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Rui Reguinga, um enólogo do Syrah à maneira do Rhône

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal. O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas. Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz do melhor Syrah do mundo!
Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.
Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, trazemos hoje à ribalta Rui Reguinga, que tem no seu currículo três Syrah, um com várias colheitas, um outro é a primeira até ver e o terceiro foi colheita única.

Aqui vão eles, ambos de peso, como se pode ver pelas classificações atribuídas:


Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo
Classificação: 18/20

Gemelli, Rui Reguinga, 85% Syrah, 15% Grenache, Tejo
Classificação: 18/20

Pedra Basta, Sonho Lusitano Vinhos Lda, 95% Syrah e 5% Viognier, Alentejo
Classificação: 18/20

Vejamos cada um em pormenor.

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo
Este vinho regional do Tejo, produzido a partir das castas Syrah (85%), Grenache (10%) e Viognier (5%), é feito bem à maneira dos franceses do Vale do Rhône, assumidamente. As notas de prova apresentam este Syrah da seguinte maneira: “De cor rubi, apresenta um aroma de grande intensidade, complexo, com notas de fruto vermelho maduro e amoras e um toque balsâmico da barrica. Paladar equilibrado, muito elegante, com uma boa acidez. Final longo, com uma agradável persistência. As características que melhor defendem este néctar são a elegância, equilíbrio e complexidade, apresentando-se com grande potencial de envelhecimento.” Tem graduação de 15%.
Rui Reguinga acredita que é o terroir que está na raiz de tudo. Como ele diz: “Acredito que qualquer casta no terroir ideal pode produzir grandes vinhos…”
Não estamos em presença de um Syrah a 100%, como preferimos, mas reconhecemos e aceitamos a herança cultural importada da nobre região onde foi beber a sua génese.

Gemelli, Rui Reguinga, 85% Syrah, 15% Grenache, Tejo
Em 2006 Rui Reguinga deu à luz um outro Syrah, também do Tejo, hoje esgotado, uma edição especial, em associação com um restaurante da capital, o Gemelli, do chefe Augusto Gemelli, que era outro Syrah à moda dos franceses, Syrah e Grenache, 85% e 15% respectivamente, e como dizia o vinho “Duas castas, dois ingredientes. Um lote, uma receita.Os aromas, os sabores.”

Pedra Basta, Sonho Lusitano Vinhos Lda, 95% Syrah e 5% Viognier, Alentejo
O Pedra Basta Syrah, na sua primeira colheita, tem 95 % Syrah e 5% de Viogner, à boa maneira do Vale do Rhone! O estágio foi de 14 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova do enólogo falam de um vinho com “sabor a frutos vermelhos, notas balsâmicas e de especiarias. Final equilibrado e persistente.” A graduação alcoólica é de 13,5%. Sonho Lusitano é um projecto conjunto do especialista em vinhos Richard Mayson e do Enólogo Rui Reguinga. As vinhas estão localizadas na região do Alentejo, nas encostas da Serra de São Mamede, entre 500 e 560 metros acima do nível do mar ao pé de Portalegre. O escritor inglês Richard Mayson especializou-se em vinhos portugueses há mais de vinte anos e é autor de cinco livros sobre o assunto. Já em 1989, identificou a sub-região de Portalegre do Alentejo como sendo potencialmente uma das principais regiões vitivinícolas de Portugal devido à sua altitude, solos e clima.


Rui Reguinga foi eleito “Enólogo do Ano” pela Revista de Vinhos, conquistou vários troféus e medalhas de ouro com os seus vinhos, e tem sido membro do júri em várias edições das prestigiadas provas como o “International Wine Challenge”, “Decanter World Wine Awards” e “Concours Mondial de Bruxelles.”

Nasceu em 1966, em Almeirim, no Ribatejo, numa família com raízes no mundo do vinho. Filho e neto de vitivinicultores, cresceu com o sonho de prosseguir uma carreira na área. Esta vocação ganhou forma ao licenciar-se em Engenharia Alimentar pelo Instituto Superior de Agronomia em Lisboa. Seguiu-se uma pós graduação em Marketing de Vinhos na Universidade Católica do Porto e uma especialização em “Dégustation des Vins” pela Universidade de Bordéus. Em 1990 estagiou na região de Champagne. Pouco depois iniciava um intenso percurso como enólogo consultor ao lado de João Portugal Ramos, na Consulvinus. Aí, ao longo de uma década, destacou-se no trabalho para conceituadas marcas nas grandes regiões vitícolas portuguesas.

Em 2000 fundou a Rui Reguinga Enologia. Hoje é pois responsável por vários projectos e parcerias de sucesso em Portugal e no mundo. As visitas profissionais levaram-no a regiões vitivinícolas por todo o mundo na Austrália, Nova Zelândia, Califórnia, Argentina, Chile e Ásia. Mas é à produção dos seus próprios vinhos e aos terroir de origem do Velho mundo que retorna sempre, com saber acumulado e uma dedicação muito especial.

E se houvesse dúvidas quanto à competência deste enólogo bastaria lembrar o espectacular segundo lugar que obteve na prova cega que aconteceu no passado mês de Outubro de 2016 e que colocou frente a frente Syrah português e Syrah estrangeiros, tendo este Tributo de 2014 obtido o segundo lugar, unicamente destronado pelo mítico Incógnito 2012!


 

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo, 2015

Este é, sem margem para dúvidas, o melhor Tributo que já nos apareceu à mesa!
De 2015, ano mágico para a vinha portuguesa e para o Syrah em particular, mostra bem todo o potencial do Tejo!

Produzido a partir das castas Syrah (85%), Grenache (10%) e Viognier (5%), é feito bem à maneira dos franceses do Vale do Rhône, assumidamente. As notas de prova apresentam este Syrah da seguinte maneira: “De cor rubi, apresenta um aroma de grande intensidade, complexo, com notas de fruto vermelho maduro e amoras e um toque balsâmico da barrica. Paladar equilibrado, muito elegante, com uma boa acidez. Final longo, com uma agradável persistência. As características que melhor defendem este néctar são a elegância, equilíbrio e complexidade, apresentando-se com grande potencial de envelhecimento.” Tem graduação de 14,5%.
Foram produzidas apenas 2300 garrafas.

Rui Reguinga acredita que é o terroir que está na raiz de tudo. Como ele diz: “Acredito que qualquer casta no terroir ideal pode produzir grandes vinhos…” Rui Reguinga foi eleito “Enólogo do Ano” pela Revista de Vinhos, conquistou vários troféus e medalhas de ouro com os seus vinhos, e tem sido membro do júri em várias edições das prestigiadas provas como o “International Wine Challenge”, “Decanter World Wine Awards” e “Concours Mondial de Bruxelles”.

Rui Reguinga nasceu em 1966, em Almeirim, no Ribatejo, numa família com raízes no mundo do vinho. Filho e neto de vitivinicultores, cresceu com o sonho de prosseguir uma carreira na área. Esta vocação ganhou forma ao licenciar-se em Engenharia Alimentar pelo Instituto Superior de Agronomia em Lisboa. Seguiu-se uma pós graduação em Marketing de Vinhos na Universidade Católica do Porto e uma especialização em “Dégustation des Vins” pela Universidade de Bordéus.Em 1990 estagiou na região de Champagne. Pouco depois iniciava um intenso percurso como enólogo consultor ao lado de João Portugal Ramos, na Consulvinus. Aí, ao longo de uma década, destacou-se no trabalho para conceituadas marcas nas grandes regiões vitícolas portuguesas.

Em 2000 fundou a Rui Reguinga Enologia. Hoje é pois responsável por vários projectos e parcerias de sucesso em Portugal e no mundo. As visitas profissionais levaram-no a regiões vitivinícolas por todo o mundo na Austrália, Nova Zelândia, Califórnia, Argentina, Chile e Ásia. Mas é à produção dos seus próprios vinhos e aos terroir de origem do Velho mundo que retorna sempre, com saber acumulado e uma dedicação muito especial.

Recordamos as palavras sábias do escritor Robert Louis Stevenson que vêm mesmo a propósito:
“O vinho é a única obra de arte que se pode beber!”
Eis-nos pois ante um Syrah de qualidade, muito bem feito, apesar do preço algo elevado!

 

Classificação: 19/20                                                                       Preço: 26,00€


 

As garrafas de Syrah são coloridas! Porquê?

Já todos repararam que as garrafas onde está contido o nosso néctar de eleição são feitas de vidro colorido, melhor dito, vidro que não é transparente.

A resposta à pergunta em epígrafe não é consensual e a razão porque tal acontece varia bastante. O que é certo é que nenhum produtor coloca Syrah em garrafas transparentes.

Sabe-se que por exemplo produtos químicos devem ser guardados em garrafas de cor âmbar ficando assim preservados em relação a modificações causadas pela radiação da luz directa. O mesmo acontece com o vinho, ficando os seus componentes químicos protegidos da radiação ultravioleta que compromete e encurta o seu ciclo de vida. Como se sabe o Syrah envelhece muito bem, a sua evolução segue parâmetros muito apreciáveis, logo uma garrafa colorida preserva melhor o conteúdo. Mas como o vinho se auto-protege naturalmente dos efeitos exteriores pois contém anti-oxidantes, outras razões haverá para a cor das garrafas.

Há, claro, a questão estética, e mesmo de identificação. Em França e na Alemanha, tradicionalmente estas são algumas das cores utilizadas:

  • Bordeaux: verde escuro para vermelhos, verde claro para brancos secos, claro para brancos doces.
  • Borgonha e Ródano: verde escuro.
  • Mosel e Alsácia: escuro a médio-verde, embora alguns produtores tradicionalmente tenham usado âmbar.
  • Reno: âmbar, embora alguns produtores tradicionalmente tenham usado o verde.
  • Champagne: Normalmente escuro para verde médio. Os champanhes Rosé geralmente são incolores ou verdes.

Os produtores americanos seguem basicamente estas directrizes, embora haja muito vinho Branco que vem sempre em garrafas transparentes.  Mas a maioria do vinho tinto em todo o mundo ainda é engarrafado em vidro verde, cuja razão principal é mesmo a protecção contra a luz, permitindo um ciclo de vida mais longo, como já se disse.

Há também a razão económica. O processo de colorir o vidro não é todo igual em relação às diversas cores, ou seja, o vidro verde acaba por ser o mais barato pois é o que exige menor filtragem em relação a impurezas, mas que em nada afectam o resultado final em termos de apresentação do vinho.

Alguns estudos revelam de facto a importância de preservar o vinho da luz directa, quer através da cor do vidro, e da sua espessura, mas sobretudo através das condições de armazenamento e temperatura.

E no meio de tanta ciência e conjectura, encontrámos uma garrafa de Syrah, verdinha por fora mas de conteúdo vermelho escuro e sublime, e é por esse caminho que vamos!


 

Syrah e o nosso sistema cardiovascular

Consumir álcool, sem entrar no conceito de alcoolismo, sempre foi considerado ao longo da história como um acto de saúde. As vantagens principais a nível de sistema cardiovascular referem sempre uma ingestão moderada. Estamos a falar de mais ou menos 30 gramas de álcool por dia, correspondendo a duas taças de Syrah.

Em relação ao modo como o álcool actua no organismo, sabemos que a forma como circula pelo corpo acarreta dilatação dos vasos e aumento do chamado colesterol “bom”, o HDL. Essas acções melhoram a função vascular, já que os vasos dilatados se tornam mais flexíveis e resistentes. Além disso, o HDL não deixa que as plaquetas se acumulem no sangue, evitando ataques de coração. Já em artigos anteriores falámos do Resveratrol, existente na casca de determinados tipos de uva, que ajuda a melhorar a função vascular, tem função antioxidante (combate o envelhecimento das células) e ajuda a manter o organismo mais saudável. Estudos vários revelam que os abstémios apresentam, geralmente, maior mortalidade do que aqueles que bebem Syrah. Para o álcool se tornar um aliado da saúde é necessário que a par deste consumo moderado de álcool se adquira um estilo de vida saudável.

Certas patologias, como doenças hepáticas, triglicéridos fora de controlo, processos inflamatório do pâncreas, úlceras, insuficiência cardíaca, ou arritmias, levam a que o consumo de álcool seja desaconselhado. Há também aqueles que devem ter muito cuidado ao beber, mesmo que pouco. Tudo depende do grau da doença, do tipo de remédio e do organismo de cada um. Claro, se está a tomar medicamentos aí deve seguir as indicações do seu médico. Por fim ainda referimos os diabéticos, que devem seguir com atenção o consumo de álcool.


 

Quinta de Ventozelo, 100% Syrah, Douro, 2016

Segunda colheita deste Syrah da Quinta de Ventozelo, do Douro, com data de 2016.
Chegámos a anunciar que a data seria a de 2015. Eram as indicações que tínhamos. Acabou por sair em 2016!

Muito fresco, muita fruta, bastante jovem, e mesmo assim tem 14,5% de graduação alcoólica, uma pequena diferença em relação à colheita anterior, que tinha 15%.
Trata-se de um Syrah sem madeira. Falta saber se irá também aparecer no próximo ano o Syrah feito com madeira, como aconteceu o ano passado!

A Quinta de Ventozelo possui uma equipa de enologia de que é Diretor José Manuel Sousa Soares, e é uma das duas maiores da região. São 400 hectares, 200 dos quais ocupados por vinha (estão a ser replantados 40 hectares, nos quais as castas estrangeiras como o Merlot e o Cabernet Sauvignon vão ser substituídas por castas portuguesas), aos quais se junta o olival e uma área grande de caça. Segundo Jorge Dias, director-geral do Grupo Gran Cruz, a quinta existe desde o século XVI, mas que escavações arqueológicas revelaram vestígios de uma aldeia conhecida como Ventozelo desde o século XII. A plantação da vinha, essa, terá começado mais tarde, pelo século XVIII. O desenvolvimento e exportação dos vinhos do Douro, e em particular os da Quinta do Ventozelo, é uma das grandes prioridades do grupo Gran Cruz para o próximo ano. Embora se trate ainda de um nicho o objectivo é fazer 200 mil garrafas de vinho do Douro contra 25 milhões de vinho do Porto. Foi assim criada uma marca premium, permitindo igualmente aprovisionar uvas para as outras marcas do grupo, a Porto Cruz e a Dalva. Com a marca Ventozelo acabam de chegar ao mercado o Ventozelo Douro Viosinho 2014, o Branco de Ventozelo Douro 2014 e o nosso Ventozelo Syrah Regional Duriense Unoaked 2014.

Para perceber qual a estratégia do grupo, é preciso recuar no tempo e contar um pouco da sua história. A Cruz é a maior marca internacional de Porto e exporta anualmente 10 milhões de garrafas para todo o mundo. É uma marca que foi quase construída fora do país, sobretudo com a histórica campanha em França em que uma mulher de negro é fotografada em várias paisagens de Portugal, acompanhada pela frase “O país onde o negro é cor”. A Gran Cruz é uma empresa familiar que se desenvolveu sobretudo no pós-guerra, que ocupa este cargo desde 2009. Inicialmente a Gran Cruz comprava vinho a granel em Gaia para o engarrafar em Paris. Mas em 1975 a família decide investir em Portugal para começar a fazer o aprovisionamento na origem, antecipando-se em 15 anos à decisão do Estado português de proibir a exportação a granel. A partir de 1982, começam a engarrafar exclusivamente em Gaia. Em 2007, o grupo comprou a empresa C. da Silva, proprietária da marca Dalva, tornando-se dona de um valioso stock de barricas de vinho do Porto, entre as quais vários Colheitas. Surgiu depois o enorme investimento, de 16 milhões de euros, numa moderníssima adega em Alijó, inaugurada no ano passado, e a abertura do Espaço Porto Cruz, na marginal de Vila Nova de Gaia.

Segundo a LASVIN – Liga dos Amigos da Saúde, Vinho e Nutrição – o vinho é
“elemento indissociável da Cultura, Saúde e Economia Portuguesa.”
Em conclusão, este Syrah, com uma capacidade clara de evolução, faz justiça ao número reduzido a que pertence: o grupo dos grandes Syrah do Douro!

 

Classificação: 16/20                                                            Preço: 6,95€


 

Cultivar Rosas junto às Vinhas

É verdade, com muita frequência nas nossas deambulações por entre as vinhas da nossa alegria, encontramos aglomerados de rosas, que se outras razões não houvesse dão logo uma outra dimensão estética ao local, embelezando o que já é lindo. Em várias zonas rosas brancas delimitam os Brancos, rosas vermelhas os Tintos.

Um dos motivos verdadeiramente importantes tem a ver com a identificação precoce de pragas nas vinhas, ou seja, roseiras e vinhas são susceptíveis de contrair as mesmas doenças causadas por diversos micro-organismos. Só que as rosas são as primeiras a manifestar o sintoma das doenças anunciadas. Logo aqui o seu papel é fundamental.

Portanto, identificada a ameaça, imediatamente são aplicados os tratamentos curativos, e os preventivos também, impedindo assim a propagação generalizada da enfermidade. No caso de produtores de Syrah biológico, todas as alternativas são igualmente viáveis, sempre com o recurso a métodos naturais. Entre as pragas mais difundidas e perigosas estão o Oídio e o Míldio, já que qualquer uma delas pode simplesmente arrasar um ano de trabalho. As nossa bonitas rosas contribuem também para afastar as aves que adoram uvas daquelas doces e madurinhas.

Então as nossas rosas além serem a flor dos amantes são também uma grande ajuda para quem ama vinhas sadias e Syrah bem saudável!