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Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2015

Apresentamos aqui mais um Syrah de Pegões, desta vez de 2015.
Este Syrah existe desde 2004, ano da primeira colheita. Daí para cá tem havido Syrah novo todos os anos, e assim esperamos que continue.
O presente é o que entrou agora no mercado!
A partir de 2011 o volume de garrafas produzidas fixou-se nas 20000. É um bom indicativo, quer da qualidade do produto em relação ao preço, quer da reacção positiva do consumidor português em relação a este Syrah. Reacção esta que por nós haverá de ser cada vez mais entusiasta e total. Estamos aqui para isso!

O enólogo é Jaime Quendera, responsável por estas notas de prova: ”Notas de frutos vermelhos/pretos muito maduros , notas de compota , volumoso na boca , final muito prolongado.” A cor é granada, a fermentação foi realizada em cubas de lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento foi de 12 meses em pipas de carvalho americano e francês, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado.

A Adega Cooperativa de Santo Isidro de Pegões, é o seu nome completo, é um verdadeiro colosso no panorama vitivinícola português! Produz 12 milhões de garrafas de vinho por ano, distribuídas por 48 referências, que é assimilado em 75% pelo mercado nacional. Os outros 25% são para exportar, praticamente para todo o lado. Apresentar aqui a lista de países nos diversos continentes em que os vinhos da Cooperativa de Pegões estão representados seria fastidioso, mas interessante, porque são algumas dezenas! A Península de Setúbal, região onde estão situadas as vinhas da Cooperativa de Pegões, assim como outras grandes herdades de que já aqui falámos e continuaremos a falar, é caracterizada por um microclima com óptimas condições climáticas, únicas onde se destaca os solos arenosos ricos em água e o clima Mediterrâneo com influência marítima devido à proximidade do mar. A perfeita harmonia destes elementos favorecem o desenvolvimento de castas nobres perfeitamente adaptadas originando vinhos de qualidade.

Eis portanto um bom Syrah, com uma boa relação qualidade/preço e que pode muito bem fazer justiça à frase de Winston Churchil:
“Tirei mais proveito do álcool do que o álcool tirou de mim”.
E isso acontecerá sempre que se beba o Syrah, este ou outro, com moderação!

O que interessa que fique para a história é o seguinte: quem beber Syrah da Adega de Pegões faz uma óptima escolha. Assim como dizemos!

 

Classificação: 17/20                                                   Preço: 4,99€


 

Enologia Neurológica

Isto de Syrah, e vinho em geral, tem que se lhe diga. A ciência mais complexa, para falar verdade, não passa muito ao lado do acto de fazer ou apreciar a bebida de Baco.

Chegou ao nosso conhecimento, em pesquisa pela Amazon, este livro de Gordon M. Shepherd, onde se afirma, surpreendentemente, que o cérebro cria o sabor do vinho. Esta abordagem da experiência sensorial do vinho baseia-se em descobertas da neuro-ciência, biomecânica, fisiologia humana e enologia tradicional. Shepherd demonstra como o cérebro cria o sabor, ilustrando claramente os fundamentos científicos deste processo, ao longo de todo o percurso sensorial, aumentando a nossa satisfação em apreciar um bom Syrah. É explicado, primeiro, como o vinho logo na boca começa a actuar sobre o cérebro, passando em seguida para a função do paladar retro-nasal e seu extraordinário poder na apreciação do mesmo. Shepherd explica, detalhadamente, como as vias sensoriais específicas do córtex cerebral criam a memória do vinho e como a linguagem é usada para identificar e imprimir as suas características.

Destinado a uma vasta audiência de leitores, desde simples apreciadores até ao sommelier, passando pelo gourmet ou chef mais experiente. A neuro-enologia mostra como a emoção do prazer é o juiz final na experiência do vinho. Inclui dicas práticas para uma degustação de vinhos, cientificamente fundamentadas, e fecha com um delicioso relato da experiência de Sheffield, saboreando os clássicos vinhos de Bordéus com o vinicultor francês Jean-Claude Berrouet do Chateau Petrus e Dominus Estate.

Portanto, degustar Syrah estimula beneficamente o cérebro, a par de actividades como ouvir música ou, até mesmo, lidar com um problema complicado de matemática, e de forma muito mais completa. As moléculas do vinho não têm aroma ou sabor, mas quando estimulam o cérebro, é este que o cria, da mesma forma que constrói a cor, por exemplo.

É com toda esta ciência na cabeça que vamos a caminho da próxima garrafa de Syrah, seja qual for o cientista!


 

Vida Nova, Adega do Cantor, Reserva, 85% Syrah e 15% Aragonês, Algarve, 2009

Este é o mais novíssimo Syrah que o Blogue do Syrah descobriu!

Não é bem um Syrah recente, visto que é de 2009, mas esteve na sombra durante todo este tempo! Chama-se Vida Nova, e é da Adega do Cantor.
Como demos conhecimento aqui, há um Syrah Onda Nova, do mesmo produtor. O cantor em causa é Sir Cliff Richard, para quem ainda não sabia, que assim passa a ter na realidade não um mas dois Syrah!

E este tem uma característica única: 15% de Aragonês, o que faz dele o único Syrah que faz combinação com esta casta. E o que podemos acrescentar é que se saiu muito bem!
É produzido na Quinta do Moinho, e as notas de prova dizem que tem “Cor rubi intenso. Límpido e transparente. Robusto, intenso, concentrado, com notas a frutos pretos como a ameixa e cerejas. Aromas complexos e subtis de especiarias e de canela. Foi estagiado em cubas de inox e barricas de carvalho francês e americano, o que resultou numa excelente combinação. Inicialmente nota-se alguma austeridade, mas com acidez bem equilibrada no palato, revelando o esplendor do seu frutado envolvido em taninos macios. Boa estrutura, revela final de prova longo.” Tem uma graduação alcoólica de 15% e foram produzidas 9700 garrafas!

A Adega do Cantor fica situada na Guia, escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras. A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising. Os vinhos reflectem o calor, cor e diversidade da região, acompanhando a fantástica cozinha local.

Este Syrah é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.
A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

E, como é Verão, que tal ouvir e ver está saudosa relíquia do nosso cantor de hoje, com uma garrafa de ‘Vida Nova’ ao lado.

O advogado e cozinheiro françês Jean-Anthelme Brillat-Savarin dizia que
“Uma refeição sem um Syrah ao lado é como um dia sem os raios de sol!”
Vamos lá então harmonizar este Syrah que poderá suscitar laivos de uma vida nova!

 

Classificação: 17/20                                                             Preço: 8,95€


 

Que dizer sobre os Concursos de Vinho?

Serão de confiança?
É esta a reflexão para hoje, ao sabor do calor estival, começando por falar em organizações sérias, júri acima de toda a suspeita, transparência acima de tudo. Pelo meio está o lucro e os bons negócios. E os grande vinhos alguma vez vencem concursos? A maior parte das vezes não. Valeria a pena correr o risco de perder para vinhos mais baratos?

Os grandes concursos internacionais recebem milhares de vinhos e, geralmente, mais de metade ganham medalhas, portanto as hipóteses de sair de lá premiado são muito elevadas. Ganham os bons e talvez alguns menos bons, também. Claro que os organizadores não ficam a perder: cobram em média 200 euros para receber um vinho a concurso.

O caso do Syrah é um pouco diferente. O concurso Syrah du Monde funciona a uma escala mais restrita. A sua área de influência, embora internacional, garante uma paridade e competitividade que asseguram uma igualdade onde todos podem ser premiados, sem desprestígio para uns e outros. Por exemplo, em 2017, estiveram a concurso 372 Syrahs, tendo sido atribuídas um total de 123 medalhas, menos de metade, portanto, coisa que não acontece, como dissemos, em outros concursos. Há assim grande Syrah premiado todos os anos em França.

Vamos ver se conseguimos arranjar algum para nosso deleite, além dos portugueses premiados, claro, que esses são bem nossos conhecidos!


 

Bernardo Cabral, o outro enólogo do Syrah do Baixo Alentejo

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal. O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas. Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo! Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação, apreciação, devoção e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, trazemos hoje à ribalta Bernardo Cabral, que tem no seu currículo dois Syrah, cada um com várias colheitas, apesar do segundo ter sido descontinuado.

Aqui vão eles, ambos de peso, como se pode ver pelas classificações atribuídas:


Bombeira do Guadiana, Herdade da Bombeira, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 17/20


Santa Vitória, Casa de Santa Vitória, 100% Syrah, Alentejo
Classificação: 18/20

Vejamos cada um em pormenor.


Bombeira do Guadiana, Herdade da Bombeira, 100% Syrah, Alentejo

As castas inicialmente escolhidas foram as alentejanas: Trincadeira e Aragonês, com cerca de 6 hectares cada e as internacionais: Cabernet Sauvignon e Syrah com cerca de 3,5 hectares cada. A plantação da vinha ocorreu nos anos 98 e 99 tendo sido vendidas no mercado as primeiras produções de uva. Após análise do comportamento das castas na zona e a conselho do enólogo residente Bernardo Cabral, decidiu-se em 2002 substituir, e muito bem na opinião do Blogue do Syrah, cerca de 2,5 hectares de casta Aragonês por Syrah, e em 2006 o restante por Alicante Bouchet cerca de 3,5 hectares.
Sobre exactamente o que nos traz aqui hoje, as notas de prova falam de um Syrah “especiado e bem maduro, algum chocolate, fruto intenso, boca com volume algum calor num final longo e picante. Um tinto com franqueza e generosidade de formas. Taninos sedosos e redondos, termina prolongado e medianamente persistente.”
Tem uma graduação alcoólica de 14,5%.


Santa Vitória, Casa de Santa Vitória, 100% Syrah, Alentejo

O Santa Vitória Syrah é de safra única, com uma tiragem de 3300 garrafas, e tem graduação alcoólica de 15%. Estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado sem filtração. As notas de prova apontam “aromas frutados, notas de ameixas pretas, cassis, chocolate preto e especiarias.”
Numa área total de vinha de cerca de 127 hectares, as castas tintas compreendem cerca de 105 hectares e as brancas 22 hectares. Foram escolhidas as mais nobres castas nacionais e estrangeiras, que melhor se adaptam ao “terroir“. O estágio em barricas de carvalho de elevada qualidade, promove a passagem de alguns componentes da madeira (taninos e compostos aromáticos) para o vinho, conferindo-lhe complexidade e elegância.


Bernardo Cabral é natural de Moçambique, e foi logo aos 12 anos que decidiu ser enólogo. Desde muito novo percebeu que alguma coisa especial o vinho teria que ter para dar tanto prazer a quem o bebia, e especialmente a quem o fazia. Vivia fascinado com os seus tios enólogos e tudo o que aquele mundo, místico aos seus olhos, representava. Sem dúvida queria fazer parte dele.
Começou ainda na faculdade através do seu trabalho final de curso. Um estudo muito interessante que lhe permitiu contactar reconhecidos profissionais do sector e que acabou por lhe abrir algumas portas. Foi desafiado pelo José Gaspar para fazer parte da sua jovem equipa na então renovada empresa Caves Dom Teodósio. Aprendeu muito durante o pouco tempo que lá esteve. De seguida pela mão do Nuno Cancela d’Abreu rumou para a Companhia das Quintas, na altura a dar os seus primeiros passos. Foram 4 anos em que trabalhou nesta casa. Em 2004 foi para a Casa Santa Vitória colocar as “primeiras pedras” com o Nuno Cancela d’Abreu como consultor. Foi enólogo principal e director da empresa durante 8 anos e hoje continua como consultor.

Em 2012 teve o desafio da Companhia das Lezírias que o fez mudar de “casa mãe” e até hoje mantêm-se como enólogo. Em simultâneo mantêm consultoria na Bombeira do Guadiana (Mértola), Pegos Claros (Palmela) e Vicentino (Zambujeira-do-mar).

Na última prova que o Blogue do Syrah levou a cabo entre Syrah portugueses e Syrah franceses, um dos dez Syrah portugueses escolhidos foi justamente o de Bernado Cabral, o Syrah da Casa de Santa Vitória. Só esse facto testemunha da importância que este enólogo teve na história dos Syrah em Portugal. O nosso bem-haja!


 

Artefacto, Luís Duarte Vinhos, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Finalmente uma nova colheita de Artefacto, do enólogo Luís Duarte, cuja possibilidade de podermos tecer algumas considerações sobre ele se devem à Garrafeira Estado d`Alma, único lugar em Lisboa onde este Syrah celestial pode ser adquirido, e muito especialmente ao Tiago Paulo e Carlos Jorge que batalharam, e muito, para que este Syrah pudesse brilhar e voar em Lisboa. Não foi fácil, mas apesar de tudo foi uma epopeia bem mais acessível que a do seu irmão de 2010 cuja história foi aqui contada por nós!

Este é o único Syrah e a segunda colheita feita por Luís Duarte. Mas que Syrah! Percebe-se logo ao primeiro embate a enorme capacidade de evolução. É claro que é muito novo ainda, muito frutado, muito aromático, pergaminho inolvidável desta casta, mas que não engana: é um Syrah superior!

Luís Duarte é um enólogo premiado em Portugal. Galardoado sucessivamente com o título de Enólogo do Ano em 1997, 2007 e 2014 pela WINE – Revista de Vinhos. Com mais de 25 anos de carreira, sempre no Alentejo, fundou em 2007 a Luís Duarte Vinhos, em Reguengos de Monsaraz, e hoje trabalha na produção, comércio e exportação de vinhos.

As notas de prova dizem que possui “cor ruby intensa. Aroma a fruta preta madura, especiarias, algum cacau e um toque balsâmico / mentolado. Boca redonda e fresca, focado na fruta, com taninos domados. A madeira confere-lhe uma boa estrutura estando perfeitamente integrada no conjunto. Apresenta um final sumarento e de boa persistência.” Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho francês . A graduação alcoólica é de 14,5%.

D. Cooper disse uma vez que “O Syrah estimula o apetite e dá sabor aos alimentos. Promove as discussões, a euforia e pode transformar uma simples refeição em um evento memorável!”
Este Syrah tem a ver com tudo isto e muito mais, como anteriormente já tínhamos dito. Épico!

 

Classificação: 18/20                                                       Preço: 9,90€