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Quinta Vale de Fornos, 100% Syrah, Tejo, 2012

Foi já há dois anos e meio que aqui apresentamos este Syrah da Quinta Vale de Fornos, da Azambuja, e do ano de 2012!
E que grande evolução teve este Syrah!
Passado este tempo está significativamente muito melhor!
É um Syrah granada, que segundo as notas de prova tem “um aroma complexo a fruta confitada, pimenta e chocolate. Apresenta-se com uma boca bem estruturada por taninos aveludados e elegantes. Complexo, apresenta notas varietais de trufa e especiarias. Termina persistente e com um bom retronasal.” Tem uma graduação alcoólica de 15%. Quatro safras viram até agora a luz do dia: as de 2005, 2007, esta de 2012 e a de 2014. Está para sair uma nova muito brevemente com o ano de 2015!

A Quinta Vale de Fornos situa-se no concelho da Azambuja, em pleno coração do Ribatejo, beneficiando de uma excelente localização e de uma deslumbrante envolvência paisagística. E é hoje o resultado da história que ao longo dos séculos por ali passou, consolidando a sua responsabilidade cultural. Comprada por Dª Antónia Ferreira (a Ferreirinha) para oferecer à sua filha, por altura do casamento desta com o 3º Conde da Azambuja, esta propriedade foi palco de vários episódios históricos, onde figuraram tão ilustres nomes como Napoleão e Cristovão Colombo. Diz-se que nesta propriedade estiveram alojadas as tropas de Napoleão durante as invasões Francesas e pelos seus vinhedos terá também passado Cristovão Colombo a caminho da casa de D. João II em Vale do Paraíso, para comunicar ao Rei a descoberta do Continente Americano.
Sendo uma propriedade de 200 hectares que alia a herança histórica e a tradição cultural ao lazer, aos eventos e, principalmente, à produção de vinhos, a Quinta Vale de Fornos torna-se um espaço único para quem a visita, onde impera a sintonia entre as suas diversas valências, entre elas o Enoturismo e Eventos. Com uma tradição que remonta ao século XVIII, o objectivo da Quinta Vale de Fornos é internacionalizar a sua esfera comercial, preservando os seus valores culturais e as características próprias dos seus produtos. Dispondo de uma imponente casa senhorial, cuja traça e cor, características das paredes, sempre foram mantidas, a propriedade goza de uma forte tradição, tanto pela antiguidade e pelo património, como pela ligação a ilustres famílias da Nobreza.
A Quinta de Vale de Fornos foi adquirida pelos presentes proprietários em 1972 a D. Pedro de Bragança.

O Syrah da Quinta Vale de Fornos é um daqueles Syrah com peso histórico a que ciclicamente apetece regressar, como é o caso, ainda por cima quando está bem melhor que no ano de 2015 quando foi feita a primeira análise.

Tendo em conta a história que relembramos da Quinta de Vale de Fornos apetece citar a frase do escritor romano Plínio, o velho:
“O Syrah é o sangue da terra.”
Isto mesmo!

 

Classificação: 17/20                                                                   Preço: 11,50€

Quinta das Hortênsias, 100% Syrah, Lisboa, 2009

Há dois anos e meio apresentámos este Syrah de Lisboa.
Quinta das Hortênsias de seu nome.
E qual o porquê desta revisitação? Porque está bem melhor do que em Março de 2015 quando falamos dele pela primeira vez!

A Quinta das Hortênsias é uma quinta situada em Castanheira do Ribatejo, no Concelho de Vila Franca de Xira. Tem como um dos seus objectos mais importantes o ramo vitivinícola. É uma zona onde foram encontrados os mais remotos vestígios do cultivo da vinha na Península Ibérica, cerca do século III depois de Cristo. Com cerca de 70 hectares, dedicou-se no início da sua actividade, principalmente, à produção de uva de mesa. Contudo, há mais de 9 anos que fez a reconversão e reestruturação das suas vinhas para produção de uva para vinhos de alta qualidade. A exploração vitivinícola comporta actualmente cerca de 45 hectares de vinhas, situadas em encostas soalheiras acima dos 200 metros de altitude, que separam a bacia do Tejo das colinas da região de Lisboa. Como é uma zona de transição os solos são especialmente heterogéneos, apresentando composições que variam entre as areias e os solos argilosos.

Falamos em 2014 com o seu proprietário e produtor, Rogério Simões, e ficamos a conhecer as duas colheitas deste Syrah, a de 2008 e a de 2009 ambas esgotadas. As castas da Quinta das Hortências são tintas a Touriga Nacional, Aragonês, Touriga Franca, Tinta Barroca, Castelão, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Caladoc. Nas castas brancas existe o Verdelho, Arinto e Alvarinho. A Quinta das Hortências exporta os seus vinhos para a Alemanha, Reino Unido e Suíça.

É um Syrah que se distingue sensorialmente, sendo encorpado e redondo, com taninos presentes, final de boca prolongado e agradável. Boa concentração aromática em que sobressai os aromas da fruta vermelha madura, especiarias e algumas notas minerais. As notas de prova do Syrah da Quinta das Hortências dizem-nos ainda que “os frutos vermelhos silvestres estão presentes no aroma, assim como notas gulosas de cacau. Continua frutado no paladar, apresenta boa firmeza, é muito agradável, volumoso e envolvente. Muito consistente, termina com agradável e razoável persistência”.
Está melhor hoje do que em 2015!

 

Classificação: 17/20                                        Preço: 6,50€

Vicentino Syrah, Vinhas da Costa Atlântica, 100% Syrah, Alentejo, 2016

Hoje em dia, e nos tempos que correm, é muito difícil ser original!
E então na arte, nem se fala. Quer seja numa composição musical, numa pintura, na elaboração de uma poesia, num trabalho de escultura, na literatura em geral e, claro, na produção de um Syrah. Ser original é hoje em dia extraordinariamente difícil!

Mas vai sair brevemente para o mercado um Syrah diferente e original. Um Syrah de um terroir nunca antes usado. Um Syrah que foi produzido na Costa Vicentina!
O Alentejo é a região do país onde se faz mais Syrah. Mas nunca ninguém tinha tido ousadia de produzir um Syrah na costa alentejana. Até hoje!
A presença próxima do Atlântico interfere de um modo pujante na elaboração vinícola e a casta Syrah não é imune a esse facto. Assim sendo temos um monocasta Syrah diferente, que mexe com o palato habitual em relação a um Syrah produzido mais para o interior. A classificação final atribuída pelo Blogue do Syrah não pode deixar de ter este aspecto fundamental em conta!

O ano é 2016, o que torna deste Syrah muito jovem e com um longo trajecto de evolução pela frente. Fizeram-se 8500 garrafas. Tem uma graduação alcoólica de 13,5%.Fez um estágio de 11 meses em barricas usadas de carvalho francês. A idade da vinha é de 10 anos! O enólogo é Bernardo Cabral.

É de elementar justiça falarmos no nome de Bruno Llorente da Wine Concept que distribui entre muitos outros os vinhos Vicentino e que nos alertou para a saída eminente do Vicentino Syrah 2016! Pudemos prová-lo e colocar algumas questões pertinentes que o Bruno reenviou para o enólogo Bernardo Cabral que, apesar dos muitos afazeres, conseguiu arranjar um pouco de tempo e enviou um texto de sua lavra de que vamos reproduzir as partes mais significativas que falam mais alto do que nós conseguiríamos!

Sobre este Syrah e o respectivo terroir diz-nos Bernardo Cabral:O Syrah no terroir do vicentino mostra-se muito diferente dos restantes em Portugal. É muito estimulante sabermos que podemos mostrar aos apreciadores de vinho e aos actuais fãs dos vinhos Vicentino, uma outra faceta da casta, em que a fruta madura dá lugar a frutos mais frescos, o chocolate preto é substituído por grafite e o “Super poderoso” por um vinho muito elegante. É na boca que o vinho atinge o auge, combinando os taninos muito elegantes com boa acidez e, claro… Sempre o final salino. A vinha está situada entre a Zambujeira e Odeceixe, a sul do Cabo sardão, a 1.500 metros do mar (praia da Amália) onde as temperaturas no Verão são baixas e o nevoeiro cobre a vinha todas as manhas. A influencia da baixa temperatura da agua do mar nessa zona e do sal salpicado pelas ondas constantes nessa zona costeira dramática são fundamentais para o estilo de vinhos Vicentino.”

Sobre a história deste projecto, Bernado Cabral esclarece o seguinte: “Vicentino – O projecto O Vicentino começou a ser idealizado há muitos anos pelo Ole Martin, norueguês que investiu à mais de trinta anos na Zambujeira em produção de plantas ornamentais e alguns vegetais (couve chinesa, baby carrots…) O seu gosto pelos vinhos da borgonha vem de há muitos anos e apesar de gostar dos vinhos alentejanos sempre achou que lhes faltava mais frescura. Em 2007 resolveu plantar uma vinha nas suas terras, que estão na pequena faixa de 50 km da região do Alentejo que enfrenta o oceano atlântico, acreditando que poderia ser pioneiro. Em 2014 conhecemo-nos e nesse momento reuniram-se as condições para começar a fazer os vinhos que há tanto o Ole Martin procurava.”

Para acabar a sua missiva, Bernardo Cabral ainda nos presenteou com mais um pequeno texto sobre ele próprio: “A minha historia: Aos 12 anos decidi ser enólogo e eis que sou. Sou persistente ou talvez casmurro… Fazer vinhos todos iguais não é a minha praia. A minha enologia é não impor nenhum estilo a que me possam associar, mas sim deixar as uvas e o terroir se exprimirem ao máximo.” Com este Syrah Vicentino passam a ser três os Syrah pessoais de Bernardo Cabral.

É conhecida a história contada por Ambrose Bierce escritor e jornalista: “Um velho especialista em vinhos, ao ser atropelado por um comboio, teve os lábios humedecidos com vinho para que recobrasse os sentidos. ‘Bordeaux, 1882’ murmurou ele antes de morrer”.
Hoje perante este Syrah Vicentino de 2016, não será difícil fazer boa figura ao tentar nomeá-lo, por exemplo em prova cega. E para isso não será preciso morrer!

 

Classificação: 17/20                                                  Preço: 12,00€

Vidigueira Syrah, Adega Cooperativa da Vidigueira Cuba e Alvito, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Foi em Janeiro do ano passado que fizemos uma primeira apreciação deste Syrah do Baixo Alentejo e na altura ficamos muito contentes por surgirem novos Syrah nesta parte do Alentejo. A verdade é que o Syrah da Adega Cooperativa da Vidigueira evoluiu e evoluiu muito bem! É por tal motivo que estamos de novo a falar dele: a avaliação sofreu alteração!

Como foi dito na altura este é um Syrah para uso diário!
De melhor qualidade hoje que ontem e um Syrah a ter presente com regularidade porque a relação qualidade/preço alterou-se para melhor na visão do consumidor! As notas de prova dizem que tem “Cor violácea de grande concentração.Aroma a frutos do bosque com notas de menta, na boca apresenta uma grande complexidade com nuances de chocolate preto e baunilha, final longo, fresco e muito persistente.” Tem 14% de graduação alcoólica e o enólogo de serviço é Luís Leão.

A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo.
São várias as castas que contribuem para a especificidade dos vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

O escritor Georges Courteline disse, de uma maneira simples e eloquente :
“Mais vale beber demasiado Syrah bom, que pouco e ruim. »
Este Syrah da Vidigueira, ano 2015 faz parte desse lote a partir de agora!

 

Classificação: 17/20                                                         Preço: 8,95€

Qual o melhor Syrah do mundo?

Será o Syrah vencedor do Concurso Syrah du Monde?
E o melhor Syrah de Portugal, será o escolhido por nós  anualmente?

Claro que já tivemos muitas oportunidades de provar algum do melhor Syrah do mundo, ou pelos menos assim o considerámos, ou nos foi dito por outrem, em várias ocasiões memoráveis.

O melhor Syrah do mundo terá de ter aquele algo indescritível, aroma forte, límpido no copo, deve prolongar-se na boca de forma longa e crescente. Apetece logo estender o momento, permitindo aquela mutação de elementos que se vão misturando mas ao mesmo tempo se vão individualizando e aumentando. A sua memória traz felizes lembranças. Depois, passando a coisas mais mundanas, os considerados defeitos estarão ausentes, permitindo o seu uso por vários dias depois de aberto.

Aquele Syrah precioso, o melhor do mundo, é o nosso Syrah, aquela garrafa, única, na nossa posse. É tudo o que a rodeia e de que nos apropriámos, recordações, sentires, momentos de companhia, talvez, tudo junto, formando um todo que ficará pela vida fora, e de que falamos sempre que possível. São coisas vivas, profundas, que ficaram de ter convivido com aquela garrafa, que provavelmente guardamos em local especial.

É com o melhor Syrah do mundo que queremos brindar às coisas melhores da vida, cada um que escolha a sua!

 

Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

Dois anos e quatro meses após a primeira recensão sobre este fantástico Syrah aqui, voltamos hoje ao seu convívio para darmos conta da sua evolução neste espaço de tempo. E que evolução! Está muito melhor, como pudemos comprovar pela degustação de uma nova garrafa em duas refeições e em dois dias distintos!

Produzido exclusivamente a partir da casta Syrah, como tinha de ser, as uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano, maturou assim até ao engarrafamento, em Julho de 2012. A graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova que escolhemos falam de “aromas de frutos de bago escuro, groselha, mirtilos e cássis. Elegante no palato, revela fruta distinta e saborosa com madeira de qualidade bem integrada. Equilíbrio notável, boa estrutura de taninos, longo e persistente.” Nós acrescentaríamos a plenitude cultural, união de literatura em forma de subtil néctar com eflúvios de planície alongada sobre o horizonte setentrional. A colheita, produção e engarrafamento é feita na propriedade de Cortes de Cima. A tiragem foi de 12300 garrafas. O Homenagem a Hans Christian Andersen teve até ao momento 7 safras. A de 2003, 2004, 2007, 2008, 2009, 2012 e a presente em análise de 2011. Estas constância de safras são a melhor prova do êxito deste Syrah que foi elaborado para ter uma vida curta, de um só ano comemorativo, mas que está aí para durar, sendo assim uma interminável e merecida homenagem, para nossa grande exultação!

“Dai-me Syrah para apagar as marcas que o tempo faz!” dizia o grande ensaísta, orador e poeta americano Ralph Waldo Emerson, fonte quase inesgotável de sabedoria, ou melhor ainda se o dizer for no idioma original: “Give me Syrah to wash me clean of the weather-stains of cares”.
Mas se o Syrah for esta benfazeja Homenagem a Hans Christian Andersen, as marcas do tempo e da vida irão sendo apagadas muito mais alongadamente!

 

Classificação: 19/20                                                 Preço: 28,50€