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Bridão, Adega Cooperativa do Cartaxo, 100% Syrah, Tejo, 2016

A Adega Cooperativa do Cartaxo está de volta e apresenta-nos a sua nova colheita de Syrah de 2016. A Adega Cooperativa do Cartaxo não aposta anualmente em Syrah, mas de vez em quando lembra-se de nós, como fazem alguns produtores desta casta com tantas virtudes e qualidades!

Trata-se de um Syrah com uma relação qualidade/preço invejável e próprio para se poder beber diariamente sem o dispêndio de muito dinheiro. Nesse aspecto a Adega do Cartaxo está de parabéns!

Este Syrah tem 14% de graduação alcoólica e as notas de prova dizem-nos que é “escuro na cor, revela aromas compotados de ameixa e amoras maduras, com leves notas de baunilha. Bem estruturado, muito redondo, maduro e quase doce no final suave nuances de compota e chocolate.”

Fundada em 1954, a Adega Cooperativa do Cartaxo tem raízes numa região onde existem referências à actividade vitivinícola anteriores ao século X. Desde então a Adega Cooperativa do Cartaxo funcionou até 1974 nas instalações da Junta Nacional do Vinho, hoje convertida no Instituto do Vinho e da Vinha, no Cartaxo. Há mais de duas décadas, a Adega inaugurou as actuais instalações, onde labora desde então, sempre à procura do reforço da capacidade humana e tecnológica ao serviço da melhor produção vinícola. A afamada região vitivinícola do Ribatejo, hoje chamada de Tejo, integra a sub-região do Cartaxo e confere à produção da Adega Cooperativa do Cartaxo a denominação de Vinho Regional e DOC do Ribatejo.

Os responsáveis da adega investiram na modernização do edifício, que apresentava limitações, para corresponder às novas exigências do negócio. O antigo escritório foi demolido para se construir uma nova linha de engarrafamento. As instalações foram reajustadas e os serviços administrativos e recepção, inaugurados o ano passado, foram construídos à entrada da adega. No mesmo edifício, a loja e sala de provas estão praticamente concluídas, faltando apenas algumas “burocracias” para poderem entrar em funcionamento.

O actual sucesso dos vinhos deve-se, segundo o Director Executivo, Fausto Silva, à estratégia de crescimento sustentado suportado pela crescente qualidade das uvas que os associados entregam na adega, ao investimento feito na modernização e na importância dada aos mercados e seus consumidores . “Há uns anos desafiámos os nossos sócios a produzirem uvas com maior qualidade e isso tem-se reflectido na qualidade dos vinhos que produzimos. Também o facto de termos um excelente conhecimento enológico, contribuiu para o desenvolvimento e crescimento na qualidade dos vinhos da Adega do Cartaxo, fundamental para que cada vez mais os consumidores reconheçam e procurem as nossas marcas”, afirma.

Fausto Silva, que ocupa o cargo há vinte anos, lembra que a Adega Cooperativa do Cartaxo produz cerca de oito milhões de litros de vinho por ano e que 75 por cento da produção é constituída por vinho tinto proveniente na sua quase totalidade de vinhas aptas à produção de uvas para vinho regional e DOC.

Os vinhos ali produzidos têm tido maior procura nos últimos anos graças ao aumento da sua qualidade média acompanhada de uma atitude de gestão orientada para o mercado. “O sector dos vinhos ganhou maior dinamismo, os hábitos de consumo mudaram. Existe uma maior exigência de qualidade por parte de quem compra e de quem consome. Há mais acções de comunicação e promoção e a distribuição melhorou, tornando-se mais comunicativa e agressiva, o que contribuiu para proporcionar mais e melhores opções aos consumidores e ao maior interesse e conhecimento do mercado em relação aos vinhos”, justifica. “Nós, Adega do Cartaxo, temos de acompanhar as tendências, ameaças e oportunidades do mercado e adequar as nossas estratégias a essa realidade”.

 “A modernização da adega foi fundamental para o desenvolvimento e evolução dos nossos vinhos. Tivemos que nos adequar às exigências do mercado de forma a termos um produto e uma imagem de marca que dê garantias e confiança a nós empresa, aos nossos parceiros e aos nossos consumidores”, sublinha o director executivo. “Fazer marca e aumentar notoriedade, é um processo que leva o seu tempo e tem os seus custos. Temos essa consciência e tentamos fazê-lo de forma sustentada e com humildade, ainda para mais sabendo a realidade económica do país, mas temos a ambição de quem sabe o potencial que a empresa e a região têm e que de igual forma sabe que o trabalho e a dedicação são determinantes para o sucesso”.

Desde 2005 que a aposta tem sido mais incisiva na internacionalização. A Adega do Cartaxo exporta para vários mercados destacando-se França, China, Brasil, Estados Unidos da América, Suíça, Luxemburgo e São Tomé e Príncipe. Outros mercados menos representativos mas também importantes são a Holanda, Alemanha, Moçambique, Angola, Giné Bissau e Nigéria.

Nos últimos 5 anos os vinhos que mais têm crescido em vendas são o Xairel e o Plexus. No entanto, a marca Bridão, onde se integra com galhardia o nosso Syrah, continua a ser a marca estrela da adega, com uma gama de oferta de vinhos bastante diversificada e cada vez mais bem referenciada.

Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio escrevia que “Somos todos mortais até o primeiro beijo e a segunda taça de vinho.” Aproveitemos e vamos para a segunda taça deste Syrah do Cartaxo!

 

Classificação: 16/20                                                                       Preço: 3,99€

 

 

 

 

 

O Syrah e o Amor

Um estudo publicado no jornal de ciência comportamental Appetite, investigadores da Universidade de Wrocław, da Polônia, e TU Dresden, da Alemanha, testaram as preferências de sabores e aromas de 100 casais heterossexuais cujos relacionamentos variaram entre três meses e 45 anos. Eles descobriram que quanto mais um casal estava junto, mais semelhantes eram suas preferências.

Cada participante foi convidado a provar 38 amostras de aromas, que incluíam fragrâncias como eucalipto, butanol, toranja, carne defumada e caramelo. Os pesquisadores também dissolveram amostras de cada um dos cinco gostos básicos: doce, ácido, salgado, amargo e umami; e pulverizou as soluções na língua de cada participante. Os participantes avaliaram cada amostra com notas de 1 (gosto muito) a 5 (não gosto nada).

“Embora numerosos estudos tenham demonstrado que os parceiros tendem a se tornar mais semelhantes em várias características ao longo do tempo, nenhum deles explorou uma mudança na percepção quimiosensorial relacionada à duração do relacionamento. Aqui, mostramos que as preferências de gosto e cheiro são mais parecidas em casais com maior duração do relacionamento”, afirmou o estudo.

O estudo analisou não só como as preferências podem ser afectadas pela longevidade de um relacionamento, mas também em como isso poderia ser influenciado pela felicidade do casal. Longe dos seus parceiros, cada participante também preencheu uma pesquisa de nove perguntas sobre a felicidade em seu relacionamento. Curiosamente, os casais felizes não tinham mais preferências semelhantes em comparação com aqueles que estavam menos satisfeitos.

Portanto, quanto mais Syrah, mais amor, quanto mais juntos, mais Syrah!

Ajuda, Herdade da Ajuda, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Em primeiro lugar queremos desde já dar os nossos parabéns à Herdade da Ajuda que apesar de ter Syrah há mais de dez anos só agora é que avançou decididamente para a feitura de um monocasta Syrah. Em 2007 e 2009 tinham feito um blend de Syrah com Touriga Nacional mas só com a vindima de 2017 é que avançaram com um Syrah a 100%. Esta primeira colheita tem cerca de 10000 garrafas, mais precisamente 9970!

As notas de prova dizem que se trata dum Syrah de “cor violácea opaca, com aromas de frutos pretos muito maduros e taninos sedosos, que lhe proporcionam um bom volume de boca e um final prolongado.” A graduação alcoólica é de 14,5%! A enologia é da responsabilidade de António Ventura e de Alberto Capitão.

A Herdade da Ajuda está situada na freguesia e concelho de Vendas Novas, distrito de Évora e distanciada de 77Km de Lisboa, com uma acessibilidade por autoestrada.

Tem uma área cadastral total de 355,9ha, cujo ordenamento cultural assenta em manchas de vinha, sobro, azinho, cultura arvense que serve de base a produção de alimentos para satisfazer um efectivo pecuário de 246 ovelhas e 8 carneiros.

Detém uma área total de vinha de 135ha,dos quais, 26ha de castas brancas e o restante 109ha de castas tintas.

Castas Brancas:

Antão Vaz, Arinto, Verdelho, Ugni Blanc, Moscatel Graúdo, Sauvignon Blanc e Semillon

Castas Tintas:

Touriga Nacional, Trincadeira, Castelão, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Petit Verdot e obviamente Syrah!

Relativamente aos aspectos climáticos, ocorrem precipitações Médias Anuais de 502, 75 mm (em anos secos) e 667, 40 mm (em anos médios), acompanhada de uma temperatura média anual de 15,8ºC. Tem uma influência Mediterrânica, mas já com uma marca Atlântica, devido a alguma proximidade do mar.

Todo o ordenamento da vinha se encontra beneficiada hidricamente, através de um sistema de rega gota a gota. A condução do solo assenta na não mobilização com enrelvamentos naturais com o objectivo de beneficiar a estrutura do solo, aumentar a taxa de matéria orgânica no solo, capacidade de infiltração de água, diminuição da libertação de CO2 e preservação da flora espontânea que, ao servir de abrigo a espécies importantes promove o equilíbrio biológico do ecossistema vinha.

As vindimas iniciam-se habitualmente na segunda quinzena de Agosto e prolongam-se por todo o mês de Setembro. Na determinação deste período contribuem decisivamente as condições climatéricas ao longo do ciclo da cultura, desde o repouso vegetativo até a maturação fisiológica, salientando no entanto que, a par dos factores climáticos, os factores agronómicos podem favorecer ou condicionar a evolução das maturações num regime gradual e equilibrado. A produção média das vinhas ronda os 55 a 60HL de vinho por Hectare, sendo a média do teor alcoólico na ordem dos 12,5 a 13%, para o caso dos brancos, podendo variar nos tintos, entre os 13% e os 14,5% de Volume.

A actriz e escritora britânica Joan Collins escreveu que: “A idade é somente um número e totalmente irrelevante a não ser que você seja vinho.” O Syrah da Herdade da Ajuda de 2017 é um Syrah muito jovem, mas neste momento já bebível com prazer e gosto mas que apresenta um longo caminho evolutivo que será agradável ter presente e seguir com regularidade!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 7,50€

O Syrah foi feito para ser bebido unicamente por seres humanos!

Apresentamos o Robot bebedor de Champanhe, uma máquina que aprendeu a abrir uma garrafa para o seu baptizado.

Étaín, um robot de manutenção de instalações marítimas, aprendeu a abrir e desfrutar de uma garrafa de Champanhe. Desenvolvido pela Universidade de Limerick, a máquina de 2 milhões de euros “baptizou-se” antes de ser lançada nas docas da cidade de Limerick, na Irlanda.

O veículo, financiado pela The Science Foundation Ireland (SFI), será usado para inspeccionar, reparar e manter instalações de energia renovável marinha. “Fizemos vários ensaios para garantir que a garrafa fosse bem aberta para o lançamento oficial”, disse a assistente de pesquisa Oriana Baric.

Dr. Daniel Toal, diretor do Centro de Robótica e Sistemas Inteligentes da Universidade de Limerick, na Irlanda, teve a ideia de fazer com que o robô abrisse uma garrafa de Champanhe Louis De Custine Brut com suas pinças e depois bebê-la antes de ir para o fundo do oceano.

Esperemos que por este andar as máquinas não venham a beber o nosso Syrah, que queremos só para nós!

Quinta de S. João Baptista, 100% Syrah, Tejo, 2009

Quando já não estava no nosso radar eis que surge no horizonte uma garrafa de 2009 da Quinta de S. João Baptista do Tejo mais precisamente de Rio Maior! Três safras foram realizadas até ao momento. A de 2007, ( acerca de três semanas bebemos uma num convívio em casa do amigo Carlos Campos a par de várias outras garrafas de Syrah num jantar de altíssima qualidade!)a de 2009 ( que vamos aqui analisar!)e a de 2011 ( que apresentamos aqui!). Cada colheita com cerca de vinte mil a trinta mil há algum tempo que se encontram esgotadas, sobrando aqui e acolá uma uma outra garrafa esquecida na estante dum supermercado ou garrafeira! Foi o caso! Grande foi o espanto pelo ano e também pelo preço!

A Quinta de S. João Baptista continua a fazer um Syrah mas agora com outro nome, Cabeça de Toiro, como demos conta aqui! A Syrah foi plantada nesta quinta pela primeira vez em 2000 com 5,55 hectares, em 2004 mais 3,2 hectares, em 2007 mais 4,54 hectares. E finalmente em 2009 4,95 hectares, o que faz um total de 18,24 hectares de syrah plantados.

As notas de prova dizem-nos que: ”tem cor granada intensa com abundantes tons violáceos e inebriante complexidade aromática. No sabor é elegante, vivo e termina volumoso.” Tem 14% de graduação alcoólica.

A origem da Quinta de S. João Baptista é muito antiga, e encontra-se entre histórias de sucessões nobres, doações para ordens religiosas e mais uma mão cheia de acontecimentos.

Foi adquirida em 1987 pelo grupo Enoport United Wines, que na altura se chamava “Caves Dom Teodósio”, e foi desde aí que se começou a investir na reestruturação da vinha substituindo vinhas velhas por castas novas, algumas das quais internacionais, como a nossa syrah.

A Quinta de S. João Baptista tem um total de cerca de 115 hectares dos quais 97 com vinha.

Das castas plantadas, a maioria são para vinhos tintos – cerca de 74 hectares – e além das castas tradicionais portuguesas, como a Castelão, Trincadeira Preta, Touriga Nacional e Touriga Franca (50%), há também várias castas internacionais aqui plantadas como a mencionada Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon (50%). Os cerca de 21 hectares de castas brancas plantadas em 1991 são as tradicionais na região do Tejo: Arinto, Fernão Pires e Malvasia (65%) e ainda castas internacionais como o Chardonnay e o Sauvignon Blanc (35%).

A Quinta de S. João Baptista localiza-se no concelho de Torres Novas, na freguesia de Brogueira, região vitivinícola do Tejo.

A quinta possui um dos maiores centros de vinificação do grupo com capacidade para vinificar um milhão e meio de quilos de uvas. Está igualmente dotada de uma adega tradicional, que combina tradição e inovação, usando novas tecnologias como controle de temperatura em todas as cubas de fermentação.

Homero deixou escrito que: “Nenhum poema foi escrito até agora bebendo água”! Nós não escrevemos poemas, mas este texto não teria sido possível ser escrito, se tivéssemos bebido água em vez do Syrah da Quinta de S. João Baptista! E só temos pena de não termos mais nenhuma garrafa! Domage!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 7,00€

Investir em Syrah!

Um em cada cinco investidores gasta a sua fortuna em hobbies, estando, entre eles, coleccionar vinhos, segundo um relatório do Lloyds Bank britânico, que da nossa parte seria Syrah, obviamente. Estima-se que gastem, em média, 13,5 milhares de libras por item de colecção (carro, cavalo, garrafa de vinho, etc), sendo que um de cada 10 entrevistados mostrou-se disposto a pagar mais de 50 mil libras.

A categoria de “investimento” mais popular é a joalheria e a mais dispendiosa é a de carros clássicos, com 34,5 mil libras gastas em média por veículo. Logo depois dos carros vêm as antiguidades e a terceira com maior gasto são os uísques.

Os vinhos aparecem em sétimo lugar, atrás ainda de moedas, itens de arte e selos, com média de 20,3 mil libras empenhadas por caixa de vinho.