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Syrah e Diabetes

Um novo estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Sul da Dinamarca sugere que o consumo frequente e moderado de álcool, em especial o vinho tinto, pode reduzir a chance de desenvolver diabetes tipo 2.

O artigo publicado na revista Diabetologia utilizou dados da Pesquisa Dinamarquesa de Exame de Saúde, na qual hábitos de consumo e saúde foram relatados por 70.551 participantes livres de diabetes (28.704 homens e 41,847 mulheres) ao longo de cinco anos. Ao fim do período, 859 dos homens e 887 das mulheres desenvolveram diabetes. Os que tiveram o menor risco de diabetes eram os que bebiam moderadamente, 14 bebidas por semana para homens e 9 bebidas por semana para mulheres.

Além da frequência, também foi examinado o tipo de álcool ingerido. O consumo moderado de vinho foi associado a um risco consideravelmente menor para homens e mulheres, em comparação com abstenção ou consumo pouco frequente. No texto do estudo, os investigadores especulam que isso se deve às propriedades de equilíbrio do açúcar no sangue e polifenóis encontrados no vinho tinto.

Eis pois boas notícias para nós apreciadores de Syrah e para todos os outros do vinho tinto.

Quinta do Sobreiró de Cima, Sociedade Agrícola Comercial SA, 100% Syrah, Trás-Os -Montes, 2016

Foi no Mercado do Vinho da vila de Cascais, 2018 entre 27 e 29 de Abril que tivemos conhecimento da mais nova colheita do Quinta do Sobreiró de Cima do ano de 2016! Como já é costume salientar é um Syrah de qualidade que nos dá sempre imenso prazer degustar!

O Syrah da Quinta do Sobreiró de Cima, é um Syrah com 14,5% de graduação alcoólica, tratando-se de um vinho de “cor granada concentrada, um aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta, na boca é muito cheio, aveludado com os taninos presentes e com um final longo e persistente.” A enologia está a cargo de Luís Cortinhas.

O CEO da Sociedade Agrícola Comercial SA, Natacha Teixeira, fez uma revolução no modus operandi da empresa! Hoje é fácil e possível contactar a Quinta do Sobreiró de Cima e obter informações coisa que não acontecia anteriormente, por exemplo sobre os seus vinhos, estando igualmente disponível um documento de apresentação muito bem elaborado, parabéns! Ficamos satisfeitos com todas estas mudanças porque este Syrah merece ter vida longa e para que isso possa acontecer é imperioso a divulgação ser feita e que esteja largamente disponível, acessível a todos!

Antes de terminar queríamos chamar a atenção para o seguinte aspecto: pode parecer que este Syrah, ao ter a mesma classificação da colheita de 2015, teria pois a mesma qualidade, pelo menos do nosso ponto de vista. Concluir isso é não perceber que o vinho tem uma curva ascensional e que em relação a este Syrah ainda só estamos no início! Tem um longo caminho a percorrer. Palpita-nos que daqui a um ano ou um ano e meio a qualidade deste Syrah 2016 possa estar a um nível superior! Vamos estar atentos e voltaremos a ter motivos de interesse para voltar ao Syrah 2016 da Quinta do Sobreiró de Cima!

O escritor Aaram Sequerra escreveu:
“Quando tomados em pequenas quantidades, o vinho ou outras bebidas de baixa graduação alcoólica, elevam o bom colesterol.”
Então para elevar o bom colesterol, estamos nessa e este Syrah de Trás-Os –Montes está aprovado de novo!

 

Classificação: 17/20                                                    Preço: 7,95€

Há Syrah em Oeiras 2018

O Blogue do Syrah esteve presente no Sábado passado, dia 12, no “Há Prova em Oeiras”na sua sexta edição. Conceituados produtores de Syrah e reconhecidos vinhos nacionais estiveram à prova durante três dias, acompanhados de uma mostra seleccionada de restauração local.

Estiveram nesta mostra oito produtores de Syrah dos vinte e três produtores com as melhores sugestões dos seus vinhos para o Verão.

Eis as fotos mais significativas deste momento que fica para a história de mais uma feira de Syrah em Oeiras!

Syrah medalhado

A American Association of Wine Economists (AAWE) é uma coisa séria. Ler os seus documentos exige cabeça fria e conhecimentos de alta matemática, nomeadamente probabilidade e estatística, que estão para além das capacidades normais de um mortal comum. A seriedade é tanta que quando eles afirmam, e demonstram até à exaustão, a percentagem exacta de aumento do preço de um vinho quando ganha uma medalha em concurso, nós acreditamos. Será? No final revelaremos que nem sempre é assim.

Portanto a questão é: Para que serve uma medalha num concurso de vinho? Prestígio, garrafa com o rótulo engalanado, mas na realidade os consumidores a maior parte das vezes nem repara nisso. No entanto, o estudo referido, que pode ser descarregado aqui em formato pdf, revela que os produtores aumentam os seus preços em 13% se ganharem uma medalha em concursos de vinho. O artigo tem como objectivo principal verificar o efeito de uma medalha sobre o preço do vinho, concluindo que um produtor cujo vinho recebe uma medalha pode aumentar seu preço em futuras edições.

A pesquisa comparou o preço dos vinhos antes e depois de uma série de competições, descobrindo que alguns produtores aumentam logo o preço assim que são revelados os resultados, na maioria dos casos colocando um autocolante reproduzindo a medalha que ganharam. Isso ocorre porque alguns possuem contratos com negociantes em que há uma provisão para que o produtor receba um aumento de preço específico se o vinho ganhar uma medalha entre a data do contrato e a data de entrega. Como se pode ler no artigo, os autores concluem que “os incentivos para participar de competições são altos”.

Para terminar o nosso texto, e falando sobre a inexactidão que aflorámos acima, tomemos o caso do nosso famoso Cem Réis, merecidamente premiado, cuja tiragem de 2016 vai ter um aumento de preço acima do dobro em relação aos anos anteriores.

Concluindo: mesmo a matemática mais hermética e avançada pode falhar em alguns casos!

Castelo de Arraiolos, Herdade das Mouras de Arraiolos, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Mais uma colheita deste Syrah da Herdade das Mouras, de Arraiolos, do Alto Alentejo!
A última tinha sido apresentada em Agosto de 2016, aqui!
O consumo pode ser imediato ou durante os próximos 6 anos. A graduação alcoólica é de 13,5%. Seleccionámos as notas de prova que falam de “um Syrah de cor vermelho rubi. O paladar é encorpado e com final de boca elegante”. O enólogo de serviço é o sobejamente conhecido Jaime Quendera!

Estamos perante um Syrah novo, não muito complexo, fresco, para um tinto, e com uma relação qualidade/preço muito generosa. Gostámos muito como, aliás, já é costume com os Syrah de Quendera!

O projecto Adega das Mouras começou no ano de 2000, com a compra das terras por parte de um empresário de Lisboa, Henrique Neves dos Santos. A herdade tem na totalidade mais de 300 ha, estando uma grande parte ocupada com vinha. A herdade tem um verdadeiro mar de vinhas com mais de 226ha, sendo uma das três maiores vinhas contínuas da Europa, que ficou completa entre 2004/2005. As cepas mais velhas são de 2002, ano em que se começou a plantar a vinha que hoje lá existe. Entre 2000 e 2002 arrancou-se vinha para produção de uva de mesa que já lá existia e estudou-se o terroir específico da Adega das Mouras, de forma a preparar-se o solo para plantação de vinho e decidir-se as castas indicadas.

A Adega das Mouras de Arraiolos é um projecto empresarial privado. Localizada no município de Arraiolos, histórica Vila do Alentejo, conhecida pela sua tradição secular de fabrico de tapetes bordados à mão, com o mesmo nome da terra, a Herdade das Mouras de Arraiolos é um testemunho vivo de uma nova geração de produtores que enriquece as mais genuínas tradições. Apesar de ser uma empresa ainda pouco conhecida no mercado, inclui as referências Castelo de Arraiolos, Conde de Arraiolos, Mouras de Arraiolos, Moira’s, Monte das Parreiras, Maria da Penha, Talha Real, Vinha da Mouras, Adegas das Mouras, entre outras. A aposta vai para a venda em quantidade nas grandes superfícies, não sendo por isso de surpreender que a adega tenha sido projectada, precisamente antes da vindima deste ano, para ter uma capacidade de produção de perto de 3 milhões de litros e de armazenamento cerca de 5 milhões.

A Alma do Vinho, poema de Charles Beaudelaire, diz assim a certo passo:
“Alma do vinho assim cantava na garrafa:
Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que se abafas,
Um cântico em que só há fraternidade e luz!”
Estamos nessa e este Syrah está mais uma vez aprovado!

 

Classificação: 16/20                                                            Preço: 2,49€

Protestar com Syrah

Faits divers que se encontra por aí, e este fala de um produtor de vinho australiano que decidiu fazer o seu protesto pessoal usando umas das garrafas com Chardonnay da sua vinha.  Portanto estamos em presença de um suposto “Fuck Him” em forma de vinho, exibindo assim de forma original o seu desacordo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desta forma, em bom português, para ele será uma trampa, especialmente contra a sua visão de não aceitar imigrantes e discriminar minorias.

Segundo o enólogo da casa, Nic Peterkin, da L.A.S Vino, este Chardonnay é um dos melhores vinhos que já fez, independentemente da mensagem política. O design do rótulo exibe uma composição gráfica com a efígie do actual presidente norte-americano.

Criativa também a forma como o vinho é descrito: feito de “vinhas importadas da França sob irrigação israelense, cuidadas por um tractor italiano, com uvas escolhidas por um grupo de irlandeses, alemães, estonianos e coreanos sob a supervisão de um sul africano”. A garrafa custa 55 dólares australianos e só é vendida na própria vinícola.

O que nos perguntamos é, porquê usar vinho para falar de política e seus protestos? Marketing? As vendas seguramente estão asseguradas. Quanto a Syrah, francamente não gostaríamos que fosse usado para este fim, mesmo que a causa seja justa ou devida.