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Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Esta é a nova colheita do já famoso Brett Edition, de Sousel, dos dois Antónios:  António Antunes produtor e António Maçanita enólogo!

Este Syrah já atingiu de tal modo o estrelato e sobre ele já tecemos palavras tão exaltadas que a cada nova colheita só temos que continuar a realçar as qualidades únicas e intrínsecas que fazem parte deste Syrah, para que possa ser conhecido e degustado por um número cada vez maior de enófilos e apreciadores de coisas únicas!

O responsável principal subjacente a este néctar é a levedura «Brettanomyces/Dekkera» que  tem a capacidade de produzir determinado tipo de aromas, que se tentam descrever falando em suor de cavalo, cabedal e outros. Defeito ou virtude é parte da composição do aroma dos grandes clássicos de sempre e é, por muitos, apelidado como a “complexidade do velho mundo”. No entanto, é por outro lado, também, considerado por muitos um escandaloso defeito. Esta edição do Brett é um desses casos em que a natureza decidiu tomar liderança na enologia, estagiando parte do vinho nas barricas da edição anterior. E é aqui que reside a explicação: um Syrah ‘infectado’, de modo natural, pela levedura Brettanomyces. O resultado é um néctar multidimensional, produzindo o “Brett” níveis de complexidade aromática, que só seriam possíveis com vários anos de garrafa, mas mantendo ainda toda a fruta.

O Blogue do Syrah com António Maçanita

O mestre deste resultado como já dissemos no início é António Maçanita, enólogo sobejamente conhecido no mundo vitivinícola português. O Brett Syrah apresenta “Cor ruby- violeta, concentrado. Nariz exuberante, caixa de cigarro, couro, especiarias e groselhas pretas. Ataque redondo, suave e rico. Boa frescura e persistência no final de prova.” Tem um teor alcoólico de 14,5%, com 16 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Todas as uvas são vindimadas à mão, seleccionadas em mesa de escolha à entrada na adega, e a vinificação decorre a temperatura controlada.

E agora um pouco de história sobre a Herdade do Arrepiado Velho. Sousel, a cerca de 40 km de Portalegre, no Alto Alentejo, viu nascer um espaço havia muito abandonado. O monte alentejano do séc. XIX foi construído de acordo com a arquitectura tradicional da região, magnificamente conservado, pleno de espaços de rara beleza. Com uma área total de cerca de 100 hectares, a barragem destaca-se entre vinhas e olival, num misto de cores e tranquilidade, como só o Alentejo consegue oferecer. O conjunto destas características faz com que a Herdade do Arrepiado Velho se integre na Rota de São Mamede – um dos três caminhos da rota dos vinhos do Alentejo.

O enófilo Nino Ferrara não há muito tempo escreveu que “Beber um bom vinho tinto, provavelmente, é o melhor acto de auto-estima e, seguramente, uma das melhores formas de contribuirmos para a nossa própria felicidade.”
Nós aqui no Blogue do Syrah confidenciamos que estamos de acordo com o Nino se pensarmos, por exemplo, no Syrah Brett Edition!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 19,50€


 

HT, 100% Syrah, Tiago Cabaço Wines, Alentejo, 2015

Estamos perante a terceira colheita do HT de Tiago Cabaço Wines, do ano de 2015, de Estremoz.

A primeira safra, de 2013, foi o Syrah com que começámos esta aventura de contar a história (passado, presente e futuro), dos Syrah portugueses. Por isso temos um especial carinho por este Syrah!

Mas vamos debruçar-nos sobre o HT!
Em primeiro lugar, o nome: diz-nos o próprio produtor que se trata duma homenagem à Herdade do Trocaleite, onde passou a infância, e onde estão plantadas 6 parcelas de Syrah cujo cultivo o resultado está à vista. Um Syrah novíssimo de 2013 com 14% de graduação alcoólica de “cor rubi compacta, com taninos finos mas poderosos e com um final de boca longo e elegante.” Não poderíamos estar mais de acordo. Acrescentemos, unicamente, que tem possibilidade de evoluir com o tempo devido, em garrafa.

Em todo o texto argumentativo, é nossa opinião que no final deve ser deixado um argumento forte. E este é mesmo muito forte. Trata-se do preço, que se situa abaixo dos quatro euros, quando comprado em supermercado! É obra, tendo em conta os seus congéneres de mercado e devido à qualidade demonstrada. Quem disse que não é possível comprar um Syrah de baixo custo e simultaneamente poderoso?

Petrónio, que foi um escritor romano, mestre na prosa da literatura latina, escreveu que “O bom vinho deve ser apreciado aos goles.”
É o caso deste HT, 100% Syrah, do Tiago Cabaço de 2015.
Trata-se de um bom Syrah!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 3,74€


 

Vinha do Rosário, 100% Syrah, Casa Ermelinda Freitas, Península de Setúbal, 2015

Se na Península de Setúbal há casas vinícolas que apesar de terem um bom monocasta Syrah decidem parar com a sua produção, há outras bem mais inteligentes que tendo já um mono varietal de Syrah apostam num segundo. Viva!

É o caso presente da casa Ermelinda Freitas, que lançou, com o ano de 2015, este Syrah a 100%, com a marca da gama de entrada Vinha do Rosário. Conhecendo muito bem o outro Syrah da casa, feito pela mestria de Jaime Quendera, e por ser gama de entrada, assim como pelo preço, mesmo muito acessível, a qualidade demonstrada foi uma surpresa. Mas este hoje aqui também é um Syrah Jaime Quendera e quando temos um mestre a fazer Syrah, as nossas expectativas não devem ser baixas!

Não é preciso falar muito da casa Ermelinda Freitas, sobejamente conhecida no mundo dos vinhos, empresa familiar localizada em Fernando Pó, no concelho de Palmela. Nasceu em 1920 pelas mãos de Deonilde Freitas e neste momento, com Leonor Freitas, vai já na sua quarta geração. Esta assumiu o comando da sua mãe, que deu o nome aos vinhos da casa. Foi com a actual proprietária que surgiu o grande impulso dado à empresa pois foi ela que ampliou as vinhas que herdou, de sessenta hectares para os actuais trezentos e quinze hectares. A quinta inicialmente só tinha duas castas, Castelão (conhecida na península de Setúbal por piriquita – que acabou por dar o nome a um vinho da empresa concorrente, a José Maria da Fonseca) e a Fernão Pires, branca, também muito usada na região. Foi Leonor Freitas que introduziu todas as castas que a Casa Ermelinda tem actualmente e naturalmente o Syrah. De referir que nas três gerações anteriores os vinhos não eram engarrafados e não tinham marca própria. Eram vendidos a granel e com uma qualidade que muitas vezes deixava a desejar. Sob a liderança da quarta geração tudo mudou! Percebe-se que Leonor Freitas não estava satisfeita com a herança recebida e munida de uma equipa onde se destaca o enólogo Jaime Quendera, mudou todo o “savoir faire” da Casa.

O Syrah Vinha do Rosário, com 14,5% de teor alcoólico, teve fermentação em cubas-lagares de inox com temperatura controlada, e maceração pelicular prolongada. Estágio de 4 meses em madeira francesa 50% e americana 50%. Isto deu origem a um Syrah “de cor granada /rubi, concentrado, rico em taninos de boa qualidade, muito complexo e cheio no boca , com aromas a lembrar frutos pretos muito maduros, compota e especiarias , bem conjugado com a madeira que lhe dá um toque de baunilha. Final de boca persistente e prolongado“.

O provérbio popular diz que:
“Enquanto o vinho desce, as palavras sobem.”
As palavras já subiram, como se pode ver, só com o abrir da garrafa.
Falta o Syrah descer.
Vamos a isso!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 2,99€


 

Pontual, Pontual Wines, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Esta é a melhor colheita do Syrah Pontual do Alandroal!
Nada de surpreendente, ou não se tratasse da colheita de 2015, que está aí para fazer história!

As notas de prova dizem que “apresenta uma cor intensa com reflexos violáceos. Os seus aromas estão bem definidos, frutos do bosque e nuances de especiarias, pimenta preta. Na boca revela-se um vinho muito equilibrado e denso, com uma acidez e taninos bem moldados.” A  graduação alcoólica é de 14%. O estágio é feito em barricas de carvalho Francês e Americano. Paolo Fiuza Nigra e Dinis Gonçalves são os enólogos de serviço.

Desde 2005  até esta de que aqui falamos, 2015, várias safras viram a luz do dia.
A PLC – Companhia de Vinhos do Alandroal, Lda, foi constituída em 2000 por Paolo Fiuza Nigra, Luís Bulhão Martins e Carlos Portas. As iniciais de cada um deles deram então nome ao projecto: PLC. Na planície ondulante do Alentejo, entre o Alandroal e Portalegre, a equipa gere com mestria 100 hectares de vinha. Plantada em solos xistosos onde as castas indígenas, e outras, potenciam a produção de vinhos de elevada qualidade, em terrenos e clima vocacionadas para a matéria prima que aqui nos traz, onde as vinhas crescem e as castas plantadas foram cuidadosamente escolhidas, com o objectivo de potenciar a qualidade das uvas e vinhos.

A produção de vinhos de qualidade começa na vinha e seus cuidados, através de uma selecção criteriosa das uvas, tendo em conta o seu estado sanitário e fase de maturação. Durante a vindima e depois na adega, a uva é processada com todos os cuidados necessários para preservar toda a sua qualidade e potencial. A vinificação dos brancos é feita em cubas de inox,  com desengace total, prensagem a baixas pressões e poucas quantidades, decantação entre 7 a 10° C. A fermentação é controlada a baixas temperaturas, entre os 13° C e os  15° C até esta acabar. Nos tintos a vinificação é feita em lagares de inox, o desengace é total e a maceração pré-fermentativa durante 1 a 2 dias. A fermentação alcoólica dá-se em temperatura controlada a  25° C. O estágio do vinho é feito em barricas de carvalho americano ou francês consoante a casta e vinho.

Segundo um adágio português:
“Ovo de uma hora, pão de um dia, vinho de um ano, mulher de vinte, amigo de trinta e deitarás boa conta.”
Quem diria melhor?

O Syrah Pontual é mais um elemento a exaltar a qualidade dos Syrah alentejanos. Vale a pena que se beba ciclicamente, partindo em demanda das edições anteriores,  até para avaliarmos a sua evolução de colheita para colheita. Mas esta de 2015 é verdadeiramente a melhor. E ainda bem. Porque é a que está disponível no mercado.
Que aprazível maneira de ocupar a vida!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 7,85€


 

Bridão, Adega do Cartaxo, 100% Syrah, Tejo, 2015

A Adega Cooperativa do Cartaxo volta à carga e apresenta-nos a sua nova colheita de Syrah 2015. A anterior tinha acontecido em 2012 e mais atrás em 2009. A Adega Cooperativa do Cartaxo não aposta anualmente nos varietais Syrah, mas de vez em quando lembra-se de nós, como fazem alguns produtores desta casta com tantas virtudes e qualidades!

Este Syrah tem 14,5% de graduação alcoólica e as notas de prova dizem-nos que é “de aspecto límpido, cor granada carregado, aroma com frutos silvestres do tipo amora e framboesa, compota e baunilha.O sabor é frutado, de boa intensidade, com boa estrutura, fresco, final longo e persistente com notas de baunilha.”

Fundada em 1954, a Adega Cooperativa do Cartaxo tem raízes numa região onde existem referências à actividade vitivinícola anteriores ao século X. Desde então a Adega Cooperativa do Cartaxo funcionou até 1974 nas instalações da Junta Nacional do Vinho, hoje convertida no Instituto do Vinho e da Vinha, no Cartaxo. Há mais de duas décadas, a Adega inaugurou as actuais instalações, onde labora desde então, sempre à procura do reforço da capacidade humana e tecnológica ao serviço da melhor produção vinícola. A afamada região vitivinícola do Ribatejo, hoje chamada de Tejo, integra a sub-região do Cartaxo e confere à produção da Adega Cooperativa do Cartaxo a denominação de Vinho Regional e DOC do Ribatejo.

Os responsáveis da adega investiram na modernização do edifício, que apresentava limitações, para corresponder às novas exigências do negócio. O antigo escritório foi demolido para se construir uma nova linha de engarrafamento. As instalações foram reajustadas e os serviços administrativos e recepção, inaugurados o ano passado, foram construídos à entrada da adega. No mesmo edifício, a loja e sala de provas estão praticamente concluídas, faltando apenas algumas “burocracias” para poderem entrar em funcionamento.

Nos últimos 5 anos os vinhos que mais têm crescido em vendas são o Xairel e o Plexus. No entanto, a marca Bridão, onde se integra com galhardia o nosso Syrah, continua a ser a marca estrela da adega, com uma gama de oferta de vinhos bastante diversificada e cada vez mais bem referenciada.

E acabamos com um provérbio português que diz:
“O pão pela cor e o vinho pelo sabor.”
No caso do Syrah é o dois em um, é pelo sabor sem dúvida, mas também pela cor. Vamos a ele!

 

Classificação: 16/20                                                                       Preço: 4,69€


 

Aldeias de Juromenha, Herdade das Aldeias, 100% Syrah, Alentejo, 2012

Ainda não tínhamos tido a oportunidade de falar do Syrah das Aldeias de Juromenha, ano 2012!

Mas vamos fazê-lo hoje porque é um Syrah merecedor de a ele sempre voltarmos.

Apresentámos aqui o de 2010, aqui o de 2011 e brevemente falaremos do de 2013 que acabou de sair. Como já se sabe é um Syrah feito por mestre António Saramago! Aliás é o único Syrah que Saramago faz presentemente! É um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.”

Nesta safra, como nas últimas, foram produzidas 13000 garrafas, todas elas dedicadas ao mercado interno. O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é todo comercializado em Portugal. O facto de ser reserva significa neste caso que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

A Herdade das Aldeias é uma empresa agrícola situada a cerca de 15km da Cidade de Elvas e junto da Vila de Juromenha com vista para o Rio Guadiana de belíssima paisagem. Está inserida numa zona histórica com grande tradição na arte de fazer vinho. Este projecto em particular está em desenvolvimento desde 1986. A adega está rodeada por 70 hectares de vinha própria. Este sistema promove um aumento na eficiência na vindima, uma vez que reduz o tempo desde a colheita até ao processamento das uvas. O clima é caracterizado por uma Primavera e Verão excessivamente quentes e secos. A exposição solar regista também valores bastante altos, em particular nas semanas anteriores à vindima, condições que contribuem para uma perfeita maturação das uvas. De facto as condições são extremamente favoráveis à síntese e acumulação de açucares e concentração de aromas e cor na película da uva. A bacia hidrográfica é dominada pelo Rio Guadiana e o tipo de solo é predominantemente xistoso.

A produção actual é de cerca de meio milhão de litros por ano, tendo uma capacidade de armazenamento de 600.000 litros.Todos os processos desde a vinificação até ao engarrafamento são realizados nas instalações da adega.

O escritor escocês Robert Louis Stevenson escreveu:
“O vinho é a única obra de arte que se pode beber!”
O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha, é ano após ano, colheita após colheita, uma verdadeira e genuína obra de arte, bebível em modo contemplativo como quem aprecia aquela arte que nos emociona e não esquecemos!

 

Classificação: 18/20                                                          Preço: 4,99€