Category Archives: Alentejo

A região dos grandes Syrah portugueses…

Casa de Sarmento, Herdade da Defesa de Barros, 100% Syrah, Alentejo, 2011

Mais um novo Syrah, daqueles esquecidos, que o Blogue do Syrah consegue trazer para a luz do dia, sempre com a ajuda preciosa do leitor e amigo Carlos Campos, que nos avisou da existência deste Syrah. Alentejano de 2011, mas vendido na Mealhada.

Mas vamos contar toda a história, que começa em 1980, no coração da Região Demarcada da Bairrada, com a abertura de um restaurante especializado em leitão assado. Ao longo de 36 anos de dedicação, o restaurante chamado Meta dos Leitões deu origem a uma cadeia de restauração com vários espaços em diversos pontos do país. A aquisição de duas propriedades no Alentejo – Avis e Castelo de Vide – e uma na região da Bairrada – Mealhada – permite tornar a Casa de Sarmento auto suficiente na produção de vinhos e espumantes, de azeite e na produção agrícola e pecuária. Actualmente, mais de 80% do que se consome em cada um dos restaurantes passa pela produção própria, garantindo qualidade e segurança desde a origem até à mesa – dos leitões criados nas melhores terras alentejanas aos produtos hortícolas produzidos nas abundantes terras da região da Bairrada.

Para a produção de vinhos e espumantes a Casa de Sarmento apostou em duas frentes, tão distintas como complementares. Vinhas no coração da Região Demarcada da Bairrada e vinhas no Alentejo, na sub região de Portalegre. Na Bairrada, as vinhas com solos argilo-calcários e o clima influenciado pelo Atlântico são o local perfeito para que as castas Touriga Nacional, Baga, Jean, Merlot e Cabernet Souvignon proporcionem tintos com características especiais e diferenciadas. Para vinhos brancos frescos e espumantes de eleição aposta-se nas castas Bical, Maria Gomes e Chardonnay. No Alentejo, na sub-região Portalegre, em vinhas cuidadosamente tratadas, as castas Aragonês, Trincadeira Preta, Periquita, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, permitem criar vinhos com alma e carácter, encorpados e ao mesmo tempo suaves, que tão bem evidenciam as características de um bom vinho Alentejano.

O Syrah da Casa de Sarmento, que tem 14% de graduação alcoólica, é um “vinho de cor rubi muito intenso, tem aromas de fruta preta, alfarroba e ainda especiarias tipo pimenta preta. No paladoar é rico e complexo, com os taninos bem presentes acompanhados de notas de baunilha e chocolate.” Se até 2005 os vinhos Casa de Sarmento eram escoados exclusivamente através da sua rede de estabelecimentos, a partir dessa data a produção ultrapassou as 600 mil garrafas por ano, numa evolução constante que tem levado a que grande parte da produção se destine aos mercados internacionais.

A Herdade da Defesa de Barros, localizada no concelho norte alentejano de Avis, pertenceu à histórica Ordem de Avis, organização de natureza religiosa e militar inicialmente dependente da Ordem espanhola de Calatrava e que em 1211 se autonomizou quando D. Afonso II doou aos freires o lugar de Avis para que aí erguessem um castelo e o povoassem. O seu primeiro mestre foi Fernão de Anes (1196-1219), a quem se deve a edificação da vila e do castelo e o último, Fernão Rodrigues de Sequeira, que morreu em 1433 e repousa no interior da igreja conventual. A grande personalidade da Ordem seria D. João, Mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro I, elevado ao trono de Portugal por vontade do seu povo após o interregno de 1383-1385. O nome da Ordem ficou para sempre ligado à Dinastia de Avis, a mais notável das dinastias portuguesas, a quem se deve toda a estratégia que levou Portugal a optar por uma vocação de expansão atlântica que culminaria nos Grandes Descobrimentos. Os membros da Ordem usavam um manto branco com cordões até aos pés e uma cruz verde rematada com flores de lis, insígnia da Ordem.

Nada melhor que lembrar o provérbio português:
“Casa em que caibas, Syrah quanto bebas, terra quanta vejas.”
É isso mesmo: No Alentejo, na Bairrada ou em toda a parte o que é preciso é um bom Syrah!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 10,15€


 

Pedra Basta, Sonho Lusitano Vinhos Lda, 95% Syrah e 5% Viognier, Alentejo, 2014

Há vinhos bem difíceis de conseguir encontrar.
Já andávamos atrás deste Syrah faz mais de um ano.
Inclusivamente já tínhamos falado com o produtor e enólogo, Rui Reguinga, a esse propósito, mas só agora é que foi possível “deitar-lhe a mão”.
Foi difícil mas valeu a espera!

Inicialmente estávamos imbuídos de um escondido preconceito em relação a este Syrah, é preciso dizê-lo! Pensávamos, e sem motivo para isso (não é dessa massa que nascem os preconceitos?) que poderia ser inferior ao outro Syrah do Rui Reguinga, Tributo, que apresentámos aqui.  A verdade é que não é. Mas só agora é que naturalmente estamos em condições de o dizer na sua plenitude!

O Pedra Basta Syrah que hoje temos aqui, na sua primeira colheita, tem 95 % Syrah e 5% de Viogner, à boa maneira do Vale do Rhone! O Tributo, Syrah do Tejo, também não era um Syrah a 100% e isso não o impediu de ser um topo de gama. O estágio foi de 14 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova do enólogo falam de um vinho com sabor a “fruto preto, notas balsâmicas e de especiarias. Final equilibrado e persistente.” A graduação alcoólica é de 13,5%.

Sonho Lusitano é um projecto conjunto do especialista em vinhos Richard Mayson e do Enólogo Rui Reguinga. As vinhas estão localizadas na região do Alentejo, nas encostas da Serra de São Mamede, entre 500 e 560 metros acima do nível do mar ao pé de Portalegre.
O escritor inglês Richard Mayson especializou-se em vinhos portugueses há mais de vinte anos e é autor de cinco livros sobre o assunto. Já em 1989, identificou a sub-região de Portalegre do Alentejo como sendo potencialmente uma das principais regiões vitivinícolas de Portugal devido à sua altitude, solos e clima. Rui Reguinga, oriundo do Ribatejo, iniciou a sua carreira vinícola em 1991. Trabalhando na cooperativa local de Portalegre. Posteriormente, trabalhou com o conhecido vinicultor João Portugal Ramos antes de estabelecer o seu próprio negócio de consultoria em vinhos. Depois de dez anos em busca da propriedade certa, em 2005 Richard Mayson comprou a Quinta do Centro e formou a Sonho Lusitano com Rui Reguinga.

A propriedade situa-se na orla do Parque Natural de São Mamede. A sub-região de Portalegre (um DOC em si mesmo) é bastante diferente do resto do Alentejo com um terroir próprio. Os solos são de xisto e granito, predominando o granito na Quinta do Centro. A propriedade abrange um vale raso e os solos são pobres, cheio de rocha e geralmente bem drenado. A precipitação média anual, que é inferior a 400 mm em grande parte do Alentejo, é superior a 600 mm em Portalegre.
Ao contrário da maior parte do sul de Portugal, as explorações de terras da região de Portalegre são extremamente fragmentadas, especialmente na serra que tem mais em comum com o norte do que com o sul. A Quinta do Centro é bastante incomum na medida em que se estende a pouco mais de 20 hectares dos quais 12,5 ha são plantadas com vinhas.

Toda a vinha está actualmente em produção, com a vinha mais antiga plantada há aproximadamente 25 anos. O restante da propriedade é semi-selvagem e dado a oliveiras e sobreiros. Há também uma pequena barragem para irrigação. As principais castas (em ordem decrescente de importância) são Trincadeira, Aragonez Alicante Bouschet e Grand Noir com uma pequena quantidade de Cabernet Sauvignon. Em 2006, plantou-se 2,4 ha de Touriga Nacional, Syrah e uma pequena quantidade de Viognier. Uma nova adega foi construída sobre a propriedade e usado pela primeira vez em 2007. Há também cinco casas na propriedade, quatro dos quais serão eventualmente restaurados para o turismo de vinho. A partir de 2011 com a vinha está em plena produção a propriedade começou a produzir o equivalente a 40.000 litros por ano.

Alguém disse que:
“Se a vida com Syrah, mulheres e música se tornar demasiado pesada, pare de cantar!”
Podemos parar de cantar, mas não devemos parar de beber um Syrah de qualidade chamado Pedra Basta!

 

Classificação: 18/20                            Preço: 13,56€


 

Telhas, Terras D’ Alter Companhia de Vinhos Lda, 95% Syrah, 5% Viognier, Alentejo,2013

Eis o Telhas Syrah 2013, sobre o qual vamos falar, e apreciar!
A sua composição é de 95% Syrah e 5% Viognier.
A Vinha situa-se na Herdade das Antas.
O Telhas provém do sector mais elevado da vinha, o qual se caracteriza pelo austero solo granítico e o seu terroir  muito característico. Daí ser um Syrah que se destaca, por exemplo, em prova cega explicando o bom resultado que aí consegue. E esta colheita parece ter grande futuro em termos de evolução. As notas de prova dizem-nos que na “cor é vermelho intenso com centro púrpura.O aroma tem nariz perfumado com notas de violetas, pimenta moída, carne assada e alcatrão.O paladar mostra sabores exóticos de madeiras e especiarias orientais com uma envolvente de frutos vermelhos maduros. Final muito saboroso com notas de cedro e baunilha.”

Peter Bright é o Enólogo dos vinhos Terra de Alter. De origem Australiana, a viver em Portugal desde 1982, é dinâmico, empreendedor e o seu lema é “experimentar mas não misturar estilos”. As duas castas presentes neste Syrah co-fermentaram com leveduras autóctones em pequenos reservatórios abertos e com manta submersa. A fermentação foi concluída em barricas novas de carvalho americano acompanhada de battonage. Seguiu-se a fermentação maloláctica e estágio em barrica durante 24 meses.

A vinha Terras de Alter é estruturada segundo o conceito novo mundo e desenhada com o contributo da Universidade de Fresno na Califórnia. As vinhas são plantadas utilizando modernos sistemas de condução e irrigação, facilitando o seu tratamento e garantindo a sua qualidade.

A adega está localizada muito perto dos produtores de uva, o que permite um tempo mínimo entre a vindima e o inicio da laboração. A escolha de todo o equipamento foi feita segundo os princípios mais modernos, com o objectivo de se conseguir produzir de acordo com os conceitos do novo mundo já mencionados. A adega tem a possibilidade e versatilidade para poder laborar segundo processos de alta qualidade, com vindima manual, selecção de uvas à entrada, controlo altamente rigoroso de temperatura e outros aspectos que possibilitam a produção de excepção. Tanto pode trabalhar em cubas de quantidades consideráveis para os nossos vinhos mais correntes, como pode trabalhar em cubas de fermentação muito pequenas, que permitem o tratamento de lotes reduzidos mas de elevadíssima qualidade. É esta versatilidade que permite conseguir lotes de tempero que afinam ou complementam os vinhos de topo. Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., utiliza as uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora também se abasteça nas produções do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas.

O escritor Paul Bocuse escreveu: “estamos sempre lisonjeados por ser convidado a visitar belas adegas cheias, mas as garrafas mais prestigiosas começam a existir no momento que nós as esvaziamos com os amigos”. Como o Blogue do Syrah concorda totalmente com o que ficou dito, vamos a isso. Venha de lá um Syrah Telhas 2013 e vamos beber com os amigos, sempre!

 

Classificação: 17/20                                                                                            Preço: 14,50€


 

Solar dos Lobos, Silveira e Outro, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Estamos aqui para falar de uma nova colheita do Syrah Solar dos Lobos de 2014, esse Syrah que também pelo design da garrafa nos tem pelo beicinho.
É um Syrah que nunca nos desanima, habituados que estamos à sua qualidade. A colheita de 2014 não foge à regra!
E é um Syrah que tem a particularidade de ter sido feito sempre por mulheres. Foi a Susana Esteban, depois foi a Gabriela Canossa, e agora a enóloga de serviço é Mariana Pinto.

É um Syrah com 14,5% de graduação alcoólica e as notas de prova da enóloga dizem que tem “Cor rubi, intensidade aromática de frutos silvestres em harmonia com notas florais e especiarias. Na boca apresenta boa estrutura, bem equilibrado com taninos redondos. Elegante e com boa persistência.”

O vinho Solar dos Lobos é resultado de uma tripla selecção de cachos e apenas provêm dos 75 hectares de vinha. A primeira selecção inicia-se perto do pintor em que se faz uma monda de cachos, seleccionando apenas os cachos que irão permitir o máximo de qualidade.

A segunda selecção acontece na vindima, em que as pessoas que vindimam estão sensibilizadas a apenas apanhar os cachos que se apresentem com um estado sanitário perfeito.
A terceira selecção é feita na entrada da uva na adega, pois esta é descarregada das caixas de 20Kg para o tapete de escolha onde se encontram 2 a 4 pessoas a retirar todas as folhas, ramos, e cachos que não possuam qualidade, por estarem verdes ou em passa.
A Herdade Vale D’Anta (25ha) fundada pelos Avós Julieta Pereira Gancho e João Rafael Coelho Gancho, situa-se junto à harmoniosa e inspiradora Serra D’Ossa (Redondo), onde o seu microclima mais fresco é tão característico. Produz essencialmente castas tintas entre as quais a Syrah, obviamente a que nos interessa!

A vinha de Arraiolos (50ha), zona quente e reconhecida pelo seu potencial em fazer grandes vinhos, produz além das castas tintas, algumas castas brancas como o Arinto, Sauvignon Blanc, Antão Vaz e Chardonnay.

Eis pois a história de uma família alentejana, com os seus antepassados ligados às terras de Alvito (Beja), tem os seus segredos e tradições encerrados no seu Brasão de Armas dos Lobo da Silveira, com origem no 1º Barão e Marquês de Alvito no séc. XV, primeiro título de barão concedido em Portugal por D. Afonso V. Cinco lobos tem este Brasão de Armas, e cinco são hoje curiosamente os seus descendentes. Cinco jovens primos que se comprometeram a levar a mensagem das suas raízes aos quatro cantos do mundo, hoje guiada pelas mãos dos irmãos Filipa e Miguel Lobo da Silveira.

E mais uma vez a referência à garrafa, de design muito original, como aliás são todas as que a casa produz, com um cartoon exibindo o dilema da escolha entre duas paixões… a mulher ou o Syrah… Mas porquê escolher? Porque não ficar com os dois!

O filósofo Séneca escrevia:
O Syrah lava as nossas inquietações, enxuga a alma até o fundo, e, entre outras coisas, garante a cura da tristeza.”
Este país dá-nos muitos motivos de tristeza.
Provavelmente é por isso que tem Syrah tão bom.
Vai então mais uma taça de Syrah do Solar dos Lobos!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 11,00€


 

Aldeias de Juromenha, Herdade das Aldeias, 100% Syrah, Alentejo, 2013

Muito provavelmente o Syrah sobre o qual mais temos escrito deverá ter sido este, o Syrah das Aldeias de Juromenha. Então pergunta-se: porquê tão cedo voltar a dar destaque a este Syrah, o único dessa terra cativante que é Elvas?
Simplesmente porque é o melhor de todos eles!
E acreditem, os outros eram muito bons!

Como já se sabe é um Syrah feito por mestre António Saramago. Aliás é o único Syrah que Saramago faz presentemente!
É um Syrah de “cor retinto, aroma frutos vermelhos e compota, bons taninos, volumoso, equilibrado com boa acidez que lhe permite ter longevidade.”

O Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha é, já o dissemos, “for our pleasure”, todo comercializado em Portugal. O facto de ser reserva significa neste caso que tem dez meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, e tem uma graduação alcoólica de 15,5%. Mais uma novidade. É o mais graduado de todos eles! O anterior de 2012 tinha 14,5%.

Cabe aqui contar uma pequena história não a propósito deste Syrah, mas a propósito de Mestre Saramago. Nós aqui no Blogue do Syrah somos, admitimos, um bocado teimosos, é Syrah e mais nada, mas, tendo em conta que António Saramago já fez vários Syrah e de qualidade e ainda por cima tem uma empresa de vinhos que comercializa os seus próprios vinhos que é a António Saramago Vinhos, desde há dois anos que sempre que nos encontrávamos lá insistíamos com o António para se atirar à possibilidade de fazer um Syrah com a marca António Saramago Vinhos! Nos primeiros tempos vacilava na resposta dizendo que para fazer um Syrah com o seu nome, tinha que ser um Syrah muito bom, e isso ainda nos deixava mais empolgados, mas concluía que nunca seria capaz de fazer esse Syrah com a mesma mestria com que faz na sua empresa o Castelão ou o Moscatel! E depois falava da excelência dos Syrah Hermitage do Vale do Rhône e que seria incapaz de fazer coisa semelhante, que o segredo é esse terroir único. No ano passado já respondia taxativamente que nunca faria um Syrah! É claro que a partir de certa altura lá nos convencemos que não fazia sentido insistir, dado que a última vez que o encontrámos assim que nos viu aparecer disse logo de mãos ao alto: não me venham falar de Syrah! Bem, será compreensível que um enólogo de Azeitão se sinta mais ligado à sua terra explorando tão bem, como só ele sabe, as castas nativas da Península de Setúbal como o Castelão e o Moscatel.
Pois bem, Mestre Saramago, o Syrah de excelência feito por si que procurávamos está aqui: é este Syrah 2013 das Aldeias de Juromenha!

A Herdade das Aldeias é uma empresa agrícola situada a cerca de 15km da Cidade de Elvas e junto da Vila de Juromenha com vista para o Rio Guadiana de belíssima paisagem. Está inserida numa zona histórica com grande tradição na arte de fazer vinho. Este projecto em particular está em desenvolvimento desde 1986. A adega está rodeada por 70 hectares de vinha própria. Este sistema promove um aumento na eficiência na vindima, uma vez que reduz o tempo desde a colheita até ao processamento das uvas. O clima é caracterizado por uma Primavera e Verão excessivamente quentes e secos. A exposição solar regista também valores bastante altos, em particular nas semanas anteriores à vindima, condições que contribuem para uma perfeita maturação das uvas. De facto as condições são extremamente favoráveis à síntese e acumulação de açucares e concentração de aromas e cor na película da uva. A bacia hidrográfica é dominada pelo Rio Guadiana e o tipo de solo é predominantemente xistoso.

Um autor desconhecido deixou escrito que “A cerveja, para os higienistas, não vale a água; para os gastrónomos não vale o Vinho!”
Esse problema para nós não se coloca quando temos à disposição o Syrah da Herdade das Aldeias de Juromenha!

 

Classificação: 19/20                                                          Preço: 4,99€


 

Dona Dorinda, Grande Reserva, Quinta Nossa Senhora da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2011

Provámos este Dona Dorinda 2011 em Outubro de 2015 no Encontro de Vinhos Alentejanos no CCB e logo ali declarámos: “Vale 20!”
Só que na altura não havia decisão sobre a garrafa final e os rótulos não estavam ainda feitos.
Após este ano e meio de longa espera, já com tudo no devido lugar, com design renovado e do nosso ponto de vista muito bem conseguido, o Blogue do Syrah pode finalmente apresentar ao mundo o Dona Dorinda 2011!

Só se fizeram 1238 garrafas, numeradas à mão, cabendo à nossa o número 573. A graduação alcoólica tem uns impressionantes 16,5%, mas tão bem integrados nos outros elementos vínicos que só se acredita neste valor lendo o contra rótulo da garrafa.

Já apresentamos aqui o Dona Dorinda 2012, neste momento esgotado, e aqui o Dona Dorinda 2013, este sim ainda no mercado. Ambos topos de gama mas agora com o Dona Dorinda 2011 (pensem nos anos de estágio que este vinho já teve antes de sair para o mercado…), os adjectivos calam-se por insuficientes e só podemos mesmo dizer:
“É preciso bebê-lo!”
Era o Napoleão Bonaparte que dizia: “O vinho inspira e contribui grandemente para a alegria de viver.” Aqui está o melhor exemplo!

As notas de prova dos anteriores diziam-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.” Agora ao falar do Dona Dorinda 2011 temos que utilizar constantemente o superlativo.

E agora impõe-se relembrar a geografia e a história desta quinta para todos aqueles que não a conhecem e são muitos. Deixando Évora para trás e guiados pelo aqueduto rumo a Arraiolos, tendo o convento da Cartuxa como um bom presságio, viramos à direita para encontrar uma quinta com nome de Santa, A Quinta de Nossa Sra. da Conceição. Junto ao edifício principal de traça setecentista (remodelado em 2006 pelos actuais donos), encontra-se a antiga capelinha que nos recebe e que é hoje uma acolhedora loja e local de provas de vinho. Pelos restantes 23 hectares da quinta convivem uma vinha, montado, estufa, horta e criação animal. Elementos que fazem o diálogo entre a história, o engenho humano e a natureza, tudo de produção biológica organicamente certificada, segundo as regras norte-americanas e europeias. Num dos pontos mais altos do terreno foi implantada a pequena vinha circular de 3,5 hectares, ponto de partida deste projecto alentejano.
Inspirados pela forte presença romana na região, quis celebrar-se os antigos métodos de produção: através de manejo orgânico do solo, o tratamento das videiras, o aproveitamento de água e a pecuária de carácter regional abraçou-se uma abordagem heurística do projecto biológico. Tentou-se enriquecer de formas naturais os solos e que isso se reflicta no crescimento das videiras, do montado, das horto-frutícolas e dos animais criados.
O calendário solar, a lua e os planetas têm ditado o plantio e a colheita por milénios, onde preferiu-se lembrar e usar métodos e calendários históricos em vez de produtos químicos. A pequena escala da quinta permite controlar milimetricamente todos os produtos, e ao valorizar o empenho das pessoas que estão connosco, sabe-se que em cada cacho colhido vem o calor de alguém que faz do nosso vinho um produto especial.

Apesar de grande variedade de castas nacionais, a escolha recaiu predominantemente sobre a casta tinta Syrah, sendo a vinha composta por 85% de Syrah e 15% de Viognier.
A Syrah é a 10ª casta mais plantada em Portugal e o sucesso no Alentejo deve-se à sua resistência aos calores do Verão e rigores do Inverno a que esta casta responde positivamente. Os solos quentes da região fazem com que o produto resultante seja de um vermelho forte, de maturação tardia e potencial aromático complexo, de aroma intenso a frutos silvestres, com notas de especiarias e folha de tabaco, muito ricos em taninos. A riqueza tanínica, a pujança e a amplitude dos vinhos tornam-nos vinhos de guarda.

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A história começa quando um casal constituído por um holandês, Winkelman, e uma norte-americana, Dorinda, nome de origem indígena, decidem há mais ou menos uma década e meia vir passar férias a Portugal. Conhecem, entre outros lugares, Évora, e ele, já com uma grande paixão pelos vinhos do Vale du Rhône, decidem comprar um terreno, que liga com a cidade, para plantar uma vinha. Conhecem um alentejano de quatro costados, Vítor Conceição de seu nome, “um bom moço” (que se tornou um enólogo que apesar de ter feito poucos vinhos, são todos de alto gabarito) como só os alentejanos costumam dizer, que mete mãos à obra e realiza o sonho do ecléctico par: dar vida a uma vinha com 85% de Syrah e 15% de Viognier, como manda a tradição francesa.

O grande pintor catalão Salvador Dali disse: “Quem sabe degustação, nunca mais bebe um vinho, mas experimenta seus segredos.” Por mais palavras que possamos escrever não seremos capazes de nos substituir aos prazeres sensoriais que este Syrah nos desperta!
Provavelmente o melhor Syrah

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 65,00€