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Pisar as Uvas

Pisar as uvas com os pés para obter o mosto é  uma tradição milenar que remonta aos tempos antigos. Posteriormente, inicia-se o processo de fermentação para a obtenção do vinho. Actualmente, a maioria dos produtores trocou este método tradicional por prensas automáticas.

A pisa a pé faz diferença?

Os especialistas dizem que sim! A pisa a pé permite uma maior extracção de cor e aromas dado que o acto de espremer as uvas é mais intenso e demorado, aumentando o contacto das cascas com o mosto. São as cascas que vão trazer aromas, estrutura e cor ao vinho. Na pisa a pé, o esmagamento dura várias horas, em contraste com os minutos que demora numa prensa automática. Nesta, elementos indesejados como as sementes são quebrados dando uma amargura e um aroma herbáceo ao vinho. Reconhece-se que vinhos produzidos com recurso à pisa a pé mostram intensidade aromática e mais carácter.

O enoturismo tem trazido um novo interesse por esta tradição, que mantém viva a prática!

Humus, Quinta do Paço, 10% Tinta Barroca, 90% Syrah, Lisboa, 2011

Não é a primeira vez que falamos deste Humus, Herdade do Paço, produtor Rodrigo Filipe. Este é o único Syrah feito com uma percentagem de 10% de Tinta Barroca e 90% de Syrah. Degustamo-lo de novo há pouco tempo e estamos aqui para rever a classificação que demos na altura. Hoje está melhor, mais completo, mais aromático e mais complexo! Vale bem a pena voltar a falar deste Syrah. Foram feitas 2000 garrafas. Metade fica no mercado interno e a outra metade vai para exportação. Este Syrah tem um estágio de 12 meses em barricas de carvalho. O Humus Reserva é um tinto de nome pouco vulgar que exterioriza uma personalidade forte, exposta num estilo francamente original que entrelaça dois mundos que se encontram profundamente divididos entre nariz e boca. O estilo é “discretamente atordoante, entrecruzando um nariz floral e perfumado altamente apelativo, com uma boca muito mais masculina e dura, férrea nos taninos e tensa no final de boca”. Um tinto de qualidade que merece ser conhecido em toda a sua extensão.

A Quinta do Paço é uma propriedade familiar, com um total de vinte hectares, dez dos quais dedicados à vinha. Situada na região demarcada de Óbidos, entre o Oceano Atlântico e a Serra dos Candeeiros, a Quinta do Paço desfruta de condições de solo e clima especiais que dão aos seus vinhos carácter e personalidade.
Trata-se de uma pequena propriedade. Por isso as vinhas não se estendem a perder de vista. São pequenas, delicadas e recebem toda a atenção devida. Cada garrafa resulta do esforço conjunto de pessoas que, de uma forma ou de outra, se encontram ligadas a estas terras. São os laços afectivos e familiares que as unem no desejo de produzir um Syrah cada vez melhor!

Os vinhos da Quinta do Paço são de agricultura biológica. Sem adubos, sem químicos, o que obriga a trabalho redobrado na lide diária, com enormes compensações a todos os níveis. Por isso há a vontade sempre presente de produzir vinhos autênticos, da forma o mais natural possível, respeitando sempre a Natureza e o Meio Ambiente.
A principal preocupação do produtor é a vinha e a qualidade das suas uvas. Para tal escolheram-se as castas que melhor se adaptam às condições de solo e clima, apostando-se em rendimentos inferiores aos normalmente praticados. Deu-se especial atenção ao solo, pois acredita-se que só um solo vivo é capaz de potenciar ao máximo a expressão do ‘terroir’. Na adega a intervenção é reduzida ao mínimo, de forma a preservar e respeitar a identidade de cada vinho. A Quinta do Paço está inserida na Rota do Vinho do Oeste e recebe, sob marcação, quem quiser conhecer as vinhas, a adega ou provar o Syrah.

Num artigo intitulado “A diferença como uma virtude”, o jornalista Rui Falcão referia o Humus Reserva como um dos exemplos de “vinhos diferentes, de castas raras, regiões esquecidas ou produtores menos mediáticos”. Nós estamos de acordo. É um Syrah com grandes capacidades de evolução e a prova disso é o facto de voltarmos a ele ao fim deste tempo!

Vale a pena voltar ao seu convívio!

 

Classificação: 17/20                                              Preço: 15,50€

Syrah e Diabetes

Um novo estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Sul da Dinamarca sugere que o consumo frequente e moderado de álcool, em especial o vinho tinto, pode reduzir a chance de desenvolver diabetes tipo 2.

O artigo publicado na revista Diabetologia utilizou dados da Pesquisa Dinamarquesa de Exame de Saúde, na qual hábitos de consumo e saúde foram relatados por 70.551 participantes livres de diabetes (28.704 homens e 41,847 mulheres) ao longo de cinco anos. Ao fim do período, 859 dos homens e 887 das mulheres desenvolveram diabetes. Os que tiveram o menor risco de diabetes eram os que bebiam moderadamente, 14 bebidas por semana para homens e 9 bebidas por semana para mulheres.

Além da frequência, também foi examinado o tipo de álcool ingerido. O consumo moderado de vinho foi associado a um risco consideravelmente menor para homens e mulheres, em comparação com abstenção ou consumo pouco frequente. No texto do estudo, os investigadores especulam que isso se deve às propriedades de equilíbrio do açúcar no sangue e polifenóis encontrados no vinho tinto.

Eis pois boas notícias para nós apreciadores de Syrah e para todos os outros do vinho tinto.

Quinta do Sobreiró de Cima, Sociedade Agrícola Comercial SA, 100% Syrah, Trás-Os -Montes, 2016

Foi no Mercado do Vinho da vila de Cascais, 2018 entre 27 e 29 de Abril que tivemos conhecimento da mais nova colheita do Quinta do Sobreiró de Cima do ano de 2016! Como já é costume salientar é um Syrah de qualidade que nos dá sempre imenso prazer degustar!

O Syrah da Quinta do Sobreiró de Cima, é um Syrah com 14,5% de graduação alcoólica, tratando-se de um vinho de “cor granada concentrada, um aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta, na boca é muito cheio, aveludado com os taninos presentes e com um final longo e persistente.” A enologia está a cargo de Luís Cortinhas.

O CEO da Sociedade Agrícola Comercial SA, Natacha Teixeira, fez uma revolução no modus operandi da empresa! Hoje é fácil e possível contactar a Quinta do Sobreiró de Cima e obter informações coisa que não acontecia anteriormente, por exemplo sobre os seus vinhos, estando igualmente disponível um documento de apresentação muito bem elaborado, parabéns! Ficamos satisfeitos com todas estas mudanças porque este Syrah merece ter vida longa e para que isso possa acontecer é imperioso a divulgação ser feita e que esteja largamente disponível, acessível a todos!

Antes de terminar queríamos chamar a atenção para o seguinte aspecto: pode parecer que este Syrah, ao ter a mesma classificação da colheita de 2015, teria pois a mesma qualidade, pelo menos do nosso ponto de vista. Concluir isso é não perceber que o vinho tem uma curva ascensional e que em relação a este Syrah ainda só estamos no início! Tem um longo caminho a percorrer. Palpita-nos que daqui a um ano ou um ano e meio a qualidade deste Syrah 2016 possa estar a um nível superior! Vamos estar atentos e voltaremos a ter motivos de interesse para voltar ao Syrah 2016 da Quinta do Sobreiró de Cima!

O escritor Aaram Sequerra escreveu:
“Quando tomados em pequenas quantidades, o vinho ou outras bebidas de baixa graduação alcoólica, elevam o bom colesterol.”
Então para elevar o bom colesterol, estamos nessa e este Syrah de Trás-Os –Montes está aprovado de novo!

 

Classificação: 17/20                                                    Preço: 7,95€

Há Syrah em Oeiras 2018

O Blogue do Syrah esteve presente no Sábado passado, dia 12, no “Há Prova em Oeiras”na sua sexta edição. Conceituados produtores de Syrah e reconhecidos vinhos nacionais estiveram à prova durante três dias, acompanhados de uma mostra seleccionada de restauração local.

Estiveram nesta mostra oito produtores de Syrah dos vinte e três produtores com as melhores sugestões dos seus vinhos para o Verão.

Eis as fotos mais significativas deste momento que fica para a história de mais uma feira de Syrah em Oeiras!

Syrah medalhado

A American Association of Wine Economists (AAWE) é uma coisa séria. Ler os seus documentos exige cabeça fria e conhecimentos de alta matemática, nomeadamente probabilidade e estatística, que estão para além das capacidades normais de um mortal comum. A seriedade é tanta que quando eles afirmam, e demonstram até à exaustão, a percentagem exacta de aumento do preço de um vinho quando ganha uma medalha em concurso, nós acreditamos. Será? No final revelaremos que nem sempre é assim.

Portanto a questão é: Para que serve uma medalha num concurso de vinho? Prestígio, garrafa com o rótulo engalanado, mas na realidade os consumidores a maior parte das vezes nem repara nisso. No entanto, o estudo referido, que pode ser descarregado aqui em formato pdf, revela que os produtores aumentam os seus preços em 13% se ganharem uma medalha em concursos de vinho. O artigo tem como objectivo principal verificar o efeito de uma medalha sobre o preço do vinho, concluindo que um produtor cujo vinho recebe uma medalha pode aumentar seu preço em futuras edições.

A pesquisa comparou o preço dos vinhos antes e depois de uma série de competições, descobrindo que alguns produtores aumentam logo o preço assim que são revelados os resultados, na maioria dos casos colocando um autocolante reproduzindo a medalha que ganharam. Isso ocorre porque alguns possuem contratos com negociantes em que há uma provisão para que o produtor receba um aumento de preço específico se o vinho ganhar uma medalha entre a data do contrato e a data de entrega. Como se pode ler no artigo, os autores concluem que “os incentivos para participar de competições são altos”.

Para terminar o nosso texto, e falando sobre a inexactidão que aflorámos acima, tomemos o caso do nosso famoso Cem Réis, merecidamente premiado, cuja tiragem de 2016 vai ter um aumento de preço acima do dobro em relação aos anos anteriores.

Concluindo: mesmo a matemática mais hermética e avançada pode falhar em alguns casos!