Monthly Archives: March 2015

Quantos copos de syrah se deve beber para parecer mais atraente?

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Parece uma pergunta despropositada, mas não é. Segundo um estudo desenvolvido pela Escola de Psicologia da Universidade de Bristol, e publicado no Science Daily, basta beber um copo de syrah para o sexo oposto nos achar mais atraente.

A investigação, citada pelo site da revista Time, teve como base a observação de 40 homens e mulher heterossexuais. Os voluntários tinham que observar três imagens da mesma pessoa – uma tirada enquanto estava sóbria, outra após ter ingerido 250 mililitros de vinho (o equivalente a um copo grande) e uma outra depois de beber 500 mililitros de vinho (dois terços de uma garrafa).

A fotografia que mostrava o indivíduo após ter bebido 250 ml de vinho foi considerada a mais atraente. Em segundo lugar ficou a imagem do mesmo indivíduo sóbrio.

Os investigadores afirmam que em causa está a cor rosada que surge no rosto após termos bebido um pouco de álcool, bem como o relaxamento dos músculos e os sorrisos espontâneos – que mostram uma atitude positiva.

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A conclusão deste estudo pode gerar alguma discussão entre os leitores, assim esperamos, mas uma coisa é certa: os investigadores concordam que se deve beber um copo por dia, e apenas um, pois além do assunto principal deste nosso texto, o consumo de álcool deve ser feito de uma forma moderada!


 

Quinta das Hortênsias, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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Desta vez estamos na região vinícola de Lisboa, para visitarmos o syrah da Quinta das Hortências. É uma quinta situada em Castanheira do Ribatejo, no Concelho de Vila Franca de Xira. Tem como um dos seus objectos mais importantes o ramo vitivinícola. É uma zona onde foram encontrados os mais remotos vestígios do cultivo da vinha na Península Ibérica, cerca do século III depois de Cristo.

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Com cerca de 70 hectares, dedicou-se no início da sua actividade, principalmente, à produção de uva de mesa. Contudo, há mais de 9 anos que fez a reconversão e reestruturação das suas vinhas para produção de uva para vinhos de alta qualidade.

A exploração vitivinícola comporta actualmente cerca de 45 hectares de vinhas, situadas em encostas soalheiras acima dos 200 metros de altitude, que separam a bacia do Tejo das colinas da região de Lisboa. Como é uma zona de transição os solos são especialmente heterogéneos, apresentando composições que variam entre as areias e os solos argilosos.

Falamos o ano passado com o seu proprietário e produtor, Rogério Simões, e ficamos a conhecer as duas safras deste syrah, a de 2008 já esgotado e a de 2009 ainda disponível e a que está em análise e classificação nesta análise.

As castas da Quinta das Hortências são tintas a Touriga Nacional, Aragonês, Touriga Franca, Tinta Barroca, Castelão, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Caladoc. Nas castas brancas existe o Verdelho, Arinto e Alvarinho.

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A Quinta das Hortências exporta os seus vinhos para a Alemanha, Reino Unido e Suíça.

O poeta Charles Baudelaire certamente assim falaria perante um syrah como o da Quinta das Hortências:

A alma do vinho assim cantava nas garrafas:
“Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,
Um cântico em que há só fraternidade e luz!

Bem sei quanto custa, na colina incendiada,
De causticante sol, de suor e de labor,
Para fazer minha alma e engendrar minha vida;
Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,

Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo
À conta do homem que já trabalhou demais,
E seu peito abrasante é doce tumba que acho
Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.

Não ouves retinir a domingueira toada
E esperanças chalrear em meu seio, febris?
Cotovelos na mesa e manga arregaçada,
Tu me hás de bendizer e tu serás feliz.

Hei de acender-te o olhar da esposa embevecida;
A teu filho farei voltar a força e a cor
E serei para tão tenro atleta da vida
Como o óleo que os tendões enrija ao lutador.

Sobre ti tombarei, vegetal ambrósia,
Grão precioso que lança o eterno Semeador,
Para que enfim do nosso amor nasça a poesia
Que até Deus subirá como uma rara flor!”

É um syrah que se distingue sensorialmente, sendo encorpado e redondo, com taninos presentes, final de boca prolongado e agradável. Boa concentração aromática em que sobressai os aromas da fruta vermelha madura, especiarias e algumas notas minerais. As notas de prova do syrah da Quinta das Hortências dizem-nos ainda que “os frutos vermelhos silvestres estão presentes no aroma, assim como notas gulosas de cacau. Continua frutado no paladar, apresenta boa firmeza, é muito agradável, volumoso e envolvente. Muito consistente, termina com agradável e razoável persistência”.

Vale a pena experimentá-lo!

Classificação: 16/20                                           Preço: 10,00€

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Humus, Quinta do Paço, 90% Syrah, Lisboa, 2010, 2011

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Estamos hoje na região vinícola de Lisboa para apresentar um syrah biológico. O Humus, Herdade do Paço, do produtor Rodrigo Filipe.

Já conhecíamos o Rodrigo, mais precisamente da última Feira de Vinhos do Campo Pequeno, que se disponibilizou a prestar-nos várias informações, agora que decidimos falar de uma criação sua.

O Humus de 2010 é um reserva, feito com syrah e tinta barroca na proporção de 80% e de 20%, logo não é um monocasta syrah, e isso à partida sempre nos coloca algumas objecções, pois estamos aqui para defender acima de tudo os 100% Syrah, que são a nossa predilecção. E apenas soubemos desta “anomalia” quando conversámos com o produtor. Estávamos convencidos depois de o ter degustado que a percentagem seria de 85% – 15%.

No entanto, o syrah presente na garrafa é de qualidade superior, e “abafa” completamente a tinta barroca, como geralmente acontece. Esta safra que está esgotada e será brevemente substituída pela safra de 2011, e tem uma percentagem diferente de syrah e tinta barroca: 90% de syrah contra somente 10% de tinta barroca. Daí no nosso título estar o Humus de 2011 e não o anterior. Prevê-se um melhor desempenho, logo uma melhor classificação.

De cada safra foram feitas 2000 garrafas. Metade fica no mercado interno e a outra metade vai para exportação. Este syrah tem um estágio de 12 meses em barricas de carvalho. As notas de prova dizem-nos que possui ”toques de amora e groselha, complementadas por fumados e mineral. O paladar tem uma boa estrutura, frescura e vigor. Taninos firmes e integrados.”

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A Quinta do Paço é uma propriedade familiar, com um total de vinte hectares, dez dos quais dedicados à vinha. Situada na região demarcada de Óbidos, entre o Oceano Atlântico e a Serra dos Candeeiros, a Quinta do Paço desfruta de condições de solo e clima especiais que dão aos seus vinhos carácter e personalidade.

Trata-se de uma pequena propriedade. Por isso as vinhas não se estendem a perder de vista. São pequenas, delicadas e recebem toda a atenção devida. Cada garrafa resulta do esforço conjunto de pessoas que, de uma forma ou de outra, se encontram ligadas a estas terras. São os laços afectivos e familiares que as unem no desejo de produzir um syrah cada vez melhor!

Os vinhos da Quinta do Paço são de agricultura biológica. Sem adubos, sem químicos, o que obriga a trabalho redobrado na lide diária, com enormes compensações a todos os níveis. Por isso há a vontade sempre presente de produzir vinhos autênticos, da forma o mais natural possível, respeitando sempre a Natureza e o Meio Ambiente.

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A principal preocupação do produtor é a vinha e a qualidade das suas uvas. Para tal escolheram-se as castas que melhor se adaptam às condições de solo e clima, apostando-se em rendimentos inferiores aos normalmente praticados. Deu-se especial atenção ao solo, pois acredita-se que só um solo vivo é capaz de potenciar ao máximo a  expressão do ‘terroir’.

Na adega a intervenção é reduzida ao mínimo, de forma a preservar e respeitar a identidade de cada vinho. A Quinta do Paço está inserida na Rota do Vinho do Oeste e recebe, sob marcação, quem quiser conhecer as vinhas, a adega ou provar o syrah.

O Humus Reserva é um tinto de nome pouco vulgar que exterioriza uma personalidade forte, exposta num estilo francamente original que entrelaça dois mundos que se encontram profundamente divididos entre nariz e boca. O estilo é discretamente atordoante, entrecruzando um nariz floral e perfumado altamente apelativo, com uma boca muito mais masculina e dura, férrea nos taninos e tensa no final de boca. Um tinto de qualidade que merece ser conhecido em toda a sua extensão.

Num artigo intitulado “A diferença como uma virtude”, o jornalista Rui Falcão referia o Humus Reserva como um dos exemplos de “vinhos diferentes, de castas raras, regiões esquecidas ou produtores menos mediáticos”. Nós também estamos de acordo. É um syrah com grandes capacidades de evolução, tanto que nos trouxe até este poema, que aqui deixamos em versão bilingue.

CANÇÃO AO VINHO
Juan Ponçe

Ave, color vini clari,
Ave, sapor sine pari,
Tua nos inebriari,
Digneris potencia.

O quam felix creatura!
Quam perduxi vitis pura.
Omnis mensa sit secura.
In tua prescencia

O quam placens in colore,
O quam fragans in odore,
O quam sapidum in ore,
Dulce linguis vinculum.

Felix venter quem intrabis
Felix gutur quod rigabis.
O felix os quod lababis
O beata labia!

Ergo vinum colaudemus
Non potantes confundemos
In eterna sécula
Amen.

(TRADUÇÃO)

Ave, cor do claro vinho.
Ave, sabor sem igual.
Seu poder nos embriaga!
Digne-se esse poder.

Ó quão feliz criação,
produzido pela pura vinha.
Toda mesa está segura
em sua presença.

Ó quão agradável em cor,
quão fragrante em odor,
quão gostoso na boca,
a doce prisão da língua!

Feliz a barriga na que você entra,
feliz a garganta que você humedece,
feliz a boca que você lava.
Ó lábios santificados!

Louvemos o vinho
e que os abstémios sejam confundidos
pela eternidade dos séculos.
Amém!

Assim nos vamos!

Classificação: 16/20                                           Preço: 10,00€

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Bento dos Santos, o prolífero do Syrah!

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Bento dos Santos é simplesmente um dos grandes senhores do Syrah em Portugal.

Para além da enorme qualidade que se percebe em cada Syrah que sai da sua Quinta, o que o distingue sobremaneira é a diversidade que, nestes vinte anos de Syrah, já lhe conhecemos. Trouxe a casta directamente de França, do Vale du Rhône, para Alenquer, para a sua Quinta do Monte d´Oiro. A importância deste enólogo é de tal ordem que ainda hoje é demasiado cedo para sabermos com precisão o alcance de toda a sua influência nos demais produtores de Syrah em Portugal.

São seis os Syrah da sua responsabilidade que foram criados na Quinta de Alenquer:

Homenagem a António Carqueijeiro, Syrah (94%) e Viognier (6%) (esgotado)

Reserva d´Oiro,  Syrah (94%) e Viognier (6%)

Lybra, Syrah (100%)

Vinha da Nora, Syrah (100%) (esgotado)

Syrah 24, Syrah (100%)

Syrah Rosé, Syrah (100%)

Claro que preferimos os Syrah a 100%, como sempre dizemos, e é nessa direcção que nos batemos, mas nenhum deles pode, ou deve, ser ignorado. Na devida altura falaremos mais em pormenor destes Syrah e da Quinta que os produz.

José Manuel Bento dos Santos é engenheiro Químico Industrial pelo Instituto Superior Técnico desde 1970. Iniciou a sua carreira profissional no Barreiro, como quadro da CUF, essa grande escola de engenharia e gestão. De Chefe de Produção da Metalurgia do Cobre passou, ao fim de poucos anos, para Director do Marketing de Metais tendo, nessas funções, corrido mundo. Foi docente universitário regendo as cadeiras de Metalurgia e de Gestão de Empresas. Fez parte do Conselho de Administração de várias empresas e, em 1981, fundou a Quimibro, uma empresa broker de metais única no género em Portugal e líder de mercado.

A partir de 1990, deu início ao ambicioso projecto vitivinícola da sua Quinta do Monte d’Oiro, em Alenquer, de onde, logo desde a primeira colheita (1997), têm saído vinhos de grande gabarito e prestígio não só nacional como internacional.

Desde muito cedo que foi notório o seu profundo interesse pelo sentido do gosto, dedicando toda a vida ao culto da gastronomia na sua forma mais pura, e da própria culinária, onde aplicou os seus conhecimentos à descoberta das harmonias perfeitas entre vinho e comida. Nas suas contínuas viagens teve a oportunidade de frequentar os mais famosos restaurantes e de contactar e praticar com grandes cozinheiros de todo o mundo. Ao mesmo tempo teve o privilégio de conhecer e provar os vinhos mais requintados. Iniciou a sua colecção de vinhos há mais de 30 anos, participando activamente nos leilões do Christhie’s ou da Sotheby’s e ainda através do contacto directo com alguns dos mais reconhecidos produtores mundiais.

É Vice-Presidente da Academia Internacional de Gastronomia, Conselheiro Gastronómico da Chaîne des Rôtisseurs, Cavaleiro da Confraria do Vinho Porto, membro da Académie des Psycologues du Goût , Chevalier des Entonneurs Rabelaisiens e Chevalier du Tastevin. Recebeu da Presidência da República Portuguesa o grau de Comendador da Ordem de Mérito Agrícola (2006) e foi condecorado pelo Ministro francês para a Agricultura e Pescas (2007). Em 2008, recebe o mais elevado reconhecimento da Chaîne des Rôtisseurs (a Medaille d’Or ) e ainda, do Ministério da Economia e Inovação, a Medalha de Mérito Turístico.

É autor dos livros “Subtilezas Gastronómicas – receitas à volta de um vinho” (Assírio & Alvim, 2005) – inspirado no primeiro vinho branco da Quinta do Monte d’Oiro –, “O Sentido do Gosto” (Livros d’Hoje, 2008) e “Allgarve Gourmet ” (Prime Books, 2008), publicando ainda artigos regulares sobre gastronomia e vinhos em revistas da especial idade e outros meios de comunicação. Profere diversas conferências sobre estas temáticas no país e no estrangeiro e foi o docente responsável pelo seminário “O Sentido do Gosto” destinado aos alunos do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST.

É igualmente autor e apresentador de duas séries televisivas, de larga audiência, em vários episódios sobre os temas do vinho e da gastronomia: “Segredos do Vinho” (SIC, 2004) e “O Sentido do Gosto” (RTP, 2007-2009).

Voltamos ao ponto de partida: no que diz respeito ao Syrah, José Manuel Bento dos Santos conjuga qualidade e diversidade. É um dos maiores especialistas (a par de António Saramago, de que já falámos anteriormente) a fazer Syrah em Portugal!

Não é a primeira vez que dizemos isso e não será certamente a última: se o Syrah português é tão bom e de reconhecida qualidade superior, isso deve-se em primeiro lugar aos homens que o fizeram e depois, naturalmente ao “terroir” onde ele é feito! Exactamente e por esta ordem!


 

Quinta dos Termos, 100% Syrah, Beira Interior, 2009

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Hoje vamos falar do syrah da Quinta dos Termos. Trata-se do terceiro syrah que existe na Beira Interior. Já aqui falámos da Quinta da Caldeirinha. Em seguida veio o Almeida Garrett, e hoje cabe-nos a honra e o privilégio de falar da Quinta dos Termos.

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É um syrah de soberba qualidade, podemos desde logo dizer. As notas de prova dizem que “é rico de cor, tem aroma intenso e torna-se muito atraente na boca, graças aos seus taninos aveludados”, e tem uma graduação alcoólica de 14%.

Há uma particularidade que nos chama a atenção. É dos poucos syrah portugueses, provavelmente até o único, segundo imaginamos, que nem no rótulo da frente, nem da parte de trás da garrafa, nos diz que se trata de um monocasta syrah a 100%. No entanto o rótulo da frente diz-nos sim que se trata da “reserva do patrão”, mostrando bem que o produtor, João Carvalho, igualmente professor universitário na Universidade da Beira Interior e também presidente da Comissão Vitivinícola da Região da Beira Interior, tem bom gosto!

Duas safras se conhecem do syrah da Quinta dos Termos. A de 2009, que se encontra disponível, e a de 2008, já esgotada.

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A Quinta dos Termos está de costas viradas para a Serra da Estrela, com exposição sul, em declive meio acentuado e resguardada a norte pela montanha que a delimita. A Quinta dos Termos apresenta um terroir próprio que marca de forma indelével os vinhos ali produzidos. A Quinta é possuidora de um microclima próprio e de terras pobres, que naturalmente disciplinam as variedades mais produtivas. Ali se cultivam as castas tradicionais da Beira Interior, tais como Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, Tinta Roriz, Tinto Cão, Afrocheiro Preto, Touriga Nacional, Baga, Siria e Fonte Cal e ainda algumas do Novo Mundo tais como Petit Verdot e Sangiovese.

A Adega é dotada de sofisticada tecnologia, mas seguindo as técnicas tradicionais, orientadas por enólogos conceituados no mundo dos vinhos.

Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.

A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que, apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho, compensam no resultado final.

Tem muita variedade de uvas, com vinhas bem delimitadas, podendo-se perceber na paisagem nuances de tons de verde entre parcelas distintas.

Os solos são graníticos e ricos em sílica.

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O portfólio da Quinta é composto por 22 vinhos, sendo 14 Tintos, 4 Brancos 1 Rosé e 3 Espumante Natural, todos eles com a marca Quinta dos Termos.

No ano de 1945 é adquirida por Alexandre Carvalho, a quarta gleba de um prédio correspondente a uma terra no sítio dos Termos ou Vilela, posteriormente denominada por Quinta dos Termos. Um espaço composto por terras de cultivo de centeio, vinhas e casas de quinteiro, situado em Carvalhal Formoso, perto de Belmonte, numa zona agreste de solos graníticos pobres e de paisagem lindíssima, exposto a sul, com condições excepcionais para o cultivo da vinha.

Protagonista de uma lenda com origens ancestrais, que retratava a história de uma linda Moura, que na manhã de S. João aparecia aos pastores da Quinta com um copo de vinho na mão, convidando-os a beber e deixando-os deslumbrados com aquilo que viam e bebiam.

Ciente que se tratava de uma terra talhada para o sucesso da cultura da vinha, em meados da década de cinquenta, Alexandre Carvalho decide reestruturar 3 ha dos 6 ha existentes de vinha, mantendo os outros 3 ha de vinhas velhas.

Toda a produção era vendida nas tabernas da região.

No início da década de 80, decide alugar a Quinta, sendo as vinhas praticamente destruídas.

Em 1993, terminados os arrendamentos, a Quinta volta novamente para a família na pessoa de João Carvalho, filho de Alexandre Carvalho, que resolve dar corpo ao projecto de viticultura actual.

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Assim, João Carvalho, aliando a sua vida de empresário têxtil e de professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Têxteis da Universidade da Beira Interior, decide meter mãos à obra e começa por reestruturar as vinhas. Adquire novas parcelas, ilhas isoladas no interior da Quinta e novos direitos de plantação, possuindo hoje cerca de 42 ha em plena produção e 12 ha em início de produção.

A Quinta dos Termos tem actualmente cerca de 180 ha e dispõe de uma área vitícola em produção com 54 ha de castas seleccionadas, entre elas as tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro Preto, Tinta Roriz, Trincadeira Preta, Jaen, Rufete, Marufo, Baga, Sangiovese, Syrah, Petit Verdot, Tinto Cão, Vinhão e as brancas Síria, Fonte Cal e Riesling.

As expectativas de produção aumentam de ano para ano, pelo que as estimativas apontam para uma produção a curto prazo de 800 mil garrafas de vinho por ano.

A nova adega é construída em 2002, com materiais característicos da região, onde predomina o granito, e encontra-se equipada com modernos equipamentos, procedendo-se a uma vinificação natural, com o uso diminuto de produtos químicos devido à higiene total ali existente. A adega dispõe ainda de um moderno laboratório onde é efectuado o controlo físico e químico, desde as uvas ao mosto até ao vinho, sala de provas e instalações sociais.

A produção do vinho encontra-se certificada pelo regime de Produção Integrada.

O enófilo Agilson Gavioli de São Paulo escreveu, e nós estamos a ler em voz alta enquanto sentimos o aroma e paladar vindo de uma elegante taça de syrah da Quinta dos Termos:

“Mulheres vestidas de branco me fazem chorar,
vestidas de mel me adoçam o olhar e
vestidas com syrah me fazem corar.
Extraído das uvas, femininas formas naturais,
natural bebida é o syrah!
Bebida que encanta como as mulheres,
que embriaga como as mulheres,
e nos põe a sonhar … como as mulheres!”

Foi assim e assim convidamos todos a ser…

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 11,50€


 

Quinta de S. João Baptista, 100% Syrah, Tejo, 2011

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Estamos desta vez no aquém Tejo, mais precisamente em Rio Maior, para mostrarmos o syrah da Quinta de S. João Baptista. Três safras foram realizadas até ao momento. A de 2007, a de 2009 e a presente de 2011. Em 2007 foram preparadas 25.824 garrafas. Em 2009, 30.690 garrafas. E em 2011 saíram 20.000 garrafas, mas ainda com vinho disponível para novo engarrafamento de mais 20.000 garrafas.

No que diz respeito a syrah, em 2000 foram plantados 5,55 hectares, em 2004 mais 3,2 hectares, em 2007 mais 4,54 hectares. E finalmente em 2009 4,95 hectares, o que faz um total de 18,24 hectares de syrah plantados.

Do total da produção, 50% vai para o mercado externo, nomeadamente para o Brasil, Angola e Macau. Tudo isto nos foi dito por Maria José Viana, do departamento de marketing.

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Mas a grande novidade foi sabermos, com total surpresa, que o antepassado do syrah da Quinta de S. João Baptista foi o esgotado Casaleiro cuja última safra foi em 2006, como consta na nossa lista oficial. Logo, a primeira safra de 2007 do syrah da Quinta de S. João Baptista é o mesmo syrah Casaleiro de 2006! Claro que não estamos a entrar em linha de conta de que a mesma vinha dá vinhos diferentes todos os anos. A partir daí novas vinhas foram plantadas e que deram origem ao actual syrah, herdeiro natural do Casaleiro.

As notas de prova dizem-nos que: ”tem cor granada intensa com abundantes tons violáceos e inebriante complexidade aromática. No sabor é elegante, vivo e termina volumoso.” Tem 14% de graduação alcoólica.

A origem da Quinta de S. João Baptista é muito antiga, e encontra-se entre histórias de sucessões nobres, doações para ordens religiosas e mais uma mão cheia de acontecimentos.

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Foi adquirida em 1987 pelo grupo Enoport United Wines, que na altura se chamava “Caves Dom Teodósio”, e foi desde aí que se começou a investir na reestruturação da vinha substituindo vinhas velhas por castas novas, algumas das quais internacionais, como a nossa syrah.

A Quinta de S. João Baptista tem um total de cerca de 115 hectares dos quais 97 com vinha.

Das castas plantadas, a maioria são para vinhos tintos – cerca de 74 hectares – e além das castas tradicionais portuguesas, como a Castelão, Trincadeira Preta, Touriga Nacional e Touriga Franca (50%), há também várias castas internacionais aqui plantadas como a mencionada Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon (50%). Os cerca de 21 hectares de castas brancas plantadas em 1991 são as tradicionais na região do Tejo: Arinto, Fernão Pires e Malvasia (65%) e ainda castas internacionais como o Chardonnay e o Sauvignon Blanc (35%).

A Quinta de S. João Baptista localiza-se no concelho de Torres Novas, na freguesia de Brogueira, região vitivinícola do Tejo.

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A quinta possui um dos maiores centros de vinificação do grupo com capacidade para vinificar um milhão e meio de quilos de uvas. Está igualmente dotada de uma adega tradicional, que combina tradição e inovação, usando novas tecnologias como controle de temperatura em todas as cubas de fermentação.

O grande enólogo francês Émile Peynaud dizia:
“Aos amantes do vinho.
Vocês são o elo mais importante da corrente.
Se há maus vinhos, é porque há maus bebedores.
Cabe ao consumidor desencorajar os produtores de vinhos ruins”.

O syrah da Quinta de S. João Baptista não pertence naturalmente ao lote de vinhos acima mencionados…
À nossa!

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,00€

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