Diogo Campilho e Pedro Pinhão ou a Dupla do Syrah

Desde a segunda metade dos anos 90 que se faz Syrah em Portugal!
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas.
Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo!
Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, trazemos hoje à ribalta não um mas dois enólogos: Diogo Campilho e Pedro Pinhão!
Trabalham em conjunto há vários anos, tendo no seu currículo três Syrah, cada um com várias colheitas no activo.
Aqui vão eles, todos de peso, como se pode ver pelas classificações atribuídas:


Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo
Classificação: 20/20


Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 20/20


Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 17/20

 


Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo
Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima, cuja primeira safra é de 1994, provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.
As safras seguintes deram-se nos anos de 1997, 2000, 2005, 2008 e a presente de 2010.
Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”
Como dizia Roland Betsch, segundo a nossa versão: “No Syrah está verdade, vida e morte. No Syrah está aurora e crepúsculo, juventude e transitoriedade. No Syrah está o movimento pendular do tempo. No Syrah se espelha a vida.”
A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.
Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo
Estamos a falar de um Syrah mais graduado em termos alcoólicos, tem 14,5%, enquanto que o Monte Cruz sem ser reserva tinha 14%! As notas de prova na garrafa dizem-nos que possui “fruto maduro, notas ligeiras balsâmicas e tostadas. Na boca o fruto surge acompanhado de bons e firmes taninos. Mostrando um final longo e persistente.”
Quando este Syrah Reserva chegou até nós, foi recebido de certa forma com pouco entusiasmo, devemos de o confessar, porque francamente não estávamos à espera de grande diferença em relação ao outro que não era Reserva, mesmo sendo a diferença de preço muito apreciável!
Este é um assunto importante e vamos falar dele como merece. São dois vinhos da mesma vinha, portanto são as mesmas uvas, o mesmo terroir, mas a intervenção humana é completamente distinto, nomeadamente em todo o processo que dá origem ao estágio, quer em barrica, quer em garrafa, e isso vai fazer toda a diferença no resultado final. Desde o princípio, esta nossa aventura pelo mundo dos Syrah portugueses rapidamente nos fez concluir que o trabalho humano na confecção desta bebida tem uma percentagem de importância de pelo menos 70%. Hoje temos essa convicção mais forte do que nunca. O terroir é importante, sem dúvida, a qualidade das uvas é importante, seguramente, o clima, a localização, as características meteorológicas desse ano, etc, são importantes, mas a intervenção na adega e o que se segue depois é seguramente o mais importante. O Monte Cruz Reserva 2009 é a prova disso mesmo.
É um Syrah excepcional, ao contrário do outro Syrah seu irmão, que não era mais do que um bom Syrah. Este Reserva Monte Cruz é extraordinário logo ao primeiro trago e é isso que imediatamente impressiona. Um só trago deste Syrah faz-nos automaticamente perceber que se trata de um Syrah topo de gama!

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, 100% Syrah, Alentejo
Apesar do lançamento deste Syrah da Herdade Monte do Outeiro ser irregular – o último é de 2009 – estávamos com alguma expectativa aguardando a sua saída, devido a dois motivos. Primeiro por este Syrah, assim como o Reserva seu irmão de sangue, ser habitualmente de qualidade superior, e segundo porque os enólogos, a dupla Diogo Campilho e Pedro Pinhão, já mostraram anteriormente uma capacidade invulgar para fazerem Syrah de altíssima qualidade!
Neste nosso soberbo Alentejo encontramos perto da Vila de Portel a Herdade Monte do Outeiro, que produz o Syrah Monte Cruz, do produtor Manuel Bernardino Cruz. Syrah a 100%, como é devido, graduação alcoólica de 14%, sempre um deleite.
Conhecem-se três safras, a de 2012, 2009 e 2006. As notas de prova que escolhemos falam de um “aroma no nariz onde sobressaem notas de especiaria e frutos pretos. Em termos de paladar os taninos estão bem equilibrados e conferem uma boa estrutura.”


Sobre os nossos enólogos de hoje, Diogo Campilho licenciou-se em Enologia pela Universidade de Vila Real e completou a sua formação em Espanha e na Austrália, em áreas como Enoturismo, Provas de Azeite e Provadores de Vinhos. O seu percurso como Enólogo levou-o a colaborar com nomes como o da chilena Marcela Chandia e do neo-zelandês Cameron Webster. Passou ainda por várias vindimas na Nova Zelândia e Austrália; Pedro Pinhão licenciado pelo Instituto Superior de Agronomia e com variadas formações internacionais, desde cedo de dedicou à Quinta da Lagoalva de Cima onde estagiou durante várias vindimas. Passou ainda por diversas colheitas na Austrália e Nova Zelândia e em 2008 inicia um projecto pessoal de sucesso com os vinhos Hobby.

Na última prova cega que o Blogue do Syrah levou a cabo entre Syrah portugueses e Syrah franceses, estiveram presentes quer o Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo de 2012, quer o Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo de 2009. Este facto testemunha da importância que estes enólogos tiveram na história dos Syrah em Portugal.

Contamos com eles para mais Syrah de gabarito!


 

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