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Ameias, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Mais uma nova colheita do Syrah da Sivipa,  Ameias de seu nome, e com o ano de 2016.
Um Syrah que bebemos ciclicamente, com uma boa relação qualidade-preço, e que de ano para ano nos tem agradado continuamente, num patamar de qualidade.

É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%. É feito de vinhas com 12 anos de idade, na pujança da vida portanto, provindo de solos arenosos típicos daquela zona da península de Setúbal. Podemos caracterizar este Syrah em termos visuais como possuindo “grande intensidade corante de tons rubi escuro e as notas de prova dizem-nos que tem aroma a frutos vermelhos maduros, e é macio, redondo e equilibrado.”

Nos últimos anos os monocasta da SIVIPA e nomeadamente os Syrah têm sido premiados em todo o mundo. Os prémios são tanto mais extraordinários quanto o posicionamento da SIVIPA é partilhar o melhor da região de Palmela a preços acessíveis. Nós aqui no blogue do Syrah não nos deixamos deslumbrar com os prémios. Degustamos o vinho e damos o nosso parecer, subjectivo, mas sempre o mais imparcial possível , na nossa qualidade de consumidores e amantes desta bebida…  e nada mais do que isso, como já o dissemos mais do que uma vez!

E agora é relevante dar aos nossos leitores alguns dados sobre a Sivipa, Sociedade Vinícola de Palmela, SA, que foi criada no ano de 1964 por um grupo de vitivinicultores que se uniram para formarem esta sociedade com o objectivo de engarrafar os vinhos das suas produções e de os colocarem no mercado. O objectivo seria conseguir obter uma mais valia através do mercado de vinhos engarrafados, pois nesta altura pretendia-se acabar com a comercialização de vinhos a granel e vinhos em barril. Entretanto na década de 90 entrou para o capital da sociedade uma das famílias com maiores tradições na produção de vinhos da região de Palmela, a família Cardoso, que através dos seus 400 ha de vinhas e com produções na ordem de 2 milhões de litros anuais assegurava uma maior homogeneidade na qualidade dos vinhos. Nesta altura começou-se a apostar nos vinhos certificados e de maior qualidade. Hoje em dia a Sivipa é uma sociedade com grande reputação na produção de vinhos e moscatéis.

Somente três dados importantes a considerar e a reter:
Volume de vendas no primeiro ano – 1 012 000 litros.
Inicio da produção de Moscatel de Setúbal – ano de 1979.
Construção da actual linha de engarrafamento – ano de 1999.

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte: “Só de nome conhecemos a felicidade.
O nosso melhor amigo é o Syrah;
afaga a única que te é fiel: a ânfora,
cheia do sangue das vinhas.”
Ora aí está. O Ameias Syrah, fonte de felicidade, e com isto nos vamos!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 5,99€


 

Uma prova cega extraordinária e única no mundo!

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão;
Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.
E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.”
(Lucas 5:37-39)

Duas notas introdutórias.
1 – O Blogue do Syrah congratula-se com o registo oficial de mais um Barca Velha, do ano de 1955, em que o nosso amigo Tiago Paulo, da Garrafeira Estado d`Alma, teve um papel determinante, embora não reconhecido pela Sogrape, a actual proprietária da marca Barca Velha. Deste modo passam a existir 19 colheitas do mítico vinho. De 1952 a 2008, que foi lançado para o mercado na ponta final do ano passado.
2 – O Blogue do Syrah congratula-se igualmente com a distinção, inédita, atribuída ao Barca Velha 2008, de 100 pontos, pela Wine Enthusiast. Deste modo passa a ser o primeiro vinho português não fortificado a atingir a pontuação máxima numa publicação norte-americana de referência.

Tendo isto bem presente, vamos então contar a história de uma prova cega verdadeiramente única, ideia nossa que conseguimos concretizar!

Os entendidos na matéria, leia-se, os enófilos e afins, consideram o Barca Velha como o “epítome, o pináculo superior, o símbolo inquestionável” da qualidade mais alta dos vinhos do Douro e de Portugal. Clássico, intenso, complexo, elegante – são os adjectivos habitualmente usados para o descrever, desde a sua criação, em 1952, sendo por isso o vinho português mais célebre. O Barca Velha é a base sobre a qual a reputação de Casa Ferreirinha cresceu, marca de qualidade com a tradição mais alta do Douro e um dos seus guias mundiais principais. O Barca Velha é declarado só em anos realmente excepcionais.

Mesmo os que sabem menos sobre vinho, ou não têm por hábito bebê-lo, usam simbolicamente o nome Barca Velha quando se querem referir a um produto topo de gama, de luxo e excelência. Já para os apreciadores de vinho, é algo com um estatuto inatingível, a que se aspira, muitas vezes com a certeza de que nunca o iremos provar.”
Neste momento o leitor mais atento já estará a perguntar-se: por que razão está o Blogue do Syrah a falar de um vinho, que apesar de ser considerado mítico não tem uma gota de Syrah? É feito com as castas típicas  do Douro, (Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca) e, por esse facto não deveria ser mencionado num blogue em que a casta rainha e única a ter em conta é a Syrah!

O que acontece é que nós aqui no Blogue do Syrah andamos sempre à procura de coisas novas e diferentes, até para nos apercebermos do efeito daquilo que dizemos. Numa linguagem psicanalítica, a que distância realmente está o princípio do prazer (a nossa admiração pela casta Syrah) do princípio da realidade ( no qual as pessoas em geral, que não têm grandes conhecimentos sobre vinhos, ou tendo, não conhecem bem a casta Syrah, pensando que os monocastas Syrah portugueses ainda são minoritários, no conjunto dos vinhos nacionais).

Assim sendo decidimos levar a cabo uma mini prova cega em que o mítico Barca Velha ombreasse com um monocasta Syrah. E isso, caros leitores, é algo que nunca foi feito em Portugal ou em qualquer parte do mundo! E a ideia surgiu depois de provarmos um Barca Velha, advindo daí muito pouco entusiasmo pelo que estávamos a sorver.

O Syrah que decidimos colocar em prova foi o Quinta da Lagoalva de Cima, um Syrah do ano 2000, do Tejo, nessa altura ainda chamado em termos vinícolas de Ribatejo. Pedimos ajuda à Garrafeira Estado d`Alma que nos arranjou o já citado Barca Velha, de 1982, e ao nosso amigo Pedro Gato do Great Tastings que promoveu a prova cega entre os clientes que frequentaram o estabelecimento comercial entre os dias 9 e 11 do corrente mês de Maio. As duas garrafas completamente descaracterizadas e numeradas foram entregues ao Pedro Gato, não sabendo o próprio do seu conteúdo, a não ser que se tratava de vinho tinto (facilmente detectável). Eram dois vinhos com mais de dez anos (sem fornecer exactamente a idade) e que eram ambos portugueses. Nem o Pedro Gato, que levou a cabo a prova (um obrigado e um grande abraço), nem os participantes sabiam ao que vinham. A única pergunta após a prova de cada um dos vinhos era: “Qual dos dois é que gostou mais?”

Nesses três dias houve vinte e nove clientes que aceitaram o repto de provar os dois vinhos e de responder à pergunta. Entre os vinte e nove provadores havia quatro mulheres. O Blogue do Syrah gostaria que mais elementos femininos tivessem participado na prova, mas a verdade é que houve pessoas, e nomeadamente senhoras, que não quiseram participar, ou porque não bebiam álcool, ou porque não se sentiram suficientemente confiantes para aceitar o desafio.

Dos vinte e nove provadores (29), dezasseis (16) consideraram o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima 2000 como o melhor, enquanto que treze (13) votaram a favor do Barca Velha 1982!

O Blogue do Syrah omite quaisquer comentários sobre o resultado desta prova cega, que consideramos extraordinária e única!
Partimos do pressuposto que quem nos está a ler consegue perceber o alcance do que está aqui em causa!

Esta prova cega vem reforçar a tese que temos defendido desde o início desta aventura: os Syrah portugueses são dos melhores do mundo e dão cartas a qualquer vinho mesmo quando é apelidado de excepcional!


 

Coisas de Vinho – A vinha antes do vinho

Aqui fica mais uma vez o convite para um final de dia à volta de um copo de vinho Dona Dorinda, Syrah, desta vez! Na quinta excepcional onde se produz um enorme Syrah vai-se conversar e elevar a cultura do vinho.


 

Maria Maria, uma canção e um Syrah!

Somos de paixões e obsessões, muitas e várias. Syrah, claro, sempre, Zappa, também, e agora vem a propósito falar de uma outra: Milton Nascimento!
Nome maior da Música Popular Brasileira, com uma vasta discografia que abarca várias décadas, é hoje reconhecido mundialmente como um dos mais influentes e talentosos compositores em língua portuguesa. Elis Regina, que o ajudou em princípio de carreira teve vários êxitos recriando as suas canções. Uma delas foi Maria Maria, hoje um verdadeiro marco na carreira quer de um, quer de outro.

E é daqui que nasce a ponte para o tema de hoje. Porque uma produtora de vinho brasileira, resolveu precisamente denominar-se Maria Maria e dar o mesmo nome ao Syrah que produz, no Sul de Minas Gerais, e também porque o produtor é compadre e conterrâneo do músico Milton Nascimento.

A safra de 2013 teve como sobrenome Agda, a de 2015, Bia. As videiras crescem entre frondosos cafezais, a principal cultura de Três Pontas, onde fica a Fazenda Capetinga, de Eduardo Junqueira Nogueira Junior, quinta geração de uma tradicional família de cafeicultores do estado, e amigo de infância de Milton. O Maria Maria foi fruto de um grande susto vivido pelo fazendeiro. Eduardo sofreu um ataque cardíaco e precisou repensar seus hábitos alimentares. Foi quando o cardiologista o mandou tomar uma taça de vinho tinto por dia. Surgiu então a ideia de destinar 19 hectares da fazenda ao plantio de uvas e elaborar seu próprio vinho. Reservou 13,5 hectares para pés de Syrah e o restante dividiu entre Sauvignon Blanc, Chardonnay e Cabernet Sauvignon.

Quem sabe ainda teremos uma dia oportunidade de chegar à fala com este Sryah. Como dizem os versos de Milton, “mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho, sempre…”. Acho que os “compadres” de lá beberam em boa fonte.

Aqui fica ela, saudosa, na sua voz inconfundível!

 


 

Vale Zias, Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, 100% Syrah, Lisboa, 2013

Mais uma vez estamos a falar de um Syrah que já nos convenceu definitivamente, sendo uma garantia de qualidade versus preço!
Uma nova colheita, agora a de 2013. É um Syrah cujo preço está claramente abaixo dos 5 euros, e em essência acima da média em termos de apreciação. Reparem nas notas de prova: “cor rubi violácea, aromas com boa definição onde predominam frutos vermelhos e bagas, assim como aroma a frutos maduros e de grande estrutura, boca elegante de taninos redondos e maduros, final harmonioso e de boa persistência”. Convencidos?
A vinificação é feita à boa maneira dos antigos. As uvas são fermentadas em lagar de forma tradicional.

A empresa Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda foi fundada em 2005, no entanto as suas origens têm por base um cariz familiar, que já desenvolve a sua actividade agrícola na região vinícola de Lisboa há várias décadas, tendo procedido ao primeiro enchimento de vinho nos anos 30. E tem como principais actividades a produção e comércio de vinho engarrafado, produção de pêra rocha e consultoria técnica em Enologia.

Este é um Syrah que se pode guardar uma mão cheia de anos sem problemas e com a garantia de uma constante evolução positiva. Este é um Syrah capaz de aguentar e melhorar com o tempo!

O psiquiatra Armindo Saturnino dizia que:
“Economicamente, o álcool não compensa!”
Lá terá a sua razão para tal afirmar. Mas nós dizemos que uma taça de Syrah a cada refeição faz bem à saúde física e mental e sabemos por experiência que é verdade.
Um desses Syrah pode muito bem ser Vale Zias Syrah!

 

Classificação: 16/20                                              Preço: 4,99€


 

As Mulheres e o Syrah…

…ou dito de outra forma, as mulheres e o vinho tinto, porque é disto que vamos falar hoje. Segundo pudemos ler por vários lugares, as mulheres preferem mesmo o vinho tinto, só muito abaixo vindo os brancos e por aí adiante. Chegam mesmo a ser as mulheres as principais responsáveis pela compra de vinho para consumo familiar.

O vinho, e o nosso Syrah, diremos, é a chave para um encontro romântico, isto com base em estatísticas de vários países. A maioria das mulheres consideram o vinho um dos elementos principais para o sucesso do encontro amoroso, afirmando mesmo que é uma das partes importantes do convívio.

As mulheres manifestam-se de forma mais liberal em relação ao vinho, sendo muito mais abertas a novas experiências e novidades, revelando igual conhecimento em relação aos homens. Preocupam-se em primeiro lugar com o país de origem, logo a seguir com as castas e por fim o preço, significando pois que para elas o mais importante é o prazer gustativo e não a parte económica, eles que se preocupem com isso.

Claro, a nova geração usa sobretudo a Internet para procurar aquilo que mais gosta, esmiuçando online toda a informação disponível, começando pelas primeiras impressões estéticas.

As mulheres, tal como o Syrah, são um mistério… muito apaixonante!