Quinta do Monte d´Oiro: lugar abençoado pelo Syrah – Parte I

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Os últimos serão os primeiros? Pode ser, eventualmente, porque chegou a altura de falar de uma quinta na região de Alenquer, com a dita de ter sido abençoada pelo nascimento não apenas de um Syrah, mas de vários Syrah, todos de excelência! Apesar de não ter só Syrah, é esta casta que ocupa a maior área da quinta e produz os vinhos de maior impacto dentro e fora do país.

aqui falamos do homem que começou e deu corpo ao projecto da Quinta do Monte d´Oiro e nomeámos os Syrah que produziu ao longo dos últimos 18 anos, apresentando-se como um dos iniciadores da casta Syrah em Portugal. Na região vitivinícola de Lisboa, anteriormente chamada de Estremadura, não há dúvidas de que José Bento dos Santos foi o introdutor do Syrah. Hoje em dia, apesar da sua presença ainda ser fundamental nas decisões mais importantes, é o seu filho Francisco Bento dos Santos que tem a responsabilidade de liderar a equipa que resolve os problemas do dia a dia que a quinta apresenta, estando presente em muitas das feiras em diversos momentos de divulgação dos vinhos da quinta. É ele que actualmente dá a cara pela quinta.

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Localizada na região de Lisboa, a Quinta do Monte d’Oiro é uma referência, desde o séc. XVII, na produção de vinhos notáveis. Foi adquirida em 1986 pelo mestre gastronómico José Bento dos Santos, que replantou as melhores parcelas – após vários anos de estudos sobre as condições edafo-climáticas – com as castas que melhor se adaptaram aos seus desígnios de elaborar vinhos de qualidade superior, ao estilo europeu (“Velho Mundo”), que ao mesmo tempo fossem vinhos de requintado sentido gastronómico, com um perfil eminentemente talhado para acompanhar em perfeita harmonia pratos de uma genuína cozinha regional, clássica ou alta cozinha. Após os primeiros anos de consolidação, a Quinta do Monte d’Oiro entrou numa nova fase da sua história a partir da colheita de 2006, lançando para o mercado uma nova imagem e vinhos provenientes de uma conversão para a agricultura biológica sem recurso a herbicidas. O rigor é o lema da Quinta do Monte d’Oiro, desde o trabalho na vinha, passando pelos processos de vinificação e terminando na escolha das barricas de carvalho francês das melhores tanoarias, a cargo da enóloga Graça Gonçalves com o apoio técnico de Grégory Viennois, antigo enólogo-chefe da Casa M. Chapoutier e actualmente à frente da direcção técnica dos vinhos Laroche. Os prémios nacionais e internacionais sucedem-se.

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Dos 42 hectares da propriedade, apenas 20 hectares foram replantados com as castas Syrah, Viognier e Petit Verdot, importadas directamente das suas regiões originais em França, e com as castas portuguesas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Arinto.

Existe a preocupação de produzir uvas com rendimentos muito baixos, incrementando a qualidade enológica que se pretende dos vinhos. A partir da colheita de 2006 passaram a existir duas famílias de vinhos: os vinhos de “terroir” e os vinhos de “cépage“, com a assinatura José Bento dos Santos.

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Assim, para além de ter sido privilegiado o desenvolvimento vegetativo das videiras, o tratamento da vinha é muito exigente e praticam-se rendimentos de produção por hectare muito baixos através de podas severas e mondas de cachos significativas, sempre em modo de produção biológica. A vindima é feita à mão, como testemunhámos na visita que fizemos à quinta, para caixas de 15 kg, por forma às uvas chegarem intactas à adega. A vinificação, que decorre separadamente por casta e por parcela, é extremamente cuidada, com controlo rigoroso e individual da temperatura dos mostos. Utilizam-se ainda barricas novas e seleccionadas de carvalho francês em estágios prolongados de 12 a 24 meses. Este “savoir faire” garante um resultado que se tem vindo a revelar, ao longo dos anos, superlativo e consistente. De facto, colheita após colheita, os diversos vinhos da Quinta do Monte d’Oiro recebem o apoio unânime da crítica e do público em Portugal e no estrangeiro, estando presentes em importantes mercados internacionais tais como Holanda, França, Suíça, Reino Unido, Finlândia, República Checa, E.U.A., Brasil, Angola e China e nas Cartas de Vinhos de alguns dos mais famosos restaurantes europeus e americanos.

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Falemos então dos Syrah que esta quinta tem produzido desde 1997.Comecemos por dizer que a frase mais apelativa e forte que o Francisco Bento dos Santos utilizou na visita que o Blogue do Syrah fez à Quinta do Monte d’Oiro foi: “Somos especialistas em Syrah” e isso para nós toca-nos de modo muito especial. Apetece responder com uma frase da nossa lavra:
“O Syrah dá-te a possibilidade de perder a inocência, sem perder a virgindade.”
A opção Syrah em toda a sua pujança que levou a esta especialização deve-se à paixão do fundador José Bento dos Santos pelos grande vinhos do Rhône, onde a nossa casta é soberana, igualmente pelas características do “terroir”, que se veio a revelar ideal sendo uma aposta ganha, e depois toda a aprendizagem e experiência que se foi desenvolvendo e acumulando ao longo dos anos.

Temos em primeiro lugar o Reserva, que existe desde 1997, (o Blogue do Syrah teve um exemplar desse ano nas mãos, durante a já referida e memorável visita) que é para a Quinta o Syrah que não pode deixar de ser produzido. Tem 4% de Viognier (em co-fermentação) e é o Syrah mais parecido com os Syrah franceses do Vale do Rhône, considerada a referência a nível mundial.
Olhar para esta garrafa é sentir o tempo apurado em eflúvios ancestrais!

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A tiragem corrente tem 14% de graduação alcoólica e produzem-se em média 24 mil garrafas. É o seu Syrah de marca! As notas de prova que escolhemos dizem que é um vinho de “Rubi concentrado, negro. Aroma frutado com predominância para as ameixas pretas bem maduras e frutos do bosque, ligeiras notas tostadas e de especiarias finas. Elegante na boca, revela um conjunto equilibrado entre a fruta e a madeira bem integrada, taninos aveludados, acidez correcta, final muito prolongado e distinto.” Teve um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% eram novas.

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De seguida temos o Syrah 24, o nosso preferido!
Apenas se produzem 900 garrafas por safra, e com 14% de graduação alcoólica, mais um vez referida à safra actual. A designação 24 provém do facto das uvas terem origem numa parcela de vinha com esse número. Complexo, com notas de frutos pretos e sugestões de compota, chocolate, especiarias e uma sugestiva e discreta presença de barrica de alta qualidade. Um vinho muito atraente, moderno, com belíssimos taninos, acetinado na boca. Este vinho foi elaborado a partir de uma seleção massal de Syrah, plantada na parcela 24 de somente 2 hectares e proveniente de vinhas velhas (com mais de 60 anos) da região francesa de Hermitage. A grande variabilidade genética nesta parcela, origina, assim, um vinho de extrema complexidade. “Estamos perante uma vinha perfeita de Syrah”, afirma Grégory Viennois, o experiente enólogo francês que acompanha a vitivinicultura da Quinta do Monte d’Oiro. Tem sido desde o seu lançamento alvo de integralmente merecidas pontuações bastante elevadas pelos maiores especialistas.
O nosso  SYRAH 24, produzido por José Bento dos Santos na Quinta do Monte d’Oiro, já recebeu por três vezes (2007, 2009 e 2011) a classificação de 93 pontos pela prestigiada Wine Advocate, de Robert Parker (o mais famoso crítico de vinhos do mundo), o que o coloca entre o grupo de vinhos portugueses a que Parker atribuiu uma pontuação igual ou superior a 93.
É um feito notável!

Continuaremos esta saga em próximo texto, que ainda há muito para contar. Por hoje é tudo.

 

Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 94% Syrah, 6% Viognier, Lisboa, 2011
Classificação: 17/20                                                     Preço: 34,00€

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Syrah 24, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2011
Classificação: 18/20                                                    Preço: 53,00€

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