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Syrah Português versus Syrah Francês!

Vai ser, como já tínhamos anunciado, amanhã, Domingo, dia 9 de Abril, que vai acontecer a prova cega de Syrah que irá colocar frente a frente alguns dos mais emblemáticos Syrah portugueses contra Syrah franceses.

Nesta prova única e nunca antes realizada em qualquer parte do mundo, o Blogue do Syrah vai contar, como já é habitual, ( máxima futebolística de que em equipa que ganha não se mexe!…) com os insubstituíveis, eficazes e apaixonados Cegos por Provas!

A prova irá decorrer em Lisboa, em local que por esse facto irá ficar na história, o Wine Bar Great Tastings.

Estarão presentes 20 Syrah ao todo:
10 portugueses e 10 franceses.

Os jurados, em número de treze, foram criteriosamente escolhidos por consenso entre os Cegos por Provas e o Blogue do Syrah, de modo a garantir um resultado o mais credível possível,  e terão a responsabilidade e o ‘sacrifício’ de degustar os 20 Syrah acompanhados por alguns acepipes fornecidos pelo Wine Bar Great Tastings.

Eis a egrégia lista:

  • Francisco Trindade
    Editor do Blogue do Syrah
  • Carlos Ramos
    Administrador do grupo Cego por Provas e colaborador da revista Paixão pelo Vinho
  • Marco Lourenço
    Administrador do grupo Cego por Provas
  • Miguel Silva
    Administrador do grupo Cego por Provas
  • Anthony Kynaston Doody
    Director de Produção da Herdade da Maroteira
  • Cátia Rodrigues
    Proprietária do Wine Bar Great Tastings e Enófila
  • Filipe Jacobsohn Raposo
    Enófilo
  • Gonçalo Soares (ausente)
    Enófilo
  • Mafalda de Almeida
    Blogger e docente de Gastronomia e Enologia
  • Manuel Moreira
    Escanção e formador na área
  • Nuno Duarte
    Enófilo
  • Paulo Barros
    Enófilo
  • Pedro Gato
    Proprietário do Wine Bar Great Tastings e gestor de Enoturismo
  • Vanessa Schnitzer
    Pós graduada em Enologia

Vai ser um acontecimento histórico porque vai ficar na memória de todos nós, independentemente do resultado, mas que desde já acreditamos vai pender para o nosso lado… vamos ver, a expectativa e ansiedade não podiam ser maiores!

Durante a próxima semana aqui voltaremos com a reportagem completa e pormenorizada de tudo o que vai acontecer.
Não mudem de canal!


 

Ermelinda Freitas, 100% Syrah, Casa Ermelinda Freitas, Península de Setúbal, 2014

Acabou de sair mais um Syrah da Casa Ermelinda Freitas, com o ano de 2014!
As vinhas estão situadas em Fernando Pó no concelho de Palmela. O solo é arenoso e o clima é mediterrânico. A fermentação deu-se em cubas-lagares de inox com temperatura controlada, e maceração pelicular prolongada. Estágio de 12 meses em meias pipas de carvalho americano e francês. As notas de prova dizem-nos que se trata dum vinho de “cor granada, concentrado. Aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta. Na boca é muito cheio, aveludado com taninos presentes muito bem integrados. Final longo e persistente.” A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo é o nosso bem conhecido Jaime Quendera!

Não é preciso falar muito da casa Ermelinda Freitas, sobejamente conhecida no mundo dos vinhos, empresa familiar localizada em Fernando Pó, no concelho de Palmela. Nasceu em 1920 pelas mãos de Deonilde Freitas e neste momento, com Leonor Freitas, vai já na sua quarta geração. Esta assumiu o comando da sua mãe, que deu o nome aos vinhos da casa. Foi com a actual proprietária que surgiu o grande impulso dado à empresa pois foi ela que ampliou as vinhas que herdou, de sessenta hectares para os actuais trezentos e quinze hectares. A quinta inicialmente só tinha duas castas, Castelão (conhecida na península de Setúbal por piriquita – que acabou por dar o nome a um vinho da empresa concorrente, a José Maria da Fonseca) e a Fernão Pires, branca, também muito usada na região. Foi Leonor Freitas que introduziu todas as castas que a Casa Ermelinda tem actualmente e naturalmente o Syrah.

De referir que nas três gerações anteriores os vinhos não eram engarrafados e não tinham marca própria. Eram vendidos a granel e com uma qualidade que muitas vezes deixava a desejar. Sob a liderança da quarta geração tudo mudou! Percebe-se que Leonor Freitas não estava satisfeita com a herança recebida e munida de uma equipa onde se destaca o enólogo Jaime Quendera, mudou todo o “savoir faire” da Casa.

Aubert de Villaine, proprietário do Domínio de Romaneé-Conti, vinho da Borgonha, disse o seguinte:
“Não fico surpreso que as pessoas não identifiquem estes aromas todos nos vinhos que compram. Eu mesmo não sou capaz de reconhecê-los. Aliás, acho isso muito aborrecido. Não estou interessado nisso, e sim na personalidade do vinho.”
E personalidade é coisa que este Syrah tem desde a primeira colheita de 2004!
Também concordamos que a personalidade é o mais importante: no Syrah assim como nas pessoas!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 9,99€


 

Enigma, Caves Dom Teodósio , 100% Syrah, Tejo, 2015

Fomos de pensar que este texto sobre o Syrah Enigma do ano de 2015 seria bem diferente dos textos sobre as safras anteriores, o Enigma 2012 e o Enigma 2014, já que agora íamos falar desse ano extraordinário que é 2015!
A novidade foi dada nestes termos: ”A Enoport lançou no mercado o Enigma Syrah 2015! Com 13% de graduação alcoólica vamos ver se o facto de ser do ano mítico de 2015 o faz ser um Syrah de qualidade superior às colheitas anteriores, que não entusiasmaram propriamente.” Pois em relação ao Enigma Syrah 2012 tínhamos dito que: “Este Syrah, poesia, é coisa que não dá, ou pelo menos com o verso, rima e sentimento da forma que gostamos!” E o mesmo dissemos quanto ao Enigma Syrah 2014: “Nada se altera em relação ao que foi dito aqui da safra anterior anterior. A qualidade é a mesma e a classificação mantêm-se. O preço continua igualmente exorbitante.” Se é verdade que a maneira como decorre o ano agrícola é fundamental para que o vinho que se degusta possa ser ou não de qualidade, a segunda parte da premissa não decorre unicamente da primeira. Há outros factores a ter em conta que continuam ausentes deste Syrah do Tejo. Daí que, e apesar de estarmos em 2015, e as expectativas serem sempre grandes, este Syrah pouco acrescenta, quase nada mesmo, ao que já dissemos em relação às outras colheitas. E é pena que isso aconteça!

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O Syrah das caves Dom Teodósio pertence ao grupo Enoport. Grupo este que juntou algumas das mais antigas e emblemáticas empresas de vinho Portuguesas com reconhecimento nacional e internacional, tais como as Caves Velhas, Caves Dom Teodósio, Adegas Camillo Alves, Caves Acácio, Caves Monteiros e Caves Moura Basto.
Este mesmo grupo detêm uma outra marca, a Quinta de S. João Baptista, cujo Syrah é bem superior a este.

Enigma é pois o nome do Syrah. Nome que só por si faria prometer um grande Syrah, até porque a palavra significa algo secreto e invisível, com um significado oculto por revelar, até o rótulo bem desenhado conduz nesse sentido. Tudo levaria a crer pois que a demanda seria frutífera. Tal não acontece, infelizmente. O Enigma é um vinho desinteressante, sem génio… desprovido de arcanos e mistérios! Não traz nada de novo ao mundo dos Syrah portugueses, sendo pouco mais que um Syrah aboleimado.

O enólogo de serviço é Carlos Eduardo e a graduação alcoólica é de 13%. Teve uma maturação de 6 meses em madeira de Carvalho Francês. As notas de prova dizem que possui uma “cor avermelhada e nariz delicadamente frutado, com suaves notas florais e vegetais a conferirem alguma complexidade ao conjunto, na boca é um vinho fácil, equilibrado e equilibrado, conta com um paladar frutado e levemente vegetal, o final de boca tem um comprimento e uma persistência medianos.” As notas de prova podem até ser simpáticas mas a realidade no palato o resultado é bem diferente! Este Syrah, pela nossa parte, apenas merece a nota que lhe atribuímos. Nem o já mitíco ano de 2015 o salva!

O grande escritor romano Sêneca escreveu que: “O vinho faz esquecer as maiores preocupações.” Mas só se for de qualidade, dizemos nós. De outro modo ainda causa mais desalento e infelicidade!

 

Classificação: 14/20                                                     Preço: 2,99€


 

= CHOQUE DE TITÃS = Prova Cega de Syrah

É com imenso orgulho e satisfação que o Blogue do Syrah, na companhia insubstituível dos Cegos por Provas, anuncia a seguinte Prova Cega:

Syrah Português contra Syrah Francês!

Este combate, que se prevê desde já memorável, vai realizar-se de hoje a oito dias, mais precisamente no dia 9 de Abril de 2017, em Lisboa, no Wine Bar Great Tastings.

Frente a frente alguns dos melhores Syrah portugueses contra alguns dos melhores Syrah franceses.

Os jurados, em número de treze, e que serão apresentados durante a próxima semana, foram criteriosamente escolhidos por consenso entre os Cegos por Provas e o Blogue do Syrah, de modo a garantir um resultado o mais credível possível!

Estarão presentes 20 Syrah ao todo:

10 portugueses e 10 franceses.

No total, o preço de venda ao público é superior a 800 euros. Nos Syrah franceses esse valor é de 490 euros. O valor dos Syrah portugueses é de 370 euros.

Vai ser portanto absolutamente perdurável, aliás como aconteceu nas outras provas cegas patrocinadas pelo Blogue do Syrah!

Brevemente daremos mais notícias sobre este acontecimento único. Continuem sintonizados!


 

João Clara, Quinta João Clara, 100% Syrah, Algarve, 2014

Este é o segundo Syrah da responsabilidade de Joana Maçanita, melhor dizendo, dos irmãos Maçanita, que neste caso o projecto é assinado pelos dois!
E qual é o resultado?
O resultado só pode ser bom! Isto já parece um lugar comum, mas como podia ser de outra forma?
O nome Maçanita não sabe fazer Syrah de qualidade inferior!

As uvas da Quinta João Clara foram vinificadas com maceração a frio, por cinco dias, seguido de uma fermentação durante vinte dias. O Syrah João Clara 2014 estagiou quinze meses em barricas de carvalho francês. Escolhido pela Joana Alves, a filha de João, como a sua primeira criação, este vinho apresenta uma ‘cor violeta muito concentrado, no aroma notas de compota de frutos pretos com toques de pimenta preta, que se mostram bem integradas com as notas cremosas da barrica. Na prova é concentrado, com taninos redondos e boa elegância’. A graduação alcoólica é de 14,5%.

E agora um pouco de história sobre a Quinta João Clara, situada em Alcantarilha, e que nos remete para a década de 70, século XX, altura em que o produtor João Maria Alves decidiu adquirir a propriedade e plantar a sua primeira vinha. João Maria Alves, sempre foi conhecido por todos como João Clara e assim, a quinta ficou baptizada em sua homenagem. João Maria Alves era produtor de uvas de vinho há 30 anos, as quais entregava à Adega Cooperativa de Lagoa. Quando a velhice se fez notar passou o legado ao seu único filho, Joaquim Alves, que continuou entregar as uvas na mesma adega, no entanto a dificuldade de pagamento por parte da mesma, levou-o a enredar uma alternativa. Alternativa essa, que passava pela produção do seu próprio vinho. E assim, nasce um sonho!

Foi então, no ano de 2006, que o jovem e aventureiro produtor, Joaquim Alves, lançou o primeiro vinho desta quinta. Foram nesse ano produzidas 6 mil garrafas de Vinho João Clara Tinto. Para este primeiro lançamento, foram escolhidos António Maçanita como enólogo e Júlio Antão como artista plástico para desenhar a primeira garrafa, elaborando a imagem de marca João Clara. Mais tarde, o trabalho enológico passou a ser compartilhado com a Enóloga Cláudia Favinha, no entanto, a partir de 2013, este foi entregue à Enóloga Joana Maçanita e ao Enólogo que iniciou o projecto até então, António Maçanita. Este primeiro vinho foi elaborado com parte da produção vinícola, cerca de 3 hectares, a restante produção de uva foi, nesse ano, entregue à Adega Cooperativa de Lagoa, uma vez que não havia capacidade para a utilização da mesma. O rótulo elaborado para esta primeira garrafa foi inspirado na chaminé algarvia que é um símbolo da região, fruto da influência de cinco séculos de ocupação árabe. Na parte superior do rótulo existe uma deformação, que corresponde ao bico da águia, que simboliza o gosto da família pelo clube de futebol Sport Lisboa e Benfica. Foi então no ano 2007 que surgiu o primeiro vinho rosé da Quinta João Clara, seguindo-se o ano de 2008 em que foi lançado o primeiro vinho branco desta quinta, o qual foi uma homenagem a Joaquim Alves.

A Quinta João Clara têm a dimensão de 26 hectares, onde são desenvolvidas várias actividades de cultivo, embora a que mais se evidencie seja a cultura de vinha que conta agora com 8,5 hectares. A viticultura primou por um casamento entre as castas tradicionais algarvias e as castas que melhor se adaptavam às características do Terroir da quinta, em que o clima é temperado/mediterrânico e solo argiloso. Inicialmente, a Quinta João Clara contava com vinhas, na sua maioria, da casta Negramole e Crato Branco. A necessidade de vinhos com perfil mais moderno suscitou, numa primeira fase, a plantação das castas Trincadeira, Aragonês, Syrah e Alicante Bouschet. Em 2008, efetuou-se reenxertia com a  casta Touriga Nacional.

Mais recentemente, no ano 2010, houve a plantação de uma nova vinha. Desta vez, uma vinha de uvas brancas, primando pelas castas Arinto, Verdelho, Alvarinho e Moscatel. Desta vinha nova, obteve-se o primeiro vinho branco no ano 2013. A casta Crato Branco, também ela uma variedade de uva branca muito tradicional do Algarve, era a única casta existente nas vinhas já plantadas. Estas uvas foram utilizadas para a produção e lançamento de uma nova marca – Às Claras, – assim como, algum do Moscatel produzido.
Ao longo do ano, a vinha é acompanhada de perto pelo viticultor, técnico de fitofármacos e enólogos de forma a garantir a qualidade das uvas, consequentemente, aliada à qualidade do vinho que produzimos. A vindima é feita manualmente em caixas de 15 – 20kg sempre na presença da equipa de enologia e viticultura, por forma a garantir a maior sanidade das uvas à recepção na adega.

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Bebo o Syrah que me oferece uma linda rapariga e não cuido de minha salvação.
Sempre ouço dissertar sobre os gozos reservados aos eleitos, limitando-me a dizer:
Só tenho confiança no Syrah.
Bebe Syrah!”
Pois bem, seguindo as indicações do poeta, uma taça de Syrah, por favor, hoje da Quinta João Clara 2014!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 19,95€


 

Vale Zias, Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, 100% Syrah, Lisboa, 2011

Quando há dois anos apresentámos este Syrah de Lisboa dissemos:
”guardem este Syrah durante uns anos, apostamos, para já, em 4 anos, e depois vejam a evolução! Este é um Syrah capaz de aguentar e melhorar com o tempo. Até apostamos, se for caso disso!”
Não passaram quatro anos, mas só com dois anos dá para perceber que ganhámos a aposta.
Está significativamente melhor!
Pensámos que estaria esgotado. Basicamente está! Mas conseguimos encontrar ainda algumas garrafas numa grande superfície e daí voltarmos a falar dele dois anos volvidos.

A relação qualidade/preço continua muito boa! Este Syrah encontra-se abaixo dos cinco euros e, em essência, acima da média em termos de apreciação. Reparem nas notas de prova: “cor rubi violácea, aromas com boa definição onde predominam frutos vermelhos e bagas, assim como aroma a frutos maduros e de grande estrutura, boca elegante de taninos redondos e maduros, final harmonioso e de boa persistência”. Ficou alguma coisa por esclarecer?

A empresa Fazendas da Estremadura, Sociedade Agrícola Unipessoal Lda, foi fundada em 2005, no entanto as suas origens têm por base um cariz familiar, que já desenvolve a sua actividade agrícola na região vinícola de Lisboa há várias décadas, tendo procedido ao primeiro enchimento de vinho nos anos 30. E tem como principais actividades a produção e comércio de vinho engarrafado, produção de pêra rocha e consultoria técnica em Enologia. A vinificação é feita à boa maneira dos antigos. As uvas são fermentadas em lagar de forma tradicional.

O escritor Juan Sorapán de Rieros disse:
“Syrah é uma das coisas mais antigas que se conhecem, desde o dilúvio universal até ao nosso tempo.”
O Syrah Vale Zias não existe há tanto tempo mas continua a evoluir muito bem!

 

Classificação: 17/20                                              Preço: 4,99€