Daily Archives: 08/04/2015

Produtores de Syrah franceses estão felizes com a safra de 2014

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Produtores do Vale do Rhône, em França, anunciaram recentemente que a safra de 2014 mostrou óptimos resultados em relação aos anos anteriores. Neste ano, a região produziu um total de 3 milhões de hectolitros de vinho (400 milhões de garrafas) sendo que no ano passado o total foi de 2.5 milhões de hectolitros (330 milhões de garrafas).

Thierry Vaute, produtor da região, declarou em entrevista: “Conseguimos a colheita que estávamos à espera. Tivemos colheitas irregulares nos últimos anos e tivemos que lidar com a escassez”. Ainda acrescentou: “Todos os meus colegas estão optimistas”. Outro produtor, Michel Chapoutier, também comentou os resultados: “A diversidade no solo e na colheita aumentou esse ano. Teremos óptimos vinhos brancos”.

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Relatórios da colheita indicam que são esperados vinhos “bem coloridos, com níveis equilibrados de acidez e açúcar, elegantes e com óptima concentração”. Cobrindo 70,014 hectares de área agricultável, o Vale do Rhône tem 5500 parcelas vinícolas que empregam cerca de 46000 funcionários. As sub-regiões de Côtes du Rhône e Côtes du Rhône Villages representam quase 65% da produção de vinho do Vale do Rhône inteiro.

O rio Ródano nasce nas regiões glaciais dos Alpes da Suíça e dirige-se para Oeste, atravessando vales e vinhedos suíços, e espraiando-se no belo lago Léman, na fronteira da Suíça com a França.

Penetrando o território francês, forma uma grande curva no sentido contrário aos ponteiros do relógio até que, passando a cidade de Lyon, dirige-se para o sul da França, desembocando cerca de duzentos quilómetros depois, no Mediterrâneo, próximo a Marselha. Nas encostas desse trecho francês do rio – as Côtes du Rhône – encontram-se os melhores vinhedos do sudeste da França e os vinhos mais afamados. Trata-se da mais antiga região vitivinícola da França. O cultivo das vinhas e a elaboração de vinhos tiveram lugar efectivo e sistemático no local, após a conquista do vale pelos romanos, um século antes da era cristã. Mas, antes disso, os gregos já haviam desenvolvido ali uma incipiente cultura enológica.

No século XIII o vinho Hermitage, do Rhône norte, tornou-se famoso nas cortes europeias. O desenvolvimento, organização e reconhecimento da vinicultura local, entretanto, datam do século XIV, quando o Papado, fugindo de Roma, se estabeleceu em Avignon, onde permaneceu por décadas, construindo palácios imponentes, igrejas e castelos. Um deles, hoje em ruínas, dá nome à aldeia medieval de Châteauneuf-du-Pape – o novo castelo do papa – sede de uma centena de tintos famosos e muito procurados.

Também no Rhône nasceu o sistema de Denominação de Origem Controlada. Foram necessários 30 anos para que os viticultores do Rhône meridional se recuperassem da praga que devastara os vinhedos por volta de 1870. Mas a recuperação foi tão veloz que a produção no início do século XX tornou-se volumosa a ponto de surgirem todo o tipo de fraudes.

A reacção deu-se com a formação de uma sociedade de vinhateiros que estabeleceu regras para o cultivo e para a vinificação no local. Somente com a obediência a tais regras seria autorizada a colocação da denominação da origem no rótulo. O movimento teve tanto sucesso que o sistema de “appelation d’origine” passou a ser utilizado em toda a França a partir de 1936. As denominações do Rhône, cerca de vinte, foram oficializadas entre 1936 e 1971.

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E em Portugal? Nas regiões dominantes do syrah como o Alentejo, o Tejo, Lisboa e Setúbal? Como foi a safra de 2014?

Pelas conversas que o Blogue do Syrah tem tido com diversos produtores destas regiões, o ano de 2014 tem possibilidades de ser um bom ano, mas provavelmente não será excepcional, embora seja ainda um pouco cedo para o afirmar.

O que o Blogue do Syrah espera e deseja é mais qualidade assim como também mais diversidade.
Apostamos nisso!