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Quinta dos Termos, Reserva, 100% Syrah, Beira Interior, 2014

E eis que surge um novo Syrah da Quinta dos Termos!
Não confundir com o já conhecido Reserva do Patrão, do qual já falamos aqui, aqui e aqui! Este é também um Reserva mas é diferente. E surge de rompante na última feira de vinhos promovida por uma revista de vinhos. Mais: foi designado como o vinho oficial da feira! Tanto quanto sabemos foi a primeira vez que um monocasta Syrah teve tal desígnio. O preço de feira teve um desconto de 50%!

É um Syrah de qualidade, podemos desde logo dizer. As notas de prova dizem que “é rico de cor, tem aroma intenso e torna-se muito atraente na boca, graças aos seus taninos aveludados”, e tem uma graduação alcoólica de 14%.

A Quinta dos Termos está de costas viradas para a Serra da Estrela, com exposição sul, em declive meio acentuado e resguardada a norte pela montanha que a delimita. A Quinta dos Termos apresenta um terroir próprio que marca de forma indelével os vinhos ali produzidos. A Quinta é possuidora de um microclima próprio e de terras pobres, que naturalmente disciplinam as variedades mais produtivas. Ali se cultivam as castas tradicionais da Beira Interior, tais como Trincadeira, Jaen, Rufete, Marufo, Tinta Roriz, Tinto Cão, Afrocheiro Preto, Touriga Nacional, Baga, Siria e Fonte Cal e ainda algumas do Novo Mundo tais como Petit Verdot e Sangiovese. A Adega é dotada de sofisticada tecnologia, mas seguindo as técnicas tradicionais, orientadas por enólogos conceituados no mundo dos vinhos.Esta quinta é o maior produtor da região com Denominação de Origem da Beira Interior, actualmente a produzir cerca de 700 mil litros por ano.

A propriedade de 56ha tenta ser o mais biológica possível, não usando herbicidas nem pesticidas e prezando sempre a utilização de produtos naturais, que, apesar de serem menos eficazes e darem mais trabalho, compensam no resultado final. A nova adega é construída em 2002, com materiais característicos da região, onde predomina o granito, e encontra-se equipada com modernos equipamentos, procedendo-se a uma vinificação natural, com o uso diminuto de produtos químicos devido à higiene total ali existente. A adega dispõe ainda de um moderno laboratório onde é efectuado o controlo físico e químico, desde as uvas ao mosto até ao vinho, sala de provas e instalações sociais.

Fernando Pessoa escreveu:
“Pão para a boca, Syrah para a alma.”
Que o Syrah seja como o pão para a boca, sempre com muita alma!

 

Classificação: 16/20                                                          Preço: 9,00€

Coisas de Vinho [tertúlia, o vinho e tudo à volta] – O Vinho e o Cristianismo

Renovamos o convite para se juntarem a nós à volta de uma boa conversa (18:30) e de um excelente jantar (20:30) à volta do vinho.

Évora Hotel, dia 14.

O jantar necessita de inscrição (ainda há alguns lugares): reservas@evorahotel.pt

Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Esta é a terceira colheita deste grande Syrah de um pequeno produtor!
A colheita de 2011, assim como a colheita de 2012, foram consideradas topo de gama pelo Blogue do Syrah!
O ditado popular diz que “não há duas sem três!” e esta terceira colheita vai pelo mesmo caminho!
A anterior de 2012 ombreou com alguns dos melhores Syrah portugueses e franceses numa prova cega patrocinada e levada a cabo pelo Blogue do Syrah e obteve um segundo lugar que poucos no início da prova poderiam vaticinar. O Syrah francês que ganhou apenas o ultrapassou por uma diferença de 0,16 de ponto! Este é um Syrah que é preciso ter sempre presente em qualquer prova em que os Syrah portugueses estejam em confronto com Syrah de outros países!

E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.” Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2014 é justamente a nossa casta Syrah! Produção limitada a 1213 garrafas! Esta que foi degustada com todo o prazer era a 1073!

O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. Inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias. Com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?
João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV. A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

O nosso citado até à exaustão poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Mais vale uma ânfora de Syrah do que o poder, a glória e as riquezas.”
Se esse Syrah for do Monte do João Martins então não temos a mínima dúvida da veracidade da afirmação do poeta!

 

Classificação: 18/20                                                   Preço: 19,95€

Dois Milhões!

Pois é, o milhão da dita Santa Casa é outra coisa. Este duplo Milhão hoje em epígrafe tem a ver com a nossa alegria por termos atingido dois milhões de entradas no Blogue do Syrah, segundo o nosso singelo contador que regista todos os cliques feito nas nossas páginas de artigos e novidades.

Portanto o enorme agradecimento a todos os leitores e simpatizantes que, com regularidade, nos visitam.

Vamos continuar com mesmo entusiasmo a fazer esta caminhada pelo mundo maravilhoso do Syrah português em direcção ao terceiro milhão!

Bem hajam todos!

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2012

Quando acaba de sair a colheita de 2015 do grande Syrah de Alpiarça, Ribatejo, percebemos que nunca tínhamos falado da colheita de 2012, apesar de o termos degustado por variadas vezes!
Estamos pois em falta. E ainda por cima tratando-se de um Syrah topo de gama. Temos que reparar a falha! Noutra altura falaremos da colheita de 2015!

Apenas feito em anos excepcionais, este Syrah de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.” Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau. Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém. Tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

Uma vez perguntaram a Carlos Drummond de Andrade se gostava de poesia e ele respondeu:
“Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas,
lugares, chocolate, Syrah, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo.”
O Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima é pura poesia vinícola!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 28,50€

Quinta da Romaneira, 100% Syrah, Douro, 2014

Eis uma nova colheita do grande Syrah do Douro da Quinta da Romaneira. O ano é 2014 e o resultado, na sequência das anteriores colheitas, é fantástico!
Perante um Syrah deste calibre como é que é possível que ainda haja pessoas que reajam tão negativamente à presença da Syrah no Douro?
Ninguém está a dizer ou a defender que se pretende transformar o Douro com castas internacionais, mas se o terroir é favorável porque não fazer pequenas experiências, que não alteram o panorama geral e permitem ter a par dos vinhos durienses clássicos obras primas da enologia como é o caso deste Syrah Quinta da Romaneira 2014? A resposta para nós é inequívoca e é por isso que apoiamos argumentativamente estas experiências vinícolas! A uma casa que está a comemorar 260 anos de vida nada melhor do mostrar que não está parada no tempo e que o Douro pode dar outros grandes vinhos para além daqueles que são feitos com as castas clássicas!

As notas de prova na ficha técnica dizem que possui “notas exuberantes de especiarias como cominhos e canela no nariz. Maduro e cheio, mas também fresco e delicado, revelando deliciosas notas de alcaçuz no palato, com um final aveludado e persistente.” O teor alcoólico é de 14%. A vindima foi realizada em Setembro de 2014 e o engarrafamento foi feito em Junho de 2016. O vinho foi vinificado em cubas tronco-cónicas, equipadas com controlo de temperatura, a uma temperatura de cerca de 25º/28º. Esteve 14 meses em barricas de carvalho francês de 225 litros. O enólogo consultor deste projecto é o premiado António Agrellos.

A forte precipitação que aconteceu em 2013/2014, bem distribuída ao longo do ano, as temperaturas amenas no inverno e um mês de Agosto fresco, ajudaram a vinha a manter uma boa roupagem, cheia de folhas ao longo de todo o ciclo vegetativo, o que protegeu as uvas dos picos de calor excessivo do sol do verão, permitindo uma boa conservação dos cachos. No final de Agosto, toda a colheita se apresentava em óptimo estado, com uvas perfeitas, sãs e com um equilíbrio acidez/açúcar excelente, ideal para produção de vinho do Porto. A produção foi média em relação aos últimos anos. Uma palavra de agradecimento deve ser aqui dirigida ao comercial da casa Nuno Santos, pelo seu profissionalismo, pela sua simpatia e pela sua disponibilidade sempre positiva ao longo destes últimos anos.

A Quinta da Romaneira é uma quinta várias vezes centenária, com uma linhagem ancestral que remonta ao século XVII. Uma das cinco maiores Quintas do Douro (um total de 400 hectares, sendo que 86 hectares são de vinha e 12 de olival), possui cerca de 50 km de estradas no interior da propriedade e quase 3 km de frente de rio. Produtor de topo da região do Douro, é possuidor de algumas das maiores pontuações atribuídas a vinhos portugueses pelas mais prestigiadas revistas de vinho dos Estados Unidos, além de competições nacionais e internacionais. O vinho tinto donde se incluiu naturalmente o Syrah representa 75% da produção total da Romaneira.

O compositor francês Antoine Désaugiers escreveu :
“Deus fez a água para o triste e fez o Syrah para o alegre.”
Quando temos conhecimento de um novo Syrah da Quinta da Romaneira acaba-se a eventual tristeza e surge automaticamente a alegria!
Um grande Syrah!

 

Classificação: 19/20                                         Preço: 23,50€