Daily Archives: 19/06/2015

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo, 2012

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No Tejo, desta vez, para tomarmos conhecimento do projecto pessoal de um enólogo bem conhecido do mundo vitivinícola português, Rui Reguinga, que a partir de 2004 decidiu arriscar criando o seu projecto pessoal.

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Este vinho regional do Tejo, produzido a partir das castas Syrah (85%), Grenache (10%) e Viognier (5%), é feito bem à maneira dos franceses do Vale do Rhône, assumidamente. As notas de prova apresentam este Syrah da seguinte maneira: “De cor rubi, apresenta um aroma de grande intensidade, complexo, com notas de fruto vermelho maduro e amoras e um toque balsâmico da barrica. Paladar equilibrado, muito elegante, com uma boa acidez. Final longo, com uma agradável persistência. As características que melhor defendem este néctar são a elegância, equilíbrio e complexidade, apresentando-se com grande potencial de envelhecimento.” Tem graduação de 14,5%.

Não estamos em presença de um Syrah a 100%, como exigimos e apreciamos, mas reconhecemos e aceitamos a herança cultural importada da nobre região onde foi beber a sua génese. Nas palavras do enólogo:  “Um projecto sentimental, plantado em 1 hectare dado pelo meu pai, para “experimentar”. Este é um pequeno projecto pessoal, de apenas 2.000 garrafas. O vinho que idealizei fazer para mostrar um “caminho” diferente aos vinhos tintos ribatejanos: complexos, frescos, suaves e elegantes. Iniciado em 2001 com a plantação da vinha na Charneca de Almeirim, em solos muito pobres com calhau rolado. Com castas inspiradas na Cotes de Rhône: Syrah, Grenache, Mourvèdre e Viognier, pouca tecnologia e barricas “premium” de carvalho francês. Em todo o processo de selecção dos solos, preparação do terreno, plantação da vinha, o meu pai, vitivinicultor toda a sua vida, teve um papel fundamental. Infelizmente não viveria o suficiente para ver este sonho realizado. Por isso este vinho ganhou um significado diferente. E o seu nome: Tributo.”

O resultado teria que ser um Syrah “composto”, de qualidade!

Em 2006 Rui Reguinga deu à luz um outro Syrah, também do Tejo, hoje esgotado, uma edição especial, em associação com um restaurante da capital, o Gemelli, do chefe Augusto Gemelli, que era outro Syrah à moda dos franceses, Syrah e Grenache, 85% e 15% respectivamente, e como dizia o vinho “Duas castas, dois ingredientes. Um lote, uma receita.Os aromas, os sabores.”

Rui Reguinga acredita que é o terroir que está na raiz de tudo. Como ele diz: “Acredito que qualquer casta no terroir ideal pode produzir grandes vinhos…”

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Rui Reguinga foi eleito “Enólogo do Ano” pela Revista de Vinhos, conquistou vários troféus e medalhas de ouro com os seus vinhos, e tem sido membro do júri em várias edições das prestigiadas provas como o “International Wine Challenge”, “Decanter World Wine Awards” e “Concours Mondial de Bruxelles”.

Rui Reguinga nasceu em 1966, em Almeirim, no Ribatejo, numa família com raízes no mundo do vinho. Filho e neto de vitivinicultores, cresceu com o sonho de prosseguir uma carreira na área. Esta vocação ganhou forma ao licenciar-se em Engenharia Alimentar pelo Instituto Superior de Agronomia em Lisboa. Seguiu-se uma pós graduação em Marketing de Vinhos na Universidade Católica do Porto e uma especialização em “Dégustation des Vins” pela Universidade de Bordéus.

Em 1990 estagiou na região de Champagne. Pouco depois iniciava um intenso percurso como enólogo consultor ao lado de João Portugal Ramos, na Consulvinus. Aí, ao longo de uma década, destacou-se no trabalho para conceituadas marcas nas grandes regiões vitícolas portuguesas.

Em 2000 fundou a Rui Reguinga Enologia. Hoje é pois responsável por vários projectos e parcerias de sucesso em Portugal e no mundo. As visitas profissionais levaram-no a regiões vitivinícolas por todo o mundo na Austrália, Nova Zelândia, Califórnia, Argentina, Chile e Ásia. Mas é à produção dos seus próprios vinhos e aos terroir de origem do Velho mundo que retorna sempre, com saber acumulado e uma dedicação muito especial.

Ao escrever este texto sobre Rui Reguinga, a propósito dos dois Syrah que fez, recordamos as palavras da egrégia actriz francesa Sarah Bernhardt, quando dizia:
“Suas palavras são meu alimento, sua respiração o meu vinho.”

Eis-nos pois ante um Syrah de qualidade, muito bem feito, apesar do preço algo elevado!

Uma nota final, para indicar que a composição deste Syrah, em termos de proporção das diversas castas que o integram, e tal como dizemos no texto, foi retirada do rótulo da garrafa. Porém, como se pode ver na respectiva ficha técnica reproduzida abaixo, há uma divergência em relação à referida composição. A ser assim este Syrah não poderia ser considerado como tal, já que por lei, para ser um monocasta, a casta maioritária dever ser de pelo menos 85%. Vamos pois assumir a garrafa como referência.

Classificação: 17/20                                                     Preço: 20,00€

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