Monthly Archives: June 2015

Bridão, Adega Cooperativa do Cartaxo, 100% Syrah, Tejo, 2012

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No Tejo profundo onde nos encontramos hoje, também podemos dizer Ribatejo, temos um Syrah que esteve esgotado algum tempo mas, com a presente safra de 2012, está de novo entre nós, felizmente! Por coincidência na mesma altura a Adega Cooperativa do Cartaxo foi distinguida com o prémio “cooperativa do ano 2014” pela Revista de Vinhos.

Este Syrah tem 14% de graduação alcoólica e as notas de prova dizem-nos que é “escuro na cor, revela aromas compotados de ameixa e amoras maduras, com leves notas de baunilha. Bem estruturado, muito redondo, maduro e quase doce no final suave nuances de compota e chocolate.”

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Fundada em 1954, a Adega Cooperativa do Cartaxo tem raízes numa região onde existem referências à actividade vitivinícola anteriores ao século X. Desde então a Adega Cooperativa do Cartaxo funcionou até 1974 nas instalações da Junta Nacional do Vinho, hoje convertida no Instituto do Vinho e da Vinha, no Cartaxo. Há mais de duas décadas, a Adega inaugurou as actuais instalações, onde labora desde então, sempre à procura do reforço da capacidade humana e tecnológica ao serviço da melhor produção vinícola. A afamada região vitivinícola do Ribatejo, hoje chamada de Tejo, integra a sub-região do Cartaxo e confere à produção da Adega Cooperativa do Cartaxo a denominação de Vinho Regional e DOC do Ribatejo. Genuínos, típicos e autênticos, os vinhos da Adega Cooperativa do Cartaxo servem com excelência dois desígnios importantes: grau de qualidade e a satisfação e reconhecimento dos apreciadores de vinho.

O actual sucesso dos vinhos deve-se, segundo o Director Executivo, Fausto Silva, à estratégia de crescimento sustentado suportado pela crescente qualidade das uvas que os associados entregam na adega, ao investimento feito na modernização e na importância dada aos mercados e seus consumidores . “Há uns anos desafiámos os nossos sócios a produzirem uvas com maior qualidade e isso tem-se reflectido na qualidade dos vinhos que produzimos. Também o facto de termos um excelente conhecimento enológico, contribuiu para o desenvolvimento e crescimento na qualidade dos vinhos da Adega do Cartaxo, fundamental para que cada vez mais os consumidores reconheçam e procurem as nossas marcas”, afirma.

Fausto Silva, que ocupa o cargo há vinte anos, lembra que a Adega Cooperativa do Cartaxo produz cerca de oito milhões de litros de vinho por ano e que 75 por cento da produção é constituída por vinho tinto proveniente na sua quase totalidade de vinhas aptas à produção de uvas para vinho regional e DOC.

Os vinhos ali produzidos têm tido maior procura nos últimos anos graças ao aumento da sua qualidade média acompanhada de uma atitude de gestão orientada para o mercado. “O sector dos vinhos ganhou maior dinamismo, os hábitos de consumo mudaram. Existe uma maior exigência de qualidade por parte de quem compra e de quem consome. Há mais acções de comunicação e promoção e a distribuição melhorou, tornando-se mais comunicativa e agressiva, o que contribuiu para proporcionar mais e melhores opções aos consumidores e ao maior interesse e conhecimento do mercado em relação aos vinhos”, justifica. “Nós, Adega do Cartaxo, temos de acompanhar as tendências, ameaças e oportunidades do mercado e adequar as nossas estratégias a essa realidade”.

Os responsáveis da adega investiram na modernização do edifício, que apresentava limitações, para corresponder às novas exigências do negócio. O antigo escritório foi demolido para se construir uma nova linha de engarrafamento. As instalações foram reajustadas e os serviços administrativos e recepção, inaugurados o ano passado, foram construídos à entrada da adega. No mesmo edifício, a loja e sala de provas estão praticamente concluídas, faltando apenas algumas “burocracias” para poderem entrar em funcionamento.

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“A modernização da adega foi fundamental para o desenvolvimento e evolução dos nossos vinhos. Tivemos que nos adequar às exigências do mercado de forma a termos um produto e uma imagem de marca que dê garantias e confiança a nós empresa, aos nossos parceiros e aos nossos consumidores”, sublinha o director executivo. “Fazer marca e aumentar notoriedade, é um processo que leva o seu tempo e tem os seus custos. Temos essa consciência e tentamos fazê-lo de forma sustentada e com humildade, ainda para mais sabendo a realidade económica do país, mas temos a ambição de quem sabe o potencial que a empresa e a região têm e que de igual forma sabe que o trabalho e a dedicação são determinantes para o sucesso”.

Desde 2005 que a aposta tem sido mais incisiva na internacionalização. A Adega do Cartaxo exporta para vários mercados destacando-se França, China, Brasil, Estados Unidos da América, Suíça, Luxemburgo e São Tomé e Príncipe. Outros mercados menos representativos mas também importantes são a Holanda, Alemanha, Moçambique, Angola, Giné Bissau e Nigéria.

Nos últimos 5 anos os vinhos que mais têm crescido em vendas são o Xairel e o Plexus. No entanto, a marca Bridão, onde se integra com galhardia o nosso Syrah, continua a ser a marca estrela da adega, com uma gama de oferta de vinhos bastante diversificada e cada vez mais referenciada. Entretanto, como reflexo do crescimento da qualidade dos vinhos produzidos, foram recentemente reconhecidos com prémios em concursos nacionais e internacionais vários vinhos desta marca. A título de exemplo, o vinho Bridão Tinto Reserva 2011 já conquistou três medalhas de ouro em concursos internacionais e o Bridão Clássico uma medalha de ouro e uma medalha de prata, também em concursos internacionais.

E hoje acabamos com uma citação de um homem da música clássica, Johann Strauss:
“Um valsa e um vinho, sempre pedem bis.”
Podemos igualmente asseverar, ao som de uma valsa vienense e em boa companhia, que apenas uma taça de Bridão a maior parte das vezes não é suficiente!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 4,60€


 

Fernão Pó, Adega-Winery, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Na península de Setúbal, o nome Fernando Pó, freguesia de Palmela, é incontornável quando se fala de vinhos. E como falar em vinho para nós é falar de Syrah, aqui vamos então para encontrar um Syrah recente, de 2013, com o nome marinheiro e peregrino de Fernão Pó.
Antes de passar ao que nos interessa propriamente dito, achamos interessante falar deste explorador e navegador do século XV, que dá o nome ao nosso néctar, reinava D. Afonso V, que descobriu as ilhas no Golfo da Guiné, que como tal levam o seu nome, assim como mais algumas ilhas e fundando povoados, existindo neste caso um Fernão Pó em Portugal, aliterado para Fernando, onde germina o nosso Syrah de hoje, e outro na Serra Leoa, imagine-se. Descendentes deste nosso navegador ainda vivem por cá, mas também em Cuba e Estados Unidos.

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Estamos pois em solos arenosos, banhados por clima mediterrânico. Em termos de vinificação, a fermentação acontece em cuba troncocónica a temperatura controlada entre 25º a 28ºC, remontado 4 vezes dia, com jacto manual e temperatura controlada. Dizem as notas de prova que este Fernão Pó possui “Média concentração, aroma com frutos negros e leve nota de pimenta preta. Macio e fácil na boca, boa acidez, taninos macios, tudo apontando para consumo imediato. Tem carácter gastronómico.” A graduação alcoólica é de 14%. O produtor aconselha a beber já ou guardar de três a cinco anos.

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A Adega Fernão Pó é uma empresa familiar de Fernando Pó, outra maneira de referir o mesmo nome, concelho de Palmela, resultado da junção das famílias Freitas e Palhoça. Ligadas à viticultura e produção de vinho há gerações, reúnem dois ramos da história vinícola de Fernando Pó. Os Freitas, antigos proprietários da região. Os Palhoças, descendentes da cultura “caramela”, vindos do norte de Portugal que se estabeleceram em “Foros” na região. Nos anos 50 Aníbal da Silva Freitas fundou a Adega. Em 1990, com o seu genro Custódio, lançou o primeiro vinho de marca própria. Hoje produz cerca de 660 mil litros de vinhos de vinhas próprias.

A planície de Fernando Pó é conhecida pela qualidade das suas uvas. Dividida em pequenas quintas desde a chegada do caminho-de-ferro em 1861, distingue-se pela camada de areias macias, a cobrir o solo de barro. O microclima temperado pelos rios Tejo e Sado protege e facilita a maturação perfeita das uvas. O resultado são vinhos conhecidos pela boa estrutura, corpo, cor e principalmente aromas. Vendidos a granel na região ou para adegas de outras lugares do país. Até de Espanha vinham buscá-los para lotear os seus vinhos.

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Na Adega Fernão Pó a escolha de castas tem sido por experimentação, em busca de um perfil de vinhos genuíno, complexo e gastronómico. Nos 60 hectares de vinhas da família destacam-se 34 hectares de Castelão, a casta de eleição da região. Mas também a apimentada Cabernet Sauvignon, que aqui amadurece bem, e ainda Touriga Nacional, Merlot, Alicante Bouschet, Tannat e Syrah. Nas castas brancas, a popular branca Fernão Pires, Síria, Verdelho, Viozinho e Moscatel.

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A família Freitas e Palhoça procura aliar a tradição ao melhor da tecnologia moderna. A Adega foi alvo de constantes melhorias ao longo do tempo, tendo capacidade de transformação de cerca de 1000 toneladas de uvas. E inclui preocupações sociais e ambientais, como a adesão aos programas Wine in Moderation e ao Business and Biodiversity, para além de produzir uvas com certificação ambiental.

Tradicionalmente vendido à porta da adega a pessoas vinham de variados lugares, como já dissemos, para aí demandar por vinhos bons e baratos para se abastecerem para o mês. Chegavam ao fim de semana, partilhavam histórias e petiscos. E nalguns casos ficavam amigos.

Segundo o enófilo João Filipe Clemente:

“Todo o grande vinho é caro, mas nem todo o vinho caro é grande!”

O Fernão Pó Syrah não é um grande Syrah, e também não é um Syrah caro, mas é um genuíno Syrah, nascido nas areias de Fernando Pó.
Segundo o seu produtor, companhia ideal de bacalhau, massas e queijos amanteigados, e seguramente também de algo vegan, diríamos alguns de nós.
Não duvidamos. Publique-se!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 3,89€

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Monte da Ravasqueira, 97% Syrah, 3% Viognier, Alentejo, 2012

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Em Arraiolos, Alentejo, flanando pela planície cor de ouro, matizada de verde, sobreiros e rebanhos, vamos encontrar hoje um Syrah elegante e profundo, mas sem a complexidade que tanto apreciamos, especialmente nesta região, devido certamente à inclusão de 3% de Viognier, tão do agrado dos franceses do Vale do Rhône. Para nós, Blogue do Syrah, sempre que se nos depara algo diferente do 100%, a palavra a usar é infelizmente, mas claro que aceitamos a opção do enólogo, com a devida ressalva.

Trata-se da primeira safra deste Syrah que assim veio enriquecer a marca Monte da Ravasqueira. Foi a  vindima de 2012 que deu origem ao primeiro vinho destas duas castas produzido no Monte da Ravasqueira.

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97% Syrah, 3% Viognier, é o rácio, logo é um Syrah legal, que acontece sempre que há na sua composição pelo menos 85% da casta maioritária. As uvas de Viognier foram vindimadas tardiamente e congeladas à espera da vindima de Syrah. Foram deixados apenas dois cachos por cepa de forma que as uvas de Viognier ganhassem concentração aromática. O Syrah é originário da parcela Vinha das Romãs, mas de zonas distintas, e seleccionadas para o perfil deste vinho.

As notas de prova dizem-nos que possui ”Cor negra e densa. Nariz com mescla de pimentas, frutos vermelhos maduros, alcatrão e leve pêssego e damasco. Mineral, cheio de volume, taninos em constante equilíbrio com a acidez viva e vibrante. Complexo com notas de moca, café e bolacha. Taninos finos constantes com prolongamento mineral e mentolado.” O teor alcoólico é de 13,5%.

Ligado há várias gerações à família José de Mello, o Monte da Ravasqueira está localizado no concelho de Arraiolos, a uma hora e pouco de distância de Lisboa, ocupando uma vasta área de paisagem tipicamente alentejana, cuja gestão e exploração é assegurada pela Sociedade Agrícola D. Diniz, SA.

Dotado de excelentes condições geológicas e climáticas para a produção de vinho, o Monte da Ravasqueira foi objecto de um forte investimento na plantação de vinha, bem como em equipamentos enológicos e instalações meteorológicas e fitossanitárias.

Os investimentos realizados compreendem igualmente um conjunto de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento de um projecto de enoturismo.

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Assumindo o compromisso de produzir vinhos de qualidade distintiva, o Monte da Ravasqueira desenvolve também um conjunto de outras actividades ligadas à cortiça, azeite, mel, criação de gado bovino e engorda de porco preto alentejano.

Herdade da Ravasqueira, vinho, herdade dos Mello

O Monte da Ravasqueira oferece uma grande diversidade de vinhos resultante de 29 talhões de vinhas. Dispõe, no âmbito do seu projecto de Enoturismo, de uma importante colecção particular de arreios e atrelagens de diferentes épocas e estilos da coudelaria que existiu, durante largos anos, no Monte da Ravasqueira.

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Inspirada em Napa Valley, na Califórnia, a adega do Monte da Ravasqueira está dotada da mais avançada tecnologia. É totalmente gerida através de um programa informático desenvolvido por especialistas locais. Dispõe também de sala de reuniões e sala de provas.

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A herdade dispõe de uma área total de vinha de 45 hectares, a maioria dos quais plantados em solos argilo-calcários com afloramentos graníticos. Este tipo de solos tem médio poder de retenção de água em profundidade, sendo extremamente necessário, mesmo nos meses de maturação, efectuar rega gota-a-gota de forma a garantir um adequado fornecimento de água e sais minerais, o que constitui um factor essencial e crítico para a qualidade das uvas do Monte da Ravasqueira. Faz parte da Rota dos Vinhos do Alentejo.

Herdade da Ravasqueira, vinho, herdade dos Mello

Com uma produção anual de cerca de 1.000.000 garrafas, o Monte da Ravasqueira realizou a sua primeira vindima em 2001, comercializando actualmente no mercado nacional e de exportação as marcas Prova, Calantica, Fonte da Serrana e Monte da Ravasqueira.

Exporta para vários países da Europa e do mundo como por exemplo Alemanha, Bélgica, Irlanda, Pólónia e Reino Unido. Fora da Europa exporta para Cabo Verde e Angola. Estados Unidos, Canadá e Brasil são outros países para onde o Monte da Ravasqueira exporta. Também para vários destinos na Ásia.

Vem aqui a propósito referir a excelente presença na Internet por parte da herdade, com um site pleno de informação actualizada, imagens com boa resolução, fáceis de descarregar, como se pode ver, facilitando desta forma muito o trabalho cá dos escribas, que se interessam não só pelo Syrah em si, como por toda a história, cultura e técnica por detrás de cada garrafa. Um exemplo a seguir por outros produtores.

Pedro Pereira Gonçalves, Enólgo, Monte da Ravasqueira, vinho

Foi pois assim que soubemos que as vinhas, com uma média de idade de dez anos, são conduzidas em cordão bilateral com o objectivo de optimizar a exposição solar, a maturação e a qualidade das uvas. Uma das particularidades dos vinhos brancos do Monte da Ravasqueira é o facto de serem todos vindimados à mão para caixas de 20 kg, permitindo vindimar um mesmo talhão duas vezes, apanhando uvas mais frescas em termos de acidez mais cedo e uvas mais maturadas com outro perfil aromático, uns dias mais tarde. Este procedimento permite a obtenção de diferentes lotes na adega. Toda a vinha está plantada em encostas com declive variável, o que proporciona uma variabilidade de equilíbrios e que permite, todos os anos, seleccionar as melhores zonas para cada vinho que se pretende produzir.

Uma vez Beethoven disse:
“Depois de um árduo dia de trabalho, uma taça de Syrah é um conforto.”
Não disse exactamente assim, mas podia ter dito.
O Syrah do Monte da Ravasqueira pode ser perfeitamente uma boa opção quer para o sexo masculino como feminino. Como tínhamos que o dizer, dissemos.

E assim nos vamos por hoje, acompanhados de uma reconfortante taça de Ravasqueira formato Syrah, ainda que não integral!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 12,50€

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Casal Castelão, 100% Syrah, Lisboa, 2007

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Das vinhas a norte de Lisboa, na antiga região vitivinícola da Estremadura, nasceu este Syrah, para assim estarmos aqui a contar a sua história. Única safra desta quinta familiar, o Syrah encontrou nas vinhas do Casal Castelão todas as condições ideais  à sua produção.

Na família desde 1907, o Casal do Castelão é uma propriedade familiar que tem como única actividade a vitivinicultura.

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Aliando tecnologias enológicas de vanguarda ao saber e tradição de gerações, a herdade cria vinhos de qualidade respeitando a pureza das castas.

Localizado junto à costa atlântica a norte de Lisboa, o Casal Castelão apresenta-se no mercado como um defensor das características particulares de cada casta.

Através de uma vinificação tradicional em que o vinho fica em contacto com a película durante, no mínimo, dois meses, extraindo assim da uva todo o seu potencial.

Os vinhos dão a conhecer todas as características de algumas das mais prestigiadas castas nacionais e internacionais.

Já agora, é preciso dizê-lo, não deixa de ser simpático que esta quinta de pequena dimensão fundada em 1907  tenha comemorado os 100 anos de existência precisamente com este nosso Syrah de 2007.

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Os vinhos do Casal Castelão são vendidos para o mercado externo nomeadamente para Pernambuco no Brasil, a Estónia, o Luxemburgo, a China e a Polónia.

Este Syrah, de cor rubi e aroma frutado, surge-nos, segundo as notas de prova, “cheio de corpo, bem estruturado, sofisticado com um final de boca persistente e prolongado. Podem ainda ler-se tons de fruta preta discreta, pimenta e outras especiarias. Na boca um pouco ligeiro, com acidez viva, final saboroso.” Tem uma graduação alcoólica de 13%. Sozinho ou acompanhado é ideal para pratos de caça, carnes vermelhas e queijos, como aliás qualquer Syrah.

Um vinho simples mas bem feito, para o dia a dia.

Como o leitor já percebeu há muito, e é fácil de entender, nós aqui no Blogue do Syrah só tratamos de vinhos de monocasta Syrah e é nessa qualidade de enófilos que nos apresentamos. Ninguém poderá dizer, como Leon Adams, jornalista americano e co-fundador do Wine Institute, que “Qualquer um que tente fazer você acreditar que sabe tudo sobre vinhos é, obviamente, um farsante”.
Nós sabemos do que sabemos, bebemos e apreciamos, e mais não nos é pedido!

E assim nos vamos, que mais uma vez, como se pode constatar, a informação disponível sobre este Syrah não é muita. Aqui fica pois o ensejo de que os nossos estimadíssimos produtores de Syrah se empenhem mais na partilha de informação sobre os seus produtos, sobretudo através das respectivas páginas web devidamente actualizadas. Se não for possível, também não se preocupem muito: o importante mesmo é o Syrah!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,70€


 

Monte do Roseiral, Reserva, 100% Syrah, Lisboa, 2012

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Eis-nos perante a primeira safra deste Syrah de Lisboa, Monte do Roseiral de seu nome, reserva de 2012 e, como nós preferimos, a 100% da nossa casta de eleição.

Estamos em Bucelas, região vitivinícola bem mais conhecida por outro tipo de vinhos. Mas a estrela aqui e agora é este Syrah, cujo engarrafamento se efectuou em Outubro de 2013 e com uma produção de 3600 garrafas de tipo bordalesa.

O processo deu-se a partir da fermentação em cubas de inox com temperatura controlada a 28ºC e breve estágio em madeira. O enólogo foi o engenheiro Carlos Canário.

As notas de prova deste Syrah apontam “uma cor granada concentrada com um aroma intenso a cereja e especiarias com os taninos bem integrados. O paladar mostra um corpo cheio, aveludado com final longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

Em termos de conservação as garrafas devem estar deitadas em local arejado e escuro, entre 12 e 13ºC e 60% de humidade relativa. O consumo pode ser imediato ou nos próximos oito anos. Diz-nos o produtor que este Syrah deve ser servido a uma temperatura de 15ºC, e é ideal com pratos de carne vermelha, caça, assados no forno, queijos fortes e Foie gras.

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As informações que conseguimos reunir são escassas mas dizem-nos que este Reserva só será produzido apenas nos melhores anos, a partir de uvas da casta seleccionadas, de vinhas plantadas em encostas suaves e soalheiras, em solo argilo-calcário e beneficiando da influência atlântica. Com surge de um curto estágio em madeira, é um vinho de charme bastante equilibrado.

E a propósito da módica informação disponível nos canais habituais sobre esta herdade e respectiva produção, já referimos,  vamos citar o escritor e negociante de vinhos Alexis Lichine, que disse uma vez:
“No que se refere a vinho, recomendo sempre que se joguem fora tabelas de safras e manuais e se invista num saca rolhas. Só se conhece o vinho bebendo!”

Bebamos pois este nosso Syrah do Monte do Roseiral, que certamente muito esclarecimento haveremos de encontrar por entre os seus eflúvios subtis!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 6,60€

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Pontual, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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De novo no Alentejo, para apresentar um Syrah de Alandroal, cujas notas de prova nos dizem desde logo que “apresenta uma cor intensa com reflexos violáceos. Os seus aromas estão bem definidos, frutos do bosque e nuances de especiarias, pimenta preta. Na boca revela-se um vinho muito equilibrado e denso, com uma acidez e taninos bem moldados.” A  graduação alcoólica é de 14%. O estágio é feito em barricas de carvalho Francês e Americano. Paolo Fiuza Nigra e Dinis Gonçalves são os enólogos de serviço.
Desde 2005  até esta de que aqui falamos, 2013, várias safras viram a luz do dia.

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A PLC – Companhia de Vinhos do Alandroal, Lda, foi constituída em 2000 por Paolo Fiuza Nigra, Luís Bulhão Martins e Carlos Portas. As iniciais de cada um deles deram então nome ao projecto: PLC.

Na planície ondulante do Alentejo, entre o Alandroal e Portalegre, a equipa gere com mestria 100 hectares de vinha. Plantada em solos xistosos onde as castas indígenas, e outras, potenciam a produção de vinhos de elevada qualidade, em terrenos e clima vocacionadas para a matéria prima que aqui nos traz, onde as vinhas crescem e as castas plantadas foram cuidadosamente escolhidas, com o objectivo de potenciar a qualidade das uvas e vinhos.

A PLC engarrafou o seu primeiro vinho em 2001, Pontual, Touriga Nacional/Trincadeira Preta. Nos anos seguintes a PLC lança ainda o nosso Pontual Syrah, Pontual Reserva, Branco, Colheita e a nova gama Desigual, branco e tinto. A empresa trabalha com várias castas. Nas Brancas: Antão Vaz,  Arinto, Roupeiro, Verdelho, Perrum. Nas Tintas: Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouchet e Cabernet Sauvignon.

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A produção de vinhos de qualidade começa na vinha e seus cuidados, através de uma selecção criteriosa das uvas, tendo em conta o seu estado sanitário e fase de maturação. Durante a vindima e depois na adega, a uva é processada com todos os cuidados necessários para preservar toda a sua qualidade e potencial.

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A vinificação dos brancos é feita em cubas de inox,  com desengace total, prensagem a baixas pressões e poucas quantidades, decantação entre 7 a 10° C. A fermentação é controlada a baixas temperaturas, entre os 13° C e os  15° C até esta acabar.
Nos tintos a vinificação é feita em lagares de inox, o desengace é total e a maceração pré-fermentativa durante 1 a 2 dias. A fermentação alcoólica dá-se em temperatura controlada a  25° C. O estágio do vinho é feito em barricas de carvalho americano ou francês consoante a casta e vinho.

A nossa citação de hoje vai para a moderação que deve estar sempre presente quando se fala de álcool. Daí a citação de hoje não ser dum artista mas sim de um médico, Weissebach:
“O Vinho é para o homem, que dele faça uso moderado, um estimulante do apetite, um excelente auxiliar do seu estômago no trabalho de digestão, um gerador de bem-estar, um generoso dador de alegria.”

Quem diria melhor?

O Syrah Pontual é mais um elemento a exaltar a qualidade dos Syrah alentejanos. Vale a pena que se beba ciclicamente, partindo em demanda das edições anteriores,  até para avaliarmos a sua evolução de safra para safra.
Que aprazível maneira de ocupar a vida!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 7,70€

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