Monthly Archives: August 2018

Quinta dos Plátanos, 100% Syrah, Lisboa, 2013

Foi já na distante data de Abril de 2016 que falamos sobre este Syrah pela primeira vez! Da Quinta dos Plátanos da aldeia de Merceana, Alenquer e do ano de 2013! Participou na entusiástica prova cega dos Syrah portugueses em Outubro de 2015 promovida em conjunto pelo Blogue do Syrah e os Cegos por Provas, onde em vinte e seis Syrah a concurso ficou brilhantemente em oitavo lugar! Era o único Syrah a concurso que ainda não estava no mercado! O oitavo lugar obtido provava bem as suas potencialidades! Uma semana antes da prova cega, o Blogue do Syrah, juntamente com alguns elementos dos Cegos por Provas e Tiago Paulo da Garrafeira Estado d´Alma tinham degustado este Syrah num final de tarde bem apelativo que nos deixou bem impressionados. Na prova cega também degustamos pela segunda vez este Syrah e contribuímos para o positivo resultado alcançado. Na altura faltava tratar dos rótulos. A indicação era que sairia pouco depois , ou seja, ainda em 2015, ou o mais tardar nos princípios de 2016! Ora o tempo foi passando e o Syrah da Quinta dos Plátanos nunca mais saía…Até agora! Muitas turbulências depois, aí está ele a ver a luz do dia na ponta final de 2018!

Este Syrah estagiou em barricas de carvalho francês e tem uma graduação alcoólica de 14,5%! Foram lançadas 1300 garrafas!

A Quinta dos Plátanos insere-se na Região Vitivinícola de Lisboa, com Denominação de Origem de Alenquer.
Cabeça de um vinculo instituído no século  XVII mantém-se desde então na família que sempre se dedicou à vitivinicultura. Uma das Quintas mais antigas do concelho de Alenquer, pertence, à freguesia de Aldeia Galega da Merceana. Pergaminhos não faltam e são de exaltar.

Mesmo assim, apesar de toda esta longa e rica história, a vocação desta quinta tem sido a de fazer vinho a granel, aliás como era apanágio destas quintas de Alenquer e arredores de Lisboa. Muita da produção vinícola da quinta é embalada e despachada em caixas, com torneirinha, de cinco litros. Será que foi isso que aconteceu, ou seja, que o nosso tão desejado Syrah, que só daria para umas duas mil garrafas, foi aproveitado para vinhos de corte, embalado em boxes de cinco litros?

Mostra ainda capacidade de maior evolução, mas o preço a roçar os vinte euros é algo exagerado! Vamos ver o que o mercado diz finalmente sobre este Syrah e as suas capacidades!

O médico Robert Noecker escreveu: “O meu único arrependimento na vida, foi não ter tomado bastante champagne.” Que não possamos dizer o mesmo ao Syrah e nomeadamente aos mais difíceis de aparecerem no mercado como foi o caso deste Quinta dos Plátanos 2013!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 18,95€

 

 

Bolos e pães com sabor a Syrah? É a nossa aposta!

A Finger Lakes Wine Flour é uma empresa que criou uma linha de farinhas usando restos das uvas. Mais: a sua principal responsável, Hilary Niver-Johnson, garante que a farinha mantém o sabor dos varietais!

Damos desde já a deixa: apostar em farinhas de uva Syrah que tanto quanto sabemos ainda não existe!

A linha de farinhas desta empresa sui generis possui as variedades Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Riesling, Gewürztraminer e um “blend tinto”. Segundo Hilary, a farinha das uvas deve ser usada como complemento da farinha das receitas convencionais. Ela aponta ainda que os diferentes “sabores” mantêm os perfis de cada variedade.

“Temos tentado combinar cada farinha com uma fruta que mais chegue próximo do seu sabor. Combinamos Merlot com pratos de morango, Cabernet Sauvignon com amoras, Cabernet Franc com mirtilos, Gewürztraminer com pêssego, Riesling com maçã e Pinot Noir com cereja”, apontou. Sugere ainda misturar as farinhas em molhos de macarrão para adicionar sabor.

Que tal preparar um bolo com sabor de Merlot? Não, a ideia não é fazer uma infusão para misturar na massa, mas usar farinha da própria uva. Pelo menos é o que nos garante a  Hilary! As sementes são uma pequena percentagem do bagaço que é produzido nas vinícolas. A maior parte são peles, que possuem muitos nutrientes. É todo este bagaço que é utilizado para criar a farinha.

O mote está dado! Quem é que nos garante que não se poderão fazer coisas bem interessantes em termos de palato? Então se for de Syrah…!

Tapada de Sabogos, 100% Syrah, Terras de Sicó, 2017

Hoje apresentamos um duplamente novo Syrah!
Novo por um lado, porque é a primeira colheita e por outro porque é o primeiro de que temos conhecimento desta região vinícola. Melhor dizendo de uma sub região vinícola!
O Syrah chama-se Tapada de Sabogos, da quinta com o mesmo nome, e é o primeiro Syrah das Terras de Sicó!
É um Syrah a 100% do ano de 2017, logo muito novo, muito frutado e com um caminho ainda por fazer!

A garrafa aqui apresentada não tem rótulos porque ainda não estão feitos, e segundo o produtor Ramiro Rodrigues não há perspectiva de quando é que estarão prontos.

O enólogo responsável por este Syrah é Gonçalo Moura da Costa, agrónomo de formação e que trabalha na área da enologia há doze anos. Actualmente é enólogo residente da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, em Miranda do Corvo; consultor enológico da associação de produtores de vinhos das Terras de Sicó – Vinisicó; sócio e director de produção da empresa “Two friends”; é ainda enólogo das empresas Casa d`Alfafar, Encosta da Criveira, Vinhos Alegre, Tapada de Sabogos, Vale da Brenha e Quinta da Baforeira.

Os vinhos Terras de Sicó, produzidos na IG Beira Atlântico, sub-região Terras de Sicó, segue as tecnologias de elaboração e as práticas enológicas tradicionais, bem como as legalmente autorizadas.

A área geográfica de produção limita-se aos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela e Soure e as Freguesias de Lamas (Miranda do Corvo), Abiúl, Vila Cã, Redinha e Pelariga (Pombal) e Aguda (Figueiró dos Vinhos); inserindo-se numa mancha de vinha localizada no Litoral Centro de Portugal. São solos de origem argilo-calcárea, de diferentes nuances com pequenos afloramentos de xisto, povoando o verde das encostas solarengas da Serra de Sicó com um clima de Invernos frios e húmidos e verões quentes e secos. Nestas vinhas, podadas em vaso (as mais antigas) e em cordão bilateral (as mais recentes), predominam as seguintes castas:

Brancas: Fernão Pires, Rabo de Ovelha, Arinto e Cerceal.
Tintas: Alfrocheiro Preto, Baga, Bastardo, Rufete, Tinta Roriz, Trincadeira e Touriga Nacional e em pequena quantidade a Syrah!

Os vinhos produzidos na Sub-Região de Terras de Sicó só podem ser comercializados após o estágio mínimo de seis meses, devendo ter um título alcoómetro natural mínimo de 90% em volume e um título alcoómetro adquirido mínimo de 10,0 % em volume, devendo os restantes parâmetros analíticos apresentar os valores definidos para os vinhos de mesa em geral. O vinho rosé, ou rosado, deve ser elaborado pelo processo de “bica aberta” ou com uma ligeira curtimenta.
A produção de vinhos na sub-região remonta ao tempo dos romanos, fazendo disso prova os diversos lagares talhados nas rochas graníticas (lagares antropomórficos), onde na época o vinho era produzido. A sua qualidade foi sendo alvo de destaque ao longo da nossa história.

O território “Terras de Sicó” situa-se na Região Centro de Portugal, englobando a totalidade da área dos Municípios de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure em torno do maciço da Serra de Sicó, somando um total aproximado de 1.500 km2. No território das Terras de Sicó habitam cerca de 121.000 habitantes (censos 2001) – numa densidade populacional de 80,6 hab/km 2.

A nossa citação de hoje de algum modo se prende com a descoberta deste Syrah! É uma citação anónima que diz que “O melhor fertilizante para o vinhedo é a sombra do viticultor.” É mesmo isso… que lembra este Syrah!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 5,00€

O Concurso Internacional Syrah du Monde

Foi no dia 25 de Maio que demos conta dos resultados do concurso internacional Syrah du Monde em relação aos Syrah portugueses, como aliás já o tínhamos feito em anos anteriores! É que o resultado este ano foi bem pior  que nos outros anos! Somente quatro medalhas de prata. Nem uma medalha de ouro! Três dos Syrah premiados são de Setúbal e um é alentejano!
O grande vencedor em termos numéricos é a Austrália, como de costume, seguido pela França como de costume. Em terceiro lugar ficou a África do Sul como de costume. E é isto que nos começa a preocupar. Quantas medalhas é que ganhou os Estados Unidos? Uma medalha de prata! Estranho, certo?

Na altura escrevemos o seguinte: “E os outros Syrah, não concorreram? Se é esta a explicação fizeram mal e aí, estimados leitores, não há nada a fazer! É a mentalidade portuguesa no seu melhor! Se concorreram e não ganharam então há muita coisa que não corre bem na organização do concurso!”

Nesse mesmo texto também foi dito o seguinte: “O Blogue do Syrah irá contactar o júri do concurso internacional Syrah du Monde para colocar algumas questões que consideramos pertinentes e que merecem ser respondidas!O desenvolvimento deste tema segue dentro de momentos!

É convicção do Blogue do Syrah que se concorressem mais Syrah portugueses (caso tenha sido essa a questão) maior seria o número de medalhas. Temos matéria prima para arrebatar pelo menos uma dúzia de medalhas. Ficamos atentos!”

O objectivo deste texto é de dar conta das iniciativas que tomamos de modo a ter resposta para questões que nos pareciam importantes! Daí que no mês seguinte enviamos um email à organização  do concurso a ver qual seria a reacção e em que moldes…

 

Le concours international “Syrah du Monde”

6/06

Très chers

Je m’appelle Trindade Francisco et je suis l’éditeur du blogue du cépage Syrah qui est localisé à Lisbonne et qui a comme objectif principal faire découvrir le cépage du Syrah et  essentiellement les portugais. Au long de ces dernières années le Blogue du Syrah a promu le concours international  “Syrah du Monde” qui a une grande importance pour nous.

C’est la raison pour laquelle je me retourne vers vous pour poser quelques questions:

1- Qui sont les éléments du juri qui choisissent annuellement les meilleurs Syrah et atribuent les médailles?

2- Comment les éléments du juri sont-ils choisis et combien sont-ils?

3- Parmis les éléments du juri y a-t-il un juré portugais?

4- Est-il possible d’avoir accès à la liste de tous les Syrah présentés lors du dernier concours et essentiellement les Syrah portugais qui y ont aussi participé.

Très Cordialement,

l’éditeur du blogue des cépages du Syrah

Trindade Francisco

Durante mais de dois meses não obtivemos nenhuma resposta e quando já este mês enviamos novo email de tom irónico a agradecer por nada, aí a resposta foi imediata!

Le concours international “Syrah du Monde”

15/08

Très chers

merci beaucoup pour votre réponse en temps útile!

Je vous remércie!

Très Cordialement,

l’éditeur du blogue des cépages du Syrah

Trindade Francisco

 

Duas horas após este segundo mail recebemos da organização o mail que se segue:

15/08

Bonjour,

Nous notons avec intérêt  vos questions sur la manifestation SYRAH DU MONDE pour l’animation de votre blogue.

Actuellement  Franck ARNOULD de l’équipe de direction de la confrontation Internationale SYRAH DU MONDE est à Lisbonne

Merci de  nous transmettre  votre adresse, ou un n° de TEL, afin que Franck vous contacte.

Bien cordialement

HL ARNOULD

A nossa resposta foi também imediata:

 

Le concours international “Syrah du Monde”

15/08

Bonjour,

je suis en vacances, ne suis pas à Lisbonne maintenant.

Ce que j’ai demandé, c’est la réponse aux 4 questions que j’ai posées dans mon courrier de juin.

Seulement ça!

Merci!

Très Cordialement,

l’éditeur du blogue des cépages du Syrah

Francisco Trindade

Ainda no mesmo dia veio a seguinte resposta:

1- Qui sont les éléments du juri qui choisissent annuellement les meilleurs Syrah et atribuent les médailles?

Professionnels – ( ingénieur, oenologue, technicien du vin, sommelier, responsable de club de dégustation..commerciaux….),  ayant suivi une formation spécifique aux vins de syrah du monde, cette formation se déroule dans le cadre de l’Institut Paul Bocuse- Ecully-Lyon. Ces professionnels deviennent des experts jurés en Syrah du Monde.

2- Comment les éléments du juri sont-ils choisis et combien sont-ils?

Les jurys  sont composés de 5 experts jurés

3- Parmis les éléments du juri y a-t-il un juré portugais?

Pas actuellement

4- Est-il possible d’avoir accès à la liste de tous les Syrah présentés lors du dernier concours et essentiellement les Syrah portugais qui y ont aussi participé.

Vous trouverez sur le site  www.syrah-du-monde.com   la liste des vins primés par années. La liste des vins participants n’est pas accessible.

 

Muitas considerações seriam possíveis de fazer a partir destas respostas frouxas e inconsequentes. Mas deixamos aos leitores do Blogue do Syrah a possibilidade de tirarem as suas próprias conclusões!

 

 

Sadino, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Apresentamos hoje um novo Syrah, desta feita de Setúbal, e da Sivipa – Sociedade Vinícola de Palmela!
Sadino de seu nome, esta primeira colheita é do ano de 2016!
A Sivipa é também a detentora de um outro Syrah, o Ameias, amplamente falado nas páginas do Blogue do Syrah!
Este Sadino é portanto o segundo Syrah da responsabilidade da Sivipa!

Um Syrah com uma óptima relação qualidade-preço, que nos agradou bastante e que mostrou ter espaço para poder ainda evoluir!

É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%. É feito de vinhas com menos de 20 anos de idade, na pujança da vida portanto, provindo de solos arenosos típicos daquela zona da península de Setúbal. Podemos caracterizar este Syrah em termos visuais como sendo “um vinho de cor rubi denso, com notas de frutos pretos,e ligeiro tostado. Equilibrado, com final longo e marcado” Estagiou durante seis meses em barricas de carvalho francês e americano.

Nos últimos anos os monocasta da SIVIPA e nomeadamente os Syrah têm sido premiados em todo o mundo. Os prémios são tanto mais extraordinários quanto o posicionamento da SIVIPA é partilhar o melhor da região de Palmela a preços acessíveis. O mesmo poderá vir a acontecer eventualmente ao Sadino! Nós aqui no blogue do Syrah não nos deixamos deslumbrar com os prémios. Degustamos o vinho e damos o nosso parecer, subjectivo, mas sempre o mais imparcial possível , na nossa qualidade de consumidores e amantes desta casta…  e nada mais do que isso, como já o dissemos mais do que uma vez!

E agora é relevante dar aos nossos leitores alguns dados sobre a Sivipa, Sociedade Vinícola de Palmela, SA, que foi criada no ano de 1964 por um grupo de vitivinicultores que se uniram para formarem esta sociedade com o objectivo de engarrafar os vinhos das suas produções e de os colocarem no mercado. O objectivo seria conseguir obter uma mais valia através do mercado de vinhos engarrafados, pois nesta altura pretendia-se acabar com a comercialização de vinhos a granel e vinhos em barril. Entretanto na década de 90 entrou para o capital da sociedade uma das famílias com maiores tradições na produção de vinhos da região de Palmela, a família Cardoso, que através dos seus 400 ha de vinhas e com produções na ordem de 2 milhões de litros anuais assegurava uma maior homogeneidade na qualidade dos vinhos. Nesta altura começou-se a apostar nos vinhos certificados e de maior qualidade.

Hoje em dia a Sivipa é uma sociedade com grande reputação na produção de vinhos e moscatéis. Dados importantes a considerar e a reter:
Volume de vendas no primeiro ano – 1 012 000 litros.
Inicio da produção de Moscatel de Setúbal – ano de 1979.
Construção da actual linha de engarrafamento – ano de 1999.

O jornalista Lucien Farnoux-Reynaud escreveu: “Dado que o homem é o único animal que bebe sem sede, convém que o faça com discernimento.”

Quem só agora estiver a começar a aventura de se iniciar no mundo do Syrah, pode muito bem começar por aqui: O Syrah Sadino de 2016!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 3,99€

 

 

 

 

 

O que importa na hora de escolher um Syrah?

Segundo estudo feito em Itália, onde sabemos existir bom Syrah, o factor que os consumidores mais levam em conta na hora de comprar uma garrafa de vinho é o logótipo da empresa produtora.

O site Spot and Web fez uma pesquisa nas redes sociais com 500 pessoas entre 25 e 60 anos e, dentro dessa amostra, 26% respondeu que a primeira coisa que leva em consideração na hora de adquirir um vinho é o logótipo da empresa, que, no caso dos vinhos italianos, na maioria das vezes, é representado por um brasão de armas da família produtora, algo muito comum em regiões tradicionais como Chianti, por exemplo.

O segundo ponto considerado pelos consumidores é o nome do vinho, com 22% e, em terceiro, a marca do local de origem (o Galo Negro de Chianti, por exemplo), com 17%. Depois, vem a clareza das informações no rótulo, com 14%. Em quinto está o formato da garrafa (11%).

Quanto a nós, Syrahnianos, o que importa na hora da escolha é que seja Syrah e se o consumidor tiver dúvidas só tem que consultar este nosso, e vosso, Blogue do Syrah!