Quinta da Lapa,100% Syrah, Tejo, 2012

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“Deixe-nos celebrar a ocasião com Syrah e palavras doces”, dizia Plauto, dramaturgo romano, no século II antes de Cristo. Assim damos início a mais um texto sobre a nossa bebida de eleição.

Reparem que basicamente andamos pé cá pé lá, ou seja, Aquém Tejo ou Além Tejo. Estivemos no Alentejo da última vez, agora voltamos ao Tejo. E que enorme prazer é este ziguezague constante, porque aqui nestas duas regiões encontra-se a grande maioria dos Syrah que conhecemos.
E quando se fala em Syrah nós dizemos: presente!

Hoje estamos na Quinta da Lapa, para falarmos do respectivo Syrah, a 100%, como gostamos e preferimos.

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A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O grande e caprichoso rio Tejo assume nesta região particular esplendor histórico, tanto por ser elo de ligação com Lisboa, como por ter sido ele próprio via de comunicação e comércio com toda a Europa. Os castelos templários e as grandes planícies de cultivo são disso testemunho.

As cheias e a força do rio fizeram com que ao longo dos tempos as terras essencialmente argilo-calcárias coleccionassem elementos raros como conchas e seixo rolado. Este aspecto define, quase só por si, a assinatura da Quinta da Lapa, havendo contudo ainda que lhe acrescentar a alternância dos dias tórridos e manhãs muito frescas no Verão, quando as uvas estão a robustecer-se para a vindima.

O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, por isso, a um tempo mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude.

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A Quinta da Lapa conta com 27 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos.

A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

Conhecemos duas safras. A de 2010, e a actual de 2012. A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é Jaime Quendera.

Falemos agora um pouco da Quinta da Lapa. O lugar existe há mais de 300 anos e tem uma história condizente com esta temporalidade.

D. Lourenço de Almeida, governador de Pernambuco, filho do Conde de Avintes e oficiante na Ordem de Cristo, personifica grande parte da alma deste lugar único.

A casa da Quinta da Lapa acrescentou em 2011 uma nova página à sua história tricentenária ao assumir uma orientação mais voltada para públicos exteriores.
Eventos de empresa, casamentos e festas, e ainda a actividade do enoturismo criaram porta franca na propriedade. No processo de recuperação e restauro, tentou manter-se intacta a zona nobre do edifício principal – salas e capela -, enquanto nas áreas envolventes do pátio central se procurou criar zonas de grande conforto e flexibilidade.
O resultado foi a criação de onze suites, uma grande sala de eventos, e a preservação de um património de matriz espiritual de antiguidade considerável, que ultrapassa a própria capela. Falamos por exemplo de um painel de azulejos evocativo de Nossa Senhora da Lapa, datado de 1733, de características únicas.

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, refletindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

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As vinhas de castas brancas da Quinta da Lapa foram plantadas em 1992, enquanto a plantação das tintas aconteceu em 1997. O sistema radicular das videiras está nesta altura estabilizado, conseguindo-se resultados consistentes de ano para ano, tanto em termos de maturação fenólica como na expressão do terroir da quinta. Fica pois reunido um leque interessante de castas portuguesas, a que se juntam algumas internacionais, definindo bem a vocação internacional dos vinhos, ao mesmo tempo que se afirma o grande valor patrimonial das uvas autóctones.

As palavras doces de Plauto já foram referidas e glosadas, vamos agora celebrar a ocasião sorvendo o néctar divino da nossa Lapa de hoje!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 8,50€

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