Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda. 100% Syrah, Algarve, 2011

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É com desmedida emoção que hoje fazemos este texto.

Vamos falar de um Syrah que obteve a mais alta classificação atribuída até agora pelo Blogue do Syrah: 20 valores!

Robert Parker, o mais conhecido e, provavelmente, o mais influente crítico de vinhos, disse, não há muito tempo, numa recente entrevista à publicação “The Drinks Business“ que os críticos de vinho que não conseguem dar pontuações perfeitas (os famosos 100 pontos) para vinhos que as merecem, é  “porque se estão a esquivar dessa responsabilidade“. Mais à frente, na mesma entrevista, afirmou: “Quando, na sua análise mental, um vinho é o melhor exemplar que você já provou daquele tipo em particular, você tem a obrigação de dar-lhe uma pontuação perfeita“. E concluiu, acrescentando que aqueles que são incapazes de atribuir uma pontuação perfeita a um vinho que lhe faça jus, são “irresponsáveis“. Concordamos com Robert Parker e é por isso que damos a nota mais alta ao Syrah 2011 da Quinta do Francês! Como a nossa tabela vai de 14 a 20, damos os 20 valores a este Syrah que corresponde aos 100 pontos de Parker!

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A história deste Syrah é impressionante a todos os níveis! É isso que iremos contar a seguir. Se entretanto, pelo meio da leitura, acharem desejos de o irem logo degustando, na zona de Lisboa pode ser encontrado na loja El Corte Inglés ou no Centro Comercial Amoreiras, ou ainda e sempre na Garrafeira Estado D’Alma.

E como vai ser bem empregue o tempo que dedicarmos à reflexão sobre este néctar em particular, pois já dizia o grande Pasteur: “Existe mais filosofia numa garrafa de vinho do que em todos os livros”!

É pois um Syrah que espanta, em primeiro lugar, porque é algarvio. Os vinhos algarvios, ao contrário de outras regiões vitivinícolas, nunca tiveram grande projecção nacional ou outra. Situação esta que também está a mudar e não é só por causa deste Syrah, como é óbvio!

Seria mais fácil de entender esta nossa pontuação se este Syrah fosse alentejano ou da região do Tejo ou mesmo da região vitivinícola de Lisboa! Depois, é a primeira safra de Syrah da Quinta do Francês! Como é possível que, logo na primeira vez, se consiga um vinho com esta soberba qualidade? Seria mais fácil de compreender se estivéssemos perante um produtor com larga experiência e conseguisse à décima safra um Syrah fantástico! Não é o caso deste nosso francês, Patrick Agostini, médico especialista no activo, que não se dedica em exclusividade à vinha. Como pôde ele fazer um Syrah que nos leva aos céus? São as mãos de médico que ajudam?

Vamos então aprofundar esta história extraordinária!

A quinta é mesmo de um francês que por isso tomou o nome que está no título. Patrick Agostini é oriundo de uma família do Piemonte, na Itália, com tradições na vinha e no vinho. Médico patologista mas com formação em viticultura e enologia em Bordéus, Patrick com 33 anos  e a mulher Fátima, de origem portuguesa, decidiram abandonar a França há alguns anos e vir para Portugal. Escolheram a região de Odelouca, no Algarve, onde Patrick vislumbrou um terroir compatível com o seu sonho de “fazer um grande vinho”.

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Estamos em plena serra de Monchique e o solo de xisto, em zona colinosa, e a exposição a sul foram para este médico as características ideais. O plantio da vinha obrigou a fazer previamente uma desmatação, a drenagem dos solos mais húmidos, correcções de acidez e nutrientes, e a instalação da rega. Em 2002 foram instaladas as vides, numa área de 8,5 hectares, com as castas Aragonês, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e, claro, Syrah. A adega ficou terminada em 2008 e os enólogos Cláudia Favinha e António Maçanita começaram a dar a consultoria necessária.

Este magnífico Syrah esteve 17 meses em barricas novas de carvalho francês. Tem uma graduação alcoólica de 16%, mas, não se assustem, nem se nota!

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As notas de prova dizem-nos que se trata dum “vinho de cor rubi escura com aromas exuberantes a frutos pretos silvestres, com especiarias, pimenta, tabaco, chocolate. Na boca revela-se um vinho com enorme estrutura, taninos suaves, de uma grande elegância. Longo final na boca.” Estas palavras lembram-nos a máxima de um anónimo que dizia: “Quem não ama as mulheres, o vinho e a música permanece um tolo por toda a vida.” Só acrescentaríamos “não necessariamente por esta ordem.”

Com o seu clima excepcional, o Algarve não só atrai os turistas à procura de sol e praias de águas cálidas, mas também é um óptimo terroir para as vinhas, que crescem numa variedade de solos como argila, calcário, grés e mesmo em zonas com xisto, produzindo uvas de alta qualidade.

Durante muitos anos o comércio de vinhos no Algarve foi muito importante, mas em meados do século XX, a produção de vinho diminuiu, pois os seus benefícios não podiam competir com os lucros que o turismo trazia à região. No entanto, na década de 80, o Algarve ganhou o estatuto de região demarcada para Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira.

Nos últimos 10 anos, houve o renascer da tradição de produção de vinhos no Algarve, aparecendo novas adegas que produzem vinhos de qualidade. De uma delas já aqui falámos, pois possui igualmente um Syrah: a Adega do Cantor! Outra história memorável que nos deu muito prazer contar.

Voltando ao que hoje nos traz aqui, o terreno que o nosso produtor escolheu, no vale da ribeira de Odelouca, com encostas viradas a sul, com um solo xistoso e com as castas plantadas, Trincadeira (Tinta Amarela), Aragonês (Tinta Roriz), Cabernet Sauvignon e Syrah, fazem deste vinhedo um “terroir” ideal com condições perfeitas para produzir grandes vinhos.

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Patrick Agostini produz um vinho topo de gama “Quinta do Francês”, e o segundo vinho, “Odelouca”. Ambos foram muito bem aceites, ganhando medalhas em  famosos concursos internacionais, como Bruxelas, e atraindo críticas muito favoráveis na imprensa nacional e internacional.

A vinha encontra-se distribuída em dois tipos de solos:
– 6,5 hectares  nas encostas e terraços, com solos xistosos, onde temos as 4 variedades plantadas;
– 1,5 hectares de Cabernet Sauvignon em solo de aluvião, muito perto da ribeira de Odelouca.

O clima algarvio, quente e seco, juntamente com a frescura da brisa marítima do Atlântico, permitem controlar o processo de maturação. Por outro lado, o solo pobre xisto-argiloso que limita a ingestão de água, pode criar tensão suficiente para concentrar as uvas, produzindo assim um vinho excepcional, neste vinhedo.

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A adega, num estilo tipicamente algarvio, foi acabada de ser construída em 2008, tem 800m2 de construção moderna (conforme as últimas normas) com áreas separadas para as cubas de inox, as barricas de carvalho francês e a zona de armazenamento das garrafas prontas para serem comercializadas.

A Quinta do Francês exporta para a Bélgica, a França o Reino Unido e a Suíça e, muito em breve, vai começar a exportar para Angola e Ásia.

Patrick Agostini, com quem tivemos oportunidade de conversar, tem ideias muito claras sobre o que o motiva em termos vitivinícolas, e sabia ao que vinha quando decidiu fixar-se no Algarve. Ouçamos o que ele tem para dizer:

“Eu sabia desde logo que o Algarve não estava no “mapa” dos “grandes vinhos”, mas esse foi precisamente um dos meus grandes desafios: tornar esse posicionamento uma realidade.”

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E sobre os vinhos, Agostini diz-nos:

“Acreditamos que os vinhos devem ser de longa duração, de grande degustação e, acima de tudo, inesquecíveis. Com grandes vinhos, os nossos sentidos, principalmente o olfato e o paladar, devem ser chamados à atenção com excitação, antecipação e estimulação. Entendemos que os grandes vinhos reflectem o seu terroir, o ano da colheita e a personalidade e que a sua qualidade depende de um domínio profundo das técnicas de vinificação, conjuntamente com a qualidade das uvas.”

Os franceses que conhecem os vinhos de Patrick Agostini dizem que na Quinta do Francês  “c’est le vin portugais au charme français

Pela nossa parte só podemos entender isso como irónico e prestigiante, não para o algarvio de adopção, mas sim para os franceses e os seus vinhos.

E, citando de novo Pasteur: “O vinho pode ser de direito considerado como a mais higiénica das bebidas”. Este Syrah é higiénico, porque é perfeito!

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No Blogue do Syrah já premiámos vários vinhos com a nota de 19. Pode-se questionar: O que aconteceu para que este Syrah não tivesse também 19 e “arriscássemos” a nota 20?

A diferença, para além de tudo o que ficou dito é que, tratando-se de um vinho feito em 2011, foi para o mercado em 2013, e foi por nós degustado precisamente nessa ocasião, ou seja, para todos os efeitos tratando-se de um Syrah novo, na boca parecia ter uma década! Não nos perguntem como é que isto foi feito, mas a verdade é que foi a única vez que tal aconteceu em toda a nossa experiência vinícola! E esta foi uma das muitas sensações subjectivas que pesou na nossa apreciação, entre muitas outras objectivas, das quais a principal é o puro deleite físico sensorial que se experimenta durante todo o percurso degustativo, desde a apreciação da cor, bouquet, passando pelas diversas fragrâncias que navegam pelo palato em sublime sinfonia harmónica que se alonga e não se esquece!

Agora imaginem, por momentos, a degustação deste Syrah quando passar uma década da data em que foi feito!

Não hesitámos: 20 valores!

P.S. Já temos em nosso poder, desde Março, a nova safra de 2012. Tem, objectivamente, uma diferença visível. No contra-rótulo diz-se que tem 14,5% de graduação alcoólica em vez dos 16% da safra de 2011. Não o provámos! Ainda não tivemos coragem para isso! No fundo, temos receio de que a nova safra por muito boa que, eventualmente, possa ser, seja inferior à de 2011. Mas isso não altera nada do que foi dito anteriormente!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 25,00€

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One thought on “Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda. 100% Syrah, Algarve, 2011

  1. Descobri a Quinta do Francês por mero acaso, num passeio.
    Comprei alguns vinhos e tornei-me fã.
    Há algo único nos vinhos da Quinta do Francês… para mim é o aroma a esteva!
    Tive a oportunidade de provar o de 2012 e… é de facto espectacular!

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