinícola de Azeitão no “coração” da Península de Setúbal e instala-se num edifício igualmente emblemático, projectado e construído por António d’Avillez, símbolo da modernidade ancorada na tradição.

bacalhoa

Junto ao Palácio e Quinta da Bacalhôa, a vinha tem 14ha e foi plantada em 1972. A pedido de Thomas Scoville, então dono da Quinta, António Avillez instalou aqui uma vinha a fim de produzir um vinho com um encepamento semelhante ao utilizado em Bordéus, nomeadamente no Médoc. Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot são as castas tintas aqui produzidas. A vinha plantada na Quinta da Bacalhôa encontra o terroir ideal para a produção de excelentes vinhos: solos argilo-calcários bem drenados e clima ameno devido à forte influência atlântica.

Aqui se produz, em anos excepcionais, o vinho Palácio da Bacalhôa.

As outras quintas são:

– A Quinta da Catarina

– A vinha dos Frades

– A Vinha Casais da Serra

– Quinta dos Quatro Ventos

– Quinta da Garrida

– Quinta da Terrugem

– Quinta D´Aguiar

Voltemos ao syrah… Que acabou, dizem as más línguas, devido ao êxito alcançado pelo syrah de 2005 da Ermelinda Freitas como relatámos aqui. Devido a isso, ou não, a verdade é que já há poucas garrafas disponíveis no mercado. Seguramente ainda existe na garrafeira Estado d’ Alma e também, por exemplo, na Loja do Vinho no Bacalhôa Buddha Eden.

É uma pena porque, como dizia alguém que ficou anónimo para a História:
“Quem bebe syrah vive menos…menos stressado, menos tenso, menos deprimido, menos frustrado, menos doente do coração!”

Os amantes do sumo de uva terão que encontrar alternativas e felizmente elas existem e em quantidade… A Bacalhôa com o passar do tempo irá ver o erro grosseiro que acabou de cometer!

Classificação: 16/20                                           Preço: 12,50€

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2 thoughts on “Só Syrah, Quinta da Bacalhôa, 100% Syrah, Setúbal, 2008

  1. Tive o prazer de beber este néctar este fim de semana, e comprovo que é um vinho bem frutado, com um bom corpo, e de taninos bem redondos. Curiosamente não tinha depósito, apesar ser um vinho de 2008. Um vinho que tive o prazer de degustar, provavelmente a primeira e última vez. Saudações enófilas!

    1. Rita, ainda bem que gostou!
      Assim ficamos todos contentes!
      A Rita que ganhou o vinho e nós do Blogue do Syrah que fizemos o concurso e aumentamos o número de subscritores!

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