António Saramago, o enólogo do Syrah

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Há o Saramago das letras e há o Saramago do syrah!

Há pessoas que ao ler o título deste texto, já nos estão a querer crucificar por um título demasiado restritivo quando se fala desta figura ímpar no panorama vitivinícola português. O engenheiro António Saramago não é somente o enólogo do syrah, obviamente. É um mestre, que leva décadas tratando o vinho por tu, todo o tipo de vinhos, desde os tintos de várias castas, aos brancos, aos moscatéis, em Setúbal, no Alentejo, etc, etc.

Mas é preciso dizê-lo frontalmente: falamos dele porque fez vários syrah de qualidade. E só estamos a falar dele por causa dos Syrah, o nosso tema de eleição. Haverá outras pessoas que poderão estar a pensar que o engenheiro António Saramago não é o único a fazer syrah de qualidade. É verdade que não. Poderão pensar no Hans Kristian Jorgensen enólogo e proprietário de Cortes de Cima que tem no seu currículo três syrah de suprema qualidade (que ainda não tiveram o espaço a que têm direito no Blogue do Syrah mas lá chegaremos) ou outros, como José Bento dos Santos, proprietário da Quinta do Monte d´Oiro, que tem no seu currículo não um, não dois, não três mas vários syrah produzidos nesta quinta de Lisboa.

Mas apesar da mestria na feitura de syrah por estes dois mestres, António Saramago fez vários Syrah de qualidade um pouco por todas as empresas e Herdades por onde passou e isso faz uma diferença acrescida em relação aos mencionados. Vamos dar quatro exemplos:

Aldeias de Juromenha, 100% Syrah.

Tapada dos Coelheiros, 100% Syrah.

Herdade dos Lagos, Reserva, 100% Syrah.

Herdade do Meio, 100% Syrah. (esgotado)

António José Ribeiro Saramago nasceu em Vila Nogueira de Azeitão a 27 de Março de 1948.

Desde muito cedo que demonstrou paixão pelo mundo do vinho, não sendo alheia a influência do seu pai, José Maria Saramago, adegueiro na empresa José Maria da Fonseca durante 42 anos.

Essa paixão leva-o a abandonar o curso industrial de mecânica e a ingressar, no ano de 1962, no laboratório da José Maria da Fonseca, pela mão do Engº António Porto Soares Franco, uma das referências da enologia portuguesa da altura.

Em 1973, passa a chefe de serviço do Departamento de Enologia da Empresa, tendo como consultor o Prof. Manuel Vieira, outro grande mestre da enologia nacional e docente no Instituto Superior de Agronomia.

Em 1974, parte para França, onde inicia a sua formação em Enologia, Viticultura, Conservação e Estabilização de Vinhos, na prestigiada Faculdade de Enologia da Université Victor Segalen – Bordeaux 2.

Em 1982, é convidado para enólogo responsável da Cooperativa Agrícola de Granja, onde tem um papel preponderante na modificação da estrutura da adega e do perfil dos vinhos, destacando-se os famosos “Garrafeira Granja/Amareleja” e “Terras do Suão”, galardoados a nível nacional e internacional.

Em 1991, fruto do seu sucesso com os vinhos da Granja, é convidado para trabalhar na Adega Cooperativa do Fundão. Aí, deixa também a sua marca, transformando os vinhos “Praça Velha” numa referência nacional.

Nesse mesmo ano inicia aquele que é, talvez, o seu projecto mais emblemático –Tapada de Coelheiros.

Ao desafio de Joaquim e Leonilde Silveira de criar uma empresa de referência no Alentejo, António Saramago respondeu com um conjunto de vinhos que, pela sua qualidade, se tornaram uma marca do próprio Alentejo.

É a partir deste momento que a sua carreira adquire maior reconhecimento mediático, quer na imprensa especializada, quer na própria enologia portuguesa, permitindo-lhe abraçar outros projectos em várias regiões do país.

Com mais de 200 prémios conquistados, muitos dos seus vinhos têm sido sobejamente apreciados pela imprensa nacional e internacional da especialidade, destacando-se nesta última Jancis Robinson e Robert Parker.

Considerando que “os grandes vinhos começam na vinha” e que “todo o seu sucesso resulta de um trabalho de equipa”, a sua versatilidade permitiu-lhe criar vinhos produzidos em regiões tão distintas como a Bairrada, Beira Interior, Ribatejo, Península de Setúbal e Alentejo, sendo por isso considerado como uma das referências da enologia portuguesa contemporânea.

No ano de 2000, associa-se a Joaquim Teixeira da Costa para criar o projecto Porto da Bouga Vinhos. Exclusiva do grupo Jerónimo Martins, nasce a marca Herdade do Porto da Bouga Reserva que, com o passar dos anos se posiciona como um dos vinhos mais vendidos pela cadeia Pingo Doce, especialmente devido a uma espectacular relação qualidade-preço.

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Em 2002 cria a empresa António Saramago-Vinhos, juntamente com a sua esposa Ausenda e os seus dois filhos, Nuno e António.

Em 2008 é distinguido como “Enólogo do Ano” pela revista Néctar.

Em 2009, internacionaliza a sua carreira levando para o Brasil toda a sua arte e conhecimento, através do projecto “Além Mar”, da Vinícola Villaggio Grando, no estado de Santa Catarina.

Em 2011 distingue-se como o melhor enólogo português no ranking “Top Winemaker” do concurso Wine Masters Challenge.

Em 2012 comemorou 50 anos de carreira.

É confrade membro da Confraria dos Enófilos do Alentejo e da Confraria dos Enófilos da Beira Interior.

É membro fundador da Associação Portuguesa de Enologia.

É um dos maiores especialistas a fazer Syrah em Portugal!


 

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