Daily Archives: 15/06/2018

CEM REIS, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2016

O Cem Réis é indiscutivelmente o Syrah português mais famoso de todos os que existem!
Hoje podemos afirmar isso com toda a segurança!
Não há um vinho português que desperte tal desvario vinícola como este Cem Réis da Herdade da Maroteira!
Nem mesmo o célebre Barca Velha da Casa Ferreirinha desperta tal interesse e tal desatino como este Syrah! Sigam o nosso raciocínio. O último Barca Velha do ano de 2008 foi lançado no último trimestre do ano passado. Hoje passados oito meses, quem o quiser comprar consegue encontrá-lo em muitas garrafeiras de norte a sul do país. Certo?
O mesmo não podemos dizer do Cem Réis. Quando começámos esta aventura do Blogue do Syrah há quatro anos não nos passaria pela cabeça que uma situação semelhante pudesse alguma vez acontecer. Mas a verdade é que está a acontecer!

O lançamento oficial do Cem Réis 2016 foi no dia 8 de Junho passado. No dia do lançamento já estava esgotado no produtor! Mais, já estava esgotado no produtor desde Novembro do ano passado! Não nos lembramos de algum vinho onde isto tenha acontecido… pelo menos nestes anos mais recentes!

É verdade que por várias circunstâncias a produção que durante anos tinha vindo a aumentar agora desde há dois anos está a diminuir e de um modo constante. Do Cem Réis 2014 saíram vinte mil garrafas. Do 2015 já só saíram treze mil e com este Cem Réis 2016 saíram dez mil garrafas. O que quer dizer que em dois anos o número de garrafas baixou para metade quando a procura se em 2014 já estava alta, hoje ultrapassa o inimaginável!
O preço também tem paulatinamente subido o que era expectável! Não duvidamos que o Cem Réis de 2017 atinja pelo menos os trinta euros, senão mais.

Vai de seguida uma confissão: O texto do Cem Réis 2015 é o texto do Blogue do Syrah mais lido de todas as centenas de textos sobre Syrah que já escrevemos desde o início do Blogue em Setembro de 2014 e isto também não pode deixar de ter significado!

A Herdade da Maroteira está localizada no recanto da Serra D´Ossa, a 20km de Estremoz e a 35km de Évora. É uma das propriedades agrícolas pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesa estabelecidas na Região do Alentejo, há mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, ao turismo, através de três unidades de alojamento, e à vitivinicultura. A primeira colheita deste fantástico Syrah é de 2005 – a grande parte da produção é efectivamente para o mercado interno e somente qualquer coisa como cinco por cento é que vão para o mercado externo.

Produzido na região alentejana, na terra mítica do distrito de Évora, e vinificado a partir das melhores uvas de casta Syrah, este vinho estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês (50%) e em carvalho americano (50%). Tem uma graduação alcoólica declarada de 16%. Mas o Blogue do Syrah conseguiu apurar que a graduação real é de 15,9%. As notas de prova dizem-nos que tem “Cor violeta escuro concentrado. Nariz exuberante, notas quentes de frutos pretos com notas mentoladas, terminando com notas a amêndoas tostada da barrica. Na boca o ataque é cheio, redondo quente e carregado de aromas. Estrutura firme com boa persistência.” A estrutura assemelha-se ao 2015! Logo na boca o enófilo percebe que está a beber o Cem Réis! Mas no final tem aquele toque mágico que o Blogue do Syrah costuma referir-se quando fala de Syrah que por esse facto merecem a nota perfeita! Este 2016 exala um perfume em contínuo que deixa o enófilo enebriado! É como certos perfumes em certas mulheres. E esta é a melhor maneira que temos para descrever o que experimentámos e o que sentimos! Por aquilo que já é este Syrah e por aquilo que já mostra em termos de capacidade de evolução não podemos deixar de dar a este Syrah “uma pontuação perfeita“.(Robert Parker) O enólogo responsável é, uma vez mais e sempre António Maçanita. O Blogue do Syrah está convencido do seguinte: Maçanita deve ter faltado às aulas de enologia em que os professores ensinavam os alunos a fazer maus vinhos! O clima que dá origem a este Syrah é típico do mediterrâneo continental ou seja, dias quentes e secos, com noites muito frias. Os solos como já é habitual para a nossa casta são muito pobres de origem xistosa ou granítica.

Diz o escritor João Filipe Clemente que “Um vinho sem adjectivos é um vinho mudo e sem alma.” Carregado de alma e sonoridade é o que não falta ao Cem Réis tendo em conta o alarido justificável sobre o que se tem dito sobre ele.

Parabéns ao trio de luxo que está por detrás desta maravilha: António Maçanita, Philip Mollet e ao Anthony Doody, os marotos da Maroteira, como já lhes chamámos. Quer se queira quer não já fazem parte da história da casta Syrah em Portugal!

 

Classificação: 20/20                                                                     Preço: 25,00€