Monthly Archives: April 2015

Onda Nova, Adega do Cantor, 100% Syrah, Algarve, 2009

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Hoje tivemos necessidade de vir ao Algarve, e com todo o gosto o fizemos, para dar a conhecer mais um syrah destas bandas. Estamos em Albufeira, para conhecer a Adega do Cantor. O Cantor em causa é inglês, e teve a sua época áurea nos idos de 60 do século passado, começando a sua carreira associado ao famoso grupo The Shadows. Estamos a referir-nos a Sir Cliff Richard. Conheceu e apaixonou-se pelo Algarve faz mais de 40 anos. O sonho de plantar uma vinha nesta sua propriedade, chamada Quinta do Moinho, foi a inspiração para os vinhos Vida Nova e Onda Nova, em cuja produção ele próprio faz questão de estar envolvido integralmente.

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A Adega do Cantor fica situada na Guia, a escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras.

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A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising.

Deste nosso Syrah fizeram-se três safras: a primeira, de 2006, a de 2007 e esta de 2009 francamente melhor do que a anterior. Fizeram-se 20000 garrafas a partir de 10 hectares de vinha.

As notas de prova dizem-nos que em termos de  “Visual: cereja preta e escarlate; Cor: consistente da borda ao centro, boa viscosidade; Olfactivo: perfume elegante a violetas, groselha e mirtilo elevado por notas profundas a canela, pimenta branca e anis; Gustativo: paladar intenso com nuances a frutos vermelhos e pretos, acentuado por especiarias e pimenta, acrescentando ainda taninos domesticados que conduzem a um final suave. Pode ser consumido já, mas irá evoluir e melhorar significativamente em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.” A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo responsável pelo projecto é Ruben Pinto.

O objectivo na Adega do Cantor é produzir vinhos que consigam reflectir o calor, cor e diversidade da região; vinhos que possam acompanhar a fantástica cozinha local. Este vinho é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

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A Adega do Cantor tem capacidade para 200 toneladas e foi construída em colaboração com a Castle Rock Logistics, uma empresa Australiana especializada em projectos e gestão de adegas. O projecto levou 18 meses a ser desenhado em computador e 10 meses a construir. A Adega foi concebida modularmente, de forma a ser facilmente ampliada para albergar 300 toneladas.

O ano de 2009 aqui em causa foi repleto de actividade quer nas vinhas quer no processo de vinificação, dando origem a uma colheita com a qualidade e o equilíbrio desejado. A poda de Inverno terminou no final de Fevereiro, surgindo quase de imediato os primeiros rebentos nas videiras de Verdelho e Alicante Bouschet.

A floração foi contínua, sem qualquer percalço, resultando em copas bem formadas pela altura da frutificação. O crescimento e maturação da fruta foi equilibrada até à altura da vindima. Esta iniciou-se com a casta Verdelho na 2ª semana de Agosto. Pela 3ª semana verificou-se um pico de altas temperaturas o que provocou um amadurecimento precoce da uva, levando a  que o processo de apanha fosse acelerado para posterior vinificação imediata, evitando assim uma concentração elevada de açúcares que se traduziriam em valores elevados de álcool.

A combinação desta rápida acção e a proximidade da costa, que de alguma forma neutralizou a vaga de calor, levaram a que não tivéssemos sido tão afectados como outras regiões. A qualidade da fruta foi elevada, tendo-se conseguido níveis de açúcar e a maturação dos taninos pretendida, sem grande significância a nível de doenças. O processo de vinificação prolongou-se até ao final de Outubro. Foi a partir desta conjuntura que se obteve este Syrah que convidamos todos a degustar.

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O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.

A seguir se especificam algumas características e histórias das três quintas  do Sir de Sua Majestade.

Quinta do Moinho
A plantação da vinha de Sir Cliff Richard, na Quinta do Moinho, iniciou-se entre 1997 e 1998, tendo sido alvo de intensos estudos pelo eminente viticultor australiano Richard Smart. A plantação consiste de 3,5 ha da casta Syrah, oriunda de Vale de Rhône, França, 2,5 ha de Aragonês, proveniente da Península Ibérica e conhecida em Espanha como Tempranillo, 1,4 ha de Trincadeira, do sul de Portugal e 0,5 ha de Monvedro, também do sul de França. A Quinta do Moinho utiliza os mais modernos sistemas vinícolas, que incluem gestão de área foliar, um sistema de posicionamento vertical das varas e rega gota-a-gota. As videiras fixaram-se rapidamente e o resultado é uma vinha auspiciosa e sadia.

Quinta do Miradouro
Existe desde o princípio de 2001, com as mesmas características da Quinta do Moinho. A vinha consiste de 5ha de Shiraz, 4ha de Aragonês e 1ha de Alicante Bouschet, Teinturier (uma uva vermelha viva) do sul de França, que produz vinhos especialmente bons nas condições certas, como é o caso de Mouchão, no Alentejo. A vinha da Quinta do Miradouro é também a primeira no Algarve a aplicar o Smart-Dyson, o sistema de latada inovador do Dr Richard Smart, que divide verticalmente a área foliar, permitindo um substancial aumento da área total da superfície da parra e melhorando as condições de luz na zona de frutação.

Vale do Sobreiro
A nossa mais recente vinha, existe desde 2004 e, mais uma vez, tem as mesmas características das outras duas vinhas. Abrange 3 ha de Syrah, cuja selecção foi, pela primeira vez, feita através de clonagem, de forma a obter-se a melhor fruta nesta envolvente. Os restantes 2 ha foram plantados com Verdelho, as nossas primeiras uvas brancas oriundas de Portugal e que está a ser vinificado, com grande sucesso na Austrália.

A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

E já que é de cantores e canções que também estamos a falar, acabemos este texto citando um tema dos The Beatles, grupo contemporâneo de Cliff Richard, We Can Work it Out: “A vida é muito curta e não há tempo/Para agitação e luta meu amigo – Life is very short, and there’s no time/For fussing and fighting, my friend.”

Vamos lá então beber tranquilamente e em paz, ao sol do Algarve, o nosso Syrah da Adega do Cantor, este Onda Nova, que se quer mesmo uma boa onda!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 8,50€

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Ameias, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Desta vez em Setúbal, para falar de um syrah que tem vindo paulatinamente a melhorar ao longo dos anos. O melhor é mesmo este de 2013. Estamos a falar do Ameias da Sivipa – Sociedade Vinícola de Palmela, S.A.

Um syrah que bebemos ciclicamente, com uma boa relação qualidade-preço, e que de ano para ano nos tem agradado cada vez mais.

É um syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%. É feito de vinhas com 12 anos de idade, na pujança da vida portanto, provindo de solos arenosos típicos daquela zona da península de Setúbal.

Podemos caracterizar este syrah em termos visuais como possuindo grande intensidade corante de tons rubi escuro e as notas de prova dizem-nos que tem “aroma a frutos vermelhos maduros, e é macio, redondo e equilibrado.”

Tem ganho vários prémios nacionais e internacionais e foi produzido em 2009, 2010 e a presente safra de 2013.

Nos últimos anos os monocasta da SIVIPA têm sido premiados em todo o mundo. Nesta nova colheita de 2013 destaca-se o Syrah, que acaba de obter também 90 pontos da AEP – Associação de Escanções de Portugal, recebendo a prestigiada Tambuladeira de Ouro. Os prémios são tanto mais extraordinários quanto o posicionamento da SIVIPA é partilhar o melhor da região de Palmela a preços acessíveis.

Nós aqui no blogue do syrah não nos deixamos deslumbrar com os prémios. Degustamos o vinho e damos o nosso parecer, subjectivo, mas sempre o mais imparcial possível , na nossa qualidade de consumidores e amantes desta bebida…  e nada mais do que isso!

E agora é relevante dar aos nossos leitores falarmos sobre alguns dados sobre a Sivipa.

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A SIVIPA – Sociedade Vinícola de Palmela, SA foi criada no ano de 1964 por um grupo de vitivinicultores que se uniram para formarem esta sociedade com o objectivo de engarrafar os vinhos das suas produções e de os colocarem no mercado.

O objectivo seria conseguir obter uma mais valia através do mercado de vinhos engarrafados, pois nesta altura pretendia-se acabar com a comercialização de vinhos a granel e vinhos em barril.

Entretanto na década de 90 entrou para o capital da sociedade uma das famílias com maiores tradições na produção de vinhos da região de Palmela, a família Cardoso, que através dos seus 400 ha de vinhas e com produções na ordem de 2 milhões de litros anuais assegurava uma maior homogeneidade na qualidade dos vinhos. Nesta altura começou-se a apostar nos vinhos certificados e de maior qualidade.

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Hoje em dia a Sivipa é uma sociedade com grande reputação na produção de vinhos e moscatéis.

Somente três dados importantes a considerar e a reter:

Volume de vendas no primeiro ano – 1 012 000 litros.

Inicio da produção de Moscatel de Setúbal – ano de 1979.

Construção da actual linha de engarrafamento – ano de 1999.

Alexandre Santucci disse que “Abrir um bom syrah e saborear a vida é tão bom quanto sempre encontrar um motivo para sorrir, e isso é tão parecido com o amor! “

Ora aí está! O Ameias syrah pode ser o primeiro passo para isso mesmo!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 6,50€

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SYRAH, Casa Santos Lima, 100% Syrah, Lisboa, 2011

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A Casa Santos Lima é o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, e um dos produtores portugueses mais premiados em concursos internacionais.

As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.

Como tal a Casa Santos Lima teria que ter o seu syrah, para nosso regozijo.

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A Casa Santos Lima é uma empresa familiar, fundada por Joaquim Santos Lima, que, no final do século XIX, era já um grande produtor e exportador de vinhos. Maria João Santos Lima e José Luís Santos Lima Oliveira da Silva, neta e bisneto do fundador, gerem a empresa desde 1990, tendo procedido à replantação de grande parte das vinhas e modernizado toda a infra-estrutura produtiva.

As vinhas  distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 290 hectares.

O syrah da Casa Santos Lima teve as seguintes safras: a primeira em 2001, a segunda em 2003 e depois todos os anos até 2009. A actual  é de 2011.

As notas de prova dizem-nos que em termos de cor temos um rubi definido. Este é “um vinho seco e delicado com aromas agradáveis de frutos vermelhos. No palato é fresco e frutado, novamente com notas de frutos vermelhos, framboesas, cerejas e ervas. Bom corpo e estrutura, com uma longa persistência a fruta no final de boca.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

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O tipo de solo predominante é o argilo-calcário, do período do Jurássico Superior, tendo sido encontrados numerosos exemplos de fósseis de vida marinha, e inclusivamente vestígios dedinossáuros (Apatosaurus alenquerensis). A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único e também, em menor escala, com as melhores castas internacionais. É possível encontrar na Casa Santos Lima cerca de 50 variedades de castas diferentes (algumas com carácter experimental). Brancas: Arinto, Fernão Pires, Moscatel, Rabo-de-Ovelha, Seara Nova e Vital, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Tintas: Alfrocheiro, Camarate, Castelão, Preto Martinho, Sousão, Tinta Barroca, Tinta Miúda, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante-Bouschet, Cabernet Sauvignon, Caladoc, Merlot, Pinot Noir e a nossa Syrah, obviamente.

Podemos pois aqui encontrar uma enorme diversidade de castas, como ficou mencionado. Visando a prevenção da erosão dos solos, a redução natural da produção média e a antecipação das maturações (factores importantes na produção de uvas de qualidade), adoptou-se uma política de enrelvamento natural, que consiste em manter o solo revestido com vegetação espontânea (flora natural ou residente) e/ou semeada.

A precipitação anual média é de cerca de 700mm e ocorre na sua maioria entre os meses de Outubro e Abril, fornecendo ao solo, que tem grande capacidade de retenção, a água necessária para um óptimo desenvolvimento vegetativo das plantas. A secura dos meses de Verão (Junho, Julho, Agosto e Setembro) e temperaturas médias de cerca de 21/22 ºC, que resultam da alternância de temperaturas máximas diurnas de 27/28ºC com temperaturas mínimas nocturnas de 15/16ºC, proporcionam uma amplitude térmica adequada para a obtenção de maturações equilibradas e a produção de uvas de grande qualidade.

A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990 e mais de 120 ha foram já plantados desde então, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único, e também, em menor escala com as melhores castas internacionais.

O sistema de Protecção Integrada é aplicado nas vinhas e pomares. O enrelvamento, já referido, é também uma prática adoptada por esta empresa, e tem contribuído para a prevenção da erosão dos solos, redução natural da produção por hectare e antecipação das maturações, factores importantes na produção de uvas de qualidade.

Em 1996 iniciou-se a comercialização dos primeiros vinhos engarrafados – Quinta da Espiga, Quinta das Setencostas, Palha-Canas e alguns varietais, que imediatamente tiveram grande sucesso nos mercados nacional e internacional. Actualmente, cerca de 90% da produção total é exportada para 40 países nos cinco continentes.

A Adega foi construída no final da década de 30 do século XX  tendo beneficiado, ao longo dos últimos anos, de inúmeros melhoramentos e introdução das mais avançadas tecnologias.

Durante o processo produtivo, conjugam-se práticas tradicionais com a mais moderna tecnologia. A vindima é feita por via manual e mecânica, tendo início na segunda quinzena de Agosto e prolongando-se até inicio de Outubro.

A política de plantar castas inovadoras na região e de manter algumas tradicionais que se encontravam em vias de extinção, teve como efeito a produção de uma das mais vastas colecções de vinhos mono – varietais em Portugal, alguns deles únicos, como o caso das castas Camarate e Preto Martinho. Mais recentemente, esta colecção tem sido complementada por vinhos bi-varietais, resultando em combinações bem sucedidas entre castas nacionais e internacionais.

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Produzidos a partir de uvas seleccionadas e de excelente qualidade os vinhos são frutados, com um bom equilíbrio, concentração e acidez. Fica o nosso convite para experimentarem o syrah de que aqui vos falamos.

Termina-se, citando o grande romancista francês Victor Hugo que afirmou com toda a propriedade: “Deus apenas criou a água, mas foi o homem que fez o syrah”.

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 4,99€

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Senses Syrah, Adega Cooperativa de Borba, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Continuamos no Alentejo e continuamos bem, porque hoje vamos falar do syrah feito pela Adega Cooperativa de Borba: Senses Syrah de seu nome, do ano de 2011, em nossa opinião superior à safra anterior de 2010.

Este syrah é apresentado da seguinte maneira: “Aspecto límpido, cor granada com profundidade. Boa intensidade aromática, evidenciando frutos pretos, bolo inglês e chocolate. Sabor macio, com acídulo a bombom de ginja, taninos encorpados com ligeira tosta e grande untuosidade no longo final de boca. “ A graduação alcoólica é de 14%.

Depois de lermos isto e de termos degustado o syrah em causa -que é sempre o mais importante – como é possível não concordarmos com aquele que é justamente considerado o pai da moderna medicina, Pasteur, quando diz que “O syrah (dizemos nós) é a mais sã e higiénica das bebidas”?

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Não é a primeira vez que apresentamos syrah feitos por adegas cooperativas. Já aqui apresentámos o syrah da Adega de Pegões, os dois syrah da Adega de Reguengos de Monsaraz aqui, e agora este Senses Syrah, que não fica atrás dos anteriores em qualidade. A adaptação e a reconversão privilegiando mais a qualidade do que a quantidade que algumas das mais importantes adegas cooperativas fizeram nestas duas últimas décadas marcam indelevelmente uma parte importante da revolução vitivinícola de que somos testemunhas.

A área vitícola da Adega de Borba são 2.200 ha, dos quais, 70% são castas tintas e 30% castas brancas, com um aumento nos últimos anos da introdução de novas castas de qualidade: Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Tinta Caiada / Arinto,  Antão Vaz, Roupeiro e a nossa Syrah.

O Alentejo é uma extensa área, essencialmente rural, e com uma baixa densidade demográfica, oferecendo uma qualidade ambiental excepcional e uma paisagem preservada: imensas planícies ondulantes povoadas de vastos olivais e vinhedos, extensos montados de sobro e azinho, parques naturais, zonas de caça e albufeiras.

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O Alentejo é a principal região agrícola de Portugal, representando quase metade da superfície agrícola utilizada do continente, tendo como grande aptidão vinhos de qualidade e tipicidade. Em termos de mercado nacional de vinho de qualidade engarrafado, com Denominação de Origem Controlada ou Vinho Regional, o Alentejo representa uma cota de 42%.

Fundada em 1955, a Adega de Borba foi a primeira de uma série de Adegas constituídas no Alentejo, com o incentivo da então Junta Nacional do Vinho, numa altura em que o sector não tinha o protagonismo que hoje tem na economia regional. De facto, não fosse esse empurrão decisivo dado pelo referido organismo estatal, que assim permitiu uma organização comercial e de transformação para os vinhos do Alentejo, a cultura da vinha teria desaparecido completamente da região, pois todos os incentivos da época estavam virados para a cultura dos cereais, e fazer do Alentejo o celeiro do País era uma política mais que consolidada para a época.

Após 3 décadas de resistência, em que só o grande valor das castas regionais e a excelência das condições naturais permitiram que a produção de vinho no Alentejo se mantivesse, chegou-se finalmente aos anos oitenta, em que todo o potencial da região para a produção de vinho pode ser avaliado e confirmado pelo Consumidor. Beneficiou a região do facto da produção estar associada a Adegas de grande dimensão, e desta forma mais rapidamente se apetrechou em termos tecnológicos que outras regiões do País, dando o salto para os vinhos engarrafados de qualidade, numa altura em que o consumidor passou a ser mais exigente e a privilegiar mais a qualidade que a quantidade. É verdade que a constituição da região demarcada do Alentejo e a criação de estruturas técnicas associativas que rapidamente divulgaram novas tecnologias junto do viticultor foram essenciais em todo o processo.

A euforia que os vinhos do Alentejo têm vivido nestes últimos anos, resulta, pois, de um longo trabalho quer na vinha, com a selecção das melhores castas e dos melhores solos para a sua produção, quer na Adega com o aperfeiçoamento de técnicas e apetrechamento de equipamentos, muitas vezes sem grande visibilidade, numa época em que o pulsar da região se fazia mais noutras direcções que não a produção de vinho.

Hoje a Adega de Borba reúne 300 viticultores associados que cultivam cerca de 2.000 hectares de vinha, distribuindo por 70% castas tintas e 30% de castas brancas.

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E tem vindo a crescer e a modernizar-se constantemente ao longo de mais de 5 décadas, ocupando 2 áreas distintas, a original de 12.000 m2 e a mais recente com 140.000 m2 onde está localizada a nova Adega.

Em 2011 foi feito um investimento de 12 milhões de Euros na construção de um novo centro de vinificação para vinhos tintos e armazenagem de granel, e armazenagem e expedição de produto acabado, depois de em 2004 já se ter investido num processo de modernização que ascendeu a 8 milhões de Euros.

A capacidade de vinificação ascende assim a 1.200 Toneladas/ dia de uva, com uma capacidade total de fermentação de 6.000 Toneladas. Em termos de armazenagem de vinhos a granel, a capacidade da Adega de Borba é neste momento de 350.000 hl. Com o novo armazém de produto acabado e expedição a capacidade de armazenagem ascende a 7.000 paletes.

O centro de vinificação possui tecnologia de ponta tanto na área de software de gestão como nos equipamentos. Dispõe de cubas com diferentes tecnologias de fermentação: verticais com e sem pisa mecânica, horizontais rotativas, lagares, etc. Possui igualmente um espaço especial para estágio de vinhos de qualidade em barricas e em garrafas, um local privilegiado com escavação em rocha de mármore tão tradicional da região de Borba. O repouso e descanso reforçam o afinamento dos futuros vinhos Premium com designativo de qualidade Reserva e Garrafeira, tais como os vinhos engarrafados nas marcas Adega de Borba, Montes Claros, Adega de Borba Reserva “Rótulo de Cortiça” e Senses, antes de serem colocados no mercado.

A Adega de Borba possui 3 linhas de engarrafamento, instaladas em ambiente de sala limpa com controlo ambiental, completamente automatizadas e com capacidades e características muito amplas que permitem dar resposta às solicitações dos diferentes mercados em termos de qualidade e diversidade de produtos.

As matérias-primas mais sensíveis, como as rolhas e rótulos são armazenados num espaço com humidade controlada. Quanto aos produtos acabados, são armazenados por secção em função do tipo de vinho e do seu destino.

Partimos deixando o convite à descoberta de mais este superlativo syrah, assim como da sua região de origem, sempre um deleite!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,00€

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Carmim Syrah e Monsaraz Syrah, CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Estamos no Alentejo profundo, não para falar de um syrah, mas de dois. E não fazemos a coisa por menos! Estando nós no Alentejo obviamente que os syrah que vos vamos apresentar não são de fraca qualidade, na realidade nenhum é, muito pelo contrário!

São os dois da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, uma terra genial que nos deu, nestas duas décadas de syrah em Portugal, vários syrah verdadeiramente exuberantes. São os dois do mesmo ano mas são diferentes. Apesar da qualidade do Monsaraz syrah, a nossa preferência foi para o Carmim syrah apesar deste até ser mais barato (boa notícia para o consumidor!)

As notas de prova do Monsaraz Syrah dizem-nos que se “apresenta-se com uma cor rubi, com aromas de fruta preta madura e algumas notas de baunilha, coco e chocolate, em boca é amplo, fresco com taninos firmes e um final de prova prolongado.”  Tem 14% de graduação alcoólica.

As notas de prova do Carmim Syrah dizem-nos que “se apresenta de cor rubi carregado, aroma de frutos vermelhos, com notas de especiarias e café. Na boca é encorpado, macio, equilibrado com um final de prova prolongado.” Tem 14,5% de graduação alcoólica.

A CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz – foi criada em 1971 por um grupo de 60 viticultores. Trinta e sete anos depois, a qualidade dos vinhos CARMIM impõe-se aos apreciadores.

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A CARMIM possui actualmente cerca de mil associados e produz 24 referências de vinhos dos brancos aos tintos, dos jovens aos reservas, passando pelos licorosos, rosé ou espumantes. A CARMIM também produz aguardente e azeites de reconhecida qualidade.

Os vinhos da CARMIM já foram distinguidos com mais de duzentos e cinquenta prémios em vários concursos nacionais e internacionais. Recentemente o Espumante Monsaraz, uma das novidades mais recentes da empresa, foi galardoado com o Prémio Nacional Embalagem Alimentar e Bebidas 2007, atribuído pela Alimentaria Lisboa 2007 pela sua incorporação de linguagem Braille no rótulo.

A qualidade da matéria-prima, oriunda de uma região de denominação de origem, é uma das mais-valias desta Cooperativa; a par do capital humano e de um complexo agro-industrial de 80.000m2 dotado da mais alta tecnologia. Existe uma capacidade de recepção de um milhão e duzentos mil quilos de uva por dia, engarrafamento de quinze mil garrafas por hora e armazenamento até trinta e dois milhões de litros, o que transforma a CARMIM na maior adega do Alentejo e numa das maiores do País!

As fortíssimas taxas de investimento verificadas nos últimos anos traduzem o grande esforço de investimento efectuado na CARMIM, nomeadamente em termos de modernização tecnológica da adega, mostrando claramente que esta tem sido uma prioridade estratégica nas políticas seguidas pelas últimas Direcções. Com um dos mais modernos parques agro-industriais do país, localizado no coração de uma importante sub-região vitivinícola do Alentejo, esta empresa representa não só uma contribuição efectiva para o Produto Interno Bruto do País, através de uma elevada taxa de Valor Acrescentado Bruto, como também um dos principais motores de desenvolvimento sócio-económico da região, potenciando o aproveitamento e atracção de novas possibilidades no domínio do turismo.

Por outro lado, a produção de azeite, o enoturismo e a internacionalização dos seus vinhos são áreas prioritárias e nas quais a empresa tem investido e vai continuar a investir.

A CARMIM detém 7 marcas, todas elas já bem conhecidas do grande público, de onde se destacam Terras D’El Rei, Reguengos DOC e Monsaraz DOC.

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O vinho Monsaraz tinto passou, aliás, a estar incluído na oferta a bordo dos aviões da TAP e nos lounges e salas VIP dos aeroportos nacionais. Fruto de uma parceria entre a companhia aérea nacional e a Cooperativa, a marca Monsaraz tinto está presente em todos os percursos TAP, na sua classe turística. Em terra ou no ar, o vinho Monsaraz é mais um cartão de visita da transportadora aérea nacional, levando os sabores e aromas do Alentejo aos milhares de passageiros da TAP.

CARMIM é a principal empresa do concelho de Reguengos de Monsaraz e um dos principais motores de desenvolvimento económico-social da região, assegurando o bem estar e a qualidade de vida dos associados e respectivas famílias.

O sucesso da CARMIM é, acima de tudo, o sucesso dos seus associados e é desta relação que resulta a forte dimensão social que a empresa representa para a região. Com o advento de Alqueva, o concelho de Reguengos de Monsaraz tem sido alvo de uma reestruturação profunda a nível de infra-estruturas turísticas, com o aparecimento de empresas de agro-turismo e operadores turísticos.

A área geográfica da sub-região vitivinícola de Reguengos abrange todas as freguesias do município de Reguengos de Monsaraz, que são, Reguengos, Corval, Monsaraz, Campo e Campinho e ainda parte das freguesias de Montoito e S. Vicente do Pigeiro de municípios limítrofes. A topografia de uma maneira geral é de encosta ligeira e planície e a exposição dominante das vinhas é sul.

Quanto às castas tintas a Carmim produz a Trincadeira e a Aragonez;  A Castelão, a Moreto, a Alicante Bouschet, a Carignan, a Syrah naturalmente, a Tinta Caiada, a Cabernet Sauvignon, a Alfrocheiro e a Touriga Nacional.

Nas castas brancas a Síria, a Rabo de Ovelha, a Diagalves, a Manteúdo, a Perrum, a Antão Vaz, a Arinto, o Alvarinho, o Gouveio e a Fernão Pires.

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Dos cerca de 3.600 ha de vinha cadastrada, mais de 85% são em cultura extreme, havendo o cuidado de distribuir as castas por talhões, o que permite a optimização das vindimas no que respeita à maturação. A área existente é constituída por 79% de castas tintas e 21% de castas brancas.

A exportação representa 7% do volume de vendas total, em quantidade e em valor, e existem acordos de parceria celebrados com 34 distribuidores internacionais, espalhados por países como Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Luxemburgo, Noruega, Polónia, República Checa, Suiça, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Canadá, E.U.A., Brasil, Venezuela, Índia, Japão, Macau, Austrália.

Já Rabelais, no século XV, escrevia que “O syrah alegra o coração do homem. Jamais homem nobre odiou o syrah”.
Estes exemplos de syrah servem este propósito com toda a nobreza… dissemos, tendo dito!

Carmim Syrah

Classificação: 16/20                            Preço: 8,99€

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Monsaraz Syrah

Classificação: 15/20                       Preço: 12,00€

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Produtores de Syrah franceses estão felizes com a safra de 2014

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Produtores do Vale do Rhône, em França, anunciaram recentemente que a safra de 2014 mostrou óptimos resultados em relação aos anos anteriores. Neste ano, a região produziu um total de 3 milhões de hectolitros de vinho (400 milhões de garrafas) sendo que no ano passado o total foi de 2.5 milhões de hectolitros (330 milhões de garrafas).

Thierry Vaute, produtor da região, declarou em entrevista: “Conseguimos a colheita que estávamos à espera. Tivemos colheitas irregulares nos últimos anos e tivemos que lidar com a escassez”. Ainda acrescentou: “Todos os meus colegas estão optimistas”. Outro produtor, Michel Chapoutier, também comentou os resultados: “A diversidade no solo e na colheita aumentou esse ano. Teremos óptimos vinhos brancos”.

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Relatórios da colheita indicam que são esperados vinhos “bem coloridos, com níveis equilibrados de acidez e açúcar, elegantes e com óptima concentração”. Cobrindo 70,014 hectares de área agricultável, o Vale do Rhône tem 5500 parcelas vinícolas que empregam cerca de 46000 funcionários. As sub-regiões de Côtes du Rhône e Côtes du Rhône Villages representam quase 65% da produção de vinho do Vale do Rhône inteiro.

O rio Ródano nasce nas regiões glaciais dos Alpes da Suíça e dirige-se para Oeste, atravessando vales e vinhedos suíços, e espraiando-se no belo lago Léman, na fronteira da Suíça com a França.

Penetrando o território francês, forma uma grande curva no sentido contrário aos ponteiros do relógio até que, passando a cidade de Lyon, dirige-se para o sul da França, desembocando cerca de duzentos quilómetros depois, no Mediterrâneo, próximo a Marselha. Nas encostas desse trecho francês do rio – as Côtes du Rhône – encontram-se os melhores vinhedos do sudeste da França e os vinhos mais afamados. Trata-se da mais antiga região vitivinícola da França. O cultivo das vinhas e a elaboração de vinhos tiveram lugar efectivo e sistemático no local, após a conquista do vale pelos romanos, um século antes da era cristã. Mas, antes disso, os gregos já haviam desenvolvido ali uma incipiente cultura enológica.

No século XIII o vinho Hermitage, do Rhône norte, tornou-se famoso nas cortes europeias. O desenvolvimento, organização e reconhecimento da vinicultura local, entretanto, datam do século XIV, quando o Papado, fugindo de Roma, se estabeleceu em Avignon, onde permaneceu por décadas, construindo palácios imponentes, igrejas e castelos. Um deles, hoje em ruínas, dá nome à aldeia medieval de Châteauneuf-du-Pape – o novo castelo do papa – sede de uma centena de tintos famosos e muito procurados.

Também no Rhône nasceu o sistema de Denominação de Origem Controlada. Foram necessários 30 anos para que os viticultores do Rhône meridional se recuperassem da praga que devastara os vinhedos por volta de 1870. Mas a recuperação foi tão veloz que a produção no início do século XX tornou-se volumosa a ponto de surgirem todo o tipo de fraudes.

A reacção deu-se com a formação de uma sociedade de vinhateiros que estabeleceu regras para o cultivo e para a vinificação no local. Somente com a obediência a tais regras seria autorizada a colocação da denominação da origem no rótulo. O movimento teve tanto sucesso que o sistema de “appelation d’origine” passou a ser utilizado em toda a França a partir de 1936. As denominações do Rhône, cerca de vinte, foram oficializadas entre 1936 e 1971.

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E em Portugal? Nas regiões dominantes do syrah como o Alentejo, o Tejo, Lisboa e Setúbal? Como foi a safra de 2014?

Pelas conversas que o Blogue do Syrah tem tido com diversos produtores destas regiões, o ano de 2014 tem possibilidades de ser um bom ano, mas provavelmente não será excepcional, embora seja ainda um pouco cedo para o afirmar.

O que o Blogue do Syrah espera e deseja é mais qualidade assim como também mais diversidade.
Apostamos nisso!