Monthly Archives: April 2015

Bonifácio, António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda., 100% Syrah, Lisboa, 2009

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Na região vitivinícola de Lisboa estamos hoje em presença de um syrah elegante e aromático, que pode servir muito bem de aperitivo para uma longa refeição. Eis então o Bonifácio, 100% syrah, da António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda.,  que, como se percebe, é uma empresa familiar.

Elegância parece ser a palavra chave para designar este syrah que tem uma relação qualidade-preço deveras memorável.

Duas safras viram a luz do dia. A de 2007, já esgotada, e a de 2009, que ainda está disponível no mercado. Com 13,5% de graduação alcoólica, este syrah foi feito, garante-nos o produtor e nós acreditamos, lá está, devido aos seus aromas e elegância, a partir de uma cuidadosa selecção de uvas, provenientes exclusivamente da casta Syrah, como deve de ser. “De cor vermelha-violeta profunda e intensa, possui um forte aroma e sabor a frutos silvestres e ameixas, sendo bem equilibrado em estrutura e acidez. Este vinho é excelente para carnes grelhadas, mas também pratos de peixe bastante elaborados e condimentados.” Deve ser consumido a uma temperatura entre 16º e 18º C.

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Situada a Norte do Rio Tejo, a região vitivinícola de Lisboa, é a segunda maior produtora de vinho em Portugal sendo esta composta por dez sub-regiões: Encostas de Aire, Alcobaça, Lourinhã, Óbidos, Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Bucelas, Colares e Carcavelos.

As cidades de Torres Vedras, Alenquer e Óbidos são os principais pólos da Região, contendo a maior área de plantação de vinhas, ao longo de verdes encostas. Torres Vedras, é o concelho que tem a maior produção de vinho do país.

Aqui, encontram-se solos argilo-calcários e solos argilo-arenosos, muito férteis, que melhoram o cultivo e qualidade das uvas. O clima é ameno, com uma precipitação média de 700 mm por ano e não há alterações importantes de temperatura. Estas são as características que tornam únicos os vinhos desta região.

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A empresa António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda. iniciou a sua actividade em Janeiro de 1964, prosseguindo o trabalho de seu fundador, António Francisco Bonifácio, que desde muito jovem concentrou os seus esforços no cultivo e crescimento da vinha e na produção de vinho. Conseguiu com sucesso gerir o seu negócio por mais de 40 anos e sempre com uma preocupação: fazer vinhos de qualidade! As gerações seguintes, quiseram manter a fasquia nesse ponto alto, tendo sido desenvolvido um trabalho conjunto em que os valores de inovação e exigência se encontram sempre presentes.

A produção dos vinhos, nasce de uma cuidadosa selecção das uvas, como já referimos. Após serem colhidas estas são descarregadas em tegões, o ponto inicial de duas linhas paralelas de produção – uma para uvas brancas e outra para uvas tintas.

No caso das uvas brancas, o vinho é produzido sob o processo de “Bica Aberta” sendo as uvas encaminhadas para uma prensa pneumática onde os mostos são separados e as massas prensadas. Após este procedimento o mosto é submetido a choque térmico a frio, desenvolvendo-se a fermentação a temperatura controlada.

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As uvas tintas, após desengace e esmagamento, são encaminhadas para cubas de fermentação, passando por um processo de maceração a frio, decorrendo posteriormente a fermentação a temperatura controlada efectuando-se um processo de remontagem por lixiviação de massas.

O estágio dos vinhos tintos processa-se em depósitos de inox e numa segunda fase em garrafas.

Para acompanhar a evolução dos tempos, foram criadas novas instalações, dispondo de modernas condições para a produção e engarrafamento, com grande capacidade de resposta, respeitando todas as exigências do mercado actual : uma linha automática de enchimento de garrafas e duas linhas de Bag-In-Box.

Nas vinhas encontram-se, entre outras, as castas Castelão, Tinta Miúda e Alicante Bouschet.

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Estas são amadurecidas em solos argilo-calcários, à luz do sol e com uma baixa precipitação.

As vinhas crescem em solos superficiais, de baixa fertilidade e não são regadas em qualquer altura do ano para evitar a diminuição de taninos, elementos básicos para um excelente envelhecimento.

A poda das videiras durante o Inverno e o Verão é executada conscienciosamente e com extremo cuidado: antes da vindima, já após o aparecimento do fruto, quando necessário, são removidos alguns ramos de forma a aumentar a qualidade das uvas que ficam na planta.

Todos estes processos reduzem o rendimento das vinhas, mas mantém a quantidade e qualidade adequadas para obter as melhores uvas, com as melhores notas de acidez e estrutura tânica, necessárias para a produção e envelhecimento dos vinhos.

O poeta persa Rumi, do século XIII, dizia que  “Através do amor todo amargo será doce, através do amor todo cobre será ouro, através do amor toda borra será vinho, através do amor toda a dor será remédio.”

Esta é uma boa maneira de terminar a nossa reflexão sobre o Bonifácio syrah, um vinho a ter presente independentemente das condições não vinícolas que possamos considerar!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 3,85€

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Solar dos Lobos, Silveira e Outro, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Continuamos hoje pelo Alentejo, com a garantia de estarmos bem acompanhados, como é costume!

Estamos entre Redondo e Arraiolos, para conhecer o syrah do Solar dos Lobos, safra de 2011. Syrah de qualidade e para ter sempre presente em todas as ocasiões. Tem 14% de graduação alcoólica e é 100% syrah, como deve de ser. A enóloga é Susana Esteban, sim, que as mulheres também sabem fazer bons syrah, como aqui se vai provar e comprovar!

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O syrah é apresentado da seguinte maneira: “Vinho de corpo inteiro, com personalidade vincada e dentro da linha dos varietais de Solar dos Lobos. Este varietal Syrah de cor viva com notas azuis profundas, é de aroma muito intenso a fruta e chocolates negros que não tapam as notas de madeira de carvalho francês bem presentes. Dentro da harmonia do sabor denota-se volume, consistência e final de gosto profundo. É um vinho que traduz um equilíbrio perfeito na relação dos taninos com o álcool (índice de “souplesse”). O apogeu acontece aos 2 a 5 anos. Quando consumido a 18º deve maridar com iguarias de confecção prolongada mas com condimentação acentuada.”

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O vinho Solar dos Lobos é resultado de uma tripla selecção de cachos e apenas provêm dos 75 hectares de vinha. A primeira selecção inicia-se perto do pintor em que se faz uma monda de cachos, seleccionando apenas os cachos que irão permitir o máximo de qualidade.

A segunda selecção acontece na vindima, em que as pessoas que vindimam estão sensibilizadas a apenas apanhar os cachos que se apresentem com um estado sanitário perfeito.

A terceira selecção é feita na entrada da uva na adega, pois esta é descarregada das caixas de 20Kg para o tapete de escolha onde se encontram 2 a 4 pessoas a retirar todas as folhas, ramos, e cachos que não possuam qualidade, por estarem verdes ou em passa.

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A Herdade Vale D’Anta (25ha) fundada pelos Avós Julieta Pereira Gancho e João Rafael Coelho Gancho, situa-se junto à harmoniosa e inspiradora Serra D’Ossa (Redondo), onde o seu microclima mais fresco é tão característico. Produz essencialmente castas tintas como a rainha Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonez, Castelão, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet.

A vinha de Arraiolos (50ha), zona quente e reconhecida pelo seu potencial em fazer grandes vinhos, produz além das castas tintas, algumas castas brancas como o Arinto, Sauvignon Blanc, Antão Vaz e Chardonnay.

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Eis pois a história de uma família alentejana, com os seus antepassados ligados às terras de Alvito (Beja), tem os seus segredos e tradições encerrados no seu Brasão de Armas dos Lobo da Silveira, com origem no 1º Barão e Marquês de Alvito no séc. XV, primeiro título de barão concedido em Portugal por D. Afonso V. Cinco lobos tem este Brasão de Armas, e cinco são hoje curiosamente os seus descendentes. Cinco jovens primos que se comprometeram a levar a mensagem das suas raízes aos quatro cantos do mundo, hoje guiada pelas mãos dos irmãos Filipa e Miguel Lobo da Silveira.

E uma referência ainda à garrafa, de design muito original, como aliás são todas as que a casa produz, com um cartoon exibindo o dilema da escolha entre duas paixões… a mulher ou o syrah… Mas porquê escolher? Porque não ficar com os dois!

Então que depois de escolhido este feminino Solar dos Lobos, fica-nos para declamar a nossa alma vinícola Florbela Espanca (de seu nome de baptismo precisamente Flor Bela Lobo) e o seu soneto Errante:

Meu coração da cor dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos.

Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura…

Meu coração não chega lá decerto…
Não conhece o caminho nem o trilho,
Nem há memória desse sítio incerto…

Eu tecerei uns sonhos irreais…
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!

Para concluir, e somente como mera curiosidade, há quatro syrah portugueses onde o nome “Lobo” está presente. O Solar dos Lobos aqui apresentado, o Pulo do Lobo também do Alentejo a apresentar brevemente, o Vale de Lobos, do Tejo, já por nós apresentado, e finalmente o Lobo Novo de Setúbal.

Tudo lobos distintos, mas este de hoje foi o que nos obteve melhor pontuação!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 11,00€

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O engarrafamento, um choque que maltrata o vinho!

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Nenhum vinho deve ser bebido imediatamente após ter sido engarrafado!
Deve-se  deixá-lo repousar de um a três meses, conforme o tipo e a casta,  para readquirir o equilíbrio.

O engarrafamento, por mais cuidadoso que tenha sido, causa um choque no vinho. A aeração vigorosa atenua momentaneamente o seu frutado e aquilo a que os especialistas chamam o seu buquê. Quando cessa o efeito oxidante do ar, o vinho reencontra o equilíbrio.

O engarrafamento, é uma operação traumática. Dependendo da safra, o vinho deverá de seguida ser colocado em repouso mais ou menos tempo para reencontrar as suas qualidades.

Todos nós já ouvimos o aviso de produtores durante a degustação do seu néctar: “Atenção, o vinho acabou de ser engarrafado” subentendendo-se que não está no seu estado normal. Na verdade, imediatamente após o engarrafamento o vinho sofre o tal choque que pode ser traumático. Chama-se a isso a “doença da garrafa”. Durante este período, a maioria dos vinhos são dificilmente bebíveis e muitas vezes sabem mal.

Esta “indisposição” felizmente é temporária, e os vinhos reencontram o essencial das suas qualidades depois de algumas semanas ou menos, de repouso total.

O engarrafamento ocorre após a elaboração do vinho quando o produtor acredita que o vinho está feito. A operação tem lugar no mês de Novembro para vinhos jovens, no caso francês, por exemplo o beaujolais, e até ao mês de Janeiro para os vinhos rosados a beber rapidamente. Para os tintos vários meses, ou até mesmo anos para os chamados vinhos de guarda.

Muitas vezes, os produtores de vinho fazem várias “actualizações” duma mesma safra. Várias quintas socorrem-se de empresas de engarrafamento que possuem a tecnologia que as pequenas produções não detêm.

O enólogo sabe que é preferível realizar a operação nos dias anticiclónicos pois realizar o engarrafamento num dia de forte depressão, irá provocar no vinho a perda de gás e de aromas.


 

Herdade da Figueirinha, Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2006

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“O syrah dá coragem e torna os homens mais aptos à paixão.” Ovídio, um dos grandes poetas romanos do período imperial, chama-nos a atenção para esta relação entre sentimentos, sempre presente, quando se trata desta bebida corajosa e apaixonada. E assim apresentamos um syrah alentejano que obedece a esta relação. Um vinho corajoso e apaixonante, da Herdade da Figueirinha, perto de Beja.

O syrah da Herdade da Figueirinha de 2006 é um vinho Regional Alentejano monovarietal, de uvas provenientes da Herdade da Figueirinha.

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Apresenta cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos, madeira bem integrada, taninos redondos e acidez equilibrada. Notas de prova falam-nos de um “aroma intenso, nota de queimado/aborrachado, algum anis mentolado, fruto doce, taninos redondos, tom morno e sobremaduro, final com nota capitosa.” Possui graduação alcoólica de 14,5%.

No Alentejo há notícias da cultura da vinha e da produção de vinho desde épocas pré-romanas. A Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, Lda., mantém hoje viva a tradição milenar de uma região internacionalmente reconhecida, como já aqui demos notícia, pelos seus vinhos de qualidade e carácter distinto.

A empresa dispõe no total, de cerca de 70 hectares de vinhas próprias. Na Herdade do Monte Novo e Figueirinha, foram plantados 40 hectares de vinha, exclusivamente de uva tinta, com castas de excelente qualidade, com destaque para Trincadeira, Aragonêz, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Boushet.

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Dispõe ainda de 30 hectares de vinha, principalmente de uva branca, na Herdade das Fontes, situada na região da Vidigueira, onde se destaca a variedade Antão Vaz. As castas foram seleccionadas criteriosamente, no sentido de darem corpo a vinhos de qualidade.

Na Herdade da Figueirinha todo o trabalho é realizado com envolvimento e paixão. A qualidade do produto final depende muito de todo o trabalho de campo, efectuado ao longo do ano. Um cuidado e uma atenção especial são dedicados a todo o processo vitícola, para que as vinhas tenham as melhores condições e se desenvolvam saudavelmente.

A empresa Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, Lda., existe desde 1998. O fundador é o Comendador Leonel Cameirinha, e a gestão da empresa está a cargo do fundador e do seu neto Filipe Cameirinha Ramos.  A Herdade do Monte Novo e Figueirinha tem uma área de 300 hectares de terra plana e boa qualidade, perto de S. Brissos, a cerca de 5 km de Beja. As principais produções são a vinha e o olival. As variedades de uvas e azeitonas são cuidadosamente selecionadas para dar corpo ao vinho de alta qualidade e ao azeite, com todas as características distintivas da região do Alentejo. A Adega da Figueirinha foi construída em 2003 e é uma estrutura moderna  com a mais recente tecnologia, para atender a uma capacidade de produção anual de 800 mil litros de vinho, com uvas provenientes de 70 hectares de produção própria e de outros produtores locais. O enólogo é Filipe Sevinate Pinto. Com uma área de 170 hectares de olival, em 2006, a empresa decidiu construir o Lagar da Figueirinha, com capacidade de transformação de 8 milhões de toneladas de azeitonas, e que produz um azeite de alta qualidade. O consultor técnico para a produção de azeite é João Gomes.

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O processo de amadurecimento da uva é cuidadosamente monitorizado e a vindima é  planeada e executada no tempo ideal de maturação, sem tempos de espera até á laboração, conseguindo dos frutos todo o sabor genuíno.

Vale mesmo a pena partir em demanda deste apaixonante, e que nos enche de coragem à maneira de Ovídio, duplo S: é um Soberbo Syrah!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 12,50€


 

Quinta da Lapa,100% Syrah, Tejo, 2012

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“Deixe-nos celebrar a ocasião com Syrah e palavras doces”, dizia Plauto, dramaturgo romano, no século II antes de Cristo. Assim damos início a mais um texto sobre a nossa bebida de eleição.

Reparem que basicamente andamos pé cá pé lá, ou seja, Aquém Tejo ou Além Tejo. Estivemos no Alentejo da última vez, agora voltamos ao Tejo. E que enorme prazer é este ziguezague constante, porque aqui nestas duas regiões encontra-se a grande maioria dos Syrah que conhecemos.
E quando se fala em Syrah nós dizemos: presente!

Hoje estamos na Quinta da Lapa, para falarmos do respectivo Syrah, a 100%, como gostamos e preferimos.

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A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O grande e caprichoso rio Tejo assume nesta região particular esplendor histórico, tanto por ser elo de ligação com Lisboa, como por ter sido ele próprio via de comunicação e comércio com toda a Europa. Os castelos templários e as grandes planícies de cultivo são disso testemunho.

As cheias e a força do rio fizeram com que ao longo dos tempos as terras essencialmente argilo-calcárias coleccionassem elementos raros como conchas e seixo rolado. Este aspecto define, quase só por si, a assinatura da Quinta da Lapa, havendo contudo ainda que lhe acrescentar a alternância dos dias tórridos e manhãs muito frescas no Verão, quando as uvas estão a robustecer-se para a vindima.

O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, por isso, a um tempo mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude.

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A Quinta da Lapa conta com 27 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos.

A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

Conhecemos duas safras. A de 2010, e a actual de 2012. A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é Jaime Quendera.

Falemos agora um pouco da Quinta da Lapa. O lugar existe há mais de 300 anos e tem uma história condizente com esta temporalidade.

D. Lourenço de Almeida, governador de Pernambuco, filho do Conde de Avintes e oficiante na Ordem de Cristo, personifica grande parte da alma deste lugar único.

A casa da Quinta da Lapa acrescentou em 2011 uma nova página à sua história tricentenária ao assumir uma orientação mais voltada para públicos exteriores.
Eventos de empresa, casamentos e festas, e ainda a actividade do enoturismo criaram porta franca na propriedade. No processo de recuperação e restauro, tentou manter-se intacta a zona nobre do edifício principal – salas e capela -, enquanto nas áreas envolventes do pátio central se procurou criar zonas de grande conforto e flexibilidade.
O resultado foi a criação de onze suites, uma grande sala de eventos, e a preservação de um património de matriz espiritual de antiguidade considerável, que ultrapassa a própria capela. Falamos por exemplo de um painel de azulejos evocativo de Nossa Senhora da Lapa, datado de 1733, de características únicas.

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, refletindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

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As vinhas de castas brancas da Quinta da Lapa foram plantadas em 1992, enquanto a plantação das tintas aconteceu em 1997. O sistema radicular das videiras está nesta altura estabilizado, conseguindo-se resultados consistentes de ano para ano, tanto em termos de maturação fenólica como na expressão do terroir da quinta. Fica pois reunido um leque interessante de castas portuguesas, a que se juntam algumas internacionais, definindo bem a vocação internacional dos vinhos, ao mesmo tempo que se afirma o grande valor patrimonial das uvas autóctones.

As palavras doces de Plauto já foram referidas e glosadas, vamos agora celebrar a ocasião sorvendo o néctar divino da nossa Lapa de hoje!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 8,50€

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Telhas, 95% Syrah, 5% Viognier, 2011, e Terras D`Alter, 85% Syrah, 15% Viognier, 2006 (esgotado), Terras D’ Alter Companhia de Vinhos, Lda, Alentejo

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Eduardo Galeano, escritor uruguaio que faleceu faz agora uns dias, dizia que “Todos somos mortais, até ao primeiro beijo e à segunda taça de syrah.”

Assim começados, ouve-se dizer com frequência que o Alentejo é uma região produtora de vinhos de elevada qualidade. E é verdade, obviamente o mesmo se aplicando aos syrah alentejanos!

Alter do Chão e Fronteira é por onde hoje estamos, para conhecer, além do nosso néctar preferido, a envolvência histórica e geográfica que deu origem a dois syrah, um dos quais infelizmente já esgotado! Mas se algum dos nossos leitores souber ainda onde o encontrar, ou o tenha provado, que nos diga de sua justiça…

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., é constituída pelas Sociedade Agrícola das Antas, Sociedade Agrícola do Monte Barrão (empresas com enorme tradição agrícola no Alto Alentejo, distrito de Portalegre) e pela Sociedade Pink Living, pertencente ao enólogo Peter Bright. Aquelas duas Sociedades decidiram aliar-se e, para complementarem o seu projecto, criaram uma forte ligação a Peter Bright, que tem um vasto curriculum no mundo da produção e comercialização internacional de vinhos.

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., utiliza as uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora também se abasteça nas produções do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas.

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O plantio da vinha nesta região remonta ao período romano, como atestam vestígios datados dessa época, nomeadamente grainhas de uvas descobertas nas ruínas de São Cucufate, perto da Vidigueira, e alguns lagares romanos. A utilização de talhas, destinadas à fermentação do mosto e ao armazenamento do vinho, é ainda visível em algumas das suas adegas.

Situado na zona sul do país, o Alentejo é uma região essencialmente plana, evidenciando alguns acidentes de relevo, não muito elevados, mas que o influenciam de forma marcante. Caracteriza-se por condições climáticas acentuadamente mediterrânicas, apresentando, no entanto, várias zonas de microclima continental.

Terras de Alter tem como objectivo lançar no mercado internacional um vinho alentejano de qualidade. Os mercados alvo são essencialmente Europa e Estados Unidos.

A sua missão é ser uma empresa de cariz familiar com vinhos de qualidade e presença internacional, reconhecida pela sua excelência e focada no desenvolvimento de marcas premium portuguesas, como é o caso do nosso Syrah.

Os solos caracterizam-se pela sua diversidade, variando entre os graníticos de “Portalegre”, os derivados de calcários cristalinos de “Borba”, os mediterrânicos pardos e vermelhos de “Évora”, “Granja/Amareleja” e “Moura”, e os xistosos de “Redondo”, “Reguengos” e “Vidigueira”. Tendo em consideração a especificidade da cultura, a qual está circunscrita a pequenas áreas geográficas bem definidas, a vinicultura no Alentejo é, em termos económicos, um sector da agricultura de primordial importância para os cerca de 3.000 viticultores da região, sendo a sua principal fonte de rendimento.

No Alentejo, a área média de vinha por exploração, é superior à média nacional. Aos 0,9 ha de vinha/exploração no Continente, correspondem 5,4 ha de vinha/exploração no Alentejo.

A vinha Terras de Alter é estruturada segundo o conceito novo mundo e desenhada com o contributo da Universidade de Fresno na Califórnia. As vinhas são plantadas utilizando modernos sistemas de condução e irrigação, facilitando o seu tratamento e garantindo a sua qualidade.

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A adega está localizada muito perto dos produtores de uva, o que permite um tempo mínimo entre a vindima e o inicio da laboração. A escolha de todo o equipamento foi feita segundo os princípios mais modernos, com o objectivo de se conseguir produzir de acordo com os conceitos do novo mundo já mencionados.

A adega tem a possibilidade e versatilidade para poder laborar segundo processos de alta qualidade, com vindima manual, selecção de uvas à entrada, controlo altamente rigoroso de temperatura e outros aspectos que possibilitam a produção de excepção. Tanto pode trabalhar em cubas de quantidades consideráveis para os nossos vinhos mais correntes, como pode trabalhar em cubas de fermentação muito pequenas, que permitem o tratamento de lotes reduzidos mas de elevadíssima qualidade. É esta versatilidade que permite conseguir lotes de tempero que afinam ou complementam os vinhos de topo.

Peter Bright é o Enólogo dos vinhos Terra de Alter. Com origem Australiana, a viver em Portugal desde 1982, é dinâmico, empreendedor e o seu lema é “experimentar mas não misturar estilos”.

As castas Terras de Alter tintas, Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah e Cabernet Sauvignon, conferem aos vinhos um tom rubi e um aroma frutado e persistente, num conjunto muito equilibrado. Por seu lado, as castas brancas, Arinto, Roupeiro, Antão Vaz, Alvarinho, Verdelho e Viognier, surpreendem pela sua cor citrina e pelo frutado fino e fresco, num conjunto muito apetecível.

Falando sobre o syrah principal aqui em causa, a composição do Telhas é de 95% Syrah e 5% Viognier. A Vinha situa-se na Herdade das Antas. O Telhas provém do sector mais elevado da vinha, o qual se caracteriza pelo austero solo granítico e o seu terroir único.

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E como sempre o Blogue do Syrah não pode deixar de enfatizar a sua posição declarando que preferirmos os syrah a 100%, apesar de compreendermos e aceitarmos a escolha de cada enólogo, que no caso deste Telhas consideramos uma escolha feliz, e que deu excelentes resultados. Mas o convite fica feito em forma de manifesto, segundo o nosso lema:

100% Syrah, sempre!

Voltando à nossa região de hoje, este é o local onde outrora terá existido uma Vila Romana, facto sugerido pelos diversos fragmentos em terracota e telhas aí encontradas.

As duas castas presentes no syrah de hoje co-fermentaram com leveduras autóctones em pequenos reservatórios abertos e com manta submersa. A fermentação foi concluída em barricas novas de carvalho americano acompanhada de battonage. Seguiu-se a fermentação maloláctica e estágio em barrica durante 24 meses.

As notas de prova dizem-nos que na “cor é vermelho intenso com centro púrpura.O aroma tem nariz perfumado com notas de violetas, pimenta moída, carne assada e alcatrão.O paladar mostra sabores exóticos de madeiras e especiarias orientais com uma envolvente de frutos vermelhos maduros. Final muito saboroso com notas de cedro e baunilha.”

As safras foram até agora quatro: A primeira em 2008 (a última safra do Terras d`Alter tinha sido em 2006) seguiu-se a safra de 2009, em seguida em 2010 e a actual que ainda está no mercado de 2011.

A grande diferença do Terras D`Alter de 2006,  esgotado há muito, é que de syrah tinha só 85% e os outros 15% eram de Alicante Bouschet (aos olhos da lei é um monocasta, apesar de discordarmos), bem diferente da composição do actual Telhas como se pode ver e degustar.

Vamos pois beber em direcção à imortalidade um Telhas Syrah 2011, à memória de Eduardo Galeano!

 

Telhas Syrah

Classificação: 17/20                                                                                            Preço: 20,00€

 

Terras D`Alter Syrah

Classificação: Esgotado (O Blogue do syrah não o conheceu)              Preço: 8,00€

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