Companhia das Lezírias, 100% Syrah, Tejo, 2008

garrafa

Do Tejo, mais um syrah, desta vez da Companhia da Lezírias. Tínhamos de chegar aqui algum dia!  A Companhia das Lezírias, fundada em 1836, sendo a maior exploração agroflorestal do País teria que ter o seu syrah!

Com 18 mil hectares não tem comparação com nenhum nenhuma empresa do ramo, herdade ou quinta. A Companhia das Lezírias é a maior exploração agro-pecuária e florestal existente em Portugal, compreendendo a Lezíria de Vila Franca de Xira, a Charneca do Infantado, o Catapereiro e os Pauis (Magos, Belmonte e Lavouras).

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A Lezíria está compreendida entre os rios Tejo e Sorraia e é dividida pela Recta do Cabo (E.N. 10 entre Vila Franca de Xira e Porto Alto) em Lezíria Norte e Lezíria Sul.

A Lezíria Norte é constituída por cerca de 1.300 hectares explorados indirectamente (rendeiros). A Lezíria Sul ocupa perto de 5.000 hectares, dos quais cerca de 2600 ha estão arrendados e 2.200 ha são explorados directamente pela CL, sendo quase 1900 ha para pastagens e cerca de 320 ha de arroz.

No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz, em Catapereiro, uma média de 330 ha de milho, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. O arroz cultiva-se igualmente nos Pauis de Magos, Belmonte e Lavouras, mas só este último, com uma área de 240 ha, é explorado directamente. No total, a área destinada ao cultivo de arroz em solo da CL ronda os 1500 ha. No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz ainda, em Catapereiro, uma média de 250 ha de milho, 140 ha de vinha e 70 de olival, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. A Charneca do Infantado e os Pauis perfazem uma área de cerca de 11.500 hectares.

A Companhia das Lezírias passou por várias transformações ao longo da sua existência, sendo nacionalizada em 1975 e tendo passado, em 1989, a Sociedade Anónima de capitais exclusivamente públicos. Desde 1997, a Companhia das Lezírias vem consolidando a sua situação, quer sob o ponto de vista tecnológico, quer financeiro, baseada numa filosofia de desenvolvimento sustentado. A partir do dia 2 de Agosto de 2013, a Companhia das Lezírias passou a gerir a Coudelaria de Alter e a Coudelaria Nacional.

O início da actividade vitícola da Companhia das Lezírias remonta ao ano de 1881, ano em que se instalou a vinha na charneca de Catapereiro. Essa área foi crescendo até 1934, ano em que a vinha atingiu o seu máximo expoente – cerca de 400 ha. As castas dominantes na altura eram o Periquita (Castelão) e o Bastardo.

Com o passar dos anos, a vinha foi sendo reestruturada, tendo a Companhia das Lezírias actualmente cerca de 130 ha de vinha, dos quais 65% da área é composta por castas tintas e os restantes 35% por castas brancas.

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Entre as castas tintas, a variedade Alicante-Bouschet é maioritária, seguida pelas castas Castelão, Trincadeira, Aragonez, Touriga-Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Touriga-Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão. As castas brancas instaladas são o Fernão Pires, Trincadeira das Pratas, Arinto, Roupeiro, Tália, Verdelho e Vital.

Na vinha, tem-se vindo a efectuar uma grande reestruturação, sem menosprezar as castas nacionais, mas instalando também outras castas que tão bem se adaptam na região vitícola.

Quanto aos vinhos, a gama está organizada da seguinte forma: os vinhos com a denominação “Companhia das Lezírias” são englobados na Denominação Do Tejo e elaborados essencialmente a partir das castas Castelão, no caso do tinto, e Fernão Pires, no caso do vinho branco. Os vinhos tintos desta gama são estagiados em madeira nova de carvalho americano e francês, reunindo um conjunto único de tipicidade dentro da região Tejo em que se insere.

Os vinhos regionais possuem a designação “Catapereiro”, sendo um lote das várias castas regionais instaladas na nossa vinha. No caso do regional tinto, e em anos em que tal se justifique, é seleccionado um pequeno lote de vinho que vai estagiar em pequenas barricas de carvalho francês, sendo depois engarrafado à parte, dando origem ao “Catapereiro Escolha”. Estes vinhos são mais encorpados possuindo um potencial de guarda superior aos outros tintos produzidos na Companhia das Lezírias.

Os vinhos de mesa são vendidos sob a denominação “Senhora de Alcamé” sendo elaborados a partir de lotes de vinhos produzidos pela CL que não entram nas restantes marcas comerciais.

A Companhia das Lezírias, membro fundador da Rota da Vinha e do Vinho do Ribatejo, goza de uma localização excelente, que se repercute na qualidade dos vinhos.

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Este syrah vindo directamente da safra de 2008 com 7000 garrafas produzidas e com uma graduação alcoólica de 14,5%, visualmente  tem um aspecto límpido e cor grenada escuro. ”Possui um aroma muito intenso e complexo, com notas de café e chocolate bem combinadas com a fruta madura da casta. O sabor é rico, frutado, encorpado e com grande final.”

O escritor Hubrecht Duijker, e grande especialista em vinhos, escreveu:
“A vida é curta demais para se beber maus vinhos!”

O syrah da Companhia das Lezírias vale a pena ser bebido!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 12,50€

 

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