António Maçanita, mais um enólogo dos nossos, e que só sabe fazer Syrah topo de gama!

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Desde a segunda metade dos anos 90 que existe Syrah em Portugal.
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação dessa história.
Como já dissemos várias vezes, em terras lusitanas produz-se algum do melhor Syrah do mundo!
Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah divulgue quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo e são os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos do Syrah em Portugal, cabe-nos hoje a honra de apresentar António Maçanita, que é, nem mais nem menos, o mais jovem mestre na arte milenar de fazer Syrah, e como está comprovado só sabe fazer Syrah topo de gama.

Aqui vão eles.

Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 100% Syrah, Alentejo
(várias safras) Classificação: 18/20

Cem Reis, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo
(várias safras) Classificação: 18/20

Mil Reis, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2013
(Até agora) Classificação: 20/20

Vejamos cada um em pormenor.

 

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Brett Edition, 100% Syrah, Alentejo

Trata-se de um Syrah revolucionário que repugna uns e deixa de boca aberta outros como foi o nosso caso:
O “Brett” título, nome curto para designar a levedura «Brettanomyces/Dekkera», tem a capacidade de produzir determinado tipo de aromas, que se tentam descrever falando em suor de cavalo, cabedal e outros. Defeito ou virtude é parte da composição do aroma dos grandes clássicos de sempre e é, por muitos, apelidado como a “complexidade do velho mundo”. No entanto, é por outro lado, também, considerado por muitos um escandaloso defeito. Esta edição do Brett é um desses casos em que a natureza decidiu tomar liderança na enologia, estagiando parte do vinho nas barricas da edição anterior. E é aqui que reside a explicação: um Syrah ‘infectado’, de modo natural, pela levedura Brettanomyces. O resultado é um néctar multidimensional, produzindo o “Brett” níveis de complexidade aromática, que só seriam possíveis com vários anos de garrafa, mas mantendo ainda toda a fruta.

 

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Cem Reis, 100% Syrah, Alentejo

O CEM REIS Syrah congrega em si dois aspectos que, como consumidores apaixonados pela casta, muito prezamos. Em primeiro lugar porque se trata de um Syrah de qualidade superior. Em segundo, e ao contrário do que é habitual, a maior parte da produção fica e é consumida em Portugal.
O CEM REIS Syrah teve a sua primeira edição em 2005 com 8000 garrafas. As safras seguintes de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 assistiram ao aumento gradual mas consistente da produção até se atingir as 15000 garrafas nas últimas safras e igualmente na última de 2013.

 

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Mil Reis, 100% Syrah, Alentejo

Não há muitos Syrah assim!
Este Mil Réis Syrah, primeira safra, e não sabemos para já se haverá uma segunda, é um Syrah estratosférico, planando na sua atmosfera para além deste mundo!
Quando começámos esta aventura em favor dos Syrah portugueses, já sabíamos mais ou menos ao que vínhamos, mas o percurso continua a surpreender-nos, pois temos encontrado vários Syrah de uma qualidade incrivelmente excepcional.
Este é mais um!
E a cada novo Syrah extraordinário mais nos convencemos que o tempo que dedicamos a este Blogue é amplamente recompensado.
Não tenham dúvidas: apesar de se poder pensar que o seu preço é algo exagerado quem o beber tirará todo o proveito da sua excelência e não terá motivo para se arrepender!
Perguntámos a Mollet, quando o encontrámos este ano na mostra de Vinhos do Alentejo, em Belém, o porquê do preço… a resposta foi simples: “Já o bebeu?”
Fica na história como um dos cinco melhores Syrah que alguma vez foram feitos! Vale 20!!!

 

António Maçanita é pois, segundo o Blogue do Syrah, o principal enólogo português da sua geração, criando Syrahs que são consecutivamente reconhecidos nas competições e publicações de maior prestígio. Fundador e proprietário da FITAPRETA, António Maçanita é também enólogo consultor de variadíssimos produtores de vinho há mais de 13 anos através de sua empresa de consultoria Wine ID.

Filho de pai açoreano e mãe alentejana, tal facto explica em parte a sua ligação quer ao Alentejo como quer aos Açores na elaboração de vinhos.

Natural de Lisboa, onde nasceu em 1979, teve o seu primeiro contacto com vinhas aos 4 anos, brincando nas vinhas durante a vindima, bebendo sumo de uva fresco das cubas e pisando a pé as uvas na adega de um primo.

Aos 18 anos a sua vida era mais caça submarina e surf do que propriamente estudar. Inicialmente pensou em ir para Biologia Marinha, mas um professor convenceu-o a escolher Ciências Agronómicas, um grau mais genérico que poderia ser utilizado para estudos mais avançados. Inscreveu-se no curso mas por alguma razão enganou-se nos códigos e acabou por entrar para Engenharia Agro-Industrial que incluía Enologia. E foi assim que um capricho do destino o levou para o caminho da enologia.

Na universidade o entusiasmo pelas vinhas foi imediato, levando-o a envolver-se na plantação de uma vinha nos Açores, seguido de estágios em Napa Valley, primeiro em Merryvale (2001) e depois em Rudd Estate (2002). Terminado o seu curso trabalhou na adega D’Arenberg, Austrália (2003) antes de decidir ir para a meca da enologia em Bordéus. Para o conseguir fez um acordo com um clube de rugby local e em troca arranjariam um estágio num produtor de vinhos local.
Enquanto aguardava a decisão, terminou a vindima de 2003 num produtor que é hoje uma referência no mundo dos vinhos, a Malhadinha Nova. Chegou a noticia que tinha conseguido o estágio em França e partiu para o Chateau Lynch Bages em Bordéus.

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Em 2004 criou com o sócio David Booth a empresa FITAPRETA Vinhos, em que o seu primeiro vinho, o Preta 2004 foi galardoado com o “Trophy Alentejo no IWC em Londres” prémio atribuído apenas uma vez antes em 22 anos de concurso. Desde então os prémios têm sido diversos na crítica internacional, tanto na FITAPRETA como nas várias adegas e produtores de vinho do Sul das quais é consultor de enologia.

Desde de 2006 que trabalha com diversos chefes de cozinha em projectos de harmonização de vinho e comida leccionando desde 2010 a Disciplina de “Harmonização de Vinhos” para chefes de cozinha na Escola Hoteleira de Ponta Delgada. É ainda convidado todos os anos para leccionar uma aula no Mestrado de Enologia e Viticultura no ISA e na licenciatura em Empreendedorismo, assim como para diversos seminários internacionais. Desenvolveu vários projectos de produção portugueses em regiões improváveis, a partir de castas em extinção, de adegas em quase falência, que se tornaram projectos vencedores e de prestígio internacional.

Comunicador natural, António Maçanita desdobra-se em percursos pelo mundo, promovendo a sua Empresa FitaPreta Vinhos, participando em vários programas de televisão, que vão desde a culinária a temas empresariais.

A revista Visão publicou não há muitas semanas um artigo sobre os vinhos dos Açores, e de António Maçanita em particular, assinado por Manuel Gonçalves da Silva e com o título Vinhos dos Açores – Uma história Singular. António Maçanita publicou esse texto num grupo sobre vinhos do Facebook e ao qual o Blogue do Syrah teve a possibilidade de escrever esta pequena missiva:
“Caro António Maçanita, faça vinhos no Pico, no fim do mundo ou nas terras do demo, mas não deixe de fazer Syrah! Esta semana voltámos a beber o Brett Edition desta vez de 2007 e estava fantástico!! O 100 Reis continua a ser uma referência que tem que manter! O 1000 Reis é o melhor Syrah de 2015 segundo o Blogue do Syrah! Faça todos os vinhos que entender e puder mas não pode nem deve desistir dos Syrah nomeadamente do Alto Alentejo! Um abraço!!”


 

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