Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Estamos em Évora, ao lado da Quinta da Cartuxa, um terroir abençoado por Deus e bonito por natureza, que nos trouxe o fantástico “Scala Coeli” já por nós analisado, para apresentar ao mundo português um Syrah a 100%, e ainda por cima biológico, que nos deixou em completo êxtase, pela maravilha do conjunto que representa: aroma, cor, e aquela simplicidade complexa de paladar, que nos leva para além do mensurável. Mas atenção: é preciso algum tempo e pelo menos duas garrafas bebidas com amigos, para chegarmos à conclusão de que estamos perante o culminar da perfeição em termos de um vinho tinto.

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E agora, antes de contarmos a história do Dona Dorinda, deixem-nos cumprir um desabafo: estamos prestes a concluir que o concelho de Évora poderá muito bem ser o lugar cimeiro dos Syrah portugueses. Vejam bem: Grande Comenda, de que falaremos brevemente, Scala Coeli, que já referimos, Humanitas, que sairá brevemente e agora este transcendente e elegante Dona Dorinda. Muitos Syrah topo de gama num único concelho, é obra!

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Continuemos. Tudo começa quando um casal constituído por um holandês, Winkelman, e uma norte-americana, Dorinda, nome de origem indígena, decidem há mais ou menos uma década vir passar férias à nossa Lusitânia. Conhecem, entre outros lugares, Évora, e ele, já com uma grande paixão pelos vinhos do Vale du Rhône, decide comprar um terreno, que liga com a cidade, para plantar uma vinha. Conhecem um alentejano de quatro costados, Vítor Conceição de seu nome, “um bom moço” como só os alentejanos costumam dizer, que mete mãos à obra e realiza o sonho do ecléctico par: dar vida a uma vinha com 85% de Syrah e 15% de Viognier, como manda a tradição francesa.

A primeira safra ainda se consegue encontrar por aí, já na sua ponta final, pois quase toda ela, à excepção da cidade de Évora, foi para o mercado externo principalmente para a cidade de Nova York para abastecer dois restaurantes de luxo em que a Dona Dorinda é vendido a 90 dólares a garrafa. Agora, e durante sabe-se lá quanto tempo, também se vende na garrafeira Estado de Alma. Quem ficar com água na boca de nos ler, pode correr para lá em busca de um néctar para lá do imaginável.

E agora alguns dados sobre a vinificação. Vindima manual nocturna. Maceração carbónica a frio cerca de 12 meses. O envelhecimento esse foi feito em carvalho francês, pois claro, durante 12 meses. As notas de prova dizem-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.”

As práticas de agricultura biológica, integradas sempre que possível com Agricultura biodinâmica, revelaram-se uma verdadeira experiência de novas, ou ancestrais melhor dizendo, técnicas de produção, visando sempre a preservação da natureza como um todo sustentável. Alinhada com as estrelas, a vinha com cerca de dois hectares, (embora entretanto mais hectares tenham sido plantados) encontra-se instalada em forma de “meia-lua”, chamando a si as boas energias que o Universo tem para nos oferecer. Notável!

O produtor indica na ficha técnica que o prazo de evolução do Dona Dorinda é de 10 anos. Neste momento não conseguimos imaginar o que será por essa altura, mas há uma coisa que por experiência sabemos: este Syrah vai ter seguramente uma longevidade muito superior a 10 anos. Não temos dúvidas sobre isso!

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Com uma tiragem maior, este Syrah poderia tornar-se um verdadeiro ícone nos Syrah do mundo. Para nós é já uma referência que não podemos dispensar!

Umas palavras também para o design da garrafa, de um cuidado extremo, que, segundo os produtores, demorou muitos meses a conceber, até chegar a este requinte de graça e estilo muito próprios. Gostamos imensamente.

Duas pequenas notas são necessárias ainda.
A primeira, um agradecimento público ao José Pombinho, de Évora, leitor assíduo do Blogue do Syrah, que nos alertou em primeira mão para a excelência do Dona Dorinda, um muito obrigado.
A segunda para dizer que a Quinta de Nossa Senhora da Conceição não se vai ficar por aqui. A segunda metade do ano promete ser de bom augúrio! É que está previsto a saída de duas safras do Dona Dorinda: a de 2011,ou seja, a anterior a esta que analisamos e a novíssima de 2013. A concretizar-se esta intenção, podemos ter de concluir que este pode ficar para a história como o “ano Dorinda”!

Este é de facto um texto pleno de pontos de exclamação, pelos melhores motivos.
E mais um: reparem na relação qualidade-preço!

Habitualmente o Blogue do Syrah apresenta uma citação dum autor minimamente consagrado para acompanhar o Syrah analisado. Hoje apresentamos a nossa própria reflexão pessoal, influenciada pela degustação de um Dona Dorinda celestial, que deixa marca indelével e sagrada:

“O Syrah é o único objecto religioso!”

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 16,95€

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3 thoughts on “Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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