Category Archives: Alentejo

A região dos grandes Syrah portugueses…

Herdade do Esporão, 100% Syrah, Alentejo, 2012

Este que hoje aqui nos trás, o Syrah 2012 da Herdade do Esporão, ficou em terceiro lugar na prova cega realizada em parceria entre o Blogue do Syrah e os Cegos por Provas no passado mês de Outubro em Lisboa. Nessa prova cega estavam presentes Syrah Franceses, Austríacos, Australianos, Sul Africanos, Chilenos e Argentinos para além dos Portugueses, naturalmente. Entre 20 Syrah presentes na prova o Syrah da Herdade do Esporão 2012 ficou em terceiro lugar. Isto atesta bem da qualidade intrínseca deste Syrah que já tinha sido atestado por nós aqui em relação ao seu irmão do ano anterior.

O Syrah da Herdade do Esporão é feito com vinhas entre 10 e 20 anos. Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho americano, seguidos de mais 18 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Fez-se uma pequena produção de cinco mil litros, o que deu qualquer coisa como 6600 garrafas. As notas de prova dizem-nos: “Nariz compacto, com notas evidentes de tosta, e ligeiras notas de café torrado. Revela fruta negra madura com taninos musculados e acidez que conduz a um final bastante persistente.”

A Herdade do Esporão beneficia de um clima mediterrânico-continental, com exposição solar intensa, com uma média anual de 300 dias de sol. O clima é também caracterizado por grandes amplitudes térmicas anuais, com Verões muito quentes e secos e Invernos curtos e chuvosos, com consideráveis amplitudes térmicas diárias. Estas características definem profundamente, a fauna, a flora, a paisagem, a arquitectura e as gentes do Alentejo. A Herdade do Esporão apresenta todas as características de uma paisagem tipicamente mediterrânica.

Se as vinhas são o pulmão da Herdade do Esporão, a adega é o coração que palpita ao ritmo da vindima e da sequência dos trabalhos definidos pelo calendário e pela equipa de enologia. A equipa de enologia do Esporão é liderada pelo Luso-Australiano David Baverstock, uma referência na enologia portuguesa, que tem dado um contributo decisivo para a afirmação nacional e internacional dos vinhos do Alentejo. A equipa de enologia completa-se com os enólogos Luís Patrão, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos tintos, e a Sandra Alves, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos brancos e rosés.

João Fillipe Clemente pensador brasileiro escreveu:
“Você não pediu para nascer e, salvo raríssimas excepções, morrerá contra a sua vontade. Então, trate de aproveitar o intervalo entre esses dois momentos da melhor maneira possível, beba bons vinhos com bons amigos.”
O Syrah 2012 da Herdade do Esporão pode muito bem, entre outros Syrah, desempenhar com excelência esse papel!

 

Classificação: 18/20                                           Preço: 27,50€


 

Syrah da Peceguina, Herdade da Malhadinha Nova, 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Mais uma revisitação deste Syrah alentejano, após termos descoberto uma garrafa perdida que estava mesmo à nossa espera!

A análise inicial tinha sido feita há 22 meses, em Janeiro de 2015. Hoje voltamos à carga para perceber como é que está este Syrah de 2010. E não é que continua muito bom e até melhorou desde então. E mais uma vez o problema é que já não há mais e não se sabe quando é que haverá!

O Syrah da Herdade da Malhadinha Nova é produzido em 27 hectares de vinha, resultando daí um Syrah poderoso! O teor alcoólico é de 15,5%. Foram feitas 6195 garrafas de 0,75l e 100 garrafas de 1,5l.

Em conversa com o enólogo da casa, Nuno Gonzalez, ficamos a saber que esta safra é somente a segunda que a Herdade da Malhadinha Nova fez de monocasta Syrah. O Syrah foi envelhecido em barrica. As uvas foram colhidas manualmente para caixas de 12 Kg e seleccionadas na mesa de escolha. A fermentação ocorreu em lagar a temperatura controlada com várias pisas durante todo o processo. Estágio de 18 meses, e não de 12 meses como diz na ficha técnica, em barricas novas de carvalho francês. Na ficha é dito, e nós confirmamos, que “espere pois no seu copo um vinho impetuoso, viril e carnudo, que nos deleita com o seu fruto maduro e que impressiona pelo seu corpo.” Também é dito que poderá ser guardado nas condições adequadas durante os próximos 10 anos. Temos pena que isso não possa acontecer!

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A Malhadinha Nova é uma típica herdade familiar alentejana, situada em Albernoa, no coração do Baixo Alentejo. Desde 1998, a paixão e empenho da família levaram à transformação de terras havia muito abandonadas em solos capazes de dar vida a produtos genuinamente alentejanos e de elevada qualidade, dedicando-se à produção de vinhos e à criação de animais de raça autóctones em total harmonia com a Natureza e rigoroso regime de protecção com denominação de origem protegida.

A Adega da Malhadinha Nova, tradicional mas sofisticada, reúne um conjunto de características muito favoráveis à obtenção de vinhos distintos. Situada a escassos metros da vinha, a adega aproveita a inclinação do terreno, permitindo que todo o processo de vinificação se faça por gravidade. Como já referido, a uva é recebida em pequenas caixas de 12kg e descarregada directamente para os modernos lagares refrigerados, onde a pisa a pé conjuga na perfeição métodos tradicionais de vinificação e utilização de tecnologia por forma a obter da uva todo o potencial que a Natureza lhe deu na vinha. A cave de barricas, escavada na encosta a vários metros de profundidade, confere ao vinho excelentes condições para o envelhecimento. A vinificação ocorre de forma tradicional em lagares, graças à estrutura da adega em vários níveis, todo o processo é feito por gravidade, evitando a utilização de bombas susceptíveis de retirar muita da qualidade pretendida.

Do poeta francês Charles Beaudelaire lembramos o poema A Alma do Vinho, e o excerto que diz: “A Alma do vinho assim cantava na garrafa: Homem, ó deserdado amigo, eu te compus, Nesta prisão de vidro e lacre em que te abafas, Um cântico em que só há fraternidade e luz!”
Um topo de gama do qual vamos ter muitas saudades!

 

Classificação: 19/20                                              Preço: 20,00€

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Vidigueira Reserva, Adega Cooperativa da Vidigueira, 100% Syrah, Alentejo, 2014

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Foi com muita alegria que recebemos a notícia deste novo Syrah porque, de alguma maneira, veio colmatar uma lacuna na quantidade de Syrah que nos chega do Baixo Alentejo. Quantidade essa que tinha vindo a baixar com alguma regularidade, ao contrário dos irmãos do norte, sempre a aumentar e com grande pujança. Desta maneira o Baixo Alentejo pode, a partir de agora, contar com mais um Syrah.
E podemos desde já dizer: é um Syrah de qualidade, mesmo!

100% Syrah, 12 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês, cor ruby, quase opaco, cheio de brilho, é um néctar aromático, com fruta preta muito madura, notas de madeira e especiarias, com um toque balsâmico. Um tinto muito encorpado, concentrado, cheio de fruta, intenso e amplo… puro deleite!

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A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo.

A história da Adega vai muito além dos seus 50 anos de existência, tendo antigas raízes que se entrelaçam com a história da própria vila, «a villa da Vidigueira, cuja etymologia querem derivar de Videira, em razão de abundarem nos seus  férteis terrenos as vinhas, está situada n’uma collina distante a vinte e dois kilometros de Beja e vinte e cinco da cidade de Évora.» (Augusto Carlos Teixeira Aragão, 1871). Em 1519, a Vidigueira foi cedida a Vasco da Gama pelo duque D. Jaime, Duque de Bragança, com escritura ratificada por carta régia de D. Manuel I, começando assim a profunda relação da vila com os Gamas. A vinha e o vinho sulcam o perfil económico e cultural da Vidigueira. Envolvidas num rendilhado de cepas, Vidigueira, Cuba e Alvito  integram a paisagem a que Fialho de Almeida chamou «O País das Uvas».

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É neste quadro que surge pela primeira vez este nosso aqui de hoje em destaque Syrah!
São várias as castas que contribuem para a especificidade dos  vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

E já que falamos do poeta d’Os Lusíadas, que seja dele a citação que escolhemos para apresentar este Syrah, que assim dizia falando de um “Ardente licor que dá alegria!”
É exactamente o que pensamos a propósito deste sublime néctar da Vidigueira, que será nas próximas semanas o nosso companheiro dos longos serões de Inverno que se aproximam. Façam-nos companhia!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 17,50€


 

Incógnito, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Quando no ano passado apresentámos o Incógnito 2011, contando a história fascinante deste vinho, que dava um filme, dissemos o seguinte: “Mesmo estando a falar de acontecimentos que ocorreram nos últimos vinte anos, que quando falamos de Syrah em Portugal é tudo muito recente, este Syrah é já um mito vivo!” Esse mito foi reforçado com este Incógnito 2012 que, apesar de ter pela frente um caminho de evolução enológica, já tem uma história que só pode reforçar esse mesmo mito vivo de que falávamos o ano passado!

Na prova cega do passado mês de Outubro, que colocou frente a frente Syrah portugueses contra congéneres estrangeiros, desde franceses,australianos, sul africanos, austríacos, argentinos e chilenos, poucos poderiam inicialmente vaticinar o resultado final! Nós aqui, no Blogue do Syrah sempre tivemos confiança no bom desempenho dos Syrah portugueses. Mas o que aconteceu foi uma coisa quase do outro mundo: o Syrah vencedor da prova onde estiveram presentes vinte Syrah no total, avaliados por trinta e três jurados, foi o último a ser servido, justamente este Incógnito 2012. Não tem o mesmo significado ganhar a prova tendo sido apresentado nos primeiros dez lugares, ou tendo sido apresentado precisamente em último! O Incógnito 2012 arrebatou duma penada toda a concorrência dentro e fora de portas, e isso é obra! Estávamos longe de imaginar que tal coisa poderia sequer acontecer… mas aconteceu! E desse modo este Syrah de Cortes de Cima, grande representante do Baixo Alentejo, continua a sua caminhada em direcção ao espaço sideral mitológico!

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As notas de prova incluídas na garrafa dizem-nos que possui uma “mistura de frutos selvagens de bago vermelho, tosta de madeira, carne e notas de alcatrão. No paladar é complexo, com um forte paladar de fruta silvestre madura e um equilíbrio cativante. Suave no início, mostrando-se firme ao longo da prova, excelente estrutura de taninos e uma agradável frescura, com boa acidez a contribuir para um longo e persistente final.” Acreditamos que se vai manter grandioso pelo menos durante 10 anos. Safras anteriores do Incógnito já mostraram que a longevidade deste néctar está muito acima da média. Tem uma graduação alcoólica de 14%. O estágio foi feito em barricas de carvalho francês. A colheita, produção e engarrafamento é feito na propriedade familiar. Foi engarrafado sem filtração nem colagem em Julho de 2013. A produção total foi de 13.700 garrafas.

A casta Syrah, tal como em 1998, continua a não ser identificada no rótulo principal da garrafa, para seguir a tradição, apesar de já ser legal desde 2002, mas no contra-rótulo a pista permanece, mais precisamente um acróstico, para quem souber ler na vertical e decifrar o enigma:

Select fruit from
Young vines, well
Ripened,
And hand
Harvested.

Literalmente: “frutas seleccionadas de vinhas jovens, bem maduras, e colhidas à mão”. Para reforçar a ideia, Jorgensen ainda colocou a frase atribuída ao agora Prémio Nobel da Literatura, Bob Dylan “To live outside the law, you must be honest”, que em tradução livre significa “Para viver à margem da lei, tem que se ser honesto”. Ou num tom ainda mais ético: “Só se pode viver à margem da lei se formos honestos”.

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O sucesso alcançado pelo vinho “fora da lei” provou que a nossa casta Syrah se adaptou espectacularmente bem ao clima alentejano, fazendo com que o próprio Jorgensen ampliasse a área plantada por essa variedade em Cortes de Cima. O Incógnito, no entanto, continuou a ser produzido a partir apenas da vinha original, o talhão 9C, que ocupa parte do topo de uma colina e tem um solo particularmente calcário, formando uma mancha branca no terreno. Isso faz toda a diferença, ao conferir uma frescura particular que equilibra a maturação que o clima local instila na alma de um Syrah que habita no Olimpo dos néctares de culto.

Terminando por onde começámos, seria fantasioso desejar outro preço que não o sabido para uma garrafa que nos chega, não de uma montanha, mas de uma tão sagrada planície!
O escritor João Filipe Clemente disse “Todo o grande vinho é caro, mas nem todo o vinho caro é grande!” O Incógnito cumpre a primeira parte do dito, e  poderá ser considerado caro mas é um grande vinho, disso não há dúvidas!

 

Classificação: 19/20                                                     Preço: 65,00€

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Margarida, Margarida Cabaço, 96% Syrah, 4% Viognier, Alentejo, 2008

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Foi em Julho do ano passado que o Blogue do Syrah apresentou a sua análise e avaliação deste Margarida Syrah, que foi elevado à condição de topo de gama.
Hoje, um ano e três meses depois, e por especial sorte, pois conseguimos descortinar uma solitária garrafa numa garrafeira em Grândola, fazemos uma revisitação a este Syrah.
E não é que está ainda melhor que a edição anterior?!

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Na altura dissemos:
“Este Syrah de Margarida Cabaço, podemos dizer desde já, tem algumas particularidades únicas. Primeiro é o facto de ser um Syrah não a 100%, como é de nossa preferência, mas sim a 96%, já que os restantes 4% são Viognier, como é consensual. Mas espantoso é o facto de que as uvas Syrah de Estremoz abafam de tal modo a casta branca que esta passa despercebida comparativamente com outros Syrah cuja composição é semelhante.
Em segundo lugar é um Syrah que, sem ser a 100%, obtém da nossa parte a classificação de 18 em 20. Com nenhum outro Syrah nas mesmas circunstâncias tal tinha acontecido.
Finalmente é um Syrah feminino, e aqui a nossa vertente marialva tem de dar o braço a torcer: estas duas senhoras, Margarida Cabaço e Susana Esteban,  percebem do ofício da vinha melhor que muitos criadores de vinho do sexo oposto.”

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E se percebem! O Margarida Syrah evoluiu de tal maneira que hoje está mais aguerrido, mais aromático, mais expressivo nos taninos, mais voluptuoso! Por isso não se admirem com a classificação! Nós aqui no Blogue do Syrah nem pestanejámos!

Margarida Cabaço é a produtora cujo nome é marca do topo de gama monovarietal que produz. Em cada ano é escolhida a casta que mostrou potencialidades capazes de fazer um grande vinho. Por exemplo o Margarida que se encontra no mercado com mais facilidade é o de 2009 feito a 100% da Alicante Bouschet. Em 2008 tinha cabido a vez ao Syrah. Safra única até agora pelo menos.
Temos viva esperança que a Margarida Cabaço decida fazer um Syrah da colheita de 2015! Se o fizer poderá, quiçá, igualar este Syrah 2008!
A enóloga de serviço é a Susana Esteban. Já falamos de outros Syrah feitos pela Susana e já a tínhamos apresentado aqui!

O Margarida Syrah 2008 foi vinificado em lagar e estagiado parcialmente em barricas de carvalho francês; fresco, fruta evidente, fumado, notas especiadas, estruturado ainda com os taninos por domar, final longo, gastronómico. Uma surpresa espantosa! As notas de prova dizem que se trata de um Syrah “complexo e austero, ameixa preta, especiarias. Muito carácter na boca vigorosa, seca, com sugestões de alcatrão e bagas esmagadas. Excelente acidez e frescura de conjunto.”  A graduação alcoólica é de 14,5% e teve uma produção de apenas 4.200 garrafas. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês usadas.

“Em 2008 elegi a casta Syrah como base para este vinho. As uvas foram vinificadas em lagar com pisa pé e fizeram estágio em barricas de carvalho francês” palavras da própria Margarida Cabaço.
Luís Pato, o sr. Baga, nunca fez um Syrah mas a frase dele que aqui reproduzimos aplica-se às mil maravilhas a este Syrah. “Não se pode fazer Vinho ao acaso – a Qualidade é o que o consumidor gosta e paga.”

Só é mesmo pena que já não haja mais para consumir.
Ficamos assim à espera do próximo Margarida Syrah!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 19,95€


 

Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Em Junho de 2015 apresentamos o Syrah 2011 do Monte do João Martins. Hoje é a altura de apresentarmos a colheita de 2012, que já saiu há um ano e que desde essa altura conhecemos! Feito por um pequeno produtor, que temos sempre o prazer de reencontrar na Feira de pequenos produtores do Campo Pequeno!

O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo.

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Monte do João Martins, inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias.

Com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?

João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV.

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E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada. É um Syrah com uma graduação alcoólica de14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.”  Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2011 é justamente a nossa casta Syrah!

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A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas  de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

“O bom Vinho alegra o coração dos homens”dizem as Escrituras, e o presente Syrah é um bom exemplo disso mesmo!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 19,95€

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