Monthly Archives: July 2015

A classificação usada no Blogue do Syrah

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Depois de termos sido questionados sobre critério de classificação usado aqui no Blogue do Syrah, decidimos publicar o texto seguinte, devido, explicando a base da nossa avaliação. Aqui vai.

Há classificações diversas que são usadas para avaliar vinhos. A mais internacional é a definida pelo conceituado crítico Robert Parker, que vai de 50 a 100 pontos. Há quem utilize a classificação clássica, adoptada no sistemas escolar tradicional, dos 0 aos 20 valores.

Robert Parker no seu afã classificativo.

 

Nós aqui no Blogue do Syrah utilizamos esta notação escolar, mas com uma variante, que vamos explicar. Só utilizamos 8 notas, e que são as seguintes: O 0 primeiro, e depois saltamos para o 14, e depois por diante o 15, o 16, o 17, o 18, o 19 e o 20.

Primeiro esclarecimento: Não usamos os meios valores, por exemplo, o 14,5 ou o 17,5, porque na nossa qualidade de professores quando um aluno tem num teste, ou num exame, ou num trabalho, um 16,5 por exemplo, arredondamos logo para o valor seguinte, ou seja, neste caso para 17. Como é que é possível, com objectividade, dizer que este vinho vale 15 e o outro vale 15,5?

Segundo esclarecimento: Não usamos as notas de 1 a 13. O 0 significa aquele Syrah mesmo intragável, não é bebível, mais, não é sequer digno de ser considerado vinho, quanto mais Syrah! O 14 significa que aquele Syrah é bebível, embora de qualidade fraca, mas não envergonha totalmente a casta que diz representar! A nota 15 já significa que estamos perante um Syrah com qualidade, e é bebível em qualquer ocasião. Segue-se o 16 até ao 19, atribuído a Syrah excepcional, quer ao nível dos aromas, da cor e da complexidade do conjunto. O 20 é a classificação reservada para o Syrah considerado excepcional, ou seja, vale 19, como o Syrah descrito anteriormente, mas para além disso tem aquele elemento diáfano, subtil, que podemos chamar de “mágico”, e que marca a diferença em direcção ao extraordinário. Esse Syrah merece não 19, mas sim 20!

Terceiro esclarecimento: A notação de Parker, embora dando a entender que é muito rigorosa, quanto a nós é um anacronismo. Como é possível distinguir,  ou diferenciar, um vinho pontuado com 85 pontos e outro com 86, ou 84 pontos? Que objectividade temos aqui?

Assim pensamos que com unicamente oito classificações conseguimos dar conta de todas as nuances possíveis na avaliação de um Syrah, mantendo como é desejável um maior grau de objectividade existente numa avaliação, que, obviamente, tem elementos de subjectividade sempre presentes!


 

Talego, iVin – Vinhos Com Nome, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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O Talego, Syrah de Palmela, é um dos recentes Syrah a surgir no mercado vinícola português. E é dele que vamos falar hoje, com vagar, usando a informação disponível, que não é muita, apesar de existir um site bem estruturado mas ainda algo incompleto.

Patrocinado pela Ivin, Vinhos com Nome, e produzido pela Adega Cooperativa de Palmela, é bem superior ao Syrah igualmente elaborado por esta adega, e cuja análise já aqui foi feita.

Não é a primeira vez que a Ivin patrocina vinhos em parceria com diversos produtores. Já o ano passado tínhamos tido a oportunidade de provar o Severa Syrah/Touriga Nacional produzido pela Herdade das Mouras e disponibilizado pelo dinâmico Roger Duarte, o distribuidor da Ivin para a grande Lisboa. Apesar de ser um blend, logo está fora do nosso enlevo, mas assim mesmo entusiasmou devido à qualidade do Syrah envolvido, de que logo se percebeu a presença marcante. No entanto, é a primeira vez que a Ivin se junta a um produtor regional para a realização de um monocasta Syrah. E isto é importante salientar, e fazemos votos que continue, dados os bons resultados aqui alcançados!

As notas de prova dizem que é um vinho “de côr granada intenso. Aroma: Frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira, Paladar: Sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados Final de Prova: Final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” O enólogo é Luís Silva e a graduação alcoólica é de 15%.

A Adega Cooperativa de Palmela, com 300 associados, é uma área de vinha de excepcional qualidade, com aproximadamente 1000 hectares. Produz anualmente mais de 8 milhões de litros de vinho, 75% tintos, 15% brancos, e 10% Moscatel de Setúbal. A produção é depois engarrafada em linhas automáticas com capacidade para 10 mil garrafas/hora.
É desta cooperativa que saiu o Talego Syrah.

A iVin é uma empresa de distribuição de vinhos que gosta de interagir com os diferentes intervenientes do sector de vinhos. Colabora com produtores e enólogos nacionais e internacionais de valor.

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Desde que surgiu, em 2009, a iVin especializou-se na comercialização de vinhos de qualidade reconhecida com origem em mais de cinco países, para os mais diversos pontos de venda, lojas e entrepostos, supermercados e hipermercados, hotéis e restaurantes. O seu fundador, Miguel Grijó, está ligado há mais de quinze anos ao sector de distribuição de vinhos. Uma experiência acumulada em conceituadas empresas do sector permitiu-lhe formar uma relação privilegiada com clientes e produtores. Distribuição eficiente é a chave em mercados que estão em constante evolução. Para além de tratar de todos os aspectos ligados à comercialização dos seus produtos, a iVin disponibiliza aos seus clientes serviços de apoio à gestão de marcas. É caso para dizer que a iVin tem o melhor de dois mundos, entre a distribuição e a consultoria.

A nível nacional, surgem duas abordagens: os Projectos Pessoais e os Vinhos de Quinta. Nos Projectos Pessoais, enólogos com experiência em diferentes terroirs e regiões produzem em vinhas próprias, apoiados pela empresa. Nos Vinhos de Quinta, o terroir é o principal diferenciador do seu produto. A nível internacional, a iVin disponibiliza uma amostra representativa do que melhor é feito no novo mundo. O portefólio inclui ainda vinhos de mesa, icewines, espumantes e champagnes de casas europeias.

E a propósito de o Talego ser um jovem Syrah, vem a propósito esta citação do escritor Theophile Malvezin, autor francês, contemporâneo de Montaigne, de quem escreveu uma biografia:
“O vinho é feito para ser bebido assim como a mulher é feita para ser amada. Ambos possuem a frescura da juventude ou o esplendor da maturidade, mas não espere pela decrepitude.”

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 6,20€

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5 Outeiros, 100% Syrah, Tejo, 2014

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O Blogue do Syrah acaba de descobrir um novo Syrah. Não no sentido absoluto da palavra, de ter acabado de nascer, mas de até agora ter permanecido desconhecido para nós.

É do Tejo, freguesia de Alcanhões, concelho de Santarém, e o produtor é Manuel Rosa Cândido, Lda.

Tem 14% de graduação alcoólica e foram feitas algumas centenas de garrafas. Não é a primeira safra de Syrah deste produtor, mas é agora que está a querer sair do anonimato, estando nós aqui para dar um empurrão.

Irá sair para o mercado dentro de pouco tempo, faltando unicamente resolver algumas questões relacionadas com a aprovação do rótulo.

As notas de prova dizem-nos que “apresenta uma cor intensa, de forte tonalidade violácea, o nariz revela delicados aromas florais e de fruta vermelha aliados a um evidente toque vegetal, na boca é um vinho correcto, com um paladar frutado e taninos muito redondos, o final de boca tem um comprimento curto.”

Apesar de já o termos provado, e em termos de qualidade ter deixado para trás muitos Syrah, pensamos que mais uns meses de estágio só lhe poderiam ter feito bem, mas isso é uma decisão que só caberia ao produtor.

Vamos pois esperar que esteja disponível para todos, e então faremos uma análise mais completa.

Bem vindo seja à colecção dos Syrah do Tejo!


 

Pactus, Quinta do Carneiro, 100% Syrah, Lisboa, 2007

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Sob o calor ameno deste Verão luminoso, deleitados ante a paisagem serena da Extremadura a escorregar para o Tejo, temos ante nós o Pactus, Syrah da Quinta do Carneiro, situada em Alenquer. Há grandes Syrah em Alenquer, como o nosso leitor assíduo haverá de recordar, mas este Pactus, apesar do nome sonante que possui não é mais que um Syrah razoável, que pode muito bem cumprir a sua missão no dia a dia mas nada mais que isso. Bebe-se, é um Syrah, mas falta-lhe a tenacidade que encontramos em outros “irmãos” da mesma região.

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As terras de Alenquer estendem-se entre a linha sinuosa das elevações argilo-calcárias da cadeia montanhosa de Montejunto e os campos aluviais da margem direita do rio Tejo. Quase um quadrilátero, medindo ligeiramente mais de 300 quilómetros quadrados, desdobrando-se numa paisagem inconstante de montanhas, montes, vales e passagens estreitas, coberta em grande extensão por uma carpete de vinhas, que todos os anos regressa à vida numa mistura fresca de mil e uma cores de verde primaveril e se tinge com a melancolia dos amarelos e vermelhos durante a estação outonal da apanha da uva. É nesta paisagem, olhando o enorme maciço do Montejunto e a calma das águas do Tejo, que está situada a Quinta do Carneiro, trabalho de muitas gerações dedicadas à administração avisada das generosas ofertas da natureza.

De acordo com Guilherme Carlos Henriques em “In Alenquer e o seu Concelho”, 1873, “Quinta do Carneiro deriva do sobrenome do seu actual proprietário, Sua Excelência o Conde de Lumiares; Carneiro e Sousa”.

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A Sociedade Agrícola do Carneiro desenvolve a sua actividade no sector da vinha e do vinho, assumindo a condição de produtor e engarrafador. Possui uma área de cerca de 50 hectares de terrenos argilo-calcários, dispostos em encostas de declive suave, com exposição a Sul, que anualmente produzem, em média, 3.000 hectolitros de vinho das várias castas. A adega está equipada com a mais recente tecnologia sendo possível efectuar todas as operações desde o cacho até à garrafa. Faz parte da adega um pequeno laboratório para análises básicas de forma a se obterem rápidas respostas quanto ao estado dos vinhos/mostos.

A Quinta do Carneiro é beneficiada por um clima influenciado pela transição de um Atlântico temperado para um Mediterrâneo árido. De uma forma lata, o clima da Quinta, decisivamente condicionado pela barreira montanhosa que se estende desde a Serra de Montejunto (600 m), que rodeia a região de Alenquer a Norte e Leste, e que da aos seus vinhos a sua característica única. Estas montanhas constituem uma barreira natural que quebra a influência dos ventos atlânticos dominantes, carregados de humidade e transportando baixas temperaturas. Por outro lado, permitem a penetração do clima mediterrânico, caracterizado por altas temperaturas, baixa humidade e acumulação rápida de calor de verão.

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Voltando ao nosso Syrah, sabemos que estagiou em barricas de carvalho Francês e/ou Americano durante 6 meses, tem uma graduação de 14%, e o enólogo de serviço é Ricardo Santos. As notas de prova dizem que “apresenta uma cor rubi de concentração média e um nariz bem preenchido por aromas de fruta vermelha madura aliados a delicadas notas florais e um leve toque especiado e tostado, na boca é um vinho suave e equilibrado, com taninos polidos e um paladar agradável, cheio de fruta e delicadas notas de especiarias, o final de boca é mediano.”

O grande Aubert de Villaine, erudito proprietário do Domaine de Romaneé-Conti na Borgonha, que produz um dos vinhos mais caros do mundo, disse: “Não fico surpreso que as pessoas não identifiquem estes aromas todos nos vinhos que compram. Eu mesmo não sou capaz de reconhecê-los. Aliás, acho isso muito fastidioso. Não estou interessado nisso, e sim na personalidade do vinho.”

Até podemos concordar com Aubert de Villaine, mas este Pactus também não tem uma personalidade que se possa destacar, mesmo que os aromas sejam os que cada um consiga identificar!

Classificação: 14/20                                                     Preço: 7,50€

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A Quinta do Gradil tem um novo Syrah!!!

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Já sabíamos que a Quinta do Gradil tinha um Syrah, e de qualidade, que oportunamente foi apresentado aqui, produzido em condições especiais e fazendo apelo a uma comunidade de amigos. Foi uma história que nos deu muito prazer contar e que convidamos todos a relerem.

Hoje damos em primeira mão a informação de que a Quinta do Gradil está neste momento a lançar no mercado um novo Syrah, que irá substituir o anterior, e feito em moldes diferentes, com uma produção de 4200 garrafas, ano 2013.

Os enólogos são os da casa, António Ventura e Vera Moreira.

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Estas e outras informações foram gentilmente fornecidas pelo responsável na Quinta do Gradil para o mercado interno, Joaquim Coelho, que, através de um discurso muito claro, nos fez compreender que apesar de este Syrah ser da mesma vinha de 120 hectares existente na Quinta, os processos utilizados não são exactamente os mesmos, nomeadamente o tempo de estágio, que no caso anterior era de 8 meses e neste syrah de 2013 é de 14 meses, e isso faz muita diferença.

A graduação alcoólica é também distinta. O Syrah de 2012 tem 14,5% e o presente tem 14%!

Isto leva-nos a concluir que estamos perante dois Syrah diferenciados, o que leva o texto do rótulo a dizer que se trata de “Um syrah muito expressivo, de cor retinta e aromas intensos de bagas do bosque, pontuados com notas químicas e um toque de mineralidade. Elegante na boca, revela harmonia entre a fruta e os taninos evidentes mas bem integrados, num conjunto enriquecido por 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês. O seu final é prolongado e distinto.”

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Vamos ainda referir um aspecto importante para o consumidor, a que geralmente aqui no Blogue do Syrah damos muita importância: a relação qualidade/preço. E aqui temos mais uma novidade fantástica! O Syrah de 2012 custa 11,50 euros nos poucos sítios onde ainda é possível encontrá-lo, mas claro, na garrafeira Estado d`Alma, sempre à procura do melhor preço, o seu preço é de 9,95 euros. Pois bem, este novo Syrah, que hoje aqui nos traz, vai estar à venda por 5,72 euros, o que representa uma diminuição muito significativa a que não podemos deixar de ser sensíveis.

A Quinta do Gradil está pois de parabéns por esta óptima notícia, agora que o Verão está de vento em popa!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 7,00€


 

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Neste soberbo Alentejo, mais uma vez e sempre, onde só há Syrah de qualidade, encontramos perto da Vila de Portel, Herdade Monte do Outeiro, o Syrah Monte Cruz, do produtor Manuel Bernardino Cruz. Syrah a 100%, graduação alcoólica de 14%. Conhecem-se duas safras, a presente, que está em análise, e a de 2006. As notas de prova dizem que em termos de “aroma no nariz sobressam notas de especiaria e frutos pretos. Em termos de paladar os taninos estão bem equilibrados e conferem uma boa estrutura.”

Se em termos de qualidade estamos perante um Syrah que merece todo a nossa consideração e envolvimento, fica no ar mais uma vez a fastidiosa crítica: a Sociedade Agrícola Monte Cruz, Lda, a proprietária da Herdade Monte do Outeiro, não pratica qualquer tipo divulgação a nível de marketing e partilha de informação, em relação quer à propriedade quer em relação aos seus vinhos, nomeadamente ao Syrah 2009. E quando dizemos que não pratica qualquer tipo divulgação, isto deve ser entendido no sentido literal . Nenhuma! Absolutamente nenhuma! E depois não nos venham alardear que o “negócio” está em crise! Esta sociedade detentora do Syrah monte do Outeiro, não tem site, não tem blogue, não tem sequer presença no Facebook, não está presente em nenhuma outra rede social. Não há como saber detalhes sobre a Herdade, os vinhos, ficha técnica, e por aí adiante. Não há nada em discurso directo sobre esta sociedade e este Syrah. O que há é em sítios informativos, o nome da sociedade, a morada, nº de telefone, para o qual ligámos, em vão, e nº de fax. Mais nada!

Como é que é possível deste modo o público consumidor e amante de Syrah, e deste em particular, ter informação para além do que vem na garrafa? É muito difícil desta forma escrever sobre este Monte Cruz. Nenhuma empresa que se preza pode sobreviver muito tempo se pratica este tipo de postura em termos de mundo digital. E é pena porque este Syrah merecia mais e melhor!

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E pronto, resta-nos falar um pouco de Portel, formosa vila do Distrito de Évora, sede de um município que inclui a agora famosa aldeia de Alqueva, em cujas proximidades se localiza a Barragem com o mesmo nome, e que originou a criação do maior lago artificial da Europa com cerca de 250km2 e quase 1200kms de margens. Estamos pois entre a vasta planície alentejana e a serra de Portel. O castelo, sobranceiro à vila, ergue-se majestoso no cimo de uma colina e foi construído na sequência da doação da vila por D. Afonso III a D. João Peres de Aboim, em 1261, por favores prestados, e pela sua amizade e fidelidade ao Rei.

É assim que proximidades da Vila de Portel, muitos séculos depois, na Herdade Monte do Outeiro, que se produzem vinhos de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente. No mercado podemos encontrar, para além do Monte Cruz Syrah 2009, o Monte Cruz Tinto 2007 e Monte Cruz Antão Vaz 2009. Quem os conhece diz que são vinhos de colheita selecionada, de aroma perfumado, complexidade elegante e persistente. Quem somos nós para discordar.

Napoleão Bonaparte, mais conhecido pelas suas facetas de político e militar, além de amante tumultuoso, era também um enófilo de fino recorte, e nessa qualidade deixou escrito a seguinte verdade:

“Claramente os prazeres que o vinho oferece são transitórios. Mas assim são também os do ballet ou o de uma apresentação musical. Os vinhos inspiram-nos e acrescentam muito ao prazer de viver.”

O Syrah Monte Cruz, só por si, consegue esse objectivo!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 12,09€