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JAAP Rosé, Quinta-Rosa, 100% Syrah, Algarve, 2017

JAAP é um produtor biológico localizado em Silves, no Algarve.
A Quinta chama-se Quinta-Rosa e trata-se de um pequeno produtor, com apenas 3.3ha de vinha, em modo biológico.
Em 2008 e 2009 foram plantados os 2ha iniciais, e em 2013 foram plantados mais 1.3ha. Nas tintas, temos as castas Syrah, naturalmente, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Aragonez, Merlot e Trincadeira. Nas brancas, apenas Chardonnay.
As primeiras colheitas sairam em 2011, mas sem certificação. “Oficialmente”, isto é, certificados, apenas desde 2012, mas com uma grande variedade de tintos. Actualmente, também têm rosé e um branco.
É possível visitar o produtor, ver as vinhas e provar e adquirir os seus vinhos. Os preços são bastante em conta e também têm produção local de azeite, compotas e licores.
O JAAP branco 2014 é um monocasta Chardonnay. Perfil diferente do habitual, pouco frutado, sugestões de pêra. Um vinho com pouca frescura, ligeiramente rústico, mas muito acessível. Nos tintos há um grande leque de opções. Temos os blend formados por Syrah, Touriga Nacional + Syrah, Mertlot e o Aragonês. São tintos que reflectem o calor da região, com fruta madura, baixa acidez, encorpados. Não esperem vinhos excepcionais, mas esperem vinhos genuínos, macios, fáceis de beber e agradáveis.
Um produtor recente, que exporta quase toda a sua produção, e que está em processo de “aprendizagem”. Mais um produtor “bio” no Algarve, mais um produtor “alternativo”, longe dos vinhos massificados.

Os vinhos da JAAP são o resultado da iniciativa de um empresário holandês que, em 1998, decidiu abraçar o desafio de se dedicar à viticultura nesta região.
Jaap Honekamp é proveniente de Amesterdão e sabia que, na altura, o Algarve não era das regiões mais prestigiadas em matéria de vinhos. Ainda assim, fechou a sua empresa de construção civil para se tornar produtor de vinhos na região. A adaptação levou o seu tempo até que, em 2012, conseguiu registar oficialmente o seu produto na CVA (Comissão Vitivinícola do Algarve). Refira-se que desde 2015 a JAAP está registada como tendo vinha e vinhos biológicos pela SATIVA.
Jaap Honekamp produz então Vinho Regional do Algarve, com a particularidade de fazer vinho de agricultura biológica. A sua quinta, em Silves, tem três hectares e meio de vinha sem produtos químicos, das quais resultam vinhos puros, tratados de forma tradicional e sem adições. São cultivadas oito castas de uva vermelha e uma casta de uva branca, a partir da qual é feito um Chardonnay cheio, fresco e frutado.

O médico Dr. Weissebach disse:
“O Vinho é para o homem que dele faça uso moderado, um estimulante do apetite, um excelente auxiliar do seu estômago no trabalho e digestão, um gerador de bem-estar, um generoso dador de alegria.”
Os vinhos biológicos JAAP estão aí para quem os quiser provar e beber agora que estamos na primavera e o tempo está a começar a mudar!

 

Classificação: 15/20                                                             Preço: 7,95€

Monte do Roseiral, Reserva, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Estamos perante a segunda colheita deste Syrah de Lisboa, Monte do Roseiral de seu nome, reserva de 2015 e, como nós preferimos, a 100% da nossa casta de eleição.
Estamos em Bucelas, região vitivinícola bem mais conhecida por outro tipo de vinhos. Mas a estrela aqui e agora é este Syrah, cuja primeira colheita foi do ano de 2012 como demos conta aqui. O processo deu-se a partir da fermentação em cubas de inox com temperatura controlada a 28ºC e breve estágio em madeira. O enólogo foi Carlos Canário.

As notas de prova deste Syrah apontam “uma cor granada concentrada com um aroma intenso a cereja e especiarias com os taninos bem integrados. O paladar mostra um corpo cheio, aveludado com final longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 14%. Em termos de conservação as garrafas devem estar deitadas em local arejado e escuro, entre 12 e 13ºC e 60% de humidade relativa. O consumo pode ser imediato ou nos próximos oito anos. Diz-nos o produtor que este Syrah deve ser servido a uma temperatura de 15ºC, e é ideal com pratos de carne vermelha, caça, assados no forno, queijos fortes e Foie gras.

As informações que conseguimos reunir são escassas mas dizem-nos que este Reserva só será produzido apenas nos melhores anos, a partir de uvas da casta seleccionadas, de vinhas plantadas em encostas suaves e soalheiras, em solo argilo-calcário e beneficiando da influência atlântica. Com surge de um curto estágio em madeira, é um vinho de charme bastante equilibrado. E a propósito da módica informação disponível nos canais habituais sobre esta herdade e respectiva produção, já referimos, lembramo-nos daquele escritor que dizia “Os homens são como o vinho: todos começam como uvas. Cabe às mulheres amassá-los, pisá-los e repisá-los e deixar que descansem até que amadureçam. As mulheres também são como o vinho: com o passar dos anos umas refinam o sabor, outras azedam. As que azedam é por falta de boa rolha.”
Bebamos pois este nosso Syrah do Monte do Roseiral, que certamente muito esclarecimento haveremos de encontrar por entre os seus eflúvios subtis!

 

Classificação: 15/20                                                                Preço: 7,50€

Investigadores desenvolvem técnica para medir os eflúvios do Syrah

Exactamente como está no título, com o objectivo de melhorar a qualidade e não estar sujeito a factores subjectivos.

A técnica foi desenvolvida por Argentinos e Espanhóis, tendo sido criado um método para detectar a concentração de uma conjunto de moléculas voláteis, as pirazinas, na bebida que fornecem uma série de aromas apreciados pelos consumidores e considerados, portanto, de qualidade, procedimento que não dura mais que uma hora.

As moléculas em causa contribuem para o aroma vegetal em algumas variedades de uvas, onde influenciam a qualidade do néctar elaborado com elas, definindo critérios de maior ou menor qualidade por provadores, sommeliers e consumidores em geral.

A principal vantagem desta técnica é que além de eliminar a subjectividade, como já dissemos, da degustação humana, permite detectar esses aromas em volumes muito pequenos de liquido, mesmo em quantidades moleculares ínfimas.

Chegando esta técnica a Portugal, podemos esperar que o melhor Syrah do Mundo ainda fique melhor!

Ermelinda Freitas, Casa Ermelinda Freitas, 100% Syrah, Península de Setúbal, 2016

Acabou de sair mais um Syrah da Casa Ermelinda Freitas, com o ano de 2016, ano que não é tão bom como o de 2015, mas continua a saga dos Syrah de Mestre Jaime Quendera.

Quem gostou das colheitas anteriores vai continuar a gostar de mais esta colheita! As vinhas estão situadas em Fernando Pó no concelho de Palmela. O solo é arenoso e o clima é mediterrânico. A fermentação deu-se em cubas-lagares de inox com temperatura controlada, e maceração pelicular prolongada. Estágio de 12 meses em meias pipas de carvalho americano e francês. As notas de prova que decalcamos dizem-nos que se trata dum vinho de “cor granada, concentrado. Aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta. Na boca é muito cheio, aveludado com taninos presentes muito bem integrados. Final longo e persistente.” A graduação alcoólica é de 14,5%. A graduação da colheita anterior tinha sido de 14%!

Não é preciso falar muito da casa Ermelinda Freitas, sobejamente conhecida no mundo dos vinhos, empresa familiar localizada em Fernando Pó, no concelho de Palmela. Nasceu em 1920 pelas mãos de Deonilde Freitas e neste momento, com Leonor Freitas, vai já na sua quarta geração. Esta assumiu o comando da sua mãe, que deu o nome aos vinhos da casa. Foi com a actual proprietária que surgiu o grande impulso dado à empresa pois foi ela que ampliou as vinhas que herdou, de sessenta hectares para os actuais trezentos e quinze hectares. A quinta inicialmente só tinha duas castas, Castelão (conhecida na península de Setúbal por piriquita – que acabou por dar o nome a um vinho da empresa concorrente, a José Maria da Fonseca) e a Fernão Pires, branca, também muito usada na região. Foi Leonor Freitas que introduziu todas as castas que a Casa Ermelinda tem actualmente e naturalmente o Syrah.

De referir que nas três gerações anteriores os vinhos não eram engarrafados e não tinham marca própria. Eram vendidos a granel e com uma qualidade que muitas vezes deixava a desejar. Sob a liderança da quarta geração tudo mudou! Percebe-se que Leonor Freitas não estava satisfeita com a herança recebida e munida de uma equipa onde se destaca o enólogo Jaime Quendera, mudou todo o “savoir faire” da Casa.

Há doenças piores que as doenças” escreveu Fernando Pessoa 11 dias antes de sua morte! Enquanto que uma doença pior que as doenças apareça beba Syrah que tem efeitos terapéuticos! Este Syrah não desanima quem o degusta!

 

Classificação: 16/20                                                 Preço: 7,99€

Quinta de Ventozelo (madeira), 100% Syrah, Douro, 2014

Há mais de um ano apresentamos este Syrah da Quinta de Ventozelo com madeira e do ano de 2014. Hoje está na altura de fazermos uma revisitação a este Syrah porque, com madeira, um Syrah de qualidade evolui muito bem, só necessitando da parte do enófilo de uma competência: Uma grande dose de paciência!

A Quinta de Ventozelo é a primeira Quinta em Portugal que lançou no mesmo ano um monocasta Syrah, com e sem madeira, e ainda por cima no Douro! Quem diria?
Na altura fizemos o seguinte comentário: “A única coisa que muda aqui no Syrah da Quinta de Ventozelo é mesmo a madeira! Repare-se: são Syrah do mesmo terroir, feitos pelo mesmo enólogo e do mesmo ano! O ideal será, como fizemos, degustar um e outro, ou seja, primeiro o Syrah sem madeira e depois o Syrah com madeira ou vice versa, como o leitor quiser! Assim podemos mais facilmente formar uma opinião: se gostamos mais do Syrah sem madeira ou com madeira.

Nós aqui no Blogue do Syrah gostamos dos dois e isso reflecte-se na classificação. Alguns poderão dizer que é resposta politicamente correcta, mas nós especificamos melhor.
Gostamos muito de madeira no Syrah, apesar de gostarmos também muito do Syrah com o gosto a fruta madura bem puxado, mas pensamos que com o tempo um Syrah que tenha estagiado 8 a 12 meses em barricas de carvalho francês ou americano (reconhecidamente consideradas as melhores barricas do mercado) irá ganhar vários pontos em relação ao syrah que tenha feito o estágio unicamente em cubas de inox antes de ter sido engarrafado. O que queremos dizer é: neste momento e tendo em conta que estamos perante dois produtos de qualidade, a opção é meramente de gosto e preferência pessoal: ou se gosta mais do Syrah sem madeira ou se gosta mais do Syrah com madeira. Mas, por exemplo daqui a dois anos, estamos convencidos que o Syrah com madeira ganhará aos pontos o Syrah da Quinta de Ventozelo sem madeira! A madeira com o tempo vai dar-lhe uma maior complexidade aromática! Estaremos cá nessa altura, se tudo correr bem, para tirar a prova dos nove!” Não temos dúvida que ganhamos a aposta! O Syrah Quinta de Ventozelo com madeira é hoje bem melhor, porque mais complexo e mais aromático do que aquele sem madeira!

A Quinta de Ventozelo possui uma equipa de enologia de que é Diretor José Manuel Sousa Soares, e é uma das duas maiores da região. São 400 hectares, 200 dos quais ocupados por vinha (estão a ser replantados 40 hectares, nos quais as castas estrangeiras como o Merlot e o Cabernet Sauvignon vão ser substituídas por castas portuguesas), aos quais se junta o olival e uma área grande de caça.

A Quinta do Ventozelo foi comprada no ano passado pelo Grupo Gran Cruz, que pertence aos franceses do La Martiniquaise, produtores de vinho do Porto desde os anos 1940 e hoje os maiores exportadores deste produto. Dos seus 200 hectares de vinha tira-se uva para vinho do Porto, mas começa-se também a fazer vinhos do Douro — alguns dos quais acabam de chegar ao mercado. Segundo Jorge Dias, director-geral do Grupo Gran Cruz, a quinta existe desde o século XVI, mas que escavações arqueológicas revelaram vestígios de uma aldeia conhecida como Ventozelo desde o século XII. A plantação da vinha, essa, terá começado mais tarde, pelo século XVIII. O desenvolvimento e exportação dos vinhos do Douro, e em particular os da Quinta do Ventozelo, é uma das grandes prioridades do grupo Gran Cruz para o próximo ano. Embora se trate ainda de um nicho o objectivo é fazer 200 mil garrafas de vinho do Douro contra 25 milhões de vinho do Porto.

Henrique IV dizia:
“Boa comida e bom vinho é o paraíso na terra!”
Cada vez mais nos convencemos que é verdade e de que é a única verdade!

 

Classificação: 18/20                                                 Preço: 8,50€

Encosta do Sobral, 100% Syrah, Tejo, 2015

Estamos perante mais um novíssimo Syrah, do concelho de Tomar, portanto do Tejo, e do ano de 2015!
É a primeira colheita monocasta de Syrah, apesar da vinha ter já treze anos. Foram feitas sete mil garrafas. As notas de prova dizem-nos que tem “Cor vermelha intensa, aromas a frutos vermelhos maduros, cassis, balsâmicos e especiarias. Na boca revela-se poderoso, equilibrado, untuoso, com taninos maduros, com uma excelente profundidade e final de boca persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 15,5%. No tête à tête, mostrou ter uma cor escura, muito carregada, é denso,encorpado e bastante aromático, como é apanágio da casta. O enólogo responsável é Pedro Sereno, que se prestou a conversar com o Blogue do Syrah e a responder a todas as questões.

A Encosta do Sobral encontra-se implantada na região do Ribatejo, mais propriamente no concelho de Tomar. A sua situação geográfica encontra-se privilegiada pela sua paisagem sublime e singular, bem como pela história do concelho, património, tradições, usos e costumes. Há várias gerações que a família proprietária se dedica à cultura da vinha e do vinho. No seu início a produção era de cariz familiar e o excedente colocado no mercado local. Ao longo dos anos verificaram-se alterações com aumentos graduais de plantação de vinha, porém nos finais da década de 90, procedeu-se a uma reestruturação dos vinhedos.
Esta foi acompanhada de um novo encepamento e emparcelamento, tendo sido atingido um total de 70 hectares, que num futuro próximo serão ampliados dada a excelente situação ecológica da zona. Na sequência desta remodelação construiu-se uma nova adega equipada com a mais recente tecnologia, situada na povoação do Outeiro a 8 km de Tomar.

As vinhas da Encosta do Sobral foram plantadas nas encostas soalheiras pertencentes às Freguesias da Junceira e da Serra. Este é um Syrah do Tejo mas numa zona muito particular da região, a 300m de altitude numa vinha de sequeiro e em terreno de xisto. Aqui a maior influência é da barragem do castelo de bode que nos permite ter uma maior precipitação anual juntamente com noites frescas de Verão. Este vinho nasce na Syrah 4 que é uma vinha que todos os anos nos abençoa com vinhos que ficam sempre no pódio . Esta versão de Syrah é um misto de concentração, frescura e untosidade. Foi engarrafado há um ano mas ainda pode melhorar com mais tempo em garrafa.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
O Syrah Encosta do Sobral de 2015 pode bem ser o Syrah que precisamos enquanto “o ser revive.” Este Syrah tem tudo para se tornar um “clássico”!

 

Classificação: 17/20                                          Preço: 8,95€