Vinho – Alguns preconceitos que é preciso desmistificar!

Um dos principais mitos sobre o vinho diz que quanto mais velho melhor. Tal não é verdade, como iremos ver!

Há muitos anos um amigo nosso de longa data ofereceu-nos um vinho tinto da Adega Cooperativa de Valpaços, do ano de 1962. Ficámos sensibilizados, porque o ano em causa é o ano de nascimentos de um dos autores do Blogue do Syrah, logo uma prenda com cariz simbólico. Ficámos muito agradados, e logo ali prometemos que quando abríssemos a garrafa, esse nosso amigo estaria também presente para todos degustarmos da preciosidade em causa. Alguns meses após essa intenção, surgiu a possibilidade de um jantar em que esse nosso amigo estaria presente. As promessas são para se cumprir e no dia em causa lá se abriu o célebre vinho tinto da Adega Cooperativa de Valpaços de 1962. Só que… pois… logo pelo cheiro se percebeu que o vinho estava obviamente estragado. Um pivete a vinagre. Na qualidade de vinagre estava bom, mas como vinho de mesa estava uma autêntica desgraça.

O vinho, exceptuando a água e a cerveja, deverá ser a bebida alcoólica mais antiga que existe, talvez desde a Idade do Bronze. Além de ser uma bebida hedónica, ligada ao culto de Baco, foi igualmente muito utilizada para muitos cuidados de saúde, numa era sem analgésicos ou anticépticos, e está presente no dia a dia da civilização ocidental há milénios. É claro que tamanha tradição e utilidade geram muitos mitos e lendas.

Vamos passar a limpo alguns dos mais famosos preconceitos que envolvem uma das maiores dádivas do mundo ocidental. Então vamos às primeiras dúvidas que envolvem o vinho, as suas verdades e mitos, começando pela história com a qual começámos este texto:

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1º preconceito: Vinho quanto mais velho, melhor?

O vinho é a bebida fermentada com maior capacidade de envelhecimento, e alguns vinhos chegam a durar décadas antes de estragar. Mas a maioria, os chamados “vinhos comerciais”, possuem uma durabilidade média de seis anos. Os vinhos que duram muitos anos são aqueles que possuem alto grau de acidez, taninos e álcool, e que, quando jovens, são muito adestringentes, sendo necessário que evoluam lentamente na garrafa até atingir seu ponto ideal.

Os vinhos que possuem capacidade de envelhecimento superior a dez anos são os Bordeaux Cru Classé, o Porto Vintage, o Riesling Grand Crus alemão, o Sauterne Cru Classe, o Borgonha Grand Cru, e mais uns poucos. Entre nós, famoso, temos  por exemplo o Colares Chita, que só se pode beber a partir dos 15 anos de garrafa.

 

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2º preconceito: Garrafas de base profunda são garantia de vinhos melhores?

Mais um grande equívoco. Na verdade, o fundo serve de encaixe entre as garrafas que ficam no depósito da adega, antes de serem rotuladas. Deitadas, as garrafas ocupam pouco espaço, mas precisam estar bem encaixadas para que a pilha não desabe. Portanto uma garrafa de fundo profundo pode conter um excelente vinho ou uma bebida ordinária, bem embalada, para fisgar bebedores incautos. A prova do vinho deve ser feita no copo, nunca pela embalagem ou rótulo.

 

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3º preconceito: O vinho precisa ser guardado em ambiente escuro e com temperatura controlada?

O vinho é uma bebida que não resiste muito ao calor e à luminosidade. Por isso, deve ser mantido em temperatura constante entre 14ºC e 18ºC e sem luz direta sobre a garrafa. Pode até ser armazenado na casa dos 20ºC, e com alguma luz, mas isso pode acarretar um envelhecimento precoce na bebida.

 

4º preconceito: O fundo da garrafa serve para se apoiar o dedo.

A pessoa que vai servir o vinho deve achar um modo confortável e seguro de manejar a garrafa, mas o formato côncavo do fundo não foi desenvolvido para este propósito. Uma das utilidades é para dar apoio às garrafas na adega, como já dissemos.

Outro motivo para a utilização deste formato é mais comum na produção de vinho espumante, para a distribuição da pressão na hora de colocar a rolha no gargalo, a fim de que a garrafa não rebente.

 

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5º preconceitoVinho rosé é resultado da mistura de vinho tinto e de vinho branco.

O vinho rosé é resultado da fermentação de uvas tintas, mas com pouco contacto com a casca – que dá a cor ao vinho – e não da mistura entre vinhos feitos. A afirmação acima serve apenas para denegrir a imagem de um vinho muito sutil e bom companheiro para aves, carnes brancas, saladas e legumes grelhados.

Durante as primeiras horas de fermentação, as cascas passaram um tom cereja para o mosto. Neste momento, o enólogo retira as cascas e a fermentação segue, mas sem mudança da cor. O vinho rosado é elaborado com uvas para vinhos tintos: Malbec, Cabernet, Sangiovese, Grenache, Pinot Noir e também o nosso Syrah. Já agora por curiosidade há um Syrah Rosé, só um, da Quinta do Monte d´Oiro de Alenquer (falaremos dele em breve). As exceções são os espumantes: neste caso, é permitida a mistura entre vinhos.

 

6º preconceito:   Vinho feito de várias castas não é bom. Os melhores são os de uma única casta.

Os vinhos do Novo Mundo, em sua maioria, são feitos de uma única casta, cujo nome vem estampado no rótulo. Entretanto, isso não significa que os vinhos de uma única casta são os melhores. Na Europa, a maioria dos vinhos vêm de corte entre duas ou mais castas.

O que torna um vinho bom não é só a casta da qual foi feito, mas a qualidade da videira, a quantidade praticada na colheita, a técnica de vinificação, a higiene na elaboração e a qualidade da safra, e tanto faz se vem de uma ou de mais uvas.

 

7º preconceitoVinho feito de uma só casta não é bom. Os melhores são os de várias castas.

Este preconceito pode ser rebatido da mesma maneira que o preconceito anterior. Um vinho de só casta pode ser muito bom ou não, o mesmo acontecendo com vinhos feitos com duas, três, quatro ou cinco castas. Mais uma vez o que torna um vinho bom não é só a casta da qual foi feito, mas como foi dito anteriormente, a qualidade da videira, a quantidade praticada na colheita, a técnica de vinificação, a higiene na elaboração e a qualidade da safra, e tanto faz se vem de uma ou de mais uvas.

 

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Ponto único:

É claro que para nós Blogue do Syrah o melhor vinho terá que ser feito sempre com a casta que nos enche o palato e todos os sentidos com profunda paixão, a Syrah, mas isso é uma questão de opção cujas motivações tentamos apresentar continuamente e explicar a cada texto aqui apresentado!


 

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