A elegância de agitar o Syrah na taça!

Quando se começa na sofisticada arte de apreciar um bom Syrah, como são todos, uma das primeiras indicações de um Mestre é: agite o copo sem derramar uma gota de líquido. O que desde logo não é fácil, e ao princípio o desastre é quase certo!

Este acto de delicadeza para com o Syrah, logo em início de degustação, já se tornou um clássico.

Mas nada disto é supérfluo e é muito importante função em todo o processo, tornando tudo uma experiência sensorial intensa. Quando se abre uma garrafa de Syrah, o néctar que lá habita em clausura e meditação, é libertado para a vida, passando a um estado de interacção com o oxigénio do meio ambiente. Esta oxigenação progressiva vai provocando modificações no conteúdo da garrafa. Dá-se como que uma decomposição do Syrah. Na realidade começam a ser libertados aqueles afrodisíacos aromas e texturas que tanto apreciamos depois no paladar. O resultado final seria a ruína do liquido. Claro que muito antes disso já a garrafa estará vazia! Portanto esta oxidação, que habitualmente acontece num Decantador, permite-nos absorver o aroma requintado libertado pelo líquido.

Agora quanto ao agitar a taça, tema que nos tem aqui hoje, o que acontece nesse acto é abrir mais rapidamente o caminho para o oxigénio fazer o seu trabalho, entrando assim no reino dos fénois e suas propriedades expressivas. O álcool vai-se evaporando directamente para o nosso apurado nariz, identificando todas a subtilezas que dão início às notas de prova.

Não consegue tal forma requintada de agitar a sua taça, não se preocupe, a prática traz a perfeição. O que interessa é a essência do acto, o ritual ancestral, aquela maneira tão próprio de trazer à vida a magia do precioso Syrah!


 

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