Daily Archives: 20/04/2015

Telhas, 95% Syrah, 5% Viognier, 2011, e Terras D`Alter, 85% Syrah, 15% Viognier, 2006 (esgotado), Terras D’ Alter Companhia de Vinhos, Lda, Alentejo

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Eduardo Galeano, escritor uruguaio que faleceu faz agora uns dias, dizia que “Todos somos mortais, até ao primeiro beijo e à segunda taça de syrah.”

Assim começados, ouve-se dizer com frequência que o Alentejo é uma região produtora de vinhos de elevada qualidade. E é verdade, obviamente o mesmo se aplicando aos syrah alentejanos!

Alter do Chão e Fronteira é por onde hoje estamos, para conhecer, além do nosso néctar preferido, a envolvência histórica e geográfica que deu origem a dois syrah, um dos quais infelizmente já esgotado! Mas se algum dos nossos leitores souber ainda onde o encontrar, ou o tenha provado, que nos diga de sua justiça…

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., é constituída pelas Sociedade Agrícola das Antas, Sociedade Agrícola do Monte Barrão (empresas com enorme tradição agrícola no Alto Alentejo, distrito de Portalegre) e pela Sociedade Pink Living, pertencente ao enólogo Peter Bright. Aquelas duas Sociedades decidiram aliar-se e, para complementarem o seu projecto, criaram uma forte ligação a Peter Bright, que tem um vasto curriculum no mundo da produção e comercialização internacional de vinhos.

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., utiliza as uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora também se abasteça nas produções do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas.

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O plantio da vinha nesta região remonta ao período romano, como atestam vestígios datados dessa época, nomeadamente grainhas de uvas descobertas nas ruínas de São Cucufate, perto da Vidigueira, e alguns lagares romanos. A utilização de talhas, destinadas à fermentação do mosto e ao armazenamento do vinho, é ainda visível em algumas das suas adegas.

Situado na zona sul do país, o Alentejo é uma região essencialmente plana, evidenciando alguns acidentes de relevo, não muito elevados, mas que o influenciam de forma marcante. Caracteriza-se por condições climáticas acentuadamente mediterrânicas, apresentando, no entanto, várias zonas de microclima continental.

Terras de Alter tem como objectivo lançar no mercado internacional um vinho alentejano de qualidade. Os mercados alvo são essencialmente Europa e Estados Unidos.

A sua missão é ser uma empresa de cariz familiar com vinhos de qualidade e presença internacional, reconhecida pela sua excelência e focada no desenvolvimento de marcas premium portuguesas, como é o caso do nosso Syrah.

Os solos caracterizam-se pela sua diversidade, variando entre os graníticos de “Portalegre”, os derivados de calcários cristalinos de “Borba”, os mediterrânicos pardos e vermelhos de “Évora”, “Granja/Amareleja” e “Moura”, e os xistosos de “Redondo”, “Reguengos” e “Vidigueira”. Tendo em consideração a especificidade da cultura, a qual está circunscrita a pequenas áreas geográficas bem definidas, a vinicultura no Alentejo é, em termos económicos, um sector da agricultura de primordial importância para os cerca de 3.000 viticultores da região, sendo a sua principal fonte de rendimento.

No Alentejo, a área média de vinha por exploração, é superior à média nacional. Aos 0,9 ha de vinha/exploração no Continente, correspondem 5,4 ha de vinha/exploração no Alentejo.

A vinha Terras de Alter é estruturada segundo o conceito novo mundo e desenhada com o contributo da Universidade de Fresno na Califórnia. As vinhas são plantadas utilizando modernos sistemas de condução e irrigação, facilitando o seu tratamento e garantindo a sua qualidade.

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A adega está localizada muito perto dos produtores de uva, o que permite um tempo mínimo entre a vindima e o inicio da laboração. A escolha de todo o equipamento foi feita segundo os princípios mais modernos, com o objectivo de se conseguir produzir de acordo com os conceitos do novo mundo já mencionados.

A adega tem a possibilidade e versatilidade para poder laborar segundo processos de alta qualidade, com vindima manual, selecção de uvas à entrada, controlo altamente rigoroso de temperatura e outros aspectos que possibilitam a produção de excepção. Tanto pode trabalhar em cubas de quantidades consideráveis para os nossos vinhos mais correntes, como pode trabalhar em cubas de fermentação muito pequenas, que permitem o tratamento de lotes reduzidos mas de elevadíssima qualidade. É esta versatilidade que permite conseguir lotes de tempero que afinam ou complementam os vinhos de topo.

Peter Bright é o Enólogo dos vinhos Terra de Alter. Com origem Australiana, a viver em Portugal desde 1982, é dinâmico, empreendedor e o seu lema é “experimentar mas não misturar estilos”.

As castas Terras de Alter tintas, Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah e Cabernet Sauvignon, conferem aos vinhos um tom rubi e um aroma frutado e persistente, num conjunto muito equilibrado. Por seu lado, as castas brancas, Arinto, Roupeiro, Antão Vaz, Alvarinho, Verdelho e Viognier, surpreendem pela sua cor citrina e pelo frutado fino e fresco, num conjunto muito apetecível.

Falando sobre o syrah principal aqui em causa, a composição do Telhas é de 95% Syrah e 5% Viognier. A Vinha situa-se na Herdade das Antas. O Telhas provém do sector mais elevado da vinha, o qual se caracteriza pelo austero solo granítico e o seu terroir único.

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E como sempre o Blogue do Syrah não pode deixar de enfatizar a sua posição declarando que preferirmos os syrah a 100%, apesar de compreendermos e aceitarmos a escolha de cada enólogo, que no caso deste Telhas consideramos uma escolha feliz, e que deu excelentes resultados. Mas o convite fica feito em forma de manifesto, segundo o nosso lema:

100% Syrah, sempre!

Voltando à nossa região de hoje, este é o local onde outrora terá existido uma Vila Romana, facto sugerido pelos diversos fragmentos em terracota e telhas aí encontradas.

As duas castas presentes no syrah de hoje co-fermentaram com leveduras autóctones em pequenos reservatórios abertos e com manta submersa. A fermentação foi concluída em barricas novas de carvalho americano acompanhada de battonage. Seguiu-se a fermentação maloláctica e estágio em barrica durante 24 meses.

As notas de prova dizem-nos que na “cor é vermelho intenso com centro púrpura.O aroma tem nariz perfumado com notas de violetas, pimenta moída, carne assada e alcatrão.O paladar mostra sabores exóticos de madeiras e especiarias orientais com uma envolvente de frutos vermelhos maduros. Final muito saboroso com notas de cedro e baunilha.”

As safras foram até agora quatro: A primeira em 2008 (a última safra do Terras d`Alter tinha sido em 2006) seguiu-se a safra de 2009, em seguida em 2010 e a actual que ainda está no mercado de 2011.

A grande diferença do Terras D`Alter de 2006,  esgotado há muito, é que de syrah tinha só 85% e os outros 15% eram de Alicante Bouschet (aos olhos da lei é um monocasta, apesar de discordarmos), bem diferente da composição do actual Telhas como se pode ver e degustar.

Vamos pois beber em direcção à imortalidade um Telhas Syrah 2011, à memória de Eduardo Galeano!

 

Telhas Syrah

Classificação: 17/20                                                                                            Preço: 20,00€

 

Terras D`Alter Syrah

Classificação: Esgotado (O Blogue do syrah não o conheceu)              Preço: 8,00€

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