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A região dos grandes Syrah portugueses…

Dium, Quinta da Confeiteira, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Pergunta teórica: Que espaço de terreno mínimo é necessário para poder produzir um Syrah de altíssima qualidade?
Resposta alicerçada no conhecimento: Basta 1 hectare de terreno!

O Syrah Dium (Céu) da Quinta da Confeiteira de Évora é um Syrah que acaba de ser lançado no mercado, apesar de o termos provado há dois anos na Feira de Vinhos de Pequenos Produtores do Campo Pequeno. Dois anos na evolução de um Syrah é muito tempo, já na altura mostrava as potencialidades que possuía e que deram origem ao Syrah topo de gama que chega esta semana ao mercado!

As notas de prova dizem-nos que se “apresenta de cor intensa, com perfil bastante aveludado e elegante, sobressaem os aromas típicos da casta, tais como a fruta preta madura, as especiarias e o chocolate negro. Final suave mas com elevado volume de boca.” Em termos de vinificação a fermentação foi realizada com temperatura controlada, seguindo-se uma longa maceração pósfermentativa. O estágio foi de 12 meses em barricas de carvalho francês, seguido de estágio de 18 meses em garrafa. Evolução positiva durante 7 a 10 anos, se conservado em local fresco, escuro e a garrafa deitada.O Blogue do Syrah acredita que o período pode ser alargado seguramente a mais duma dúzia de anos!
A produção de Diuam 2014 é de 1900 garrafas. A Quinta da Confeiteira produz cerca de 15.000 garrafas por ano e não está presente em grandes superfícies. Algumas garrafeiras deverão vir a tê-lo quando descobrirem as suas potencialidades.

Situada à entrada de Évora, Alentejo, na zona antiga da Pera Manca, encontra-se a pequena quinta de 5 hectares, a Quinta da Confeiteira. Apesar do nome, a quinta tem uma longa tradição de produção de vinho, na qual ainda hoje existem talhas antigas, onde se fazia o vinho de acordo com os métodos deixados na zona pelos Romanos. Ainda hoje se faz vinho nestas mesmas talhas antigas. Para ressuscitar o vinho na Quinta da Confeiteira, reestruturou-se as vinhas em 2009 com 5 castas tintas DOC. Passados 4 anos, em 2013 voltou-se a ter uvas na Quinta da Confeiteira, com o primeiro vinho da colheita de 2013 pronto a sair no início de 2016. Assim, desde 2013 que se trabalha na Quinta da Confeiteira, sob a máxima de que “apenas de boas uvas se faz bom vinho”, com o objectivo de produzir vinhos de alta qualidade e fora do normal.

A Quinta da Confeiteira exporta para o mercado asiático, e mercado Europeu, mas face à escala a Quinta tem como mercado preferencial o mercado nacional, onde se pretende valorizar os vinhos e afirmar-se no mercado de nicho. Quanto à estrutura da Quinta da Confeiteira, o proprietário da vinha é o mesmo desde 2009, altura em que a propriedade foi comprada e restaurada a vinha de onde em 2013 saíram os primeiros vinhos engarrafados com a marca. Houve nestes últimos anos uma pequena alteração na empresa. A sociedade era detida por três sócios e agora é apenas do fundador. Trata-se de Paulino Sendim Gutierrez, que se instalou em Portalegre em 1997 quando da expansão da empresa de obras públicas da sua família para o nosso país.

O gosto por vinhos já vinha de família e desde o início da sua chegada ao Alentejo que procurou uma oportunidade nessa área a mesma chegou em 2009 quando conseguiu comprar a Quinta da Confeiteira, uma pequena propriedade de 5ha em São José de Pera Manca em Évora. A parte comercial neste momento é assegurada por Hugo Campos e a parte de produção e enologia assegurada por Joaquim Roque.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
‘Deixe o Filósofo e o Doutor pregarem
O que quiserem e o que não quiserem – cada um
É mais um Elo na Corrente eterna
Que ninguém pode evitar, nem quebrar, nem vencer.
Não digas que, sepulto, já não sente
O corpo, ou que a alma vive eternamente.
Que sabes tu do que não sabes? Bebe!
Só tens de certo o nada do presente.’
Pois bem! Bebamos o Dium no caminho para o Céu “o nada do presente”. O Syrah Dium da Quinta da Confeiteira é o primeiro topo de gama de 2018 a merecer a nota perfeita porque se trata de um Syrah diferente porque original, tenso e contido na multiplicidade dos aromas, mas só aparente, porque o volume de boca que leva sem dúvida à nota máxima! Seguramente que a partir de agora é um Syrah a ter em conta na presença das futuras provas cegas a desenvolver pelo Blogue do Syrah!
Valeu a pena esta espera!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 19,00€

Vicentino Syrah, Vinhas da Costa Atlântica, 100% Syrah, Alentejo, 2016

Hoje em dia, e nos tempos que correm, é muito difícil ser original!
E então na arte, nem se fala. Quer seja numa composição musical, numa pintura, na elaboração de uma poesia, num trabalho de escultura, na literatura em geral e, claro, na produção de um Syrah. Ser original é hoje em dia extraordinariamente difícil!

Mas vai sair brevemente para o mercado um Syrah diferente e original. Um Syrah de um terroir nunca antes usado. Um Syrah que foi produzido na Costa Vicentina!
O Alentejo é a região do país onde se faz mais Syrah. Mas nunca ninguém tinha tido ousadia de produzir um Syrah na costa alentejana. Até hoje!
A presença próxima do Atlântico interfere de um modo pujante na elaboração vinícola e a casta Syrah não é imune a esse facto. Assim sendo temos um monocasta Syrah diferente, que mexe com o palato habitual em relação a um Syrah produzido mais para o interior. A classificação final atribuída pelo Blogue do Syrah não pode deixar de ter este aspecto fundamental em conta!

O ano é 2016, o que torna deste Syrah muito jovem e com um longo trajecto de evolução pela frente. Fizeram-se 8500 garrafas. Tem uma graduação alcoólica de 13,5%.Fez um estágio de 11 meses em barricas usadas de carvalho francês. A idade da vinha é de 10 anos! O enólogo é Bernardo Cabral.

É de elementar justiça falarmos no nome de Bruno Llorente da Wine Concept que distribui entre muitos outros os vinhos Vicentino e que nos alertou para a saída eminente do Vicentino Syrah 2016! Pudemos prová-lo e colocar algumas questões pertinentes que o Bruno reenviou para o enólogo Bernardo Cabral que, apesar dos muitos afazeres, conseguiu arranjar um pouco de tempo e enviou um texto de sua lavra de que vamos reproduzir as partes mais significativas que falam mais alto do que nós conseguiríamos!

Sobre este Syrah e o respectivo terroir diz-nos Bernardo Cabral:O Syrah no terroir do vicentino mostra-se muito diferente dos restantes em Portugal. É muito estimulante sabermos que podemos mostrar aos apreciadores de vinho e aos actuais fãs dos vinhos Vicentino, uma outra faceta da casta, em que a fruta madura dá lugar a frutos mais frescos, o chocolate preto é substituído por grafite e o “Super poderoso” por um vinho muito elegante. É na boca que o vinho atinge o auge, combinando os taninos muito elegantes com boa acidez e, claro… Sempre o final salino. A vinha está situada entre a Zambujeira e Odeceixe, a sul do Cabo sardão, a 1.500 metros do mar (praia da Amália) onde as temperaturas no Verão são baixas e o nevoeiro cobre a vinha todas as manhas. A influencia da baixa temperatura da agua do mar nessa zona e do sal salpicado pelas ondas constantes nessa zona costeira dramática são fundamentais para o estilo de vinhos Vicentino.”

Sobre a história deste projecto, Bernado Cabral esclarece o seguinte: “Vicentino – O projecto O Vicentino começou a ser idealizado há muitos anos pelo Ole Martin, norueguês que investiu à mais de trinta anos na Zambujeira em produção de plantas ornamentais e alguns vegetais (couve chinesa, baby carrots…) O seu gosto pelos vinhos da borgonha vem de há muitos anos e apesar de gostar dos vinhos alentejanos sempre achou que lhes faltava mais frescura. Em 2007 resolveu plantar uma vinha nas suas terras, que estão na pequena faixa de 50 km da região do Alentejo que enfrenta o oceano atlântico, acreditando que poderia ser pioneiro. Em 2014 conhecemo-nos e nesse momento reuniram-se as condições para começar a fazer os vinhos que há tanto o Ole Martin procurava.”

Para acabar a sua missiva, Bernardo Cabral ainda nos presenteou com mais um pequeno texto sobre ele próprio: “A minha historia: Aos 12 anos decidi ser enólogo e eis que sou. Sou persistente ou talvez casmurro… Fazer vinhos todos iguais não é a minha praia. A minha enologia é não impor nenhum estilo a que me possam associar, mas sim deixar as uvas e o terroir se exprimirem ao máximo.” Com este Syrah Vicentino passam a ser três os Syrah pessoais de Bernardo Cabral.

É conhecida a história contada por Ambrose Bierce escritor e jornalista: “Um velho especialista em vinhos, ao ser atropelado por um comboio, teve os lábios humedecidos com vinho para que recobrasse os sentidos. ‘Bordeaux, 1882’ murmurou ele antes de morrer”.
Hoje perante este Syrah Vicentino de 2016, não será difícil fazer boa figura ao tentar nomeá-lo, por exemplo em prova cega. E para isso não será preciso morrer!

 

Classificação: 17/20                                                  Preço: 12,00€

Vidigueira Syrah, Adega Cooperativa da Vidigueira Cuba e Alvito, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Foi em Janeiro do ano passado que fizemos uma primeira apreciação deste Syrah do Baixo Alentejo e na altura ficamos muito contentes por surgirem novos Syrah nesta parte do Alentejo. A verdade é que o Syrah da Adega Cooperativa da Vidigueira evoluiu e evoluiu muito bem! É por tal motivo que estamos de novo a falar dele: a avaliação sofreu alteração!

Como foi dito na altura este é um Syrah para uso diário!
De melhor qualidade hoje que ontem e um Syrah a ter presente com regularidade porque a relação qualidade/preço alterou-se para melhor na visão do consumidor! As notas de prova dizem que tem “Cor violácea de grande concentração.Aroma a frutos do bosque com notas de menta, na boca apresenta uma grande complexidade com nuances de chocolate preto e baunilha, final longo, fresco e muito persistente.” Tem 14% de graduação alcoólica e o enólogo de serviço é Luís Leão.

A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo.
São várias as castas que contribuem para a especificidade dos vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

O escritor Georges Courteline disse, de uma maneira simples e eloquente :
“Mais vale beber demasiado Syrah bom, que pouco e ruim. »
Este Syrah da Vidigueira, ano 2015 faz parte desse lote a partir de agora!

 

Classificação: 17/20                                                         Preço: 8,95€

Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

Dois anos e quatro meses após a primeira recensão sobre este fantástico Syrah aqui, voltamos hoje ao seu convívio para darmos conta da sua evolução neste espaço de tempo. E que evolução! Está muito melhor, como pudemos comprovar pela degustação de uma nova garrafa em duas refeições e em dois dias distintos!

Produzido exclusivamente a partir da casta Syrah, como tinha de ser, as uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano, maturou assim até ao engarrafamento, em Julho de 2012. A graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova que escolhemos falam de “aromas de frutos de bago escuro, groselha, mirtilos e cássis. Elegante no palato, revela fruta distinta e saborosa com madeira de qualidade bem integrada. Equilíbrio notável, boa estrutura de taninos, longo e persistente.” Nós acrescentaríamos a plenitude cultural, união de literatura em forma de subtil néctar com eflúvios de planície alongada sobre o horizonte setentrional. A colheita, produção e engarrafamento é feita na propriedade de Cortes de Cima. A tiragem foi de 12300 garrafas. O Homenagem a Hans Christian Andersen teve até ao momento 7 safras. A de 2003, 2004, 2007, 2008, 2009, 2012 e a presente em análise de 2011. Estas constância de safras são a melhor prova do êxito deste Syrah que foi elaborado para ter uma vida curta, de um só ano comemorativo, mas que está aí para durar, sendo assim uma interminável e merecida homenagem, para nossa grande exultação!

“Dai-me Syrah para apagar as marcas que o tempo faz!” dizia o grande ensaísta, orador e poeta americano Ralph Waldo Emerson, fonte quase inesgotável de sabedoria, ou melhor ainda se o dizer for no idioma original: “Give me Syrah to wash me clean of the weather-stains of cares”.
Mas se o Syrah for esta benfazeja Homenagem a Hans Christian Andersen, as marcas do tempo e da vida irão sendo apagadas muito mais alongadamente!

 

Classificação: 19/20                                                 Preço: 28,50€

Herdade dos Lagos, Soc. Agrícola Herdade dos Lagos, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2005

Apesar de já termos falado deste Syrah a propósito da colheita de 2006 aqui e da colheita de 2012 aqui, hoje vimos falar da colheita de 2005, que não conhecíamos, e pensávamos que estaria de todo esgotada. Mas Tiago Paulo, da garrafeira Estado de Alma, faz de vez em quando milagres e lá conseguiu “ressuscitar” umas quantas caixas que foi desencantar sabe-se lá aonde e que tem disponível para quem quiser beber este néctar com treze anos de idade, que está belíssimo ou não tivesse sido feito por António Saramago que dispensa outras apresentações!

O Syrah da Herdade dos Lagos, que fica no concelho de Mértola, é pois um Syrah regional alentejano, cuja produção foi de 7000 garrafas. “Apresenta cor rubi intensa. Aroma frutado a ameixa madura. Cheio, redondo, complexo, boa acidez, terminando longo.”
Foi vinificado pelo processo tradicional de curtimenta em lagares inox com temperaturas de fermentação a cerca de 28ºC. Teve um estágio em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses. A longevidade prevista era de 8 anos! Já vai em 13 anos e acreditem ainda vai resistir mais uns anos! Irá? Apresenta um teor alcoólico de 14,5 %.
Em cerca de 25 hectares crescem as castas Syrah (a estrela internacional), Aragonez (conhecida na Espanha como Tempranillo), Touriga Nacional (uma uva tradicionalmente usada no vinho do Porto) e Alicante Bouschet (do intenso jogo decor).

A Herdade dos Lagos é propriedade de Horst Zappenfeld, empresário alemão com interesses na área do transporte de carga por via marítima exporta mais de dois terços da sua produção anual de vinho para terras germânicas. Cerca de 70% do vinho é vendido para a Alemanha e também para a Suíça. O restante vai para o mercado nacional, onde não se trabalha com as grandes cadeias de supermercados, à excepção do Intermarché, mas há consumidores que adquirem os vinhos e o compram através das garrafeiras e dos restaurantes. Localizada próximo da localidade de Vale de Açor, na freguesia de Alcaria Ruiva, a Herdade dos Lagos perde-se de vista e por lá é possível encontrar gado e olival (80 hectares), além do maior alfarrobal de Portugal (260 hectares) e 25 hectares de vinha e onde trabalham a tempo inteiro doze pessoas. Em 2011 saíram da herdade perto de 130 mil garrafas, num total de 100 mil litros de vinho, e nos anos seguintes a produção teve valores semelhantes, sendo que cerca de 70% se destina à exportação, sobretudo para a Alemanha e para a Suíça.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
‘Sob os ramos que falam com o vento,
inerte, abdico do meu pensamento.
Tenho esta hora e o ócio que está nela.
Levem o mundo: deixem-me o momento!’
Deixem-nos então mais uns momentos em paz e sossego enquanto degustamos o Syrah 2005 da Herdade dos Lagos!

 

Classificação: 17/20                                                      Preço: 7,50€

Monte da Caçada, Casa Santos Lima, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Apresentamos hoje a segunda colheita deste Syrah alentejano da Casa Santos Lima que, apesar de estar sediada em Alenquer e de ser o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, o que faz que seja o maior produtor de vinhos da região de Lisboa, também faz vinhos noutras zonas vinícolas!
Um pequeno colosso, diga-se em abono da verdade!
A Casa Santos Lima tem um outro Syrah bem mais antigo, este da região de Lisboa e que podemos encontrar no mercado a colheita de 2014!
Parabéns a esta Casa que tem neste momento as melhores colheitas de Syrah de sempre!
Este Monte da Caçada 2015 apresenta-se desde já como candidato a melhor Syrah do ano na relação qualidade/preço! E está melhor que a colheita de 2014 que foi apresentada aqui!

As notas de prova falam de um vinho “de cor rubi, bem definida, com intensos aromas a fruta madura como ameixas e frutos do bosque bem casados com suaves notas de carvalho. Combina na perfeição com comida e tem uma excelente capacidade de envelhecimento.” As uvas, previamente desengaçadas, passaram por uma maceração pré-fermentativa a baixas temperaturas durante 24 horas. A fermentação alcoólica foi feita em cubas de aço-inox com controlo de temperatura, não ultrapassando 27.ºC, durante 12 dias. Estágio de nove meses em barricas de carvalho francês e americano. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.
A Casa Santos Lima é uma empresa familiar, fundada por Joaquim Santos Lima, que, no final do século XIX, era já um grande produtor e exportador de vinhos. Maria João Santos Lima e José Luís Santos Lima Oliveira da Silva, neta e bisneto do fundador, gerem a empresa desde 1990, tendo procedido à replantação de grande parte das vinhas e modernizado toda a infra-estrutura produtiva. As vinhas distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 390 hectares.
As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

O tipo de solo predominante é o argilo-calcário, do período do Jurássico Superior, tendo sido encontrados numerosos exemplos de fósseis de vida marinha. A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único e também, em menor escala, com as melhores castas internacionais. É possível encontrar na Casa Santos Lima cerca de 50 variedades de castas diferentes (algumas com carácter experimental).

Uma célebre frase refere que:
Degustar às cegas é uma lição de humildade.
Neste caso específico do Syrah 2015 Monte da Caçada, a humildade não é necessária!
É sempre muito bom!

 

Classificação: 18/20                                                                     Preço: 7,90€