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CEM REIS, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Não nos lembramos de que alguma vez a saída de um Syrah tenha dado tamanho alarido nas redes sociais, nomeadamente no Facebook.
É verdade que as diversas hostes de enófilos já tinham manifestado algum nervosismo quando publicámos este texto. Mas o que tem sido dito desde a última segunda feira dia 17 de Maio, que foi o dia do lançamento, é algo de realmente inesperado.
O Blogue do Syrah manifesta o seu contentamento devido às manifestações de regozijo e entusiasmo pela saída de um tão emblemático Syrah como é o Cem Réis!

Sabíamos que iria ser um Syrah especial, visto que englobaria o lote que inicialmente estava destinado a um possível Mil Réis. Ora como isso não aconteceu, o Cem Réis ficaria logo à partida mais “rico” devido a essa adição. A juntar a isso o facto de se tratar da colheita de 2015, que só por si, vai sendo cada vez mais confirmado, constitui uma mais valia, dado que se trata de um ano de soberba produção nacional!

Produzido na região alentejana, na terra mítica do distrito de Évora, e vinificado a partir das melhores uvas de casta Syrah, este vinho estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês (70%) e em carvalho americano (30%). Tem uma graduação alcoólica declarada de 16%. Mas o Blogue do Syrah conseguiu apurar que a graduação real é de 16,8%. Não há que ter receio de dizer as coisas quando são ditas por amor e com admiração!

Quinze minutos após a abertura da garrafa (bem se sabe que habitualmente se deve esperar mais tempo) ao colocar o primeiro golo na boca dá-se uma explosão de notas quentes e intensas a frutos pretos maduros e especiarias, foi indescritível a partir daí. Mais uma vez de cor violeta concentrada, muito encorpado, acidez dum equilíbrio que até dá vontade de chorar e com taninos bem presentes e redondos no final que nunca mais acaba e que bom que é. Não estávamos à espera deste choque de tal forma intenso. E que boa seria a vida se tivéssemos destes choques com mais frequência!

Robert Parker, o mais conhecido e, provavelmente, o mais influente crítico de vinhos, disse, há uns anos atrás, numa entrevista à publicação “The Drinks Business“, que os críticos de vinho que não conseguem dar pontuações perfeitas (os famosos 100 pontos) para vinhos que as merecem, é  “porque se estão a esquivar dessa responsabilidade“. Mais à frente, na mesma entrevista, afirmou: “Quando, na sua análise mental, um vinho é o melhor exemplar que você já provou daquele tipo em particular, você tem a obrigação de dar-lhe uma pontuação perfeita“. E concluiu, acrescentando que aqueles que são incapazes de atribuir uma pontuação perfeita a um vinho que lhe faça jus, são “irresponsáveis“. Não concordamos com tudo o que disse Robert Parker. Mas neste particular pensámos que acertou na mouche!

Por aquilo que já é este Syrah e por aquilo que já mostra em termos de capacidade de evolução não podemos deixar de dar a este Syrahuma pontuação perfeita“.

O enólogo responsável é, como não podia deixar de ser, uma vez mais e sempre António Maçanita. O clima que dá origem a este Syrah é típico do mediterrâneo continental ou seja, dias quentes e secos, com noites muito frias. Os solos como já é habitual para a nossa casta são muito pobres de origem xistosa ou granítica.
Parabéns António por mais este Syrah! Parabéns também como não podia deixar de ser ao Philip Mollet e ao Anthony Doody!

Os marotos da Maroteira acabam de enriquecer a estratosfera Syrahniana uma vez mais e de uma forma que vai ficar para a história do Syrah em Portugal!

E onde é que o podemos encontrar?
Obviamente na garrafeira Estado d`Alma, e por vários outros lugares. Cada um que faça o seu percurso!

Para terminar, que apetece ir abrir outra garrafa e continuar a aventura, que dizer do ligeiro aumento de preço? Para um Syrah perfeito o que são mais um par de euros?

 

Classificação: 20/20                                           Preço: 19,95€


 

Syrah Du Monde – Resultados 2017

Eis em primeiro mão os resultados que nos interessam do concurso Syrah du Monde. Três Syrah portugueses medalhados.

Já tínhamos falado de todos, claro, mas só um deles em termos de ano específico foi até agora por nós avaliado. Aqui estão eles… os nossos parabéns!

Esta é uma competição internacional que reúne os vinhos feitos a partir da casta Syrah. Esta competição qualitativa visa seleccionar o melhor Syrah du Monde. O seu objectivo é, assim, contribuir para a melhora de qualidade de Syrah de todo o mundo através da atribuição de medalhas representativos numa competição de confiança.

A competição Syrah du Monde é organizada por uma equipa de profissionais da indústria e do vinho. Beneficia de uma experiência de mais de 15 anos na criação e organização de competições de vinho internacionais, que gradualmente se distinguiram de outras competições internacionais graças aos padrões de qualidade muito elevados.
As amostras de todo o mundo são avaliadas por juízes especialistas internacionais, incluindo pelo menos 50% de países que não a França. Fica garantida portanto diversidade, qualidade e rigor.


 

O Shiraz para lá da Mancha

A descendência do Blogue do Syrah também prefere e escolhe Syrah como a sua bebida preferida.
O Raul Jr. foi estudar Engenharia de Som para Inglaterra e por lá ficou até hoje. Ser apreciador de Syrah, Shiraz, como eles chamam à casta, em país que não produz Shiraz acaba por não ser um problema, pois Shiraz Commonwealth, sobretudo da Austrália, é o que por lá não falta. Mas se for Syrah português o preferido a coisa fica sim espinhosa. Em Birmingham simplesmente é impossível encontrar o nosso maravilhoso Syrah!

Claro que para quem está habituado à excelência do Syrah luso, aquele Shiraz do hemisfério sul aparece no paladar como algo estranho e fora da norma. Mas também é difícil a movimentação por entre tal quantidade de marcas e sabores diferentes, porque, tem de se dizer de novo, há muito Shiraz por lá disponível.

Então em jeito de picardia, o Raul Jr. decidiu enviar-nos por correio duas garrafas do que ele considera um dos melhor apaladados que por ali encontra, para que nós por cá e todos bem pudéssemos emitir a nossa opinião. E foi isso que fizemos, com todo o gosto.

É portanto um Shiraz da Austrália, produzido pela [yellow tail], jovem, fresco, de 2016, mesmo assim com 14% de graduação alcoólica, sem qualquer estágio prolongado, frutado, diferente mas muito agradável de se tomar em qualquer circunstância, ao qual atribuiríamos uma classificação de 16/20. Foi uma verdadeira surpresa, que muito agradecemos!

Bem, terminamos por hoje deixando no ar um pedido a todos os produtores de Syrah/Shiraz em Portugal:  que tal tentarem enviar o nosso Syrah para Inglaterra?
A descendência do Blogue do Syrah muito agradeceria!


 

Ameias, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Mais uma nova colheita do Syrah da Sivipa,  Ameias de seu nome, e com o ano de 2016.
Um Syrah que bebemos ciclicamente, com uma boa relação qualidade-preço, e que de ano para ano nos tem agradado continuamente, num patamar de qualidade.

É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%. É feito de vinhas com 12 anos de idade, na pujança da vida portanto, provindo de solos arenosos típicos daquela zona da península de Setúbal. Podemos caracterizar este Syrah em termos visuais como possuindo “grande intensidade corante de tons rubi escuro e as notas de prova dizem-nos que tem aroma a frutos vermelhos maduros, e é macio, redondo e equilibrado.”

Nos últimos anos os monocasta da SIVIPA e nomeadamente os Syrah têm sido premiados em todo o mundo. Os prémios são tanto mais extraordinários quanto o posicionamento da SIVIPA é partilhar o melhor da região de Palmela a preços acessíveis. Nós aqui no blogue do Syrah não nos deixamos deslumbrar com os prémios. Degustamos o vinho e damos o nosso parecer, subjectivo, mas sempre o mais imparcial possível , na nossa qualidade de consumidores e amantes desta bebida…  e nada mais do que isso, como já o dissemos mais do que uma vez!

E agora é relevante dar aos nossos leitores alguns dados sobre a Sivipa, Sociedade Vinícola de Palmela, SA, que foi criada no ano de 1964 por um grupo de vitivinicultores que se uniram para formarem esta sociedade com o objectivo de engarrafar os vinhos das suas produções e de os colocarem no mercado. O objectivo seria conseguir obter uma mais valia através do mercado de vinhos engarrafados, pois nesta altura pretendia-se acabar com a comercialização de vinhos a granel e vinhos em barril. Entretanto na década de 90 entrou para o capital da sociedade uma das famílias com maiores tradições na produção de vinhos da região de Palmela, a família Cardoso, que através dos seus 400 ha de vinhas e com produções na ordem de 2 milhões de litros anuais assegurava uma maior homogeneidade na qualidade dos vinhos. Nesta altura começou-se a apostar nos vinhos certificados e de maior qualidade. Hoje em dia a Sivipa é uma sociedade com grande reputação na produção de vinhos e moscatéis.

Somente três dados importantes a considerar e a reter:
Volume de vendas no primeiro ano – 1 012 000 litros.
Inicio da produção de Moscatel de Setúbal – ano de 1979.
Construção da actual linha de engarrafamento – ano de 1999.

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte: “Só de nome conhecemos a felicidade.
O nosso melhor amigo é o Syrah;
afaga a única que te é fiel: a ânfora,
cheia do sangue das vinhas.”
Ora aí está. O Ameias Syrah, fonte de felicidade, e com isto nos vamos!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 5,99€


 

Uma prova cega extraordinária e única no mundo!

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão;
Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.
E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.”
(Lucas 5:37-39)

Duas notas introdutórias.
1 – O Blogue do Syrah congratula-se com o registo oficial de mais um Barca Velha, do ano de 1955, em que o nosso amigo Tiago Paulo, da Garrafeira Estado d`Alma, teve um papel determinante, embora não reconhecido pela Sogrape, a actual proprietária da marca Barca Velha. Deste modo passam a existir 19 colheitas do mítico vinho. De 1952 a 2008, que foi lançado para o mercado na ponta final do ano passado.
2 – O Blogue do Syrah congratula-se igualmente com a distinção, inédita, atribuída ao Barca Velha 2008, de 100 pontos, pela Wine Enthusiast. Deste modo passa a ser o primeiro vinho português não fortificado a atingir a pontuação máxima numa publicação norte-americana de referência.

Tendo isto bem presente, vamos então contar a história de uma prova cega verdadeiramente única, ideia nossa que conseguimos concretizar!

Os entendidos na matéria, leia-se, os enófilos e afins, consideram o Barca Velha como o “epítome, o pináculo superior, o símbolo inquestionável” da qualidade mais alta dos vinhos do Douro e de Portugal. Clássico, intenso, complexo, elegante – são os adjectivos habitualmente usados para o descrever, desde a sua criação, em 1952, sendo por isso o vinho português mais célebre. O Barca Velha é a base sobre a qual a reputação de Casa Ferreirinha cresceu, marca de qualidade com a tradição mais alta do Douro e um dos seus guias mundiais principais. O Barca Velha é declarado só em anos realmente excepcionais.

Mesmo os que sabem menos sobre vinho, ou não têm por hábito bebê-lo, usam simbolicamente o nome Barca Velha quando se querem referir a um produto topo de gama, de luxo e excelência. Já para os apreciadores de vinho, é algo com um estatuto inatingível, a que se aspira, muitas vezes com a certeza de que nunca o iremos provar.”
Neste momento o leitor mais atento já estará a perguntar-se: por que razão está o Blogue do Syrah a falar de um vinho, que apesar de ser considerado mítico não tem uma gota de Syrah? É feito com as castas típicas  do Douro, (Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca) e, por esse facto não deveria ser mencionado num blogue em que a casta rainha e única a ter em conta é a Syrah!

O que acontece é que nós aqui no Blogue do Syrah andamos sempre à procura de coisas novas e diferentes, até para nos apercebermos do efeito daquilo que dizemos. Numa linguagem psicanalítica, a que distância realmente está o princípio do prazer (a nossa admiração pela casta Syrah) do princípio da realidade ( no qual as pessoas em geral, que não têm grandes conhecimentos sobre vinhos, ou tendo, não conhecem bem a casta Syrah, pensando que os monocastas Syrah portugueses ainda são minoritários, no conjunto dos vinhos nacionais).

Assim sendo decidimos levar a cabo uma mini prova cega em que o mítico Barca Velha ombreasse com um monocasta Syrah. E isso, caros leitores, é algo que nunca foi feito em Portugal ou em qualquer parte do mundo! E a ideia surgiu depois de provarmos um Barca Velha, advindo daí muito pouco entusiasmo pelo que estávamos a sorver.

O Syrah que decidimos colocar em prova foi o Quinta da Lagoalva de Cima, um Syrah do ano 2000, do Tejo, nessa altura ainda chamado em termos vinícolas de Ribatejo. Pedimos ajuda à Garrafeira Estado d`Alma que nos arranjou o já citado Barca Velha, de 1982, e ao nosso amigo Pedro Gato do Great Tastings que promoveu a prova cega entre os clientes que frequentaram o estabelecimento comercial entre os dias 9 e 11 do corrente mês de Maio. As duas garrafas completamente descaracterizadas e numeradas foram entregues ao Pedro Gato, não sabendo o próprio do seu conteúdo, a não ser que se tratava de vinho tinto (facilmente detectável). Eram dois vinhos com mais de dez anos (sem fornecer exactamente a idade) e que eram ambos portugueses. Nem o Pedro Gato, que levou a cabo a prova (um obrigado e um grande abraço), nem os participantes sabiam ao que vinham. A única pergunta após a prova de cada um dos vinhos era: “Qual dos dois é que gostou mais?”

Nesses três dias houve vinte e nove clientes que aceitaram o repto de provar os dois vinhos e de responder à pergunta. Entre os vinte e nove provadores havia quatro mulheres. O Blogue do Syrah gostaria que mais elementos femininos tivessem participado na prova, mas a verdade é que houve pessoas, e nomeadamente senhoras, que não quiseram participar, ou porque não bebiam álcool, ou porque não se sentiram suficientemente confiantes para aceitar o desafio.

Dos vinte e nove provadores (29), dezasseis (16) consideraram o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima 2000 como o melhor, enquanto que treze (13) votaram a favor do Barca Velha 1982!

O Blogue do Syrah omite quaisquer comentários sobre o resultado desta prova cega, que consideramos extraordinária e única!
Partimos do pressuposto que quem nos está a ler consegue perceber o alcance do que está aqui em causa!

Esta prova cega vem reforçar a tese que temos defendido desde o início desta aventura: os Syrah portugueses são dos melhores do mundo e dão cartas a qualquer vinho mesmo quando é apelidado de excepcional!


 

Coisas de Vinho – A vinha antes do vinho

Aqui fica mais uma vez o convite para um final de dia à volta de um copo de vinho Dona Dorinda, Syrah, desta vez! Na quinta excepcional onde se produz um enorme Syrah vai-se conversar e elevar a cultura do vinho.