Monthly Archives: November 2017

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2014

Hoje apresentamos uma nova colheita do Lybra da Quinta do Monte d’Oiro do ano de 2014.
O Lybra tem uma graduação alcoólica de 13,5%, e são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por colheita. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.” O Lybra surgiu pela primeira vez em 2006 em substituição do Vinha da Nora.

A Quinta do Monte d’Oiro é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu ajuda a um professor de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

O médico Dr. Weissebach escreveu que:
“O Syrah é para o homem que dele faça uso moderado, um estimulante do apetite, um excelente auxiliar do seu estômago no trabalho e digestão, um gerador de bem-estar, um generoso dador de alegria”.
O Lybra Syrah 2014 é isto tudo e no final a grande alegria é a regularidade com que aparece nas nossas vidas, como aliás todos os que fazem parte do imenso palmarés desta quinta de oiro!

 

Classificação: 16/20                                                               Preço: 8,99€

OIV – Previsão da Produção Mundial

Hoje destacamos esta notícia que encontrámos na página do IVV, e que fala de uma quebra mundial na produção de vinho este ano em cerca de 8%, devendo atingir os 246,7 milhões de hectolitros. Esta quebra resulta de factores climáticos que afectaram os principais países produtores, com destaque para a Europa.

A produção de vinho na Europa ocidental está em valores “historicamente baixos”, em especial nos três maiores produtores mundiais:
• Itália com uma quebra de 23%(produção total de 39,3 MHl o que representa menos 11,6 milhões do que em 2016);
• França com uma quebra de 19% (perde cerca de 8,5 MHl)
• Espanha com uma redução de 15%, terá uma produção total de 33,5 MHl (inferior em 5,8 milhões).

Mas o que nos chamou a atenção foi o facto de uma das excepções ser Portugal, como se pode ver:
• Portugal (+11% para 6,6 milhões de hectolitros),
• Roménia (+64% para 5,3 milhões), a
• Hungria (um acréscimo de 3% para 2,9 milhões de hectolitros)
• Áustria (um crescimento de 23% para 2,4 milhões de hectolitros).

No continente sul-americano, a OIV espera este ano, um crescimento substancial da produção, com a subida do Brasil à 14ª posição no ranking mundial, estimando um crescimento de 169% com uma produção de 3,4 milhões de hectolitros (contra 1,3MHl do ano anterior), e a Argentina com um aumento de 25% e a atingir os 11,8 milhões de hectolitros.

Em sentido contrário, o Chile prevê um volume de 9,5 MHl de vinhos, um valor 6% inferior ao do ano anterior, também com uma vindima baixa.

A África do Sul estima um ligeiro crescimento, de 2%, para 10,8 milhões de hectolitros.

Quinta dos Termos, Reserva do Patrão, 100% Syrah, Beira Interior, 2014

Aqui temos uma nova colheita do Syrah Quinta dos Termos, do ano de 2014!

É indiscutível que é um Syrah de qualidade superior e esta colheita confirma de novo a sua excelência, mas que não é fácil de encontrar na Grande Lisboa!

As notas de prova que escolhemos dizem que “é rico de cor, tem aroma intenso e torna-se muito atraente na boca, graças aos seus taninos aveludados”, e tem uma graduação alcoólica de 14%. O rótulo não nos diz que se trata de Syrah, o que não é uma situação vulgar em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países como por exemplo a França. Mas fala em “reserva do patrão”, mostrando bem que o produtor, João Carvalho, igualmente professor universitário na Universidade da Beira Interior e também presidente da Comissão Vitivinícola da Região da Beira Interior, tem bom gosto!

A Quinta dos Termos está de costas viradas para a Serra da Estrela, com exposição sul, em declive meio acentuado e resguardada a norte pela montanha que a delimita. A Quinta dos Termos apresenta um terroir próprio que marca de forma indelével os vinhos ali produzidos. A Quinta é possuidora de um microclima próprio e de terras pobres, que naturalmente disciplinam as variedades mais produtivas. Ali se cultivam as castas tradicionais da Beira Interior, tais como Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, Tinta Roriz, Tinto Cão, Afrocheiro Preto, Touriga Nacional, Baga, Siria e Fonte Cal e ainda algumas do Novo Mundo tais como Petit Verdot e Sangiovese, e a nossa Syrah, claro. Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.

A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que, apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho, compensam no resultado final. Os solos são graníticos e ricos em sílica. O portefólio da Quinta é composto por 22 vinhos, sendo 14 Tintos, 4 Brancos 1 Rosé e 3 Espumante Natural, todos eles com a marca Quinta dos Termos. Em 1993, terminados os arrendamentos, a Quinta volta novamente para a família na pessoa de João Carvalho, filho de Alexandre Carvalho, que resolve dar corpo ao projecto de viticultura actual. João Carvalho a partir de 1993, aliando a sua vida de empresário têxtil e de professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Têxteis da Universidade da Beira Interior, decide meter mãos à obra e começa por reestruturar as vinhas. Adquire novas parcelas, ilhas isoladas no interior da Quinta e novos direitos de plantação, possuindo hoje cerca de 42 ha em plena produção e 12 ha em início de produção. A produção do vinho encontra-se certificada pelo regime de Produção Integrada.

A citação de hoje é de um provérbio russo que diz:
«O Syrah é inocente, só o bêbado é culpado.»
Ficamos por aqui, não porque estejamos bêbados mas porque este Syrah da Quinta dos Termos 2014 merece que se beba mais do que uma taça…
Vamos a isso!

 

Classificação: 17/20                                                                      Preço: 10,00€

Aldeias de Juromenha, Herdade das Aldeias de Juromenha, Edição Especial, 100% Syrah, Alentejo, 2013

É sempre com um especial carinho que falamos de uma nova colheita do Syrah da Herdade Aldeias de Juromenha!
Mas desta vez temos uma edição especial!
Um lote do ano de 2013 cujo Syrah apresentamos aqui, mas que sai agora com garrafa e rótulos renovados com o objectivo de comemorar os dez anos de Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha!
E que Syrah fantástico temos pela frente!
Feito mais uma vez pelo grande mestre da enologia portuguesa António Saramago. Mas este terá sido o último Syrah feito por ele nesta casa vinícola, com muita pena nossa. Fazemos votos que o próximo enólogo esteja ao nível de continuar este Syrah com a qualidade a que nos habituou.

As notas de prova dizem-nos que se trata de um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.” O facto de ser reserva significa neste caso que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 15,5%.

Nestas últimas safras têm sido produzidas 13000 garrafas e todas as garrafas são dedicadas ao mercado interno! O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é todo comercializado em Portugal. Foi na última mostra de Vinhos do Alentejo, no Centro Cultural de Belém, que tomámos contacto com este néctar, verdadeiramente dos Deuses.

A Herdade das Aldeias é uma empresa agrícola situada a cerca de 15km da Cidade de Elvas e junto da Vila de Juromenha com vista para o Rio Guadiana. Está inserida numa zona histórica com grande tradição na arte de fazer vinho. Este projecto em particular está em desenvolvimento desde 1986. A adega está rodeada por 70ha de vinha própria. Este sistema promove um aumento na eficiência na vindima, uma vez que reduz o tempo desde a colheita até ao processamento das uvas. No conjunto da vinha estão plantadas predominantemente castas autóctones portuguesas, encontrando-se, também, algumas castas francesas. No que se refere a uva tinta existe Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional. O clima é caracterizado por uma Primavera e Verão excessivamente quentes e secos. A exposição solar regista também valores bastante altos, em particular nas semanas anteriores à vindima, condições que contribuem para uma perfeita maturação das uvas. De facto as condições são extremamente favoráveis à síntese e acumulação de açucares e concentração de aromas e cor na película da uva. A bacia hidrográfica é dominada pelo Rio Guadiana e o tipo de solo é predominantemente xistoso.

Na vinha a produção é controlada para obter entre 7 a 8 toneladas por hectare. Utilizando este método de produção garante-se uma excelente qualidade dos vinhos. Na poda utiliza-se o método manual, na colheita é utilizado o método manual e mecânico.Todo o vinho é produzido a partir de uva colhida na Herdade das Aldeias. No que respeita à vinificação segue-se o processo tradicional em cubas de inox com controlo de temperatura. A maioria dos vinhos tintos estagia em barricas de carvalho francês e americano. Todos os processos desde a vinificação até ao engarrafamento são realizados nas instalações. No engarrafamento são utilizadas rolhas de cortiça natural portuguesa. A produção actual é de cerca de meio milhão de litros por ano, tendo uma capacidade de armazenamento de 600.000 litros.Todos os processos desde a vinificação até ao engarrafamento são realizados nas instalações da adega.

Lord Byron, o poeta romântico escreveu :
“Um Syrah consola os tristes, rejuvenesce os velhos, inspira os jovens e alivia os deprimidos do peso das suas preocupações.”
Com esta Edição Especial do Syrah da Herdade Aldeias de Juromenha 2013 não temos dúvidas que este Syrah pode bem ser o vinho que o poeta exulta!

 

Classificação: 20/20                                                         Preço: 13,00€

Coisas de Vinho [tertúlia, o vinho e tudo à volta]

Pela pela primeira vez, na sua 11ª edição, a Coisas de vinho, vai realizar-se fora de Évora. O nosso destino é a incontornável Vidigueira, terra de grande e bom Syrah.

Aceitem o nosso convite e juntem-se a esta boa conversa, e vinho, na Vidigueira.

 

Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2015

É a garrafa número 332 que estamos a degustar, de um total de 3800.
Com 16,5% de graduação alcoólica, como aliás o anterior, Grande Reserva de 2011, mas tão bem integrados nos outros elementos vínicos que só se acredita neste valor lendo o contra rótulo da garrafa.

As notas de prova dizem-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.” O enólogo de serviço, como não podia deixar de ser, é o eborense Victor Conceição, que está ao leme dos destinos vínicos da Quinta de Nossa Senhora da Conceição!

Vamos dizer mais uma vez o que já foi dito em relação a outros vinhos deste produtor:
é um vinho superior e de qualidade excepcional!
Nele, tudo é muito bom!
Percorrer os seus caminhos sensoriais é partir em busca de um néctar para lá do imaginável.

E agora a história que é sempre importante ter presente.
Deixando Évora para trás e guiados pelo aqueduto rumo a Arraiolos, tendo o convento da Cartuxa como um bom presságio, viramos à direita para encontrar uma quinta com nome de Santa, A Quinta de Nossa Sra. da Conceição. Junto ao edifício principal de traça setecentista (remodelado em 2006 pelos actuais donos), encontra-se a antiga capelinha que nos recebe e que é hoje uma acolhedora loja e local de provas de vinho. Pelos restantes 23 hectares da quinta convivem uma vinha, montado, estufa, horta e criação animal. Elementos que fazem o diálogo entre a história, o engenho humano e a natureza, tudo de produção biológica organicamente certificada, segundo as regras norte-americanas e europeias. Num dos pontos mais altos do terreno foi implantada a pequena vinha circular de 3,5 hectares, ponto de partida deste projecto alentejano. Há uma nova vinha que foi plantada e a adega que irá ser brevemente construída!

Inspirados pela forte presença romana na região, quis celebrar-se os antigos métodos de produção: através de manejo orgânico do solo, o tratamento das videiras, o aproveitamento de água e a pecuária de carácter regional abraçou-se uma abordagem heurística do projecto biológico. Tentou-se enriquecer de formas naturais os solos e que isso se reflicta no crescimento das videiras, do montado, das horto-frutícolas e dos animais criados. O calendário solar, a lua e os planetas têm ditado o plantio e a colheita por milénios, onde preferiu-se lembrar e usar métodos e calendários históricos em vez de produtos químicos. A pequena escala da quinta permite controlar milimetricamente todos os produtos, e ao valorizar o empenho das pessoas que estão connosco, sabe-se que em cada cacho colhido vem o calor de alguém que faz do nosso vinho um produto especial.

Apesar de grande variedade de castas nacionais, a escolha recaiu predominantemente sobre a casta tinta Syrah, a nossa favorita, sendo a vinha composta por 85% de Syrah e 15% de Viognier. A Syrah é a 10ª casta mais plantada em Portugal e o sucesso no Alentejo deve-se à sua resistência aos calores do Verão e rigores do Inverno a que esta casta responde positivamente. Os solos quentes da região fazem com que o produto resultante seja de um vermelho forte, de maturação tardia e potencial aromático complexo, de aroma intenso a frutos silvestres, com notas de especiarias e folha de tabaco, muito ricos em taninos. A riqueza tanínica, a pujança e a amplitude dos vinhos tornam-nos vinhos de guarda.

A história começa quando um casal constituído por um holandês, Winkelman, e uma norte-americana, Dorinda, nome de origem indígena, decidem há mais ou menos uma década e meia vir passar férias a Portugal. Conhecem, entre outros lugares, Évora, e ele, já com uma grande paixão pelos vinhos do Vale du Rhône, decidem comprar um terreno, que liga com a cidade, para plantar uma vinha. Conhecem um alentejano de quatro costados, o já citado Vítor Conceição (que se tornou um enólogo que apesar de ter feito poucos vinhos, são todos de alto gabarito) mete mãos à obra e realiza o sonho do ecléctico par: dar vida a uma vinha com 85% de Syrah e 15% de Viognier, como manda a tradição francesa.
E que feliz está a nossa alma e paladar com este sonho cumprido!

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan, sempre ele, no seu poema Rubaiyat, diz o seguinte:
“O Syrah inundar-te-á de luz, livrando-te dos grilhões de prisioneiro.”
O Dona Dorinda Syrah 2015 é mesmo uma luz libertadora e infinita de prazeres!
Perante isto, que nota atribuir a um vinho que consideramos perfeito?
A um Syrah perfeito só a nota perfeita!!!

 

Classificação: 20/20                                                                          Preço: 25,00€