Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Havia muito que era devido começarmos a falar de Cortes de Cima e, claro, dos seus Syrah. Até que chegou a sua hora, que tudo acontece quando tem de ser.

Antes disto houve questões importantes que quisemos colocar a quem de direito e que não estavam respondidas no site oficial da herdade ou em qualquer dos outros lugares habituais. Já em 2013 tentámos um primeiro contacto telefónico. Nessa altura não havia ainda Blogue do Syrah e as tentativas foram infrutíferas. Em Agosto de 2015 estávamos a 50 km de Cortes de Cima e voltámos a telefonar. O simpático José Eduardo, que atendeu o telefone, o homem da informática de Cortes de Cima entre outras coisas, já conhecia o Blogue do Syrah e conseguiu que fossemos recebidos nesse mesmo dia com a dinâmica e empenhada assistente de enologia Helena Sardinha. Aos dois um obrigado especial do Blogue do Syrah, ainda mais porque na véspera de sermos recebidos tinham começado as vindimas em Cortes de Cima, e sabemos bem de como a vida de uma propriedade agrícola é bem complicada na época das vindimas, seguramente a altura mais importante do ano!

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Falar de Syrah no Baixo Alentejo é falar obrigatoriamente de Cortes de Cima. Quando ainda por cima lá existem três Syrah! Se exceptuarmos a Quinta do Monte d`Oiro, de que iremos falar brevemente, Cortes de Cima é a propriedade agrícola que tem mais Syrah em simultâneo. E que igualmente apresenta maior continuidade durante mais safras de todo o país. Só isso chegaria para marcar a diferença. Mas há uma outra questão ainda mais importante: são todos de classe superior, diríamos mesmo mais, são todos especiais e empolgantes!

Hoje não iremos falar do Syrah da gama de entrada, também não falaremos ainda do topo de gama da casa e que foi o primeiro Syrah que Cortes de Cima produziu e que tem uma história incrível que iremos contar outro dia, mas do Syrah do meio, digamos assim, que foi o primeiro dos três que conhecemos.

A história conta-se desta forma singela: quando começou a nossa aventura de descobrir e divulgar os Syrah portugueses, este Homenagem foi dos primeiros a surgir na nossa investigação, mesmo também por se encontra largamente disponível em cadeias de hipermercados, e desde logo o nome suscitou enorme surpresa e curiosidade. Conhecíamos o escritor de contos para crianças Hans Christian Andersen mas não compreendíamos o porquê de um vinho alentejano ter o nome de um escritor dinamarquês. Como se diz em bom vernáculo: “Não batia a bota com a perdigota”. E isso levou-nos a investigar a história por detrás deste nome. Aí ficámos a saber que o produtor de Cortes de Cima, Hans Kristian Jorgensen, reparem na similitude dos nomes, é originário da Dinamarca e que se estabeleceu em Portugal com a mulher Carrie Jorgensen nesse ano já longínquo de 1988, e mudou o mapa dos vinhos alentejanos para sempre. Este Syrah foi na altura um desafio lançado pela embaixada da Dinamarca em Portugal para comemorar o 2º centenário do nascimento do supracitado escritor de contos infantis, Hans Christian Andersen (1805-1875). Três Dinamarqueses, Hans Kristian Jorgensen, o viticultor e enólogo de Cortes de Cima, juntamente com a sua prima, a artista gráfica Karen Blincoe, e a sua filha, a artista Anna, uniram-se para criar um vinho muito especial, e logo 100% Syrah, como nós gostamos que seja!

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No ano de 1866, Hans Christian Andersen viveu três meses em Portugal, país ao qual chamou o “paraíso terrestre”, vá-se lá hoje compreender porquê. O texto contido na parte da frente da etiqueta que costuma acompanhar o Homenagem foi retirado do conto “O Sapo”, escrito durante a sua estadia em Portugal. Para assinalar este evento, foi criada a Fundação “HCA-abc”, instituída em nome de H. C. Andersen, com a finalidade de permitir que crianças e jovens de todo o mundo, tenham a oportunidade de aprender a ler e escrever. Para ajudar o objectivo humanitário desta Fundação, a Cortes de Cima faz uma doação por cada garrafa vendida. Beber este Syrah é também um acto filantrópico!

Produzido exclusivamente a partir da casta Syrah, as uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano, maturou assim até ao engarrafamento, em Julho de 2012. A graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova que escolhemos falam de “aromas de frutos de bago escuro, groselha, mirtilos e cássis. Elegante no palato, revela fruta distinta e saborosa com madeira de qualidade bem integrada. Equilíbrio notável, boa estrutura de taninos, longo e persistente.” Nós acrescentaríamos a plenitude cultural, união de literatura em forma de subtil néctar com eflúvios de planície alongada sobre o horizonte setentrional. A colheita, produção e engarrafamento é feita na propriedade de Cortes de Cima. A tiragem foi de 12300 garrafas.

O Homenagem a Hans Christian Andersen teve até ao momento 7 safras. A de 2003, 2004, 2007, 2008, 2009, 2012 e a presente em análise de 2011. Estas constância de safras são a melhor prova do êxito deste Syrah que foi elaborado para ter uma vida curta, de um só ano comemorativo,  mas que está aí para durar, sendo assim uma interminável e merecida homenagem, para nossa grande exultação!

“Dai-me Syrah para apagar as marcas que o tempo faz!” dizia o grande ensaísta, orador e poeta americano Ralph Waldo Emerson, fonte quase inesgotável de sabedoria, ou melhor ainda se o dizer for no idioma original: “Give me Syrah to wash me clean of the weather-stains of cares”.
Mas se o Syrah for esta benfazeja Homenagem a Hans Christian Andersen, as marcas do tempo e da vida ficarão apagadas muito mais alongadamente!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 30,00€

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One thought on “Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

  1. provei este vinho no restaurante álvaro (grande, enorme cozinha…) na Urra, perto de portalegre. curiosamente, a primeira edicao do vinho e a preço muito convidativo…

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