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Qual foi o vinho da Última Ceia?

Protagonista em muitos textos bíblicos, o vinho tem um simbolismo especial no cristianismo. Mas quais seriam as preferências dos consumidores de vinho na época em que Jesus viveu?

Arqueólogos e historiadores já encontraram provas substanciais de vinificação nas regiões que Jesus teria percorrido. Para o arqueólogo Patrick McGovern, professor do Museu de Arqueologia da Universidade da Pensilvânia, o vinho servido na Última Ceia poderia ter sido muito semelhante ao Amarone de hoje, com base em evidências existentes sobre as práticas de vinificação na área naquele momento histórico.

A literatura sobrevivente diz que os vinhos locais da antiga Judeia foram descritos como escuros e ricos. McGovern relata ainda que o vinho das terras altas da Transjordânia central era notoriamente tão forte que “induzia o corpo a pecar”. De acordo com o investigador, apenas os melhores vinhos eram envelhecidos e bebidos puros. A maioria era misturada com água ou misturada com uma gama de especiarias e ervas, como pimenta, absinto, e açafrão.

No Evangelho de Marcos, um vinho de mirra é oferecido a Jesus, que ele recusa. A mirra e outras resinas de árvores exóticas provavelmente teriam sido adicionadas aos vinhos da época. A ideia não era apenas encobrir os sinais de um vinho em deterioração, embora isso fosse um incentivo adicional, mas sim conservar os vinhos por mais tempo e produzir novos e excitantes gostos para os paladares cansados. A hipótese inicial sobre vinhos antigos da região a sul de Israel, é que eles podem ter sido bastante poderosos; uma vez que uma característica da região é grande insolação e salinidade do solo. A fotossíntese elevada e a pressão osmótica devido à salinidade do solo produzem uvas doces com grandes quantidades de açúcar. Então, talvez a qualidade do vinho do Negev tenha sido obtida por seu maior teor de álcool.

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Já ansiávamos pela terceira colheita deste Syrah topo de gama de Évora! E este é do ano já mítico de 2015! Em 2013 saiu a primeira colheita que demos conta aqui, com 2100 garrafas! Em 2014 saiu a segunda colheita com 4200 garrafas, que demos conta aqui! Nesta terceira colheita são 4900 garrafas e temos a promessa de que o número vai ainda aumentar em futuras colheitas! O que é que podemos mais desejar quando se fala num topo de gama? Também é verdade que a vinha de Syrah que era de 2,5 hectares passou para 3,5 hectares! O Syrah é desde já a casta número um da Vinha das Virtudes. E isso deixa o Blogue do Syrah muito satisfeito!

O nome Humanitas, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, e foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.
O enólogo é o egrégio Pedro Baptista, que está também ligado à Fundação Engenheiro Eugénio de Almeida e é responsável pelo Syrah Scala Coeli já por nós falado mais do que uma vez. A designer é Rita Rivotti, que trata da imagem dos vinhos que agora chegam ao mercado. O grau alcoólico é de 14% e apresenta-se com rótulos novos para mais facilmente se distinguir do outro vinho tinto da casa. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”

A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. O proprietário José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah tal como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora. Foi em 2011 que descobriu o refúgio ideal. Uma propriedade no Alentejo, a cerca de 10 kms de Évora, situada numa zona de paisagem protegida pela Rede Natura 2000, que o encantou de imediato. A casa do Monte da Ribeira era a única edificação a pontuar a propriedade. Começou por adquirir um tractor e algumas alfaias para apoio do assento agrícola e o seu espírito inquieto não sossegou enquanto não concretizou o desejo de plantar uma vinha. Não é fácil fazer uma vinha e produzir vinhos e ter um lugar no mercado, mas apesar de José Rodrigues ter sido avisado, não quis desistir e foi à luta. Plantou então, entre Abril e Maio de 2012, 2,5 hectares de vinha com castas que sempre apreciou: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e naturalmente a nossa Syrah. Depois, chamou o arquitecto Jorge Fragoso Pires para lhe desenhar uma adega funcional e contextualizada.

A adega está situada em território abrangido pela Rede Natura 2000, que visa proteger as espécies e os habitats mais ameaçados da Europa. Foi concebida segundo exigentes critérios de racionalidade técnica e funcional e está preparada para resistir às inevitáveis evoluções do processo produtivo. A uva é seleccionada manualmente no amplo alpendre exterior, para ser admitida na nave industrial, e a transferência das massas é feita por gravidade, de um modo natural.

A cave de envelhecimento é semi-enterrada, para assegurar a correcta evolução dos vinhos em ambiente termo-higrométrico adequado. O “layout” complementa-se com o laboratório, outras instalações técnicas e uma cuidada zona social onde se realizam as provas de vinho, e outras reuniões, com ampla vista sobre a quinta. De tal cuidado e rigor só poderia sair algo de qualidade superior, como fica comprovado!

O escritor Ernest Hemingway no livro Morte ao Entardecer escreveu:
“O conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter de um Syrah prazeres infinitos.”
O Humanitas Syrah 2015 seria um infinito companheiro de mestre Ernesto, e de todos nós, pois para além de conhecimento literário, educação sensorial não lhe faltava

 

Classificação: 19/20                                                                      Preço: 17,30€

Resultados do Concurso Internacional “Syrah du Monde” 2018

É com redobrado prazer que o Blogue do Syrah vem, em primeira mão, anunciar os resultados do concurso Internacional “Syrah du Monde”, que é o concurso mais importante para a casta de que diariamente falamos: a Syrah!

Concorreram um total de 24 países, que apresentaram 347 amostras de Syrah.
Os juízes testaram as amostras de acordo com as regras internacionais e seguiram escrupulosamente procedimentos de garantia de qualidade e isenção.
Após três dias de trabalhos, foram atribuídas 115 medalhas: 30 de ouro e 85 de prata.
Mais uma vez não foi atribuída a medalha de grande ouro e, por curiosidade, também não foram atribuídas medalhas de bronze.

Portugal, recebeu quatro medalhas no total. Quatro medalhas de prata!
Todos foram por nós aqui no Blogue do Syrah já devidamente apreciados, mas em termos de ano específico só o Monte da Ravasqueira 2017 é que não conhecemos. Provavelmente nem sequer foi colocado no mercado!

Aqui estão eles… os nossos parabéns!

Três dos Syrah premiados são de Setúbal e um é alentejano!
O grande vencedor em termos numéricos é a Austrália, como de costume, seguido pela França como de costume. Em terceiro lugar ficou a África do Sul como de costume. E é isto que nos começa a preocupar. Quantas medalhas é que ganhou os Estados Unidos? Uma medalha de prata! Estranho, certo?

Três dos Syrah premiados são de Setúbal e um é alentejano como já foi dito. Estranho, certo?
E os outros Syrah, não concorreram? Se é esta a explicação fizeram mal e aí, estimados leitores, não há nada a fazer! É a mentalidade portuguesa no seu melhor! Se concorreram e não ganharam então há muita coisa que não corre bem na organização do concurso!

O Blogue do Syrah irá contactar o júri do concurso internacional Syrah du Monde para colocar algumas questões que consideramos pertinentes e que merecem ser respondidas!
O desenvolvimento deste tema segue dentro de momentos!

É convicção do Blogue do Syrah que se concorressem mais Syrah portugueses (caso tenha sido essa a questão) maior seria o número de medalhas. Temos matéria prima para arrebatar pelo menos uma dúzia de medalhas. Ficamos atentos!

Pisar as Uvas

Pisar as uvas com os pés para obter o mosto é  uma tradição milenar que remonta aos tempos antigos. Posteriormente, inicia-se o processo de fermentação para a obtenção do vinho. Actualmente, a maioria dos produtores trocou este método tradicional por prensas automáticas.

A pisa a pé faz diferença?

Os especialistas dizem que sim! A pisa a pé permite uma maior extracção de cor e aromas dado que o acto de espremer as uvas é mais intenso e demorado, aumentando o contacto das cascas com o mosto. São as cascas que vão trazer aromas, estrutura e cor ao vinho. Na pisa a pé, o esmagamento dura várias horas, em contraste com os minutos que demora numa prensa automática. Nesta, elementos indesejados como as sementes são quebrados dando uma amargura e um aroma herbáceo ao vinho. Reconhece-se que vinhos produzidos com recurso à pisa a pé mostram intensidade aromática e mais carácter.

O enoturismo tem trazido um novo interesse por esta tradição, que mantém viva a prática!

Humus, Quinta do Paço, 10% Tinta Barroca, 90% Syrah, Lisboa, 2011

Não é a primeira vez que falamos deste Humus, Herdade do Paço, produtor Rodrigo Filipe. Este é o único Syrah feito com uma percentagem de 10% de Tinta Barroca e 90% de Syrah. Degustamo-lo de novo há pouco tempo e estamos aqui para rever a classificação que demos na altura. Hoje está melhor, mais completo, mais aromático e mais complexo! Vale bem a pena voltar a falar deste Syrah. Foram feitas 2000 garrafas. Metade fica no mercado interno e a outra metade vai para exportação. Este Syrah tem um estágio de 12 meses em barricas de carvalho. O Humus Reserva é um tinto de nome pouco vulgar que exterioriza uma personalidade forte, exposta num estilo francamente original que entrelaça dois mundos que se encontram profundamente divididos entre nariz e boca. O estilo é “discretamente atordoante, entrecruzando um nariz floral e perfumado altamente apelativo, com uma boca muito mais masculina e dura, férrea nos taninos e tensa no final de boca”. Um tinto de qualidade que merece ser conhecido em toda a sua extensão.

A Quinta do Paço é uma propriedade familiar, com um total de vinte hectares, dez dos quais dedicados à vinha. Situada na região demarcada de Óbidos, entre o Oceano Atlântico e a Serra dos Candeeiros, a Quinta do Paço desfruta de condições de solo e clima especiais que dão aos seus vinhos carácter e personalidade.
Trata-se de uma pequena propriedade. Por isso as vinhas não se estendem a perder de vista. São pequenas, delicadas e recebem toda a atenção devida. Cada garrafa resulta do esforço conjunto de pessoas que, de uma forma ou de outra, se encontram ligadas a estas terras. São os laços afectivos e familiares que as unem no desejo de produzir um Syrah cada vez melhor!

Os vinhos da Quinta do Paço são de agricultura biológica. Sem adubos, sem químicos, o que obriga a trabalho redobrado na lide diária, com enormes compensações a todos os níveis. Por isso há a vontade sempre presente de produzir vinhos autênticos, da forma o mais natural possível, respeitando sempre a Natureza e o Meio Ambiente.
A principal preocupação do produtor é a vinha e a qualidade das suas uvas. Para tal escolheram-se as castas que melhor se adaptam às condições de solo e clima, apostando-se em rendimentos inferiores aos normalmente praticados. Deu-se especial atenção ao solo, pois acredita-se que só um solo vivo é capaz de potenciar ao máximo a expressão do ‘terroir’. Na adega a intervenção é reduzida ao mínimo, de forma a preservar e respeitar a identidade de cada vinho. A Quinta do Paço está inserida na Rota do Vinho do Oeste e recebe, sob marcação, quem quiser conhecer as vinhas, a adega ou provar o Syrah.

Num artigo intitulado “A diferença como uma virtude”, o jornalista Rui Falcão referia o Humus Reserva como um dos exemplos de “vinhos diferentes, de castas raras, regiões esquecidas ou produtores menos mediáticos”. Nós estamos de acordo. É um Syrah com grandes capacidades de evolução e a prova disso é o facto de voltarmos a ele ao fim deste tempo!

Vale a pena voltar ao seu convívio!

 

Classificação: 17/20                                              Preço: 15,50€