D´Arada, Sociedade Agrícola Quinta Margem D´Arada, 100% Syrah, Lisboa, 2007

arada_garrafa

Até à região vitivinícola de Lisboa rumamos hoje e mais uma vez para conhecer um Syrah de Alenquer, Quinta Margem D´Arada.

É mais um Syrah que enquadramos na categoria de “fraquinhos”, no sentido de caminharem para o exangue, combalido, sem chama, de aromas pouco pautados, pouco encorpados, aguados mesmo, e por aí adiante. É um Syrah com graduação alcoólica de 13,5%, do qual conhecemos esta safra de 2007, tendo já havido uma anterior em 2005, que já não conhecemos e por isso não falamos. Dá para beber no dia a dia, desde que não se tenha o pretensiosismo de querer algo acima da média, e com uma razoável relação qualidade-preço.

Apenas pelas directorias que falam dos percursos pela Rota da Vinha e do Vinho do Oeste se ouve falar desta Sociedade Agrícola Quinta Margem d’Arada, que integra três propriedades – Quinta da Margem D’Arada, Quinta da Bichinha e Quinta da Boavista. Propriedade muito antiga, com existência comprovada na época romana, a Quinta da Margem D’Arada recebe os visitantes que a ela se dirigem numa visita guiada, numa magnífica sala decorada com elementos que não deixam esquecer que se está numa propriedade agrícola dedicada à produção vinícola.

Fernanda Filipe faz as «honras da casa» e não deixa de recordar a antiguidade da propriedade explicando que está documentada nos inúmeros objectos arqueológicos ali encontrados. Outros documentos ancestrais ligam-na ao episódio da morte de D. Inês de Castro: pertenceu a Lopo de Pacheco, pai do «carrasco» da aia da rainha.

arada_vinhas

Actualmente tem 50 hectares em produção plena, a Sociedade Agrícola Quinta Margem d’Arada aposta ainda maioritariamente no mercado nacional. Entretanto, 20 por cento da sua produção já é destinada ao estrangeiro, nomeadamente a Alemanha, França, Suécia, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe, Estados Unidos, Goa e China.

Mas os responsáveis da Sociedade não se ficaram pelos vinhos, apesar dessa ser a sua actividade primordial. A estes, junta-se a produção de doces e compotas caseiros, de que o «Doce de Vinho» é o ex-libris. “Esta é uma das poucas especialidades gastronómicas da região e caiu de laboração”, explica Fernanda Filipe, recordando ainda que a iguaria era conhecida como «Doce dos Pobres». Feito a partir do mosto da uva, antes da fermentação, e com uma larga variedade de frutas, é um doce «natural», já que o único açúcar que apresenta é o das frutas.

A história rica que esta propriedade documenta não retira uma vírgula ao que dissemos anteriormente em relação ao Syrah que produz!

Numa expressão curta e de tipo popular poderíamos dizer que se trata de um Syrah que não aquece nem arrefece. É no entanto, como já ficou sublinhado, bebível, ao contrário de outros do mesmo calibre!

O mestre português da casta baga, típica da Bairrada, o engenheiro Luís Pato, disse uma vez: “Não se pode fazer vinho ao acaso – a Qualidade é o que o consumidor gosta e paga.”


Neste caso paga-se e não se gosta por aí além… e por vezes é assim!

Classificação: 14/20                                                    Preço: 4,80€


 

Leave a Reply