Pedro Baptista, enólogo de Syrah do Alto Alentejo

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal.
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas.
Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo!

Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, cabe-nos hoje a honra de apresentar Pedro Baptista, que tem no seu currículo dois Syrah, cada um com duas colheitas. Não parece ser muito para mais de duas décadas como “fazedor de vinhos” (winemaker), mas trata-se de dois topo de gama e daí o nosso imenso interesse e admiração!

Aqui vão eles:

Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo
(2006 e 2010)
Classificação: 19/20

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo
(2013 e 2014)
Classificação: 18/20

Vejamos cada um em pormenor.


Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo

E regressamos de novo ao Alentejo para apresentar um Syrah que nos leva directamente ao céu, quase literalmente. Scala Coeli é o nome, que em latim significa “escada para o céu” . Este é justamente um daqueles syrah que nos faz dizer que os melhores Syrah do mundo se encontram em Portugal.
Syrah que deve o seu nome ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido por Mosteiro da Cartuxa, local onde os monges Cartuxos permanecem em silêncio e oração. Produzido a partir das melhores vinificações do ano, foi produzido pela primeira vez em 2005.
Scala Coeli surge no cume deste nosso mito, e é um nome desde há muito ligado a Eugénio de Almeida. Trata-se de um convento, mesmo à saída de Évora, abandonado no início do século. Vasco Eugénio de Almeida recuperou-o e devolveu-o à Ordem dos Monges da Cartuxa, sendo hoje um convento de clausura e silêncio. Na sua história conta-se ainda  ter sido em tempos a Escola Agrária e Agrícola. Este bonito convento serviu de inspiração para um grande vinho, que tem sido feito todos os anos com castas diferentes: o famoso Scala Coeli, da Cartuxa.
Chegando ao que mais nos interessa, o Syrah Scala Coeli foi feito por duas vezes: em 2006 com 14,5 de graduação alcoólica e em 2010 com 15,5 de graduação alcoólica. Por detrás deste néctar está Pedro Baptista, o enólogo premiado da Fundação, reconhecido pela qualidade e solidez dos vinhos que assina. Diz a ficha técnica que “As uvas passaram por um processo de maceração pré-fermentativa a frio, seguida de fermentação alcoólica à temperatura de 28ºC e de maceração prolongada. Período de encuba total de quarenta dias e estágio de quinze meses em barricas novas de carvalho francês. De cor granada, apresenta um aroma intenso e elegante. Na boca apresenta uma excelente estrutura com taninos suaves, boa acidez, terminando com ampla sensação de volume.”

 

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo

O Syrah Humanitas nasceu predestinado para vencer!
Ainda antes de ir para o mercado já tinha conquistado duas medalhas: uma nacional, outra internacional (no concurso Syrah du Monde, o mais importante para um monocasta Syrah). É verdade que as medalhas valem o que valem mas também é verdade que não podem ser menosprezadas. O Humanitas – mas que nome bem inspirado! – de 2013 é ainda um vinho jovem mas com uma grande capacidade de evolução. O Blogue do Syrah já o provou por três vezes nestes últimos meses sempre com efeitos ascendentes. Imaginem bebê-lo daqui a meia dúzia de anos?
O nome, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.
Só foram feitas 2100 garrafas, com um grau alcoólico de 14,5%. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”
A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. As produções serão sempre baixas e orientadas unicamente para a qualidade até porque a vinha só tem 2,5 hectares.
O proprietário, o muito simpático José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora.


Essência do Vinho TV – Um Dia de Vindimas com Pedro Baptista

Pedro Baptista estudou Enologia na École Supérieure d’Oenologie de Montpellier, França.
Iniciou os seus trabalhos na Fundação Eugénio de Almeida na vindima de 1994 e em 2002 no Monte dos Perdigões.

A ligação de Pedro Baptista a Granadeiro já data dos tempo da Fundação, visto que Henrique Granadeiro, desde 2001 na liderança do projecto Granadeiro Vinhos, esteve antes à frente da Eugénio de Almeida no lançamento de vinhos muito celebrados, casos dos Cartuxa ou Pêra-Manca. Actualmente é o responsável máximo pelos vinhos de ambas as empresas. E como não há duas sem três é também desde há uns quantos anos o enólogo da Vinha das Virtudes de Évora.

Em Janeiro de 2010  a revista “Wine – A Essência do Vinho”, atribui ao Enólogo da Fundação Eugénio de Almeida  – Pedro Baptista – o prémio “Enólogo do Ano”.

Conhecemos Pedro Baptista na última edição do Vinho e Sabores, na antiga FIL, no mês passado, onde percebemos ser um homem simpático, um tanto ou quanto introvertido, mas que revela uma sageza muito subtil. É não só um dos grandes enólogos de Syrah como do vinho em geral, especialmente de um dos dois vinhos portugueses mais carismáticos dentro e fora de portas, o Pêra Manca!

Estamos ansiosos, mas tranquilos, aguardando o próximo Scala Coeli, assim como o Humanitas de 2015.
Estamos seguros de que valerá a espera!


 

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