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A região dos grandes Syrah portugueses…

Monte da Colónia Rosé, Monte da Colónia, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Esta é a segunda vez que apresentamos este rosé do alentejano Monte da Colónia. A primeira vez foi aqui e do ano de 2013!

O tinto é bem melhor que o rosé, mas essa é a nossa opinião em relação a todos os Syrah tintos por oposição aos Syrah rosés! De qualquer das maneiras falamos dele até porque já estamos na Primavera e o Verão vem a passos acelerados!

Esta herdade, com um total de 600 hectares, foi fundada em 1980 pelos pais dos actuais gestores da empresa, que com muita ambição e espírito de equipa decidiram arriscar e erguer uma ideia que  ainda hoje se mantém no mercado. Sediados em Vale de Seda/Fronteira, são essencialmente uma quinta multivalente de cariz familiar mas virada para a inovação em várias área de negócio, tendo como base a produção e transformação de produtos cultivados no próprio local, azeite, azeitonas de conserva e vinhos, bem como a criação de gado bovino e ovino.

A escolha do nome Monte da Colónia está ligado ao nome original da propriedade e sua vocação primeira, sendo usado nos produtos azeite, azeitonas e vinho, como instrumento de marketing do turismo rural e vice-versa. Em 2009 foi aberta uma loja, junto do lagar, da adega e a fábrica de azeitonas de forma a comercializar não só os produtos próprios como também os de outros produtores, procurando sempre produtos diferentes e de qualidade, produtos regionais, gourmet, Dop, biológicos, e ainda dando a possibilidade de quem visita a loja poder usufruir de um ambiente acolhedor, atendimento personalizado, respirar o ar puro do campo e o verde das vinhas.

O nosso Rosé de hoje, feito integralmente de Syrah, apresenta uma graduação de 13%, e dizem os produtores que se trata de um “Vinho fresco com óptima presença aromática, acidez bem integrada e final de boca muito agradável . Ideal para acompanhar entradas frescas, peixes grelhados e mariscos.” Nota-se o cheirinho da nossa casta favorita na sua devida extensão, dadas as características aligeiradas na confecção de um rosé, e dentro do que se considera uma bebida suave e fresca cumpre bem a sua função, embora não cheguemos ao ponto de o considerar um expoente maior na sua categoria. Não iremos desprezar novas safras, sobretudo se vierem um pouco mais apuradas de profundidade rosada.

O escritor francês François Rabelais escreveu:”O vinho alegra o coração do homem. Jamais um homem nobre odiou o vinho.”

Este é um Syrah para beber num belo dia de sol à beira-mar com uma boa companhia e poderá ser o suficiente para alegrarmos o coração!

 

 

Classificação: 15/20                            Preço: 5,95€

CEM REIS, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2016

O Cem Réis é indiscutivelmente o Syrah português mais famoso de todos os que existem!
Hoje podemos afirmar isso com toda a segurança!
Não há um vinho português que desperte tal desvario vinícola como este Cem Réis da Herdade da Maroteira!
Nem mesmo o célebre Barca Velha da Casa Ferreirinha desperta tal interesse e tal desatino como este Syrah! Sigam o nosso raciocínio. O último Barca Velha do ano de 2008 foi lançado no último trimestre do ano passado. Hoje passados oito meses, quem o quiser comprar consegue encontrá-lo em muitas garrafeiras de norte a sul do país. Certo?
O mesmo não podemos dizer do Cem Réis. Quando começámos esta aventura do Blogue do Syrah há quatro anos não nos passaria pela cabeça que uma situação semelhante pudesse alguma vez acontecer. Mas a verdade é que está a acontecer!

O lançamento oficial do Cem Réis 2016 foi no dia 8 de Junho passado. No dia do lançamento já estava esgotado no produtor! Mais, já estava esgotado no produtor desde Novembro do ano passado! Não nos lembramos de algum vinho onde isto tenha acontecido… pelo menos nestes anos mais recentes!

É verdade que por várias circunstâncias a produção que durante anos tinha vindo a aumentar agora desde há dois anos está a diminuir e de um modo constante. Do Cem Réis 2014 saíram vinte mil garrafas. Do 2015 já só saíram treze mil e com este Cem Réis 2016 saíram dez mil garrafas. O que quer dizer que em dois anos o número de garrafas baixou para metade quando a procura se em 2014 já estava alta, hoje ultrapassa o inimaginável!
O preço também tem paulatinamente subido o que era expectável! Não duvidamos que o Cem Réis de 2017 atinja pelo menos os trinta euros, senão mais.

Vai de seguida uma confissão: O texto do Cem Réis 2015 é o texto do Blogue do Syrah mais lido de todas as centenas de textos sobre Syrah que já escrevemos desde o início do Blogue em Setembro de 2014 e isto também não pode deixar de ter significado!

A Herdade da Maroteira está localizada no recanto da Serra D´Ossa, a 20km de Estremoz e a 35km de Évora. É uma das propriedades agrícolas pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesa estabelecidas na Região do Alentejo, há mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, ao turismo, através de três unidades de alojamento, e à vitivinicultura. A primeira colheita deste fantástico Syrah é de 2005 – a grande parte da produção é efectivamente para o mercado interno e somente qualquer coisa como cinco por cento é que vão para o mercado externo.

Produzido na região alentejana, na terra mítica do distrito de Évora, e vinificado a partir das melhores uvas de casta Syrah, este vinho estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês (50%) e em carvalho americano (50%). Tem uma graduação alcoólica declarada de 16%. Mas o Blogue do Syrah conseguiu apurar que a graduação real é de 15,9%. As notas de prova dizem-nos que tem “Cor violeta escuro concentrado. Nariz exuberante, notas quentes de frutos pretos com notas mentoladas, terminando com notas a amêndoas tostada da barrica. Na boca o ataque é cheio, redondo quente e carregado de aromas. Estrutura firme com boa persistência.” A estrutura assemelha-se ao 2015! Logo na boca o enófilo percebe que está a beber o Cem Réis! Mas no final tem aquele toque mágico que o Blogue do Syrah costuma referir-se quando fala de Syrah que por esse facto merecem a nota perfeita! Este 2016 exala um perfume em contínuo que deixa o enófilo enebriado! É como certos perfumes em certas mulheres. E esta é a melhor maneira que temos para descrever o que experimentámos e o que sentimos! Por aquilo que já é este Syrah e por aquilo que já mostra em termos de capacidade de evolução não podemos deixar de dar a este Syrah “uma pontuação perfeita“.(Robert Parker) O enólogo responsável é, uma vez mais e sempre António Maçanita. O Blogue do Syrah está convencido do seguinte: Maçanita deve ter faltado às aulas de enologia em que os professores ensinavam os alunos a fazer maus vinhos! O clima que dá origem a este Syrah é típico do mediterrâneo continental ou seja, dias quentes e secos, com noites muito frias. Os solos como já é habitual para a nossa casta são muito pobres de origem xistosa ou granítica.

Diz o escritor João Filipe Clemente que “Um vinho sem adjectivos é um vinho mudo e sem alma.” Carregado de alma e sonoridade é o que não falta ao Cem Réis tendo em conta o alarido justificável sobre o que se tem dito sobre ele.

Parabéns ao trio de luxo que está por detrás desta maravilha: António Maçanita, Philip Mollet e ao Anthony Doody, os marotos da Maroteira, como já lhes chamámos. Quer se queira quer não já fazem parte da história da casta Syrah em Portugal!

 

Classificação: 20/20                                                                     Preço: 25,00€

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Já ansiávamos pela terceira colheita deste Syrah topo de gama de Évora! E este é do ano já mítico de 2015! Em 2013 saiu a primeira colheita que demos conta aqui, com 2100 garrafas! Em 2014 saiu a segunda colheita com 4200 garrafas, que demos conta aqui! Nesta terceira colheita são 4900 garrafas e temos a promessa de que o número vai ainda aumentar em futuras colheitas! O que é que podemos mais desejar quando se fala num topo de gama? Também é verdade que a vinha de Syrah que era de 2,5 hectares passou para 3,5 hectares! O Syrah é desde já a casta número um da Vinha das Virtudes. E isso deixa o Blogue do Syrah muito satisfeito!

O nome Humanitas, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, e foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.
O enólogo é o egrégio Pedro Baptista, que está também ligado à Fundação Engenheiro Eugénio de Almeida e é responsável pelo Syrah Scala Coeli já por nós falado mais do que uma vez. A designer é Rita Rivotti, que trata da imagem dos vinhos que agora chegam ao mercado. O grau alcoólico é de 14% e apresenta-se com rótulos novos para mais facilmente se distinguir do outro vinho tinto da casa. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”

A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. O proprietário José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah tal como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora. Foi em 2011 que descobriu o refúgio ideal. Uma propriedade no Alentejo, a cerca de 10 kms de Évora, situada numa zona de paisagem protegida pela Rede Natura 2000, que o encantou de imediato. A casa do Monte da Ribeira era a única edificação a pontuar a propriedade. Começou por adquirir um tractor e algumas alfaias para apoio do assento agrícola e o seu espírito inquieto não sossegou enquanto não concretizou o desejo de plantar uma vinha. Não é fácil fazer uma vinha e produzir vinhos e ter um lugar no mercado, mas apesar de José Rodrigues ter sido avisado, não quis desistir e foi à luta. Plantou então, entre Abril e Maio de 2012, 2,5 hectares de vinha com castas que sempre apreciou: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e naturalmente a nossa Syrah. Depois, chamou o arquitecto Jorge Fragoso Pires para lhe desenhar uma adega funcional e contextualizada.

A adega está situada em território abrangido pela Rede Natura 2000, que visa proteger as espécies e os habitats mais ameaçados da Europa. Foi concebida segundo exigentes critérios de racionalidade técnica e funcional e está preparada para resistir às inevitáveis evoluções do processo produtivo. A uva é seleccionada manualmente no amplo alpendre exterior, para ser admitida na nave industrial, e a transferência das massas é feita por gravidade, de um modo natural.

A cave de envelhecimento é semi-enterrada, para assegurar a correcta evolução dos vinhos em ambiente termo-higrométrico adequado. O “layout” complementa-se com o laboratório, outras instalações técnicas e uma cuidada zona social onde se realizam as provas de vinho, e outras reuniões, com ampla vista sobre a quinta. De tal cuidado e rigor só poderia sair algo de qualidade superior, como fica comprovado!

O escritor Ernest Hemingway no livro Morte ao Entardecer escreveu:
“O conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter de um Syrah prazeres infinitos.”
O Humanitas Syrah 2015 seria um infinito companheiro de mestre Ernesto, e de todos nós, pois para além de conhecimento literário, educação sensorial não lhe faltava

 

Classificação: 19/20                                                                      Preço: 17,30€

Castelo de Arraiolos, Herdade das Mouras de Arraiolos, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Mais uma colheita deste Syrah da Herdade das Mouras, de Arraiolos, do Alto Alentejo!
A última tinha sido apresentada em Agosto de 2016, aqui!
O consumo pode ser imediato ou durante os próximos 6 anos. A graduação alcoólica é de 13,5%. Seleccionámos as notas de prova que falam de “um Syrah de cor vermelho rubi. O paladar é encorpado e com final de boca elegante”. O enólogo de serviço é o sobejamente conhecido Jaime Quendera!

Estamos perante um Syrah novo, não muito complexo, fresco, para um tinto, e com uma relação qualidade/preço muito generosa. Gostámos muito como, aliás, já é costume com os Syrah de Quendera!

O projecto Adega das Mouras começou no ano de 2000, com a compra das terras por parte de um empresário de Lisboa, Henrique Neves dos Santos. A herdade tem na totalidade mais de 300 ha, estando uma grande parte ocupada com vinha. A herdade tem um verdadeiro mar de vinhas com mais de 226ha, sendo uma das três maiores vinhas contínuas da Europa, que ficou completa entre 2004/2005. As cepas mais velhas são de 2002, ano em que se começou a plantar a vinha que hoje lá existe. Entre 2000 e 2002 arrancou-se vinha para produção de uva de mesa que já lá existia e estudou-se o terroir específico da Adega das Mouras, de forma a preparar-se o solo para plantação de vinho e decidir-se as castas indicadas.

A Adega das Mouras de Arraiolos é um projecto empresarial privado. Localizada no município de Arraiolos, histórica Vila do Alentejo, conhecida pela sua tradição secular de fabrico de tapetes bordados à mão, com o mesmo nome da terra, a Herdade das Mouras de Arraiolos é um testemunho vivo de uma nova geração de produtores que enriquece as mais genuínas tradições. Apesar de ser uma empresa ainda pouco conhecida no mercado, inclui as referências Castelo de Arraiolos, Conde de Arraiolos, Mouras de Arraiolos, Moira’s, Monte das Parreiras, Maria da Penha, Talha Real, Vinha da Mouras, Adegas das Mouras, entre outras. A aposta vai para a venda em quantidade nas grandes superfícies, não sendo por isso de surpreender que a adega tenha sido projectada, precisamente antes da vindima deste ano, para ter uma capacidade de produção de perto de 3 milhões de litros e de armazenamento cerca de 5 milhões.

A Alma do Vinho, poema de Charles Beaudelaire, diz assim a certo passo:
“Alma do vinho assim cantava na garrafa:
Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que se abafas,
Um cântico em que só há fraternidade e luz!”
Estamos nessa e este Syrah está mais uma vez aprovado!

 

Classificação: 16/20                                                            Preço: 2,49€

HT, Tiago Cabaço Wines, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Estamos perante a quinta colheita do HT de Tiago Cabaço, do ano de 2017, Estremoz.
A primeira safra, de 2013, foi o Syrah com que começámos esta aventura de contar a história (passado, presente e futuro), dos Syrah portugueses. Por isso temos um especial carinho por este Syrah!

Mas vamos debruçar-nos sobre o HT. Em primeiro lugar, o nome: diz-nos o próprio produtor que se trata de uma homenagem à Herdade do Trocaleite, onde passou a infância, e onde estão plantadas 6 parcelas de Syrah cujo cultivo o resultado está à vista.
Neste caso um Syrah novíssimo de 2016, com 13,5% de graduação alcoólica, de “cor rubi compacta, com taninos finos mas poderosos e com um final de boca longo e elegante.” Não poderíamos estar mais de acordo. Acrescentemos, unicamente, que tem grandes possibilidades de evoluir muito positivamente em garrafa.

De referir, e destacar, como sempre o preço, que se situa abaixo dos quatro euros, quando comprado em mercados de grande superfície ou mesmo não tão grande! É obra, tendo em conta os seus congéneres de mercado e devido à qualidade demonstrada.
Quem disse que não é possível comprar um Syrah simultaneamente poderoso e de baixo custo?

O escritor Luis Fernando Veríssimo escreveu:
“Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. Isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como “doce”, “amargo”, “ácido”, etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados à imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura.”

Então se tudo é literatura fiquemos por aqui e vamos continuar a beber o nosso HT, 100% Syrah, do Tiago Cabaço de 2017.

 

Classificação: 16/20                                                    Preço: 3,89€

Vidigueira Reserva, Adega Cooperativa da Vidigueira, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Acaba de sair a colheita de 2015 do Syrah Vidigueira Reserva da Adega Cooperativa da Vidigueira do Alentejo!
Foi com alegria que recebemos a notícia desta nova colheita que não estava inicialmente prevista e é de qualidade aliás como a de 2014 da qual falamos aqui.
100% Syrah, 12 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês, cor ruby, quase opaco, cheio de brilho, é um néctar aromático, com fruta preta muito madura, notas de madeira e especiarias, com um toque balsâmico. Um tinto muito encorpado, concentrado, cheio de fruta, intenso e amplo… puro deleite!

A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo. A história da Adega vai muito além dos seus 50 anos de existência, tendo antigas raízes que se entrelaçam com a história da própria vila, «a villa da Vidigueira, cuja etymologia querem derivar de Videira, em razão de abundarem nos seus férteis terrenos as vinhas, está situada n’uma collina distante a vinte e dois kilometros de Beja e vinte e cinco da cidade de Évora.» (Augusto Carlos Teixeira Aragão, 1871). Em 1519, a Vidigueira foi cedida a Vasco da Gama pelo duque D. Jaime, Duque de Bragança, com escritura ratificada por carta régia de D. Manuel I, começando assim a profunda relação da vila com os Gamas. A vinha e o vinho sulcam o perfil económico e cultural da Vidigueira. Envolvidas num rendilhado de cepas, Vidigueira, Cuba e Alvito integram a paisagem a que Fialho de Almeida chamou «O País das Uvas».

São várias as castas que contribuem para a especificidade dos vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora Syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

O poeta inglês Stephen Williams escreveu:
“Não sou velho, sou maduro como um bom Syrah.”
A colheita de 2015 do Syrah Vidigueira Reserva da Adega Cooperativa da Vidigueira é um Syrah maduro com muitos anos de evolução pela frente!

 

Classificação: 17/20                                                            Preço: 15,99€