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HT, Tiago Cabaço Wines, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Estamos perante a quinta colheita do HT de Tiago Cabaço, do ano de 2017, Estremoz.
A primeira safra, de 2013, foi o Syrah com que começámos esta aventura de contar a história (passado, presente e futuro), dos Syrah portugueses. Por isso temos um especial carinho por este Syrah!

Mas vamos debruçar-nos sobre o HT. Em primeiro lugar, o nome: diz-nos o próprio produtor que se trata de uma homenagem à Herdade do Trocaleite, onde passou a infância, e onde estão plantadas 6 parcelas de Syrah cujo cultivo o resultado está à vista.
Neste caso um Syrah novíssimo de 2016, com 13,5% de graduação alcoólica, de “cor rubi compacta, com taninos finos mas poderosos e com um final de boca longo e elegante.” Não poderíamos estar mais de acordo. Acrescentemos, unicamente, que tem grandes possibilidades de evoluir muito positivamente em garrafa.

De referir, e destacar, como sempre o preço, que se situa abaixo dos quatro euros, quando comprado em mercados de grande superfície ou mesmo não tão grande! É obra, tendo em conta os seus congéneres de mercado e devido à qualidade demonstrada.
Quem disse que não é possível comprar um Syrah simultaneamente poderoso e de baixo custo?

O escritor Luis Fernando Veríssimo escreveu:
“Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. Isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como “doce”, “amargo”, “ácido”, etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados à imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura.”

Então se tudo é literatura fiquemos por aqui e vamos continuar a beber o nosso HT, 100% Syrah, do Tiago Cabaço de 2017.

 

Classificação: 16/20                                                    Preço: 3,89€

Vinhas antigas produzem melhores vinhos?

Houve-se falar muita vezes, quando se visita um produtor, de vinhas velhas, muitas vezes com mais de 100 anos. E isso percebe-se pelas raízes e pela estrutura do tronco e cordões, cada vez mais complexos e volumosos.

Produzem estas videiras melhores frutos? As vinhas de Shiraz, plantadas durante a década de 1860 em algumas partes da Austrália, continuam a produzir frutos intensos, saborosos e equilibrados. Com um sistema de raízes expansivo e madeira substancial, estas vinhas, que se adaptaram ao ambiente por um longo tempo, são em certa medida mais resistentes à seca e condições climáticas extremas. Vinhas envelhecidas ficam mais propensas a doenças e danos, e a sobrevivência de vinhas velhas releva-se frágil, apesar dos esforços para prolongar a sua vida.

Manter velhas vinhas na produção comercial nem sempre é viável economicamente. Há um ponto em que a manutenção da videira se torna excessivamente caro. A taxa de declínio depende de muitos factores, incluindo variedade de uva, porta-enxerto, susceptibilidade à doença, práticas do vinhedo e factores ambientais. Em Bordeaux, as videiras maduras são frequentemente substituídas após 35 anos, período que é considerado por muitos como a vida comercial de uma videira e equivalente a uma geração humana.

As vinhas velhas não produzem necessariamente melhor fruta. Uma videira comparativamente jovem, porém, madura (entre 10 e 30 anos) plantada em local adequado e bem gerido, pode produzir uvas muito requintadas como testemunhado em alguns dos mais famosos terroirs por todo o mundo.

Mercado do Vinho da vila de Cascais, 2018

Foi neste último fim de semana entre 27 e 29 de Abril que aconteceu o Mercado da Vila de Cascais!

O Blogue do Syrah tinha que estar presente, dado que estiveram neste mercado oito produtores de Syrah dos trinta e quatro produtores com as melhores sugestões de vinhos para o Verão.

Eis as fotos mais significativas deste momento que fica para a história de mais uma feira do vinho em Portugal!

 

JAAP, Quinta Rosa, 100% Syrah, Algarve, 2017

Falamos aqui há pouco tempo do Syrah de 2014 deste produtor algarvio e agora vamos falar da colheita de 2017 que é a mais recente do mercado! A colheita foi de seiscentos quilos que deram origem a trezentos e vinte e cinco litros de Syrah!
Este Syrah tem uma particularidade em relação ao anterior que faz toda a diferença! É que este Syrah é um vinho feito em ânfora! Originalidade total! Trata-se do primeiro Syrah feito por este método ancestral que vem desde o tempo dos romanos e que está em processo revivalista!

Um Syrah de talha!

Apesar deste pequeno produtor algarvio já ter alguns anos de actividade, só há pouco tempo é que conseguimos chegar à fala com o seu produtor Jaap Honekamp! Trata-se de um pequeno produtor localizado em Silves, no Algarve.
Este é um pequeno produtor, com apenas 3.3hectares de vinha, em modo biológico.Em 2008 e 2009 foram plantados os 2ha iniciais, e em 2013 foram plantados mais 1.3ha. Nas tintas, existe as castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Aragonez, Merlot e Trincadeira. Nas brancas, apenas Chardonnay.
As primeiras colheitas saíram em 2011, mas sem certificação. “Oficialmente”, isto é, certificados, apenas desde 2012, mas com uma grande variedade de tintos. Actualmente, também têm rosé e um branco.
Os tintos reflectem o calor da região, com fruta madura, baixa acidez, encorpados. O produtor avisa: “Não esperem vinhos excepcionais, mas esperem vinhos genuínos, macios, fáceis de beber e agradáveis.” Completamente de acordo!É o caso deste Syrah de 2014 que se bebe bem sem pretensiosismo e que na boca se percebe que se trata dum vinho biológico!

Os vinhos portugueses do Algarve não são muito valorizados, no entanto, em 1998, Jaap Honekamp decidiu fechar a sua empresa de construção civil, para se dedicar à viticultura, precisamente no Algarve.
Demorou algum tempo, mas em 2011 realizou-se a primeira grande colheita de qualidade da vinha que, na altura, era de 2 hectares.
Depois de alguns imprevistos e incertezas no início, em 2012 conseguiram registar os vinhos oficialmente na CVA (Comissão Vitivinícola do Algarve).
Desde então, Jaap e a parceira Renee produzem Vinho Regional do Algarve.
Desde sempre quiseram e decidiram produzir vinho biológico.
Assim, temos a vinha sem produtos químicos e vinhos sem adições, produzidos de forma tradicional e fermentados pelas leveduras naturalmente existentes na película da uva.
A adega, onde o vinho é produzido e amadurece, tem uma área de 220 m2.
A prensa de madeira deu lugar a uma de aço e onde existia tanques pequenos,agora existem tanques em aço de até 1500 litros.
Na Quinta Rosa segue-se e respeita-se o ritmo da natureza.
Cada ano é uma nova aventura, pois quase diariamente tem que se reagir consoante os planos da natureza.
Logicamente, a colheita é a coroação de todo o trabalho na terra, mas é a natureza quem determina o momento certo!
A temperatura e as demais condições climatéricas têm um papel primordial.
Normalmente e a maior parte das vezes, a colheita faz-se em Agosto.

O provérbio popular diz que:
“Azeite de riba, mel do fundo, vinho do meio.”
O Syrah Jaap tinto de ânfora pode bem ser este vinho do meio!

 

Classificação: 16/20                                             Preço: 7,95€

A origem dos nomes das uvas

Há aquela história da loira a quem perguntam:
-Quantas sinfonias compôs Beethoven?
-Uma.
-Qual?
-A nona!

A nós se nos perguntam:
-Quantas castas de uvas existem?
-Uma.
-Qual?
-A Syrah!

Vamos então falar de uvas e respectivas castas, sobretudo tentar entender a origem e significado dos nomes da cada uma. Mas como existem muitos milhares de castas de uvas no mundo, vamos escolher algumas das mais conhecidas, ou cujo nome tem mais interesse investigar, pois alguns são de ordem mitológica, outros científica, outros controversos. Também há alguns bastante curiosos. Eis os mais interessantes.

Malbec
Há quem diga que a origem seria um nome próprio, Malbek, de origem húngara. Outra teoria, mais lógica, já que Malbec é uma uva francesa, seria “Mal bec” ou boca amarga, em francês, devido aos taninos mais duros que os Malbec franceses têm.

Merlot
O nome viria do pássaro Melro, que em francês é Merle, uma praga no país, que adora comer as uvas Merlot.

Pinot Noir
O nome seria devido ao formato de seu cacho, como um pi – nho (pin), noir (escuro).

Syrah
Tinha de constar, claro. Esta uva é de origem muito antiga, com muitas lendas em torno de seu nome, como já temos referido. Está provado que sua origem genética está no Vale do Rhône (França), mas há especulações que ligam seu nome à cidade de Siracusa, na Sicília, ou ainda de uma cidade com o nome Shiraz, no Irã, antiga Pérsia. Ou, ainda, seria derivado de “Darou é Shah” (o remédio do rei), que era como o rei persa Djemchid se referia ao vinho. Há até quem extrapole e insinue que Syrah teria sido o tinto da Última Ceia, sendo esta a nossa nossa história preferida.

Cabernet Sauvignon
Como sabemos, Cabernet Sauvignon é a rainha das castas tintas para uns, para nós é outra, capaz de crescer e dar frutos em quase todos os climas. Cabernet vem de “caverna”, e Sauvignon, de “selvagem”. Em outras palavras, Cabernet Sauvignon é “o selvagem das cavernas”. Esta uva é mais moderna do que se acredita, e é o produto de um cruzamento entre a branca Sauvignon Blanc e a tinta Cabernet Franc, por volta do século 16.

Tempranillo
Temprano significa cedo em espanhol e a Tempranillo leva este nome, pois amadurece mais cedo que as outras tintas espanholas.

Tannat
Diz a lenda que foi a alta concentração de taninos dessa uva que motivou a escolha de seu nome.

Petit Verdot
O cacho dessa uva é pequeno, e de amadurecimento tardio, mantendo um leve tom verde. Portanto, Petit Verdot.

Carménère
Assim como a Cabernet Sauvignon e o Merlot, a uva Carménère também é uma cepa originária de Bordeaux. Apesar de ser uma fruta típica da região, a Carménère não é encontrada com facilidade nessa cidade francesa, já que os vinhos chilenos elaborados com a cepa são considerados os melhores do mundo. A Carménère produz um vinho bastante encorpado, ao contrário das outras uvas francesas, com taninos marcantes, sabor frutadoe aroma discretamente apimentado.

Chardonnay
Originária da Borgonha, é responsável por produzir os mais famosos vinhos brancos e espumantes em todo o mundo. A cepa Chardonnay produz vinhos encorpados, porém macios e muito elegantes, especialmente quando produzidos em terras francesas. Apesar de sua produção ser encontrada em outras regiões do país e do mundo, poucas apresentam o mesmo valor e sabor das receitas originais da Borgonha.

Sauvignon Blanc
Produz um vinho suave, com boa acidez e sabor discretamente herbáceo, especialmente quando produzido na França. A Nova Zelândia tem se destacado na produção de vinhos com essa uva, ao deixá-lo com sabor mais frutado e encorpado.

Monte Barbo, Produções Vinícolas Da Beira Interior Lda, Reserva, 90% Syrah, 10% Cabernet Sauvignon, Beira Interior, 2013

Não há muito tempo tínhamos dado conta da outra colheita do Monte Barbo aqui. Hoje apresentamos uma nova colheita, a de 2013! É sempre bom lembrar que para além de ser um óptimo Syrah da Beira Interior é o único Syrah português que tem Cabernet Sauvignon, mais precisamente dez por cento.

Monte Barbo é produzido numa propriedade de dez hectares, localizada no concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco.  A riqueza artística do rótulo mantêm-se retro mas elegante, de uma beleza dificilmente igualável! Em Portugal é a primeira vez que um produtor arrisca a combinação de Syrah com Cabernet Sauvignon. Se tal chegar ao conhecimentos dos Franceses, sem degustarem o néctar, dá-lhes um ataque cardíaco! O importante é que os franceses não são para aqui chamados, e o resultado final é que interessa.

O Monte Barbo é uma pequena propriedade, como já foi dito, que produz 70000 garrafas divididas por quatro tipos de vinho. Do Reserva Syrah 2012 foram feitas 10000 garrafas. E temos a garantia de que para o princípio de 2018 teremos uma nova colheita do Syrah/Cabernet Sauvignon. As notas de prova oficiais dizem-nos que “Apresenta cor violeta profunda, com notas de frutos silvestres (amora) bem maduros conjugadas com nuances tostadas do estágio em carvalho francês. Na boca é fresco, agradável, elegante mas estruturado com taninos equilibrados. Muito persistente.” Tem 14,5% de graduação alcoólica. Comparativamente com a colheita anterior nota-se a diferença do ano de estágio a menos que esta colheita tem em relação à anterior. Mas vamos dar-lhe tempo! No que respeita à vinificação a vindima manual foi feita em caixas de 20 kg de castas com selecção prévia na vinha. A recepção na adega em mesa de escolha com eliminação de matéria prima defeituosa. Desengaçe total e esmagamento directo para a cuba de fermentação onde se procedeu a uma maceração a frio pré fermentativa. Fermentação alcoólica durante 6 a 8 dias a 30ºC. Maceração final durante 4 dias. Estágio em cascos de 300 litros de carvalho francês durante 12 meses.

Falemos agora um pouco sobre a história desta propriedade. O Monte Barbo, como acontece muito em Portugal, é um vinho de família, fruto de uma produção muito seleccionada e de técnicas vitícolas e enológicas que aliam a tradição à modernidade. Tiago Cristóvão o dinamizador das Produções Vinícolas Da Beira Interior Lda acredita que a qualidade e a essência do vinho Monte Barbo estão presentes, desde logo, na riqueza dos solos, na selecção das castas e na escolha minuciosa das uvas. Eis o que está na base da excelência deste Syrah. No que diz respeito ao Reserva 2013 só podemos confirmar o que está dito! A máxima desta casa, carregada de sentido é “A força do interior”! Durante quarenta anos Monte Barbo teve que fazer, como se costuma dizer, “das tripas coração”.

Uma frase dos antigos diz que:
Um pouco de imaginação multiplica o encanto de beber Syrah.
Para o Enófilo, o Monte Barbo Reserva 2013 não precisa de mais imaginação do que a que ele dá na sua degustação!

 

Classificação: 18/20                                                                Preço: 12,50€