Monthly Archives: December 2016

Quinto Elemento, Quinta do Arrobe, 100% Syrah, Tejo, 2013

Estamos perante a terceira colheita do monovarietal Syrah Quinto Elemento, da Quinta do Arrobe. As outras duas foram nos anos transactos. Esperemos que seja para continuar, como sempre, e com a nossa ajuda. Trata-se de um Syrah “de cor rubi carregada. Com aromas de amora, ameixa e notas de especiaria. Na boca é encorpado, macio, equilibrado e com um final de prova prolongado.” As uvas provenientes da vindima manual foram cuidadosamente desengaçadas e esmagadas. Seguiu-se a fermentação alcoólica com maceração pelicular durante duas semanas a uma temperatura de 25ºC. O vinho acabado estagia durante cerca de um ano até ao seu engarrafamento.

A Quinta do Arrobe é um pequeno produtor do Tejo, com 36 hectares de vinha com uva tinta e branca. Situada em Casével, Santarém, é uma propriedade familiar, dirigida por Maria e Alexandre Gaspar, com forte vocação exportadora que se dedica à produção de vinhos. A ligação da família ao sector vinícola teve início em 1882, resultando de uma tradição de várias gerações. O processo de internacionalização iniciou-se em 2007 e neste momento a Quinta do Arrobe já regista presença em 10 mercados, nas gamas Premium e Superpremium, que são exportadas para países como a Alemanha, Brasil, Luxemburgo, República Checa, Noruega e China.

Na Quinta das Casas Altas, no coração do Ribatejo, em terrenos argilo-calcários de encosta, apostou-se na ideia de produzir vinhos de qualidade, tirando proveito das condições edafoclimáticas, com total respeito pelas riquezas naturais, história e ambiente únicos da região. Assumindo sempre o compromisso de apostar na criação das melhores condições, visionando continuamente a qualidade, investiu-se em equipamento enológico. A Quinta Do Arrobe, criada em 2011, juntou-se recentemente ao universo Quinta das Casas Altas, como reforço da estratégia de crescimento e desenvolvimento contínuo.

A propósito das medalhas ganhas Alexandre Gaspar, um dos proprietários, diz que “Este prémio é o reconhecimento da qualidade produzida na Quinta do Arrobe e do enorme potencial dos vinhos da região Tejo no mercado internacional”. Para conseguir melhores resultados Alexandre Gaspar vindima à noite ou de madrugada e a vinificação decorre em lagares de inox. Todo o processo é feito de forma tradicional mas recorre às novas tecnologias quando é essencial “trabalhamos o máximo por gravidade e o mínimo com recursos de bombas”. Os vinhos estão à venda em lojas da especialidade, restaurantes ou na quinta, que, obviamente, merece uma visita.

O naturalista romano Plínio, o Velho dizia que “Com o vinho se alimentam as forças, o sangue e o calor dos homens.”
O Syrah Quinto Elemento pode muito bem ser este vinho que o escritor nos fala, a visitar com regularidade!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,95€


 

 

 

Pynga, Vale da Capucha, 100% Syrah, Lisboa, 2014

A anterior colheita e primeira deste Pynga Syrah, de 2012, tinha 3% de viognier. Este de 2014 é já Syrah 100%!
Do produtor e enólogo Pedro Marques, este Syrah do concelho de Torres Vedras é um Syrah biológico, sempre um adicional de qualidade para o que já é superlativo!

As notas de prova que escolhemos falam de um “vinho com carácter e personalidade vincada. As vinhas gozam de influência marítima o que confere às uvas uma frescura e equilíbrio singulares.” A graduação alcoólica é de 14 %. Para criar este e os outros vinhos no Vale da Capucha, as videiras foram plantadas em solos calcários de origem oceânica. A expressão da influência marítima é assegurada por uma intervenção humana máxima na vinha e mínima na adega.

A Vale da Capucha, Agricultura e Turismo Rural, Lda, iniciou a sua actividade vitivinícola em 2006 na Quinta de S. José em Carvalhal, Torres Vedras.
A empresa, herdeira de gerações de produtores/armazenistas de vinho desde 1858 alterou profundamente a sua vitivinicultura em 2006, com o arranque de todas as vinhas existentes e a instalação maioritária de castas brancas portuguesas. Apenas a 10 km da faixa costeira e da influência marítima, os solos fossilíferos argilo-calcários de origem oceânica, juntamente com as pequenas amplitudes térmicas que permitem o lento amadurecimento dos brancos sem os escaldões do verão, são duas das variáveis que dão corpo a um terroir único para a produção de vinhos brancos do segmento premium. Uvas como o Alvarinho, o Gouveio, o Viosinho, o Arinto, o Fernão Pires e o Antão Vaz (primeira produção na Região) são a matéria-prima que tem produzido vinhos reconhecidos nos mercados mais exigentes do Reino-Unido, Alemanha, Suíça, Bélgica, Brasil, Polónia e brevemente o Japão, Estados Unidos, Noruega e Canadá. Nos tintos seleccionou-se a Touriga Nacional e a Tinta Roriz para produzir vinhos tintos encorpados e com boa capacidade de envelhecimento. Duas castas francesas completam as variedades de uva com que se criam os vinhos, a Viognier e naturalmente a nossa bem amada Syrah. Iniciado em 2012 o caminho da Certificação em Modo de Produção Biológico, foi a partir de 2015 que os primeiros vinhos com essa chancela no rótulo.

A vertente do enoturismo conta com a utilização da Adega original, rara representante, ainda de pé, da construção agrícola em madeira do séc. XIX. Aí, para além de provas temáticas, a gastronomia regional tem expressão nas variadas ementas produzidas para eventos, refeições a pequenos grupos e provas de vinhos. A Quinta Pedagógica e as actividades de formação básica nas áreas de Enologia e da Ecologia, criam um interessante ambiente de proximidade entre os visitantes e a agricultura sustentável.

Para finalizar teremos que concluir como dizia Goethe que  “O vinho alegra o coração do homem; e a alegria é a mãe de todas as virtudes.”
E este Pynga, como bom que é, está fácil de alegrar… vamos a isso!

Classificação: 17/20                                                   Preço: 7,65€


 

Syrah, Natal, Pecado, e o segredo da Uva

Hoje, que estamos perto do Natal, em vez de colocarmos a citação no fim, como é habitual, a mesma vai no princípio:

“Considera com indulgência os que bebem até à embriaguez. Lembra-te de que tens defeitos maiores.”
Omar Khayyám – (1048/1131). Matemático, astrónomo, filósofo e poeta iraniano. Um dos cientistas mais influentes da idade média.

Neste Irão actual, é proibido usar a palavra ‘vinho’ em documentos oficiais, livros, revistas, etc. E logo quando foi o Irão um dos primeiros e mais importantes produtores de vinho no médio oriente desde os inícios da humanidade. E o nosso bem amado Syrah deve provavelmente o seu nome a uma cidade Iraniana, Shiraz.

Outro facto relacionado com esta região e o Natal, diz que um grupo de cientistas da Universidade de Ariel, na Cisjordânia anunciou que está a tentar recriar o vinho que se bebia há 2 mil anos, para “recuperar e poder sentir no próprio paladar o sabor, o aroma, a cor e a textura que sentiu Jesus Cristo em sua época.” Para isso, o primeiro passo é a recuperação da Dabouki, a casta com a qual era elaborado o vinho da época. O processo ocorre através de transferência de material genético de sementes de uvas antigas para uvas actuais, algo tipo Jurassic Park, mas sem a parte do Tiranossauro Rex. A pesquisa inclui também a análise de tonéis feitos com barro, encontrados nas ruínas de diversos templos judaicos. Esse grupo de cientistas já conseguiu produzir vinho a partir da uva Maaravi, uma variedade considerada extinta e que era cultivada no leste de Belém, por volta do ano 220 d.C.

Portanto temos um país, Irão, que renega a sua relação com as raízes do vinho e outro tenta resgatá-la.

Numa degustação técnica moderna e de nível internacional, os profissionais falam de aromas, sabores e defeitos do vinho que são regidos por normas de organizações internacionais. A WSET, por exemplo, é uma organização internacionalmente reconhecida no mundo do vinho e suas fichas de degustação são uma das mais utilizadas nos meios profissionais do vinho.

Como classificar pois vinhos desta natureza, recriados a partir de castas de outras eras? Vamos pensar nisto este Natal, enquanto degustamos o nosso Syrah preferido, que sim é uma casta também ancestral! Como dizia o nosso sábio Omar:

“Ah, encha a taça: de que vale repetir
Que o tempo passa rápido sob nossos pés:
Não nascido no amanhã, e falecido ontem,
Por que angustiar-se frente a eles, se o hoje pode ser doce?”

Continuando a falar de vinho nesta quadra natalícia, este nosso néctar de eleição faz parte da liturgia cristã representando o sangue de Jesus Cristo – na verdade o próprio Cristo, na Ceia Pascal (ou Santa Ceia), disse solenemente que “este é o meu sangue”. Mais do que isso, o vinho aparece frequentemente na Bíblia Sagrada, por exemplo na história de um Noé embriagado, ou nos tempos de Abraão, quando o vinho contribuiu para o incesto que resultou em gravi­dez das filhas de Ló. Na Bíblia o vinho e pão são citados como o sustento essencial do corpo. As palavras encontradas nas Sagradas Escrituras que representam vinho são yayin e tirosh, termos do hebraico, utilizado para escrever quase todo o Antigo Testamento e oinos, termo grego, idioma usado predominantemente para escrever o Novo Testamento. “Yayin” é a palavra mais comum, um termo usado 141 vezes no Antigo Testamento e “tirosh” ocorre 38 vezes no Antigo Testamento, referindo exactamente o produto não-fermentado da videira, algo como um suco de uvas. Voltando ao tema inicial, não seria interessante saber que tipo de vinho era bebido pelos antigos cristãos, através da recriação desse mesmo vinho?

Para descobrir o sabor deste vinho, especialistas estão a analisar uma série de sementes de uvas da época e traços em fragmentos de potes de barro utilizados para o armazenamento de vinhos, materiais encontrados em templos judeus antigos. No momento, com base em testes prévios já realizados foram identificados 120 tipos diferentes de uvas do antigo Israel. Desse total, em colaboração com vários produtores de vinho, os cientistas determinaram que 20 delas seriam adequadas para a produção de vinho, mas este trabalho ainda pode demorar. Quem sabe se a disputa entre Israel e Palestinianos, pois os trabalhos estão a decorrer na Cisjordânia e nas Colinas do Golã. Quem sabe não é este o vinho que finalmente vai ser usado para brindar a paz?

Falamos pois de uma bebida que acompanha a evolução da humanidade. E a variedade dominante era precisamente Syrah, originária da Pérsia, como frequentemente referimos. A alta sociedade romana tinha uma  preferência pelo vinho branco e doce, mas os moradores das regiões palestinianas preferiam vinho tinto. As menções bíblicas ao vinho, são sempre relacionadas ao vinho tinto. Segundo os historiadores, após a colheita as uvas eram pisadas por escravos. Após a fermentação, vinhos diferentes eram produzidos para estratos diferentes da sociedade. Adicionava-se mel, água, ervas, especiarias, além de pó de mármore, clara de ovo, etc. A maior parte dos vinhos era exposta em fumeiro, o que daria um sabor defumado típico. O vinho das celebrações religiosas eram sempre os mais apurados e bem envelhecidos. Qual era o sabor desse vinho? Talvez um dia se possa saber isso.

Aqui ficam pois a nossa reflexão natalícia. Os nossos leitores que forem à Missa do Galo esta quadra podem in loco meditar sobre o que aqui se disse, ao som de um Te Deum sacramental, e um Syrah para comemorar o nascimento de Cristo!


 

Monte da Ravasqueira, 97% Syrah, 3% Viognier, Alentejo, 2013

Em Arraiolos, Alentejo, acabou de sair a segunda colheita deste Syrah Monte da Ravasqueira. A primeira tinha o ano imediatamente anterior e já mostrava potencialidades. Esta de 2013 reforça essa mesmo qualidade. Na recente prova cega de Outubro de Syrah portugueses contra Syrah estrangeiros ficou num honroso sexto lugar entre vinte Syrah participantes!

97% Syrah, 3% Viognier, é o rácio, logo é um monocasta Syrah, que acontece sempre que há na sua composição pelo menos 85% da casta maioritária. As uvas de Viognier foram vindimadas tardiamente e congeladas à espera da vindima de Syrah. Foram deixados apenas dois cachos por cepa de forma que as uvas de Viognier ganhassem concentração aromática. O Syrah é originário da parcela Vinha das Romãs, mas de zonas distintas, e seleccionadas para o perfil deste vinho. As notas de prova dizem-nos que possui ”Cor negra e densa. Nariz com mescla de pimentas, frutos vermelhos maduros, alcatrão e leve pêssego e damasco. Mineral, cheio de volume, taninos em constante equilíbrio com a acidez viva e vibrante. Complexo com notas de moca, café e bolacha. Taninos finos constantes com prolongamento mineral e mentolado.” O teor alcoólico é de 13,5%.

A herdade dispõe de uma área total de vinha de 45 hectares, a maioria dos quais plantados em solos argilo-calcários com afloramentos graníticos. Este tipo de solos tem médio poder de retenção de água em profundidade, sendo extremamente necessário, mesmo nos meses de maturação, efectuar rega gota-a-gota de forma a garantir um adequado fornecimento de água e sais minerais, o que constitui um factor essencial e crítico para a qualidade das uvas do Monte da Ravasqueira. Faz parte da Rota dos Vinhos do Alentejo.Com uma produção anual de cerca de um milhão de garrafas, o Monte da Ravasqueira realizou a sua primeira vindima em 2001, comercializando actualmente no mercado nacional e de exportação as marcas Prova, Calantica, Fonte da Serrana e Monte da Ravasqueira. As vinhas, com uma média de idade de dez anos, são conduzidas em cordão bilateral com o objectivo de optimizar a exposição solar, a maturação e a qualidade das uvas. Toda a vinha está plantada em encostas com declive variável, o que proporciona uma variabilidade de equilíbrios e que permite, todos os anos, seleccionar as melhores zonas para cada vinho que se pretende produzir.

Ovídio escreveu:“O vinho dá coragem ao amor, se não se bebe em excesso.”
O Syrah do Monte da Ravasqueira pode ser perfeitamente uma boa opção quer para o sexo masculino como feminino. E assim nos vamos por hoje, acompanhados de uma reconfortante taça de Ravasqueira formato Syrah, ainda que não integral… mesmo assim sumo prazer!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 15,50€


 

Pedro Baptista, enólogo de Syrah do Alto Alentejo

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal.
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas.
Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo!

Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, cabe-nos hoje a honra de apresentar Pedro Baptista, que tem no seu currículo dois Syrah, cada um com duas colheitas. Não parece ser muito para mais de duas décadas como “fazedor de vinhos” (winemaker), mas trata-se de dois topo de gama e daí o nosso imenso interesse e admiração!

Aqui vão eles:

Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo
(2006 e 2010)
Classificação: 19/20

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo
(2013 e 2014)
Classificação: 18/20

Vejamos cada um em pormenor.


Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo

E regressamos de novo ao Alentejo para apresentar um Syrah que nos leva directamente ao céu, quase literalmente. Scala Coeli é o nome, que em latim significa “escada para o céu” . Este é justamente um daqueles syrah que nos faz dizer que os melhores Syrah do mundo se encontram em Portugal.
Syrah que deve o seu nome ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido por Mosteiro da Cartuxa, local onde os monges Cartuxos permanecem em silêncio e oração. Produzido a partir das melhores vinificações do ano, foi produzido pela primeira vez em 2005.
Scala Coeli surge no cume deste nosso mito, e é um nome desde há muito ligado a Eugénio de Almeida. Trata-se de um convento, mesmo à saída de Évora, abandonado no início do século. Vasco Eugénio de Almeida recuperou-o e devolveu-o à Ordem dos Monges da Cartuxa, sendo hoje um convento de clausura e silêncio. Na sua história conta-se ainda  ter sido em tempos a Escola Agrária e Agrícola. Este bonito convento serviu de inspiração para um grande vinho, que tem sido feito todos os anos com castas diferentes: o famoso Scala Coeli, da Cartuxa.
Chegando ao que mais nos interessa, o Syrah Scala Coeli foi feito por duas vezes: em 2006 com 14,5 de graduação alcoólica e em 2010 com 15,5 de graduação alcoólica. Por detrás deste néctar está Pedro Baptista, o enólogo premiado da Fundação, reconhecido pela qualidade e solidez dos vinhos que assina. Diz a ficha técnica que “As uvas passaram por um processo de maceração pré-fermentativa a frio, seguida de fermentação alcoólica à temperatura de 28ºC e de maceração prolongada. Período de encuba total de quarenta dias e estágio de quinze meses em barricas novas de carvalho francês. De cor granada, apresenta um aroma intenso e elegante. Na boca apresenta uma excelente estrutura com taninos suaves, boa acidez, terminando com ampla sensação de volume.”

 

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo

O Syrah Humanitas nasceu predestinado para vencer!
Ainda antes de ir para o mercado já tinha conquistado duas medalhas: uma nacional, outra internacional (no concurso Syrah du Monde, o mais importante para um monocasta Syrah). É verdade que as medalhas valem o que valem mas também é verdade que não podem ser menosprezadas. O Humanitas – mas que nome bem inspirado! – de 2013 é ainda um vinho jovem mas com uma grande capacidade de evolução. O Blogue do Syrah já o provou por três vezes nestes últimos meses sempre com efeitos ascendentes. Imaginem bebê-lo daqui a meia dúzia de anos?
O nome, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.
Só foram feitas 2100 garrafas, com um grau alcoólico de 14,5%. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”
A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. As produções serão sempre baixas e orientadas unicamente para a qualidade até porque a vinha só tem 2,5 hectares.
O proprietário, o muito simpático José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora.


Essência do Vinho TV – Um Dia de Vindimas com Pedro Baptista

Pedro Baptista estudou Enologia na École Supérieure d’Oenologie de Montpellier, França.
Iniciou os seus trabalhos na Fundação Eugénio de Almeida na vindima de 1994 e em 2002 no Monte dos Perdigões.

A ligação de Pedro Baptista a Granadeiro já data dos tempo da Fundação, visto que Henrique Granadeiro, desde 2001 na liderança do projecto Granadeiro Vinhos, esteve antes à frente da Eugénio de Almeida no lançamento de vinhos muito celebrados, casos dos Cartuxa ou Pêra-Manca. Actualmente é o responsável máximo pelos vinhos de ambas as empresas. E como não há duas sem três é também desde há uns quantos anos o enólogo da Vinha das Virtudes de Évora.

Em Janeiro de 2010  a revista “Wine – A Essência do Vinho”, atribui ao Enólogo da Fundação Eugénio de Almeida  – Pedro Baptista – o prémio “Enólogo do Ano”.

Conhecemos Pedro Baptista na última edição do Vinho e Sabores, na antiga FIL, no mês passado, onde percebemos ser um homem simpático, um tanto ou quanto introvertido, mas que revela uma sageza muito subtil. É não só um dos grandes enólogos de Syrah como do vinho em geral, especialmente de um dos dois vinhos portugueses mais carismáticos dentro e fora de portas, o Pêra Manca!

Estamos ansiosos, mas tranquilos, aguardando o próximo Scala Coeli, assim como o Humanitas de 2015.
Estamos seguros de que valerá a espera!


 

Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2013

Parece ser um Syrah novo, mas não é! Este Syrah que agora se chama Pinhal da Torre, já se chamou Quinta de S. João e antes disso chamava-se Quinta do Alqueve. É a terceira vez que muda de formato e garrafa, assim como de rótulos. Será esta a melhor estratégia para dar a conhecer um Syrah e fidelizar consumidores? Temos muitas dúvidas! Só alguém do ramo e com atenção percebe que Quinta do Alqueve Syrah ou Quinta de S. João Syrah ou ainda Pinhal da Torre Syrah são na realidade Syrah provenientes da mesma casa que se chama Pinhal da Torre. Mas convenhamos: a grande maioria dos consumidores não sabe isto!

Mas vamos falar do mais importante que é o que está dentro da garrafa. Este Syrah da Pinhal da Torre 2013 tem uma graduação alcoólica de 14% e tem uma “cor vermelho rubi, intenso, concentrado, aspecto limpo. No nariz aparece elegante, fruta preta madura, notas de cacau, balsâmico e fresco, com notas tostadas leves e bem integradas. Na boca grande estrutura, cheio, com equilíbrio notável, cheio de fruta fresca, com elegância.”

A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.

O poeta, matemático e astrónomo iraniano do século XII, Omar Khayan, escreveu:
“Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno. Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno, o paraíso deve estar vazio.”
Apesar dos nomes sempre diferentes assim como garrafas e rótulos, o Syrah da Pinhal da Torre pode muito bem ser um dos responsáveis do paraíso estar vazio. Viva o inferno!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 28,50€