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A região dos grandes Syrah portugueses…

Bombeira do Guadiana, Herdade da Bombeira, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Apresentamos hoje a colheita de 2015 do Syrah Alentejano produzido mais a sul que conhecemos. De Mértola, Bombeira do Guadiana de seu nome.
Um Syrah de peso, já desde a colheita anterior!

O enólogo é Bernardo Cabral como é habitual, e foram produzidas cerca de 3500 garrafas por hectare, havendo 3,5 hectares de Syrah na Herdade da Bombeira. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. As notas de prova que escolhemos falam de um Syrah “especiado e bem maduro, algum chocolate, fruto intenso, boca com volume algum calor num final longo e picante. Um tinto com franqueza e generosidade de formas. Taninos sedosos e redondos, termina prolongado e medianamente persistente.” As uvas são colhidas de acordo com o seu estado de maturação. O desengace é total e a fermentação ocorre em lagares inox com controlo de temperatura, onde a pisa é feita por robot. A fermentação maloláctica e estágio é em barricas de carvalho francêse americano novas e de 2ª utilização durante 10 meses.

Um grupo de amigos, amantes da natureza, os proprietários da Herdade da Bombeira, entenderam em 1999 plantar 18 hectares de castas tintas, numa zona com solos privilegiados, onde logo se adivinhou um terroir de altíssimo potencial.
Em 2000 conclui-se a plantação, em 2003 produziu-se os primeiros vinhos, em 2005 o primeiro rosé, entre 2009 a 2011 é concluída a plantação de 3,5 hectares de uva branca e em 2012 é produzido o primeiro vinho branco. Numa procura constante de conhecer e compreender o potencial produtivo do terroir, pretende-se fazer evoluir os vinhos . O projecto tem tido o seu sucesso devido ao interesse constante dos clientes pelos vinhos da Herdade da Bombeira, que se situa no Concelho de Mértola, na margem direita do Rio Guadiana, a 3 quilómetros a sul dessa linda vila alentejana, estendendo-se ao longo de 2 quilómetros da sua margem.

A Herdade da Bombeira com os seus 700 hectares, possui uma várzea ao longo do rio com cerca de 20 hectares onde os solos de características xistosas se misturam com os aluviões do Rio Guadiana proporcionando as condições ideais para a implantação da Vinha. O Clima desta zona não sendo continental também não é de características marítimas. O mar fica a 50 quilómetros a Sul e a 100 quilómetros a Oeste mas a proximidade da Serra do Caldeirão e do Rio Guadiana tornam o clima mais ameno do que na generalidade das terras vinícolas do Alentejo. A influência do rio Guadiana é fundamental provocando um microclima que influencia a humidade relativa. Evita as geadas, faculta uma água com qualidade ímpar devido à corrente ecológica com origem na barragem do Alqueva.
As castas inicialmente escolhidas foram as alentejanas: Trincadeira e Aragonês, com cerca de 6 hectares cada e as internacionais: Cabernet Sauvignon e Syrah com cerca de 3,5 hectares cada. A plantação da vinha ocorreu nos anos 98 e 99 tendo sido vendidas no mercado as primeiras produções de uva. Após análise do comportamento das castas na zona e a conselho do enólogo residente Bernardo Cabral, decidiu-se em 2002 substituir, e muito bem na opinião do Blogue do Syrah, cerca de 2,5 hectares de casta Aragonês por Syrah, e em 2006 o restante por Alicante Bouchet cerca de 3,5 hectares.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
“Ao gozo segue a dor, e o gozo a esta.
Ora o Syrah bebemos porque é festa,
Ora o Syrah bebemos porque há dor.
Mas de um e de outro Syrah nada resta”.
Com este Syrah da Herdade da Bombeira de 2015 gozo não falta.
Dor, só mesmo quando a garrafa chega ao fim!

 

Classificação: 18/20                                                            Preço: 15,50€

Passo dos Terceiros, Sovibor, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Eis o nosso mais recente Syrah a ser degustado, do Alto Alentejo, mais precisamente de Borba e do ano de 2015!
Ao primeiro contacto na boca há logo uma explosão de aromas a frutos vermelhos. Muito abrangente, taninos bem dominados, acidez q.b., este é um Syrah que a ter continuidade poderá vir a fazer história!
Uma grande capacidade de evolução é outra marca saliente deste Syrah! Trata-se da primeira colheita da Sovibor, Sociedade de Vinhos de Borba, que este ano faz cinquenta anos de vida e está completamente renovada. Ficámos com essa ideia logo após a conversa tida com o seu director de exportação, José Carneiro Pinto. Foram feitas cerca de três mil e quinhentas garrafas que tendo em conta a qualidade e o preço apresentado não vaticinamos uma estadia longa no mercado. Este Syrah está vocacionado apenas para garrafeiras! O nome deste Syrah, Passo dos Terceiros, deve-se à construção de 1755 contígua à adega da Sovibor que é a maior de um conjunto de quatro estações esculpidas em mármore branco, representando os Passos do Senhor a caminho do calvário.

As notas de prova dizem que é um “Syrah com cor rubi, aroma elegante e toques balsâmicos, com notas de frutos vermelhos maduros. Boca elegante e fresca, com belo volume, taninos sedosos, bem casados com a acidez que o vinho ostenta. Termina longo e com bom equilíbrio final.” Tem 15% de graduação alcoólica. O enólogo é o mestre António Ventura, artífice de muitos Syrah e que aqui atinge um dos seus pontos mais altos!

Falemos agora da empresa que está por detrás deste Syrah. A Sovibor, Sociedade de Vinhos de Borba, Lda. é uma Sociedade Comercial por Quotas constituída por escritura pública, a 16 de Dezembro de 1968. Resulta da fusão de dois pequenos produtores que muitos anos antes de 1968 iniciaram as respectivas actividades e mais tarde criaram as firmas Manuel Joaquim Mira e Domingos Luiz Pinto & Filho, Lda., ambas com largas tradições no campo vinícola. Por isso, e em consequência de tal fusão a SOVIBOR é gerida por pessoas tradicionalmente ligadas à actividade vitivinícola. Embora esteja equipada com a mais moderna tecnologia com vista à produção de vinhos de qualidade, esta empresa dispõe ainda de uma antiga e bonita adega de envelhecimento, com cerca de três mil hectolitros em tonéis de madeira. A Sovibor empresa histórica do Alentejo que comemora, já em 2018, o seu 50º aniversário, quer terminar o ano com as exportações a valeram já 20 a 25% das suas vendas. A empresa, propriedade do grupo Sousa Tavares, SGPS, que detém, entre outras, a distribuidora Sotavinhos e a produtora vinícola Quinta do Progresso, fechou 2016 com uma faturação inferior a 1,5 milhões de euros, valor que pretende duplicar até 2021. Adquirida em Dezembro de 2014, a Sovibor passou a contar com uma nova administração, liderada por Fernando Tavares, e com uma nova equipa de enologia, a cargo de António Ventura, em coordenação com Rafael Neuparth e Rita Tavares. A aposta passa por reposicionar todos os vinhos num patamar superior de qualidade e de preço.

A beneficiação das infraestruturas, com o restauro dos edifícios, e a renovação da linha de engarrafamento, totalmente automatizada, foi recentemente concluída, um processo em que a Sovibor investiu mais de meio milhão de euros. Estão, ainda, previstos novos investimentos com vista à ampliação do armazém de produto acabado e de matérias-primas. A par da recuperação da adega, cave de tonéis e sala de talhas, a Sovibor aposta num novo patamar de qualidade superior e no relançamento dos vinhos com a velha identidade local.

Fernando Pessoa, simultaneamente grande poeta e bebedor de Syrah, bastas vezes apanhado em flagrante de litro, escreveu o célebre “Canções de Beber” onde é dito:
“Sabei, meus amigos, que desde que em meu lar
Um novo casamento contraí com alegria:
Apartei a razão árida e velha de meu leito,
Para a filha da vinha desposar.”
O Passo dos Terceiros 2015 é bem um daqueles Syrah que vale a pena desposar, sem pensar em mais razões!

 

Classificação: 18/20                                                                        Preço: 9,95€

Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo, 2006

Há mais de três anos apresentamos o Scala Coeli de 2010. Hoje apresentamos a outra colheita deste Syrah fantástico, que é de 2006, apesar de o termos degustado há já bastante tempo.
Hoje chegou a possibilidade de o apresentar.
Vamos então a ele!

Scala Coeli é o nome deste Syrah que em latim significa “escada para o céu”. Syrah que deve o seu nome ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido por Mosteiro da Cartuxa, local onde os monges Cartuxos permanecem em silêncio e oração. Produzido a partir das melhores vinificações do ano, foi produzido pela primeira vez em 2005.
Chegando ao que mais nos interessa, o Syrah Scala Coeli de 2006 tem 14,5% de graduação alcoólica e por detrás deste néctar está Pedro Baptista, o enólogo premiado da Fundação, reconhecido pela qualidade e solidez dos vinhos que assina. Diz a ficha técnica que “As uvas passaram por um processo de maceração pré-fermentativa a frio, seguida de fermentação alcoólica à temperatura de 28ºC e de maceração prolongada. Período de encuba total de quarenta dias e estágio de quinze meses em barricas novas de carvalho francês. De cor granada, apresenta um aroma intenso e elegante. Na boca apresenta uma excelente estrutura com taninos suaves, boa acidez, terminando com ampla sensação de volume.”

Mas vamos então contar um pouco de história, e de cultura, que se impõe para percebermos como nasce este grande Syrah. E como está carregado de história!
Começamos pela Fundação Eugénio de Almeida, que é herdeira de uma longa tradição no sector vitivinícola, com a vinha a fazer parte da tradição produtiva da Casa Agrícola Eugénio de Almeida desde o final do Séc. XIX. As uvas, que atualmente resultam da produção obtida em 600 hectares de vinha, são vinificadas na moderna e sofisticada Adega Cartuxa – Monte Pinheiros, herdade que outrora foi centro de lavoura da Fundação Eugénio de Almeida. A Adega Cartuxa – Quinta Valbom, antigo posto Jesuíta, onde já em 1776 funcionava um importante lagar de vinho, é desde 2007 o centro de estágio de vinhos e sede do Enoturismo Cartuxa.

A Fundação Eugénio de Almeida é uma instituição de direito privado e utilidade pública, sediada em Évora. Os seus estatutos foram redigidos pelo próprio fundador, o Eng. Vasco Maria Eugénio de Almeida, Conde de Villalva, quando da sua criação em 1963. A missão institucional da Fundação concretiza-se nos domínios cultural, educativo, assistencial, social e religioso. A produção obtida nas vinhas é vinificada num local histórico e sagrado, a Adega da Cartuxa, situada na Quinta de Valbom, em Évora. A adega está instalada num edifício que pertenceu à Companhia de Jesus em 1580 e que na época era a sua casa de repouso. Com a expulsão dos jesuítas de Portugal pelo Marquês de Pombal, este edifício foi integrado aos Bens Nacionais em 1755. No ano seguinte, já funcionava no local um importante lagar de vinho que absorvia a produção vinícola da região. Em 1869 o edifício foi vendido em hasta pública e adquirido por José Maria Eugénio de Almeida, avô do Eng. Vasco Maria Eugénio de Almeida. Próximo à Adega da Cartuxa, fica o bonito Mosteiro da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, fundado em 1587 e que retomou em 1960 a actividade religiosa contemplativa, depois de vultosas obras de restauro empreendidas pelo Conde de Villalva. No silêncio das caves deste Mosteiro, vários vinhos da Fundação fazem o seu estágio em garrafa.

Sempre com a preocupação do enquadramento arquitectónico num edifício muito rico em história, a Adega da Cartuxa passou por várias reformas e ampliações nos últimos anos. Hoje é uma das mais modernas e bem equipadas do Alentejo, toda ela cercada por vinhas e com uma loja de vinhos cujos preços são 30% a 40% mais baratos que nas garrafeiras.
A Adega da Cartuxa, na Quinta de Valbom, está intimamente ligada à Companhia de Jesus. Fundada por Santo Inácio de Loiola em 1540, a Ordem tinha uma vocação missionária ligada ao ensino, tendo sido justamente nessa vertente que mais se destacou a sua presença em Évora, primeiro com a criação do Colégio Espírito Santo por volta de 1551 e, posteriormente, com a criação da Universidade, em 1559. No ano de 1580 o padre jesuíta Pedro Silva, reitor da Universidade, quis adquirir a Quinta de Valbom para aí alojar o corpo docente da Universidade. A construção do que viria assim a ser a Casa de Repouso dos Jesuítas demorou cerca de 10 anos e resultou num edifício com múltiplos alojamentos, refeitório e capela. Em 1759, com a expulsão da Companhia de Jesus do país pelo Marquês de Pombal, a Quinta, com a sua edificação, passou a integrar os bens do Estado tendo, alguns anos mais tarde (1776), e pela primeira vez, foi equipada com um lagar de vinho que rapidamente ganhou importância na região. A proximidade do Convento da Cartuxa, erigido em meados do séc. XVI, determinou a designação por que ficou conhecida até aos dias de hoje: Adega Cartuxa. Em 1869 o bisavô do instituidor, José Maria Eugénio de Almeida, adquiriu a Quinta, colocada à venda no contexto do longo processo de aplicação das políticas liberais de Mouzinho da Silveira com a nacionalização dos bens da Igreja e da Coroa e a sua posterior venda a particulares. Depois da sua morte viria a ser o seu filho, Carlos Maria Eugénio de Almeida, avô do fundador, a empenhar-se na continuidade e expansão da produção da Casa Agrícola Eugénio de Almeida. Foi da sua iniciativa a plantação dos vinhedos que constituíram a origem mais remota dos vinhos da Fundação. Com a expansão e sucesso progressivos da produção vitivinícola da Instituição, a Adega da Cartuxa, instalada no antigo refeitório da Casa de Repouso dos jesuítas foi sendo alvo de melhoramentos. Desses, destaca-se a grande reestruturação que ocorreu entre 1993 e 1995, e que permitiu o reequipamento e ampliação de todos os sectores da adega aumentando-se de forma considerável o seu potencial de vinificação e a sua capacidade de armazenagem.

A nova Adega Cartuxa, situada na Herdade de Pinheiros, permite receber a totalidade da uva produzida nas vinhas da Fundação, e tem na sua génese três premissas tecnológicas que a distingue das demais: efectiva capacidade de refrigeração, possibilidade de triagem na totalidade da uva à entrada na adega e movimentação e transferência de massas unicamente por gravidade. Da linha de engarrafamento totalmente automatizada instalada na Adega Cartuxa saem anualmente cerca de quatro milhões de garrafas, distribuídas por vinho branco, rosé e tinto das marcas Vínea, EA, Foral de Évora, Cartuxa, Scala Coeli e o mítico Pêra-Manca. É na excelência da matéria prima que assenta toda a produção vinícola da Fundação.

Fernando Pessoa escreveu:
“Dá-me mais Syrah, porque a vida é nada!”
Dá-nos mais Scala Coeli, Pedro Baptista, pode ser de 2015, dizemos nós!

 

Classificação: 18/20                                                      Preço: 55,00€

Mensagem de Syrah, Altas Quintas, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Hoje apresentamos o mais novo Syrah a aparecer no mercado português!
E claro, é com imensa alegria que o fazemos.
Chama-se Mensagem de Syrah!
Ora aqui está um nome forte para um Syrah!
Tem impacto!
Gostamos!

Foram produzidas três mil e seiscentas garrafas, e as notas de prova dizem-nos que se trata de um “syrah de cor granada intensa, com aromas de compota de frutos vermelhos, chocolate e especiarias. Na boca, revela a frescura oriunda do Terroir, forte estrutura e longo final.” Tem 14,5% de graduação alcoólica e uma grande capacidade de evolução.

As vinhas encontram-se num Terroir muito especial. Localizam-se a 600 metros de altitude, num planalto que se desenvolve de uma forma única, em plena Serra de São Mamede. A altitude, as condições do mesoclima desta zona e os solos de médio potencial produtivo tornam este local tão especial. A vinha é conduzida dentro de um programa de protecção integrada. As uvas de Syrah para este vinho foram colhidas manualmente dos melhores talhões desta casta para caixas de 20 Kg. O transporte foi feito de forma rápida para a adega. Fez-se a selecção de cachos e bagos à entrada da adega. Fez-se a fermentação a temperatura controlada, em balseiro de carvalho francês; seguiu-se uma longa maceração pós-fermentativa e estágio no mesmo balseiro. Mais de 70% dos cachos são retirados em verde para que os que ficam tenham outra estrutura e qualidade. Só são produzimos 3.500 Litros por hectare.

Altas Quintas é a concretização do sonho do produtor João Lourenço de fazer, no Alentejo, nada menos que grandes vinhos, que sejam um desafio para apreciadores exigentes. Esta boa obsessão é a essência de Altas Quintas. Essas condições ideais foram encontradas na Herdade de Porto da Bouga. A região e o local (Portalegre, Serra de São Mamede) continuam o projecto Altas Quintas. Uma propriedade classificada, com história de produção de vinho já desde o século XIX e emblemática na região. A área de 256 hectares encontrava-se plantada com cerca de 20 hectares de vinha, aos quais se juntaram mais 30 hectares, mantendo uma base de castas autóctones. Essa base é composta por Trincadeira, Aragonez e Alfrocheiro, e complementada com percentagens mais baixas de Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Syrah. O encepamento branco, em menor proporção, é de Verdelho e Arinto.

Além da vinha, existem cerca de 80 hectares de pinheiros, 50 de sobreiros, 20 de fruteiras e 8 de olival. João Lourenço rapidamente percebeu que a localização da Quinta permitia fazer a diferença. A altitude de 600 metros a que está situada a vinha, num planalto com orientação Norte-Sul é o início da diferença. Esta altitude, única no Alentejo, permite de imediato criar uma série de diferenciações: as características dos solos, o microclima desse planalto, com temperaturas mais amenas e índices pluviométricos diferentes do resto do Alentejo. Nem só de Terroir se fazem os grandes vinhos e, como tal, é necessário dar o contributo tecnológico para os criar. Assim, foi construída uma Adega pensada de raiz e com todas as condições para se fazerem grandes vinhos. Tem capacidade para 150.000 L, equipado com balseiros de carvalho francês Seguin Moreau. As barricas de carvalho francês são usadas apenas até ao terceiro ano. Possui ainda um sistema de controlo de temperatura e câmara de refrigeração para brancos.

Raúl Ponchon, poeta francês, escreveu que:
“Syrah dá poesia, poesia dá Syrah!”
É pois de poesia que estamos a falar, verdadeira poesia degustativa, quando falamos deste Mensagem de Syrah 2015!

 

Classificação: 17/20                                                        Preço: 20,65€

Syrah da Peceguina, Herdade da Malhadinha Nova, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Provámos aquela que é a terceira colheita deste Syrah da Herdade da Malhadinha Nova, de Albernoa, nas feiras que aconteceram durante o mês de Outubro em Lisboa.
Fizemos a sua degustação pelo menos duas vezes. A primeira é de ano anterior, 2009, e tratou-se de um lote muito pequeno de 2123 garrafas. A segunda é do ano de 2010 e temos agora a terceira de 2015. O enólogo é Nuno Gonzalez, que gere 27 hectares de vinha.

O Syrah foi envelhecido em barrica. As uvas foram colhidas manualmente para caixas de 12 Kg e seleccionadas na mesa de escolha. A fermentação ocorreu em lagar a temperatura controlada com várias pisas durante todo o processo. Estágio de 18 meses, e não de 12 meses como diz na ficha técnica, em barricas novas de carvalho francês. Deste Syrah “espere pois no seu copo um vinho impetuoso, viril e carnudo, que nos deleita com o seu fruto maduro e que impressiona pelo seu corpo.”

A Malhadinha Nova é uma típica herdade familiar alentejana, situada em Albernoa, no coração do Baixo Alentejo. Desde 1998, a paixão e empenho da família levaram à transformação de terras havia muito abandonadas em solos capazes de dar vida a produtos genuinamente alentejanos e de elevada qualidade, dedicando-se à produção de vinhos e à criação de animais de raça autóctones em total harmonia com a Natureza e rigoroso regime de protecção com denominação de origem protegida. As perfeitas condições climáticas do Alentejo para este tipo de actividade, os solos xistosos, as suaves encostas bem drenadas da propriedade e as castas criteriosamente selecionadas (Touriga Nacional, Aragonêz, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon, Tinta Miúda para os tintos e Arinto, Roupeiro, Antão Vaz, Chardonnay, Alvarinho, Verdelho e Viognier para os brancos) formam o terroir da Malhadinha Nova, com condições únicas para a produção de vinhos de grande qualidade.

 

A Adega da Malhadinha Nova, tradicional mas sofisticada, reúne um conjunto de características muito favoráveis à obtenção de vinhos distintos. Situada a escassos metros da vinha, a adega aproveita a inclinação do terreno, permitindo que todo o processo de vinificação se faça por gravidade. Como já referido, a uva é recebida em pequenas caixas de 12kg e descarregada directamente para os modernos lagares refrigerados, onde a pisa a pé conjuga na perfeição métodos tradicionais de vinificação e utilização de tecnologia por forma a obter da uva todo o potencial que a Natureza lhe deu na vinha. A cave de barricas, escavada na encosta a vários metros de profundidade, confere ao vinho excelentes condições para o envelhecimento. A vinificação ocorre de forma tradicional em lagares, graças à estrutura da adega em vários níveis, todo o processo é feito por gravidade, evitando a utilização de bombas susceptíveis de retirar muita da qualidade pretendida.

A escritora Colette escreveu:
«Entrai no mundo do Syrah sem outra formação profissional para além de uma certa gula para as boas garrafas!»
Ora aí está. O Syrah da Herdade da Malhadinha Nova persegue na sua totalidade este desiderato!

 

Classificação: 17/20                                                               Preço: 24,00€

Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2014

Esta é a terceira colheita deste grande Syrah de um pequeno produtor!
A colheita de 2011, assim como a colheita de 2012, foram consideradas topo de gama pelo Blogue do Syrah!
O ditado popular diz que “não há duas sem três!” e esta terceira colheita vai pelo mesmo caminho!
A anterior de 2012 ombreou com alguns dos melhores Syrah portugueses e franceses numa prova cega patrocinada e levada a cabo pelo Blogue do Syrah e obteve um segundo lugar que poucos no início da prova poderiam vaticinar. O Syrah francês que ganhou apenas o ultrapassou por uma diferença de 0,16 de ponto! Este é um Syrah que é preciso ter sempre presente em qualquer prova em que os Syrah portugueses estejam em confronto com Syrah de outros países!

E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.” Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2014 é justamente a nossa casta Syrah! Produção limitada a 1213 garrafas! Esta que foi degustada com todo o prazer era a 1073!

O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. Inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias. Com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?
João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV. A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

O nosso citado até à exaustão poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat diz o seguinte:
“Mais vale uma ânfora de Syrah do que o poder, a glória e as riquezas.”
Se esse Syrah for do Monte do João Martins então não temos a mínima dúvida da veracidade da afirmação do poeta!

 

Classificação: 18/20                                                   Preço: 19,95€