Monthly Archives: June 2015

Quinta dos Penegrais, Reserva, 100% Syrah, Tejo, 2011

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No Tejo, Quinta dos Penegrais, para apresentar mais um Syrah! Este difícil de encontrar em Lisboa mas não impossível! O respectivo site é muito básico, com muito pouca informação, infelizmente. Esta Quinta enquadra-se na região dos Vinhos do Tejo e na sub-região de Santarém.

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A safra provada é a de 2011, e possui uma graduação alcoólica de 14%, sendo produzido a partir de uvas cuidadosamente selecionadas, vindimadas manualmente durante a primeira semana de Setembro. Fermentação e curtimenta clássicos à temperatura de 26ºC em pequenas cubas de inox, com maceração prolongada. Segui-se um ligeiro estágio em madeira de carvalho francês durante quatro meses, resultando assim este Syrah, que segundo as notas de prova se apresenta “de cor rubi escuro com tons violáceos, aroma com frutos negros nomeadamente amoras e toque fresco de eucalipto e menta, complexadas com notas de frutos secos e especiarias oriunda do estágio de madeira. Boca volumosa e cheia, redonda, com taninos de qualidade e final longo.”

Há mais de 50 anos que a família Machado, proprietária desta quinta, se dedica à actividade vinícola. A Quinta dos Penegrais e os seus vinhos são fruto do empenho das várias gerações desta família que se dedicam com paixão ao seu trabalho para partilhar consigo os prazeres que um bom vinho pode oferecer.

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Em 1998 decide-se pela conversão de uma extensa área de pomares em vinha, marcando-se assim o início de uma nova fase desta quinta do sector dos vinhos.

Em 2004 entra no mercado o primeiro vinho regional produzido por António Carvalho Machado com a marca Quinta dos Penegrais.

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Actualmente, contam com cerca de 38 hectares de vinha distribuída por 2 propriedades, uma em Arruda dos Pisões – Rio Maior e outra em Manique do Intendente – Azambuja. Nestas vinhas cultivam-se as castas tintas Alicant Bouschet, Castelão, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Caladoc, e a nossa Syrah, naturalmente, mas também as castas brancas Moscatel, Arinto e Fernão Pires.

Há uma frase que os enófilos costumam referir e que é a seguinte: “Colecciono vinhos ruins…porque os bons bebo todos!…”

Este Syrah da Quinta dos Penegrais, com uma garrafa de desenho muito bem conseguido e sedutor, é daqueles que não ficará na garrafeira para além do tempo devido. Vamos pois em sua demanda!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50€

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Monte Alegre, Quinta do Monte Alegre, 100% Syrah, Setúbal, 2012

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De volta à península de Setúbal, mais precisamente em Fernando Pó, terra visitámos não faz muito, onde está localizada a Quinta do Monte Alegre, para darmos a conhecer um Syrah da adega Xavier Santana, detentora da Quinta do Monte Alegre. Syrah este cujas notas de prova nos dizem possuir “fruta preta densa, notas químicas de alcatrão, cacau tostado, num todo intenso e imponente. Encorpado e texturado, com acidez alta bem integrada, taninos finos bem envolvidos, tudo franco, bem feito, directo.” Syrah do ano de 2012, tem uma graduação alcoólica de 14%.

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A Adega Xavier Santana foi fundada em 1926 por Xavier Santana precisamente, empresa que permaneceu em seu nome próprio até à década de 70, quando foi constituída em Sociedade Familiar com a designação actual de XAVIER SANTANA SUCESSORES, LDA. A actividade comercial da empresa centrou-se inicialmente na produção e comercialização de vinhos em barril e na preparação de azeitonas de mesa, na sua adega localizada na vila de Palmela, até aos dias de hoje. Em 1990, a conjuntura de mercado proporcionou o investimento da empresa no engarrafamento dos vinhos como aposta na sua expansão a vários níveis, sustentada pela relação superior de qualidade/preço dos seus produtos. Com o engarrafamento dos seus vinhos, a Xavier Santana apresentou-se ao consumidor com a marca de vinho de mesa Casta Rica, à qual se seguiu a marca Xavier Santana para vinho generoso, e mais recentemente, as marcas Terras da Vinha e Quinta do Monte Alegre, vinhos de Indicação Geográfica ‘Península de Setúbal’ e ‘Palmela D.O.’ respectivamente – os quais vieram a assinalar um novo patamar evolutivo na história da empresa.

Infelizmente por aqui nos ficamos de informação disponível sobre este produtor. Resta o principal, que se as Escrituras já diziam “O bom vinho alegra o coração dos homens”, não nos podemos esquecer que Petrónio, escritor da antiga Roma, mestre na prosa da literatura latina, satirista notável e autor de Satíricon, dizia igualmente, e com toda a sabedoria, que “O bom vinho deve ser apreciado aos goles”, e isso basta!

Então olhem, mais um gole de Syrah da Quinta do Monte Alegre, para ser apreciado e alegrar o coração de quem lê e de quem não lê as Escrituras, mas sabe o que bebe!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 4,40€

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Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. E que bem que se anda por aqui.

Trata-se de uma zona privilegiada não só pela riqueza do seu vasto património natural, paisagístico, arquitectónico, cultural, com também religioso e gastronómico, o que a torna numa região de grande apetência turística.

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O Monte do João Martins, inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, como se referiu, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias.

Temos a Silvicultura: depois do grande incêndio de 2003 na Serra de S. Mamede, que devastou toda a herdade foram plantados 80.000 sobreiros em sistema intensivo, o que em termos ecológicos e do meio ambiente é um investimento fundamental para a região.

Temos a Agro-Pecuária: com um efectivo de 600 ovelhas merinas do Norte Alentejano que pastoreiam em prados permanentes que cobrem toda a herdade, contribuindo uma vez mais para a melhoria do meio ambiente, e para a produção de carne de borrego.

E temos naturalmente a Vitivinicultura: com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?

João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV.

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E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada a 1200 garrafas, cabendo ao Blogue do Syrah a garrafa número 989. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.”  Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2011 é justamente a nossa casta Syrah!

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A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas  de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

A especificidade do clima, os solos graníticos, definidores de um distinto terroir, e a altitude, propiciam uma maturação das uvas equilibrada, originando vinhos frescos, aromáticos e com taninos longos. Tendo em vista assegurar a homogeneidade e a elevada qualidade de todas as uvas destinadas à produção do vinho, a vinha é monitorizada e gerida com extremo cuidado.

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A Região vitivinícola da “Rota de S. Mamede” coincide em parte com a área abrangida pelo Parque Natural da Serra de S. Mamede. É uma região de alguma altitude, sendo que possui um microclima específico. O coberto vegetal é factor de diferenciação para com as outras zonas do Alentejo. A vinha em solos na sua maioria de origem granítica, proporcionam vinhos com características bem definidas, diferenciados dos provenientes das outras regiões alentejanas. Aqui, predominam os vinhos tintos, carregados de cor, com intensidade aromática, na boca frescos com taninos longos do qual este Syrah é modelo!

“Um bom vinho é poesia engarrafada” dizia o escritor escocês Robert Louis Stevenson, e o presente Syrah é um bom exemplo disso mesmo, que se prova e degusta como se de um poema se tratasse, métrica e rimas perfeitamente conjugadas!

Classificação: 18/20                                                     Preço: 17,00€

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Cepa Pura, Quinta do Montalto, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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Na região vinícola de Lisboa, em atitude ecológica, estamos hoje aqui para apresentar um Syrah biológico, na sua primeira safra, de 2013. Cepa Pura! – o nome é atraente- um Syrah de 14,5% de graduação alcoólica, elaborado pela Quinta do Montalto. Obtido a partir de uvas seleccionadas, teve um estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. É um Syrah fresco, de bom aroma, com fruta madura e um perfil arredondado. Apreciámos o bom equilíbrio de boca, com taninos suaves e uma boa vocação gastronómica, certamente adequada em elevado grau para acompanhar um bom repasto de ingredientes igualmente biológicos.

Ressalva tem de ser feita desde já, pois apesar de existir um site bem documentado em termos da história da quinta e alguns dos vinhos produzidos, sobre o nosso Syrah não tem absolutamente o que seja que nos oriente no nosso trabalho de divulgação sobre o mesmo! Trata-se de um autêntico incógnito, no sentido literal da palavra. Não há foto, não há ficha técnica, notas de prova, nada! Incompreensível! Como dar a conhecer então este Syrah? Felizmente existe o Blogue do Syrah para tirar o Cepa Pura da clandestinidade!
Adiante.

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A Quinta do Montalto, pertencente à mesma família há 5 gerações, possui na sua totalidade cerca de 50ha, entre vinhas, olivais, pomares e florestas, formando um magnífico mosaico na paisagem.

Inserida na grande região vitivinícola de Lisboa, os cerca de 15,5 ha de vinhas implantadas em encostas de solos argilo-calcários com excelente exposição solar, produzem vinhos com direito à Denominação de Origem Encostas D’Aire.

Localizada no centro do país na região de Ourém, perto de Fátima, e com uma longa tradição vitivinícola, a Quinta do Montalto possui uma grande variedade de castas, sendo a Aragonez e a Fernão Pires as mais representativas das uvas tintas e brancas, respectivamente. Existem também encepamentos de Touriga Nacional, Trincadeira, Baga, Alicante Bouchet, Castelão, Moreto, Cabernet Souvignon, Arinto, Rabo de Ovelha e Olho de Lebre.

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Não descurando as preocupações ambientais, todas as culturas na Quinta do Montalto são, desde 1997, conduzidas e tratadas obedecendo às normas de Agricultura Biológica com o controlo da ECOCERT-PORTUGAL, ou seja, não são utilizados adubos químicos, herbicidas, insecticidas, fungicidas e outros produtos químicos de síntese.

A Quinta do Montalto já ultrapassou em décadas a idade centenária. Mantendo-se ao longo dos tempos sempre ligada à família Gomes Pereira, as diferentes gerações que a cuidaram souberam, como veremos adiante, marcá-la ao longo do tempo com um cunho próprio, cada uma delas por si só introduzindo benefícios em toda a propriedade que muito contribuíram para a valorizar.

Na evolução das três últimas décadas, face a implicações de políticas agrícolas bem como às progressivas carestia e carência do pessoal rural, surgem várias tentativas de rendibilizar estes 50 ha. Se a opção lógica apontava a pecuária, foi esse o sentido enveredado na busca de algum provento.

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É precisamente na alvorada do milénio que surge a quarta geração constituída segundo o nome “Herdeiros de Filipe Gomes Pereira”. Englobada também nessa designação desponta já uma quinta linhagem, plenamente vocacionada para novos desafios.

Convertidos à Agricultura Biológica, com investimento em novas castas, apostou-se na quantidade e qualidade do plantio e replantio da vinha. A horticultura dá os primeiros passos na busca da excelência dos produtos. Apesar dos vinhos, já devidamente premiados, serem ao momento uma realidade adquirida, ainda é cedo para futurologias. No entanto a Quinta do Montalto em termos de vinhos está bem encaminhada não podendo continuar a descurar aspectos que parecem ser de somenos importância mas que no conjunto ajudam a fazer a diferença.

Daí também a citação que hoje apresentamos do historiador Arnold Toynbee:
“Qualquer um que conheça a sua própria história certamente conhece os seus vinhos.”
Daí a necessidade de os divulgar!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50€


 

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo, 2012

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No Tejo, desta vez, para tomarmos conhecimento do projecto pessoal de um enólogo bem conhecido do mundo vitivinícola português, Rui Reguinga, que a partir de 2004 decidiu arriscar criando o seu projecto pessoal.

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Este vinho regional do Tejo, produzido a partir das castas Syrah (85%), Grenache (10%) e Viognier (5%), é feito bem à maneira dos franceses do Vale do Rhône, assumidamente. As notas de prova apresentam este Syrah da seguinte maneira: “De cor rubi, apresenta um aroma de grande intensidade, complexo, com notas de fruto vermelho maduro e amoras e um toque balsâmico da barrica. Paladar equilibrado, muito elegante, com uma boa acidez. Final longo, com uma agradável persistência. As características que melhor defendem este néctar são a elegância, equilíbrio e complexidade, apresentando-se com grande potencial de envelhecimento.” Tem graduação de 14,5%.

Não estamos em presença de um Syrah a 100%, como exigimos e apreciamos, mas reconhecemos e aceitamos a herança cultural importada da nobre região onde foi beber a sua génese. Nas palavras do enólogo:  “Um projecto sentimental, plantado em 1 hectare dado pelo meu pai, para “experimentar”. Este é um pequeno projecto pessoal, de apenas 2.000 garrafas. O vinho que idealizei fazer para mostrar um “caminho” diferente aos vinhos tintos ribatejanos: complexos, frescos, suaves e elegantes. Iniciado em 2001 com a plantação da vinha na Charneca de Almeirim, em solos muito pobres com calhau rolado. Com castas inspiradas na Cotes de Rhône: Syrah, Grenache, Mourvèdre e Viognier, pouca tecnologia e barricas “premium” de carvalho francês. Em todo o processo de selecção dos solos, preparação do terreno, plantação da vinha, o meu pai, vitivinicultor toda a sua vida, teve um papel fundamental. Infelizmente não viveria o suficiente para ver este sonho realizado. Por isso este vinho ganhou um significado diferente. E o seu nome: Tributo.”

O resultado teria que ser um Syrah “composto”, de qualidade!

Em 2006 Rui Reguinga deu à luz um outro Syrah, também do Tejo, hoje esgotado, uma edição especial, em associação com um restaurante da capital, o Gemelli, do chefe Augusto Gemelli, que era outro Syrah à moda dos franceses, Syrah e Grenache, 85% e 15% respectivamente, e como dizia o vinho “Duas castas, dois ingredientes. Um lote, uma receita.Os aromas, os sabores.”

Rui Reguinga acredita que é o terroir que está na raiz de tudo. Como ele diz: “Acredito que qualquer casta no terroir ideal pode produzir grandes vinhos…”

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Rui Reguinga foi eleito “Enólogo do Ano” pela Revista de Vinhos, conquistou vários troféus e medalhas de ouro com os seus vinhos, e tem sido membro do júri em várias edições das prestigiadas provas como o “International Wine Challenge”, “Decanter World Wine Awards” e “Concours Mondial de Bruxelles”.

Rui Reguinga nasceu em 1966, em Almeirim, no Ribatejo, numa família com raízes no mundo do vinho. Filho e neto de vitivinicultores, cresceu com o sonho de prosseguir uma carreira na área. Esta vocação ganhou forma ao licenciar-se em Engenharia Alimentar pelo Instituto Superior de Agronomia em Lisboa. Seguiu-se uma pós graduação em Marketing de Vinhos na Universidade Católica do Porto e uma especialização em “Dégustation des Vins” pela Universidade de Bordéus.

Em 1990 estagiou na região de Champagne. Pouco depois iniciava um intenso percurso como enólogo consultor ao lado de João Portugal Ramos, na Consulvinus. Aí, ao longo de uma década, destacou-se no trabalho para conceituadas marcas nas grandes regiões vitícolas portuguesas.

Em 2000 fundou a Rui Reguinga Enologia. Hoje é pois responsável por vários projectos e parcerias de sucesso em Portugal e no mundo. As visitas profissionais levaram-no a regiões vitivinícolas por todo o mundo na Austrália, Nova Zelândia, Califórnia, Argentina, Chile e Ásia. Mas é à produção dos seus próprios vinhos e aos terroir de origem do Velho mundo que retorna sempre, com saber acumulado e uma dedicação muito especial.

Ao escrever este texto sobre Rui Reguinga, a propósito dos dois Syrah que fez, recordamos as palavras da egrégia actriz francesa Sarah Bernhardt, quando dizia:
“Suas palavras são meu alimento, sua respiração o meu vinho.”

Eis-nos pois ante um Syrah de qualidade, muito bem feito, apesar do preço algo elevado!

Uma nota final, para indicar que a composição deste Syrah, em termos de proporção das diversas castas que o integram, e tal como dizemos no texto, foi retirada do rótulo da garrafa. Porém, como se pode ver na respectiva ficha técnica reproduzida abaixo, há uma divergência em relação à referida composição. A ser assim este Syrah não poderia ser considerado como tal, já que por lei, para ser um monocasta, a casta maioritária dever ser de pelo menos 85%. Vamos pois assumir a garrafa como referência.

Classificação: 17/20                                                     Preço: 20,00€

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Monte da Cal, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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No Alentejo estamos para mais uma vez apresentarmos um Syrah de qualidade, e que não deixa os seus pergaminhos por mãos alheias. Trata-se, como já perceberam, do Syrah de Monte da Cal. “O Monte da Cal Syrah tem aromas a frutos maduros a amora e cereja preta. Na boca tem corpo e taninos bem integrados. O final é longo.” A graduação alcoólica é de 13,5%.

Segundo o produtor “acompanha bem peixes assados no forno, carnes vermelhas grelhadas ou estufadas, caça não muito condimentada e queijos bem estruturados.”

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A Herdade de Monte da Cal, propriedade localizada no concelho de Fronteira, Norte do Alentejo, dispõe actualmente de uma área de 100 hectares de vinha, plantada com as castas tintas Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Touriga Nacional  e naturalmente Syrah e as brancas Antão Vaz, Viognier, Arinto e Chardonnay. Paralelamente, a empresa, integrada no grupo português Global Wines, compra uvas a diversos viticultores na região. A moderna adega foi inaugurada em 2008, bem como as instalações de enoturismo, um elemento fundamental para reforçar a visibilidade dos vinhos. O projecto visa produzir quantidades importantes de vinhos de qualidade, com preços competitivos, para além de alguns topo de gama, direccionados a nichos de mercado.

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Falando um pouco mais da história desta herdade, em 2003 a Dão Sul avançou com a produção de vinho na Herdade Monte da Cal, em S. Saturnino, concelho de Fronteira. Mas a aposta da Herdade Monte da Cal na região não passa apenas pela produção de vinhos. Em 2007, iniciou-se a construção de uma nova adega, desenhada não só para a produção de vinhos de qualidade mas também para disponibilizar todas as condições para a realização dos mais variados eventos associados ao enoturismo, desde visitas à adega, vinhas, provas e cursos, entre outros. A arquitectura e a decoração deste novo espaço estão profundamente marcadas por influências árabes, relembrando um dos povos mais influentes na cultura portuguesa, particularmente no Sul do País, e traduzindo-se numa envolvente fresca e acolhedora.

Fundada em 1990, a Global Wines alia a confiança no potencial dos vinhos portugueses à aposta no enoturismo. O Dão foi o berço dos primeiros sucessos, lançando as bases deste projecto ambicioso.

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Hoje o espírito empreendedor e a experiência acumulada da Global Wines presidem a um universo de regiões tão distintas como a Bairrada, Douro, Lisboa, Dão, Vinho Verde e Alentejo. E estende-se além fronteiras, no Brasil. O sucesso da Global Wines assenta na reconversão de vinhas e no cuidado processo de vinificação em adegas concebidas de raiz.

O terroir do Norte Alentejano permite fazer vinhos mais frutados, concentrados e com uma acidez mais elevada. A vinha foi preparada para vindima mecânica adega foi dimensionada acima da produção actual, já a pensar na expansão de vinha futuramente.

Rodeada pela tranquila paisagem norte alentejana, a estrutura insere-se perfeitamente dentro do imaginário de um local calmo e de tradição, onde cada dia se passa sem pressas e com tempo para desfrutar o que de melhor a vida tem.

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E para acabar a citação que se impõe, com a nossa devida alteração, por quem sabe o que diz, de Fernando Cortês:

“O Syrah é um produto aliciante e, quando falamos dele, ficará sempre algo por dizer.”

Por aqui nos ficamos então, que o que ficou por dizer será lido numa taça de ambrosíaco Monte da Cal!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 9,90€

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