Analisar e degustar vinhos não é matéria científica!

Hoje queremos abordar uma questão importante, embora bem vistas as coisas não seja um assunto determinante.

Aquilo que fazemos aqui no Blogue do Syrah desde há vários meses, sempre com muito gosto, e assim pretendemos continuar durante muito tempo, é degustar e analisar vinhos a 100% da casta Syrah. E para o nosso assunto de hoje o facto de ser syrah não é relevante, pois vamos falar de algo subjectivo que não podemos considerar,  nem queremos, matéria de ordem científica, estando ligado ao mundo dos vinhos em geral.

Vejamos. É possível determinar se um vinho é superior tendo em conta as sua qualidade e potencialidades demonstradas a vários níveis. Mas a partir desse ponto, o que verdadeiramente impera, é o gosto pessoal daquele que degusta o vinho. Desse modo não é possível dizer que a degustação de um vinho é matéria de ordem científica.

Já nos temos cruzado com muitas pessoas altamente qualificadas que dizem convictamente que a sua casta preferida é a célebre Touriga Nacional. E quando nos dizem isso respondemos que ainda bem que há pessoas que gostam dessa casta porque senão os vinhos do Douro mais cedo ou mais tarde desapareceriam.

Na mesma linha de pensamento também é possível dizer que o vinho mais caro não quer dizer que seja obrigatoriamente aquele que mais apreciamos. É possível, e um enófilo encontrará vários exemplos para dar, encontrar um vinho a um preço mais moderado e ser, para o nosso gosto pessoal, superior a um outro vinho de um preço bem mais elevado.

Mas nesta análise, também há limites. Que ninguém tenha a pretensão de apresentar um vinho corrente de supermercado que custa um euro e pouco e ter o descaramento de defender o argumento de que é de qualidade superior a um vinho de, por exemplo, oito ou dez euros. Uma certa flexibilidade é possível, mas milagres é que não. Convidamos pois os nossos leitores a verem atentamente o vídeo que a seguir apresentamos.

É precisamente do nosso tema de hoje que trata este vídeo. Como se pode ver, apresenta uma degustação muito especial, porque reúne 15 dos maiores provadores de âmbito internacional sobre uma prova às cegas sobre alguns dos melhores Bordeaux da altura, isto em 2001.

Num conjunto de 11 vinhos degustados, o mais caro, um Pétrus, que custa mais de 1500 euros, ficou em oitavo lugar, enquanto que o vinho mais barato de 14 euros ficou classificado em segundo. Em primeiro lugar ficou um vinho que em termos de preço era o terceiro mais barato, custando um pouco mais de 150 euros, enquanto que o segundo vinho mais caro de mais de 740 euros só conseguiu o quinto lugar.

Por aqui se vê bem que a relação preço qualidade não é uma relação directa e isto leva-nos naturalmente a salientar o que dissemos no princípio deste texto:
analisar e degustar vinhos não é, de modo algum, uma matéria de natureza científica!

Fica desde já a deixa para uma próxima reflexão: o que determina o preço dos vinhos, ou seja, o que leva alguém a pedir 1500 euros por uma garrafa de vinho?


 

3 thoughts on “Analisar e degustar vinhos não é matéria científica!

  1. Fantástico! Sempre fui curioso da relação qualidade/preço dos vinhos e este blog finalmente clarificou esta questão. Em relação à última questão penso que a resposta esteja algures em torno ao conceito de ‘estatuto social’ e ‘avareza’. Seguramente um Rothschild teria dificuldade em gastar somente uns centavos pelo segundo melhor vinho dos Bordeaux de 2001. Quanto a mim, penso que é uma dificuldade ridícula. Bom fim-de-semana.

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