Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. E que bem que se anda por aqui.

Trata-se de uma zona privilegiada não só pela riqueza do seu vasto património natural, paisagístico, arquitectónico, cultural, com também religioso e gastronómico, o que a torna numa região de grande apetência turística.

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O Monte do João Martins, inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, como se referiu, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias.

Temos a Silvicultura: depois do grande incêndio de 2003 na Serra de S. Mamede, que devastou toda a herdade foram plantados 80.000 sobreiros em sistema intensivo, o que em termos ecológicos e do meio ambiente é um investimento fundamental para a região.

Temos a Agro-Pecuária: com um efectivo de 600 ovelhas merinas do Norte Alentejano que pastoreiam em prados permanentes que cobrem toda a herdade, contribuindo uma vez mais para a melhoria do meio ambiente, e para a produção de carne de borrego.

E temos naturalmente a Vitivinicultura: com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?

João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV.

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E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada a 1200 garrafas, cabendo ao Blogue do Syrah a garrafa número 989. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.”  Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2011 é justamente a nossa casta Syrah!

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A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas  de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

A especificidade do clima, os solos graníticos, definidores de um distinto terroir, e a altitude, propiciam uma maturação das uvas equilibrada, originando vinhos frescos, aromáticos e com taninos longos. Tendo em vista assegurar a homogeneidade e a elevada qualidade de todas as uvas destinadas à produção do vinho, a vinha é monitorizada e gerida com extremo cuidado.

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A Região vitivinícola da “Rota de S. Mamede” coincide em parte com a área abrangida pelo Parque Natural da Serra de S. Mamede. É uma região de alguma altitude, sendo que possui um microclima específico. O coberto vegetal é factor de diferenciação para com as outras zonas do Alentejo. A vinha em solos na sua maioria de origem granítica, proporcionam vinhos com características bem definidas, diferenciados dos provenientes das outras regiões alentejanas. Aqui, predominam os vinhos tintos, carregados de cor, com intensidade aromática, na boca frescos com taninos longos do qual este Syrah é modelo!

“Um bom vinho é poesia engarrafada” dizia o escritor escocês Robert Louis Stevenson, e o presente Syrah é um bom exemplo disso mesmo, que se prova e degusta como se de um poema se tratasse, métrica e rimas perfeitamente conjugadas!

Classificação: 18/20                                                     Preço: 17,00€

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