Monthly Archives: October 2017

Vinhas de Pegões, Adega Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Foi em Março do corrente ano que fizemos a apresentação deste Syrah, com enologia de Jaime Quendera!
Se a colheita anterior de 2015 tinha recebido rasgados elogios pela qualidade apresentada e pela soberba relação qualidade /preço, quando a segunda colheita de 2016 foi degustada, foi uma autêntica decepção, como dissemos!
Na altura referimos: “E que enorme diferença existe entre uma e outra. Se a de 2015 nos tinha empolgado pela qualidade e pelo preço, sendo a escolha no final do ano para o prémio de melhor Syrah na categoria qualidade/preço, já esta colheita de 2016 é o oposto da anterior. Os aromas, a fruta e o gosto a cravinho estão lá mas em dose exagerada…Tão exagerada que o conjunto se torna enjoativo. Não, este Vinhas de Pegões Syrah 2016 não convence…e abrimos várias garrafas ao longo de um mês. O resultado foi sempre o mesmo! Algo correu mal na elaboração/fermentação deste Syrah. Talvez a ânsia de o colocar tão depressa no mercado possa ter provocado desleixo e o resultado é este.”

Há pouco tempo este mesmo Syrah voltou ao nosso convívio durante uma promoção do Vinhas de Pegões. Seis meses após a primeira apreciação e decidimos arriscar para ver como é que este Syrah se portava volvido este tempo em relação à primeira apreciação negativa. Tal foi o nosso choque quando o nosso palato nos disse algo de totalmente diferente do que tínhamos anteriormente degustado. O exagerado gosto aos aromas, à fruta vermelha e ao cravinho tinham completamente desaparecido. O Syrah Vinhas de Pegões 2016 estava muito melhor, radicalmente melhor!
O que aconteceu?
O Blogue do Syrah após reflexão pensa ter a resposta cabal para esta interrogação. Já tínhamos sem querer e por antecipação falado deste assunto, pois emAbril de 2015 publicamos um texto intitulado: “O engarrafamento, um choque que maltrata o vinho!” E aí dissemos entre outras coisas o seguinte: “Nenhum vinho deve ser bebido imediatamente após ter sido engarrafado! Deve-se deixá-lo repousar de um a três meses, conforme o tipo e a casta, para readquirir o equilíbrio. O engarrafamento, por mais cuidadoso que tenha sido, causa um choque no vinho. A aeração vigorosa atenua momentaneamente o seu frutado e aquilo a que os especialistas chamam o seu buquê. Quando cessa o efeito oxidante do ar, o vinho reencontra o equilíbrio. O engarrafamento, é uma operação traumática. Dependendo da safra, o vinho deverá de seguida ser colocado em repouso mais ou menos tempo para reencontrar as suas qualidades. Esta “indisposição” felizmente é temporária, e os vinhos reencontram o essencial das suas qualidades depois de algumas semanas ou menos, de repouso total.”

Ora, hoje estamos convencidos que foi isto que aconteceu! O Syrah foi colocado nas prateleiras do hipermercado pouco tempo após ter sido engarrafado, daí o gosto enjoativo e deselegante! O enólogo não pode ser responsabilizado, mas a direcção comercial da Adega Cooperativa de Pegões pode! Prestaram um mau serviço aos consumidores sobretudo os que consumiram o Syrah logo após a sua colocação nas prateleiras do hipermercado como foi o nosso caso.

Quem beber agora o Syrah Vinhas de Pegões 2016 encontrará algo de substancialmente diferente e quanto a isso podemos dizer que a fermentação alcoólica deu-se em cubas lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento de 4 meses em madeira americana e francesa, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado. Tem prevista em termos de longevidade uma evolução positiva pelo menos nos primeiros 7 anos. As notas de prova falam “de frutos vermelhos e pretos bem maduros típicos da casta, bem integrado com a madeira, compota, cheio de taninos macios, final longo.” A graduação alcoólica é de 14%. O controlo de qualidade também passa por ter presente uma margem temporal entre o momento do engarrafamento do vinho e o seu consumo. Era importante que uma situação destas não voltasse a acontecer!

Há seis meses citamos o grande escritor e prémio Nóbel da Literatura Hermann Hesse:
“Muitas vezes procurei essa alegria, esse sonho, esse esquecimento, numa garrafa de Syrah. E não raramente isso me ajudou. Fique-lhe registado o meu agradecimento. Mas o Syrah não me bastava.”
Na altura dissemos que o Syrah Vinhas de Pegões 2016 não tem essa alegria, esse sonho. Passados seis meses podemos dizer exactamente o contrário ou seja, que o Syrah Vinhas de Pegões 2016 tem essa alegria, esse sonho.
E ainda bem!

 

Classificação: 17/20                                                               Preço: 2,49€

grandes escolhas de Syrah, e foram 29, na FIL – Parque das Nações

As festas de Syrah não terminam, são umas a seguir às outras, mas nós fazemos o ‘sacrifício’ de ir a todas, desta vez pela mão da nossa amiga Joana Pratas, da organização, que muito gentilmente nos forneceu passes de Imprensa e copos de oferta, desde logo os nossos agradecimentos.

Ambiente agradável, tudo muito bem apresentado e organizado, simpatia por todos os lados, fomos parando, conversando e bebericando sempre que havia Syrah na costa. No total foram 29, aqui ficam eles.

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Mais algumas imagens de momentos significativos, quase sempre à volta de um bom Syrah para regar a conversa.

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Talvez pela abundância e fulgor do muito Syrah presente, não houve grande tempo para registar as belezas que o acompanham, mesmo assim aqui ficam as que conseguimos registar no sensor.

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E desta forma nos despedimos com amizade, até ao próximo programa!

grandes escolhas de Syrah, de Vinho e de Sabores

Mais uma grande festa de Syrah anunciada, e é para lá que vamos com o costumeiro entusiasmo logo dia 27, às 18:00.

O programa é vasto e para todos os gostos, mas o nosso gosto é só um, Syrah, e mais nenhum, embora respeitemos todos os demais… e fica tudo dito!

Lá nos encontraremos!

Coisas de Vinho [tertúlia, o vinho e tudo à volta]

A tertúlia do vinho e tudo à volta (Coisas de vinho) regressa na próxima 5ª feira, dia 26, na sala de Docentes da Universidade de Évora.

Sinta-se convidado e convide amigos. Vinhos que pensam

Cabeça de Toiro, Quinta de S. João Baptista, 100% Syrah, Tejo, 2014

Este novíssimo Syrah Cabeça de Toiro de 2014 é no fundo a nova roupagem do Syrah Quinta de S. João Baptista 2011 de Rio Maior que já antes apresentámos.
O Syrah é o mesmo, mudou o nome, mudou a garrafa, mudou os rótulos, mas a colheita é nova. Assim de repente o que se nota é muito marketing à volta, mas o mais importante é o que está dentro da garrafa. Quanto ao nome não nos parece que acrescente o que quer se seja de importante ao Syrah que já conhecíamos. A Quinta de S. João Baptista já mudou o nome do seu Syrah por três vezes. Chamou-se inicialmente Casaleiro, até 2006. A partir de 2007 passou a chamar-se Quinta de S. João Baptista e agora com a colheita de 2014 passa a chamar-se Cabeça de Toiro! Já dissemos noutra ocasião, que estar constantemente a mudar o nome do Syrah não parece uma boa política de divulgação do produto!
Adiante.

As notas de prova dizem-nos que tem “Aspeto límpido e cor granada intensa com nuances violeta. Aroma intenso e complexo a frutos silvestres como mirtilo e groselha. Na boca, apresenta uma boa estrutura, é frutado e macio.” Tem 14% de graduação alcoólica.

A origem da Quinta de S. João Baptista é muito antiga, e encontra-se entre histórias de sucessões nobres, doações para ordens religiosas e mais uma mão cheia de acontecimentos. Foi adquirida em 1987 pelo grupo Enoport United Wines, que na altura se chamava “Caves Dom Teodósio”, e foi desde aí que se começou a investir na reestruturação da vinha substituindo vinhas velhas por castas novas, algumas das quais internacionais, como a nossa Syrah.

A Quinta de S. João Baptista localiza-se no concelho de Torres Novas, na freguesia de Brogueira, região vitivinícola do Tejo e tem um total de cerca de 115 hectares dos quais 97 com vinha. Das castas plantadas, a maioria são para vinhos tintos – cerca de 74 hectares – e além das castas tradicionais portuguesas, como a Castelão, Trincadeira Preta, Touriga Nacional e Touriga Franca (50%), há também várias castas internacionais aqui plantadas como a mencionada Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon (50%). Os cerca de 21 hectares de castas brancas plantadas em 1991 são as tradicionais na região do Tejo: Arinto, Fernão Pires e Malvasia (65%) e ainda castas internacionais como o Chardonnay e o Sauvignon Blanc (35%). Possui um dos maiores centros de vinificação do grupo com capacidade para vinificar um milhão e meio de quilos de uvas. Está igualmente dotada de uma adega tradicional, que combina tradição e inovação, usando novas tecnologias como controle de temperatura em todas as cubas de fermentação.

O escritor francês Marcel Pagnol disse:
“Quando o Syrah é engarrafado, ele deve ser bebido … especialmente se é bom!”
O Syrah Cabeça de Toiro é indiscutivelmente um bom Syrah como era igualmente o anterior Syrah Quinta de S. João Baptista!
E tem uma ainda melhor relação qualidade-preço.
Por isso… à nossa… e vossa!

 

Classificação: 16/20                                                         Preço: 6,00€

Campo Pequeno, Grande Syrah

É mais do mesmo, mas queremos lá saber, festa é festa, mesmo que brava, e enquanto a saúde não faltar, lá estaremos.

Gostamos muito deste encontro anual, pois o espírito dos pequenos produtores de Syrah é completamente diferente dos grandes produtores, mais genuíno, mais aberto, mais próximo do cliente e apreciador, com a vantagem de que aqui, por ser um mercado, se pode comprar o nosso Syrah favorito. E não só: são muitas as iguarias regionais presentes, como doçaria, produtos agrícolas, charcutaria regional, e por aí adiante.

O Bloque do Syrah, preparado para a Pega de Caras, já na refrega do redondel!

Eis pois um apanhado dos Syrah presentes, entre eles algumas novidades, de que falaremos nas próximas semanas.

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Mais alguns instantâneos do que foi o nosso percurso por entre aqueles joviais produtores, sempre com muita alegria e boa disposição.

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E um encontro que muito nos encantou, pois pudemos conhecer em pessoa um dos nossos produtores e enólogos mais bem amados, o francês Patrick Agostini, que faz um Syrah de eleição: o Quinta do Francês! Fica o registo para memória futura. Merci bien.

A tarde terminou em beleza, com mais um encontro recorrente: António Saramago! A quem demos os parabéns por nos ter dado mais um Syrah memorável, Aldeias de Juromenha, Reserva, 2013. Bem-haja, Mestre!

Mais uma vez, e para terminar, fica o registo das belezas presentes, em modo flaneur pelo redondel, em tarde bem passada!

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